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uh comunicação ilimitada

ano 4 - número 863 - quarta-feira, 20 de abril de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

Um erro reconhecido com simplicidade é uma vitória ganha.

Caroline Cascoigne

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Fumaça branca
Sob o ponto de vista político, a escolha de um cardeal brasileiro para ser o substituto de João Paulo II traria, de imediato, dividendos capazes de garantir a reeleição do presidente Lula, principalmente se o escolhido fosse dom Cláudio Hummes. Joseph Hatzinger, o papa Bento XVI, pode ser um entrave nas relações diplomáticas entre o Brasil e o Vaticano, uma vez que o cardeal alemão não é muito chegado aos salamaleques oportunistas que fazem parte do cardápio do presidente Lula. De mais a mais, Hatzinger foi o responsável pelo silêncio obsequioso imposto ao teólogo Leonardo Boff, o que denota uma postura muito mais à direita da adotada por Karol Wojtyla.. Em outras palavras, Lula perdeu um cabo eleitoral de peso. (Foto: Ansa)

Número 2
Controverso, temido e admirado, o novo papa vai implementar o direitismo católico que marcou o pontificado de João Paulo II, devendo radicalizar ainda mais em assuntos como homossexualismo, controle de natalidade e multiplicidade religiosa. Para piorar, Hatzinger deve manter a política adotada por seu antecessor, de não mexer em um vespeiro chamado Banco Ambrosiano. Ou seja, o conclave acabou escolhendo o vice de Wojtyla. (Foto: BBC Brasil)

Primeiro teste
Horas depois de ter sido anunciado como o novo papa, Joseph Ratzinger já experimentava a dureza do cargo. O governo chinês mandou um recado ao novo pontífice, através de nota oficial, para que se abstenha dos assuntos políticos do país, sob pena das relações entre Pequim e o Vaticano, ainda precárias, não avançarem. Pequim quer que Bento XVI não interfira nos temas religiosos do país, que tem perseguido de forma contínua os católicos, além de romper imediatamente relações com Taiwan. Em outras palavras, Ratzinger começa a entender o que significa negócio da China.

Torcendo contra
Já no Brasil, Bento XVI já tem um fã clube que torce para que seu reinado seja curto. Ministro da Defesa, o vice-presidente José Alencar disse que seria bom se o papa fosse brasileiro, mas lembrou que dom Cláudio Hummes, arcebispo de São Paulo, ainda tem chances de ser o próximo papa. Alencar justificou sua profecia com base na idade de Ratzinger, 78 anos, e em seu estado de saúde. Ou seja, Alencar é o primeiro maledetto a cruzar o caminho de Benedetto.

Óleo de peroba
Reprovado pelo ministro Luiz Gushiken, o samurai planaltino, o slogan UM BOM EXEMPLO: TUDO COMEÇA AÍ, criado por Duda Mendonça para a nova campanha do governo Lula, continua sendo defendido pelo marqueteiro baiano e sua equipe. Adequado ou não às necessidades publicitárias do Palácio do Planalto, o fato é que Duda Mendonça não é um bom exemplo. Até porque tudo começou na rinha de galo e terminou em uma mal cheirosa pizza.

Pau mandado
Tão logo tomou conhecimento do requerimento apresentado na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, que deverá ouvi-lo sobre o imbróglio da empresa Kroll, o Senhor Opportunidade colocou sua tropa de choque em ação no Congresso, em Brasília, na tentativa de evitar que o caso tivesse continuidade. Dia desses, um conhecido deputado federal do Paraná, onde, diga-se de passagem, tem uma cinematográfica fazenda, andou batendo á porta de alguns gabinetes para pedir pelo opportunista. E como já era de se esperar, se deu mal, muito mal.

Pelo ralo
Quem acompanha os discursos presidenciais já notou que Lula, com o messianismo em baixa, já não fala com tanta freqüência no tal crescimento sustentado, muito menos nas mágicas que, segundo o Planalto, farão o Brasil crescer ininterruptamente. A escandalosa falta de investimentos na infra-estrutura tem gerado prejuízos aos mais diversos setores da economia, especialmente às empresas que dependem dos portos brasileiros. O setor do agronegócio calcula que perdeu por volta de US$ 1,2 bilhão em atrasos portuários, também conhecidos como demourage, que é a diária paga pelo tempo que o navio fica parado no porto. No topo da lista dos mais complicados portos brasileiros aparece o de Paranaguá, que gerou um prejuízo de US$ 420 milhões, ou seja, um terço de tudo o que o agronegócio perdeu no país. Já São Francisco do Sul, em Santa Catarina, terceiro porto do sul do país, com 6.569 milhões de toneladas movimentadas, provocou prejuízos de US$ 40 milhões. No Paraná, as oito maiores exportadoras de madeira registraram um prejuízo com o porto de Paranaguá da ordem de US$ 386,01 milhões. Apenas para lembrar, o porto paranaense é administrado por Eduardo Requião, irmão do governador.

Esqueceram de mim
Segundo capítulo do plano de desestabilização política do Rio de Janeiro, a chacina da Baixada Fluminense, que deixou mais de trinta mortos, já começa a ser esquecida pela maioria da população, assim como pelo Palácio do Planalto, o maior interessado. O assunto ganhou as páginas dos principais jornais do Brasil e do mundo para, dias depois, serem abandonadas todas as promessas oficiais de solução do caso. Fazer política com a segurança pública é um crime tão hediondo quanto uma chacina, pois o povo é submetido a um tipo de tortura lenta e sem precedentes, sendo ele o próprio financiador da operação que o flagela. Para entender melhor a nefasta relação entre a segurança e a política, clique e leia NAVALHA ORGÂNICA, artigo de autoria do delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Alexandre Neto, um reconhecido e respeitado integrante da Divisão Anti-Seqüestros.

Orelha em pé
A pedido do deputado Roberto Gouveia (PT-SP), a Comissão de Seguridade Social e Família vai realizar, em data a ser marcada, audiência pública para analisar denúncias de fraude no Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), não sem antes esclarecer as suspeitas de desvio de dinheiro e dilapidação do patrimônio do órgão. O parlamentar petista solicitou que fossem convidados a participar da audiência o procurador da República Marcelo Freire; a ex-presidente do Cofen Maria Lúcia Martins Tavares; as ex-presidentes da Associação Brasileira de Enfermagem Maria Auxiliadora Córdoba Christófaro e Maria Goretti David Lopes; Francisca Valda da Silva, da Associação Brasileira de Enfermagem; e delegados da Polícia Federal de Repressão ao Crime Fazendário no Estado do Rio e da Delegacia de Repressão às Ações dos Crimes Organizados da Polícia Civil do Rio.

Vida malvada
Certos de que o excesso de trabalho faz mal, os senadores decidiram decretar férias na semana de Tiradentes, devendo retornar ao trabalho no próximo dia 26. Ontem, na Câmara dos Deputados, o clima era de feriado, sendo que muitos assuntos não foram votados por conta de uma escandalosa falta de quorum. Mas não se preocupe, meu caro leitor, pois os parlamentares irão receber religiosamente os dias parados, e a conta, como sempre, será sua.

Medroso da vez
Sem a coragem necessária para demitir o secretário de Segurança, Luiz Fernando Delazari, depois das acusações de um suposto consumo de drogas, o governador Roberto Requião preferiu o silêncio, como forma de não turbinar a história contada durante audiência da CPMI da Terra. E se a demissão não aconteceu, como muitos esperavam, é porque o pai do secretário, Luiz Delazari, ex-procurador e atual ouvidor do governo do Paraná, é secretário-geral do PMDB no estado. E o PMDB é o partido de Requião.

Cabeça fria
O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu nesta terça-feira, por quatro votos a um, rejeitar o pedido de prisão preventiva do vereador Klinger Luís de Oliveira, do empresário Ronan Maria Pinto, de Irineu Nicolino Martin Bianco, Humberto Assis de Castro e Luís Marcondes de Souza e de Sérgio Gomes da Silva. O Ministério Público havia solicitado a prisão preventiva de todos, acusando-os dos crimes de formação de quadrilha e concussão (extorsão praticada por funcionário público no exercício da função). Por outro lado, Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, continua sendo acusado de ser o mandante da morte do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, crime pelo qual responde, em liberdade, processo na Justiça paulista. Inconformada, como noticiamos em edição anterior, a família do ex-prefeito petista contratou peritos europeus para tentar esclarecer os verdadeiros motivos do crime.

Faturando alto
Enfrentando agruras financeiras na prefeitura de Fortaleza, a alcaidessa Luizianne Lins, a loira petista que desafiou o presidente Lula, agora parte para a adoção de medidas impopulares, que contrariam os discursos de palanque. Luizianne decidiu aumentar o número de radares eletrônicos na capital cearense, que por lá são conhecidos como fotossensores. De acordo com declarações da prefeita, o fortalezense, que já vinha sendo multado por 99 verdadeiras máquinas eletrônicas de fazer dinheiro, agora terá de enfrentar a ira de 296 delas, ou seja, 197 a mais. E o primeiro vereador a se pronunciar a favor do aumento do número de radares foi Sérgio Novaes, ex-marido da prefeita. Assim, falar em nepotismo chega a ser inócuo.

Reis do ringue
O aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza, serviu, dia desses, como palco de uma desmedida e irresponsável autofagia parlamentar. Os protagonistas do entrevero foram o deputado estadual José Guimarães, irmão do presidente nacional do PT, José Genoíno, e o deputado federal João Alfredo (PT-CE). Tomando as dores do irmão famoso, Guimarães foi tirar satisfações com João Alfredo, que, dias antes, se declarou contra a reeleição de Genoíno para a presidência do partido. João Alfredo chamou Genoíno de bedel de deputados e encarregado de ordens do Planalto. Por sua vez, Guimarães, deveras ofendido, disparava: bedel é você, bedel da oposição... O bate-boca só não chegou às vias de fato, digamos assim, porque Guimarães, um conhecido e convicto solteirão, não é muito chegado aos contatos homem a homem, frente a frente...

Cinzeiro de serpente
Pensando bem, depois da fumaça branca, o Bento já viu como a cobra fuma.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

A farra dos amigos do filho do presidente Lula, no Alvorada, caiu no esquecimento. Por quê? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país

Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.

Destaques

e-ditorial: "A visão usual da ilegalidade" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "A política na bacia das almas" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Fundo Internacional de Cabides" - por Ralph J. Hofmann

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Dedo-duro
Em depoimento na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o ex-assessor parlamentar Waldomiro Diniz deu motivos suficientes para que uma CPI seja reaberta de forma incondicional. Waldomiro disse, em poucas palavras, que, quando da divulgação do escândalo pela mídia, o governo já tinha conhecimento dos problemas que vinha enfrentando. O ex-assessor palaciano citou textualmente os ministros Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e Waldir Pires (Controladoria Geral da União) como os dois representantes do governo federal que tinham conhecimento dos fatos. E mais: Waldomiro afirmou ter documentos que comprovam o conhecimento antecipado por parte do governo. (20/04/04)

Dica do Ucho

Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.

Editora Senac São Paulo

A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week - o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br

 

 

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