!
uh comunicação ilimitada

ano 4 - número 865 - terça-feira, 26 de abril de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

Os valores morais são os únicos que conservaram os preços de antigamente.

Stanislaw Ponte Preta

colunas anteriores
e-ditorial
entrevista do sábado
resenha
e-xclusiva
q.i.
tribuna livre
prateleira eletrônica
uuuh!
página uh!
boca maldita
parceiros
anuncie
expediente

COLUNISTAS

Antonio Carlos Ferreira
Antonio Carlos Rayol
Claudio Tognolli
Ipojuca Pontes
José Nêumanne Pinto
Marcelo Kahns
Roberto Romano da Silva
Sandro Villar

O Brasil e as Relações Internacionais

Santa Catarina em Brasília

ESCREVA PARA O UCHO

Receba em seu
e-mail os principais destaques do dia


Nome:

E-mail:

  

 

Parceiros

Besteirol em cena
Em mais um de seus irresponsáveis discursos, o presidente Lula faz de anúncios oficiais uma enfadonha conversa de bêbados em botequim de porta de fábrica. Ontem, durante solenidade de sanção da Lei que cria o Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado, Lula disse que o brasileiro não levanta o traseiro do banco, ou da cadeira, para buscar um banco mais barato. Reclama toda noite dos juros pagos e no dia seguinte não faz nada para mudar. É verdade que em regimes democráticos todos podem aspirar o mais alto cargo da nação, mas o Brasil não merecia tão pouco. Enfim, resta admitir que a esperança não apenas deixou de derrotar o medo, como fugiu amedrontada.

Vida dura
Antes do feriado de Tiradentes, o Palácio do Planalto emitiu uma nota informando que o presidente Lula passaria o final de semana prolongado em Brasília, como forma de minimizar as possíveis críticas de mais uma viagem do Aerolula a São Paulo. Quem acreditou que o presidente recobrou o pauperismo que sempre faz questão de incluir em seus discursos destemperados, enganou-se. Lula ficou, sim, na capital federal, mas convidou o companheiro Jorge Sameck, diretor do capítulo brasileiro da Itaipu Binacional, para um fim de semana na Granja do Torto. Relembrar as barbáries consumistas que o primeiro-casal patrocina às custas do dinheiro público seria uma desnecessária redundância, mas é importante que alguém esclareça quem financiou a ida de Sameck à Brasília. E você, meu caro leitor, não se assuste se alguns centavos desaparecerem de sua conta.

Sob medida
Durante palestra para líderes empresariais, em São Paulo, o ministro Luiz Gushiken apresentou a nova campanha publicitária a ser lançada pelo governo federal, cujo slogan é a antítese do que acontece nos bastidores lulianos do poder: Um Bom Exemplo. Tudo Começa por Aí. A nova campanha, que vai enfocar diversas áreas de atuação do governo Lula, deve seguir os mesmos moldes embusteiros da campanha anterior, O Melhor do Brasil é o Brasileiro. No momento em que um corrupto declarado como o ex-presidente do Equador, Lucio Gutiérrez, se asila politicamente no Brasil, a nova campanha publicitária cai como uma luva, pois o bom exemplo do governo Lula começa por aí. Enquanto a nova invenção de Duda Mendonça não vai ao ar, resta dizer que o melhor do Brasil é um equatoriano fugitivo e corrupto.

Descendo a ladeira
O volume de cheques sem fundos cresceu 31,6% no mês de março, em relação a fevereiro. Os novos números, que representam vinte devoluções a cada mil compensações, são o reflexo do falacioso crescimento das vendas natalinas, comemorado de maneira efusiva e pirotécnica pelos asseclas palacianos. Para detectar o que aconteceu, dias antes do Natal de 2004, não era preciso nenhum conhecimento aprofundado de Economia para perceber que em menos de cinco meses a verdade surgiria. Ou seja, o Papai Noel do presidente Lula não é, como muitos imaginavam, aquele bom velhinho.

Goela abaixo
A verdadeira roda de fogo em que se transformou o cotidiano do mais polêmico banqueiro do país, o Senhor Opportunidade – a Justiça, em decisão tipicamente ditatorial, ainda nos proíbe de citar o seu nome – tem sido acalorada por uma espécie de ditadura guttenberguiana, que se vale de armações na imprensa para amenizar a situação do responsável pelos grampos ilegais que abalaram as estruturas do Palácio do Planalto. Em artigo publicado no jornal Correio Braziliense (Briga política ameaça administração da Previ), o presidente do Conselho de Administração da Bombril, Valmir Marques Camilo – também integra os quadros da Previ -, ataca o presidente do maior fundo de pensão da América Latina, Sérgio Rosa, acusando-o, entre tantas coisas, de gestão temerária. Causa espécie o posicionamento de Camilo, pois a Previ trava uma verdadeira queda de braços com o banqueiro tupiniquim na disputa que envolve o Citibank e a Telecom Itália. Porém, é preciso considerar a hipótese de Valmir Camilo ser mais um devoto de São Daniel.

Missa encomendada
Ainda o artigo... Se uma peça jurídica preparada pelo procurador da República, Luiz Francisco de Souza, causou verdadeiro furor nacional por ter sido encontrado no respectivo disquete detaçhes que sugeriam que as informações teriam partido dos computadores do empresário Luiz Roberto Demarco, inimigo número um do banqueiro opportunista – fato que não foi provado – o artigo em questão pode, sem problema algum, ter dado uma rápida volta pela avenida Presidente Wilson, no centro do Rio de Janeiro. Afinal, não é sempre que a obra de um troca-letras tem a opportunidade de conhecer a Cidade Maravilhosa.

Crista baixa
O marqueteiro Duda Mendonça, que movimentou boa parte do governo Lula par se livrar das garras da Justiça, corre o risco de ser indiciado por formação de quadrilha e apologia ao crime, no caso da rinha de galos de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Ontem, o Ministério Público do Rio de Janeiro ingressou com um recurso no Tribunal de Justiça contra a decisão que concedeu hábeas corpus a Duda Mendonça e outros rinheiros, excluindo da acusação os crimes citados anteriormente. Se o marqueteiro predileto do presidente Lula comemorou a primeira decisão da Justiça com garrafas do caro Romanée-Conti, pode ter jogado dinheiro ao vento. Em outras palavras, ou Duda Mendonça apela para o soteropolitano terreiro do Gantois, ou deixa de cantar de galo.

Luz de velas
Ministra das Minas e Energia, Dilma Roussef deve comparecer à Câmara dos Deputados para tentar explicar o inexplicável: o aumento das tarifas de energia elétrica. Na última semana, a Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel contemplou o contribuinte com o aumento das contas de luz nos estados da Bahia, Ceará, Sergipe e Rio Grande do Norte. Nas duas primeiras unidades da federação, o aumento foi de 23%, sendo que nas duas últimas foi de 19%. Independentemente das explicações a serem apresentadas pela ministra, melhor seria que a nação soubesse o que vem sendo feito com a irresponsável cobrança do seguro-apagão, pois, volta e meia, falta energia elétrica em algum lugar do País.

Café amargo
A Câmara dos Deputados deve discutir nos próximos dias o fim do Instituto Brasileiro do Café, em audiência pública a ser realizada na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural. O objeto do encontro será o destino do pouco que restou do patrimônio do IBC que, por sugestão do deputado Silas Brasileiro (PMDB-MG), deverá ser doado a instituições que promovam o agronegócio cafeeiro. O que deveria ser discutido pela Comissão, se a lei assim o permitisse, é uma forma de encontrar os verdadeiros responsáveis pela chamada Operação Patrícia – o nome foi dado em alusão à filha do então presidente do órgão, Hugo Napoleão – criada para especular irresponsavelmente com a cotação internacional do café. A brincadeira, que teve o aval do presidente do IBC, causou um prejuízo de centenas de milhões de dólares ao País, sem que ninguém tenha sido punido, como de costume.

Farra coletiva
Na última sexta-feira, 22, a Justiça mostrou que sua quase eterna lentidão pode, dependendo do interesse e do interessado, ser apenas um folclore. Uma polêmica decisão judicial permitiu que R$ 75 milhões, erroneamente destinados ao pagamento das benfeitorias de uma área invadida pelo MST, fossem sacados da respectiva conta. Nada de estranho existiria se a área invadida não pertencesse à União e a indenização paga não fosse seis vezes maior do que a avaliação. O dinheiro, repassado pelo Incra, acabou nas mãos erradas, sendo que os honorários advocatícios, estipulados em 10% do valor, foram antecipadamente deduzidos do total. O referido pagamento, que por litígio ficou suspenso durante meses a fio, é alvo de uma explosiva gravação, que deverá ser apresentada amanhã na CPMI da Terra, em Brasília. De acordo com informações obtidas pela coluna, a gravação traz, em determinado trecho, os nomes de dois conhecidos políticos, que seriam beneficiados com uma comissão equivalente a 10% do valor, cada. Um deles teria desistido de sua candidatura em 2002 por não ter recebido o virulento pedágio.

Luzes, câmera, ação
O mais novo garoto-propaganda de nossa Terra Brasilis atende pelo nome de Roberto Requião. Para surpresa da maioria, o governador paranaense surgiu na televisão fazendo propaganda para a empresa BS Colway de Pneus, de propriedade de Francisco Simeão, um empresário ávido por cultivar relações íntimas com o poder. Requião aparece defendendo a empresa de Simeão, denunciando as fabricantes estrangeiras de pneus. Porém, os mais contemporâneos não devem indignar-se, pois a política nunca mais foi a mesma depois que Paulo Maluf posou de garoto-propaganda do sapato 752 da Vulcabrás.

Panos quentes
Ontem, a Vênus Platinada comemorou seus quarenta anos com uma programação diferenciada, exibindo momentos importantes da recente história brasileira. Sobraram depoimentos emocionados, mentiras travestidas e salamaleques dos mais diversos. A família Marinho só esqueceu de incluir na programação a verdadeira história da Rádio e Televisão Paulista, a leviana operação que achincalhou a honra do ex-ministro da Saúde Alceni Guerra, a armação irresponsável que desestabilizou o ex-ministro da Justiça Ibrahim Abi Ackel, além da covarde investida contra José de Paiva Netto, presidente da Legião da Boa Vontade, que foi alvo do mais sórdido ataque da emissora carioca, apenas por não ter cedido aos caprichos de Roberto Marinho, a quem muitos ainda insistem em chamá-lo de Doutor. Resta saber que tipo de doutorado foi esse.

Mãos ao alto
Mesmo que o Banco Central afirme, pelo menos por telefone, que a famigerada Taxa de Abertura de Crédito, cobrada pelos bancos no momento de um financiamento qualquer, seja algo usual, o que vem sendo praticado no mercado financeiro é algo que perambula entre o escandaloso e o ilegal. Ontem, esta coluna consultou as bases de financiamento de um veículo zero quilômetro, obtendo duas respostas distintas na mesma instituição financeira. De acordo com informações de representantes de duas revendas Volkswagen da capital paulista, o banco da montadora cobra R$ 400 e R$ 490 de Taxa de Abertura de Crédito. Ou seja, além de agirem na ilegalidade, os bancos são barbaramente desorganizados. É preciso lembrar que ninguém, muito menos o Banco Central, tem autonomia ou atribuição para legislar, principalmente para beneficiar um dos mais repugnantes setores da economia. De mais a mais, a TAC não passa de um assalto à mão armada institucionalizado, realizado com uma mera caneta esferográfica.

Vergonha nacional
Não bastasse a sede arrecadadora do Estado, a Receita Federal impõe ao contribuinte que necessita algum tipo de informação um verdadeiro calvário. Em uma das unidades do órgão, em São Paulo, enormes filas se formam logo nas primeiras horas da madrugada, sendo que apenas duzentas e cinqüenta senhas são distribuídas. Na seqüência, o incauto contribuinte deve se preparar para uma nova baralha. Aguardar horas para ser atendido, sendo que nem sempre o problema é resolvido de imediato. Assim, o Leão da Receita está mais para carcará, pois ele pega, mata e come. O cidadão, claro!

Derrière ameaçado
Pensando bem, na terra onde a taxa de juros é a maior do planeta e o volume de cheques sem fundos dispara, ao contribuinte só restou o traseiro.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

Truque famoso na década de 80, as "Polonetas" simplesmente caíram no esquecimento. Por quê? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país

Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.

Destaques

e-ditorial: "A visão usual da ilegalidade" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "A política na bacia das almas" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Fundo Internacional de Cabides" - por Ralph J. Hofmann

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Rolo compressor
Se depender do alto tucanato, a pancadaria oposicionista na direção do Partido dos Trabalhadores e do Palácio do Planalto não termina tão cedo. O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) quer, a todo custo, reabrir as investigações sobre o caso Celso Daniel, e para isso o parlamentar amazonense já colhe as assinaturas necessárias para a criação de uma CPI. E mais: não será novidade alguma se o imbróglio de Santo André acabar ser encontrando, em algum momento, com a Operação Anaconda. (26/04/04)

Dica do Ucho

Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.

Editora Senac São Paulo

A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week - o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br

 

 

ucho.info - copyright 2004 - 2005