| Mãos para trás
Hoje, 19 de abril, se algum integrante do governo Lula ousar comemorar o Dia do Índio, qualquer um poderá lhe dar voz de prisão, sob a acusação de falso testemunho. Até porque, nunca se soube que a lenta dizimação de uma raça tenha sido objeto de festejos.
Desepenhadeiro político
Prestes a ser divulgada entre os dias do Índio e de Tiradentes, a nova pesquisa de opinião realizada pela CNT/Sensus vai deixar o presidente Lula entre a flecha e a forca. De acordo com a pesquisa, a popularidade de Lula despencou seis pontos percentuais em apenas um mês, passando de 66,1%, em março, para 60,1%, em abril. Trata-se da maior queda de popularidade, em apenas trinta dias, desde que o presidente Lula conquistou o status de inquilino do Palácio do Planalto. Em outras palavras, lá vem o barbudo descendo a ladeira.
Portão de embarque
Devidamente informado de que sua reeleição não está garantida, como também não será fácil, o presidente Lula parece muito mais preocupado em divulgar seu messianismo paraguaio pelo mundo afora. Nem bem chegou de seu inócuo périplo pela África, que rendeu apenas lágrimas ao País, Lula já planeja seu próximo destino. Em maio, o casal presidencial testa novamente o Aerolula, desta vez em viagem à Coréia e ao Japão. Um dia, quem sabe, competência política poderá ser medida em milhas.
Piada de índio
Ainda sem conseguir explicar a tragédia que tem levado à morte inúmeras crianças indígenas no Mato Grosso do Sul, o governo Lula parece que não esqueceu dos índios, como muitos insistem em afirmar. O gabinete presidencial está contratando, por R$ 13.148,52, os serviços de uma empresa para produzir cinco exemplares de um trabalho que trata da situação dos índios na Amazônia. Ou seja, o dinheiro que serviria para reduzir a fome nas aldeias será utilizado em algo absolutamente dispensável, se considerados os contínuos programas de índio a que os índios estão sendo submetidos. E nada de o Brasil mudar!
Que dó!
Há quem diga que a melhor defesa é o ataque, mas a tese adotada pelo banqueiro mais polêmico do país é a defesa pela simples defesa. Depois de anos tripudiando sobre inimigos e desafetos, o Senhor Opportunidade adotou a estratégia de ocupar a imprensa nacional, sabe-se lá como, na condição de anjo barroco que teve seus zigue-zagues celestiais interrompidos. Em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, o banqueiro disse que nunca teve apoio do Citibank em suas operações. Trata-se de uma mentira escandalosa e deslavada, pois quem pesquisar o processo que tramita na Justiça das Ilhas Cayman vai encontrar uma declaração feita por Mary Lynn Putney, executiva do Citi, em que fica clara a ajuda do conglomerado financeiro americano ao banqueiro tupiniquim. Por outro lado, o Senhor Opportunidade deve ter esquecido das cartas que Putney endereçou ao ministro Antonio Palocci Filho e ao então presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb de Lima. Sem contar a visita que a ex-executiva do Citi fez ao diretório nacional do PT, antes da eleição do presidente Lula.
Às escondidas
Outro detalhe da entrevista que causou espécie foi a visita do chefão da Kroll Associates – Jules Kroll – aos ministros Antonio Palocci Filho (Fazenda) e Márcio Thomaz Bastos (Justiça). Não bastasse o lado bisonho do encontro, afinal a Kroll acabou bisbilhotando o Palácio do Planalto, as reuniões tiveram um cunho secreto, pois não constaram das agendas dos ministros. Preocupada em melhorar sua comunicação, assim como a própria imagem, a Kroll deveria pedir aos espiões Bill Goodall, Charles Carr e Omer Ersingoy que viessem ao Brasil esclarecer os pontos obscuros da investigação realizada pela Polícia Federal, que alguns irresponsáveis, não se sabe a mando de quem, preferem chamar de reality show. Enfim, entre opportunidades e opportunistas, o Brasil vai tropeçando.
Sem saída
Pressionado por todos os lados, o ministro Romero Jucá (Previdência Social) continua insistindo na tese da inocência, enquanto seus adversários políticos surgem, a cada dia, com novas denúncias. Ontem, Jucá conseguiu do presidente Lula a garantia de que não será demitido, pelo menos por enquanto, para, depois alegar que tudo não passa de uma manobra política. Se o presidente Lula decidir mantê-lo no cargo não será novidade alguma, mas se Romero Jucá retornar ao Senado, resta saber o que a Casa irá fazer com tantas denúncias. Engavetá-las será uma vergonha sem tamanho.
Deu zebra
Para o desespero de muitos integrantes do governo Lula, especialmente o presidente e o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), os delegados federais Antonio Carlos Rayol e Lorenzo Pompílio da Hora serão ouvidos, no próximo dia 17 de maio, às 14 horas, em audiência na Comissão de Segurança Pública e Crime Organizado da Câmara dos Deputados, em Brasília. Responsáveis pela prisão do marqueteiro palaciano Duda Mendonça em uma rinha de galos, no Rio de Janeiro, Rayol e Pompílio da Hora vinham sofrendo as mais inexplicáveis pressões por parte da própria Polícia Federal, apenas por terem cumprido a lei. De mais a mais, todos que freqüentam diariamente o Palácio do Planalto se mostraram profundamente irritados com a entrevista concedida pelos delegados ao ucho.info. Assim, resta concluir que aquele discurso de que a esperança venceria o medo não passou de uma escandalosa mentira, usada apenas para cooptar crédulos eleitores.
Reduzido a pó
A CPMI da Terra viveu ontem, em Curitiba, seus momentos mais eletrizantes desde sua instalação. Quem compareceu à Assembléia Legislativa paranaense na esperança de acompanhar temas ligados exclusivamente à reforma agrária, acabou se surpreendendo. Preso sob a acusação de comandar uma força paralela que presta serviços de segurança a fazendeiros do Paraná, o tenente-coronel Valdir Copetti Neves decidiu revelar os verdadeiros motivos de sua prisão. Durante a CPI do Narcotráfico, Copetti Neves acabou acusando Luiz Carlos Delazari, atual secretário de Segurança Pública do Paraná, de consumo de drogas. Ontem, o militar informou, inclusive, o endereço onde o secretário comprava, contumaz e regularmente, cocaína. Trata-se de um bar localizado na rua Padre Germano Mayer, no centro de Curitiba, onde o tráfico de drogas acontece sob os olhos da polícia. Ao ouvir a denúncia envolvendo seu nome, no exato momento que entrava no plenário da Assembléia paranaense, Delazari, muito assustado, rapidamente desapareceu.
Carreira familiar
Valdir Copetti Neves lembrou que seu telefone fora incluído indevidamente em uma lista de grampos para investigar a morte de um oficial militar paranaense, situação que, sem prova alguma, redundou na sua prisão. E mais: o tenente-coronel não apenas colocou de Lazari na berlinda, como acusou seu irmão, Eduardo, de ter sido flagrado com cocaína na barra da calça, momentos antes de ingressar em um presídio do Paraná, ocasião em que visitaria um amigo que se encontrava preso. Ao secretário de Segurança Pública também coube a acusação de ter utilizado para interesses pessoais o serviço de espionagem conhecido como Guardião, para grampear inimigos políticos na cidade paranaense de Colorado. Se a demissão de Luiz Carlos Delazari não for anunciada nas próximas horas, é porque o governador Roberto Requião não corresponde, nem mesmo de longe, à fama que tem.
Tirando o chapéu
O ponto alto da audiência ficou por conta da participação do polêmico empreiteiro de obras Cecílio do Rego Almeida, da CR Almeida, que compareceu para esclarecer a polêmica que paira sobre uma fazenda de sua propriedade no Pará. Os representantes do MST foram tão esdrúxulos ao indagá-lo sobre o assunto, que oficializando a posse da terra em favor de CR Almeida. Para concluir, a deputada Luci Choinacki (PT-SC), emblemática e polêmica representante do MST, pediu a palavra e agradeceu ao empreiteiro pelos importantes esclarecimentos. Ou seja, já não se fazem invasores de terra como antigamente.
Me dá um dinheiro aí
Nos documentos apresentados ontem, durante audiência da CPMI da Terra, aparecia o nome do secretário estadual do Trabalho do Paraná, Padre Roque Zimermann (PT-PR) cobrando propina dos assentados para viabilizar o pagamento de verbas do Incra. Em outras palavras, se Deus é o caminho, no Paraná o Padre Roque é o pedágio.
Marajá rouge
Conhecido por suas posturas radicais em favor dos invasores do MST, o deputado federal Sibá Machado (PT-AC) mostrava-se preocupado com o término da audiência, que teve seus trabalhos encerrados depois das dez da noite de ontem. Olhando constantemente para o relógio, Sibá Machado não queria perder o último vôo para Foz de Iguaçu, para onde o parlamentar viajou em seguida e deve permanecer nos próximos dias. E tudo, como sempre, sob as expensas dos incautos contribuintes. Resumindo, o PT está se lambuzando no pote de benesses oficiais que sempre condenou.
Bastidores demoníacos
Não existe nada mais falso e sórdido do que a aura santa que os cardeais do conclave tentam impingir à escolha do novo papa da Igreja Católica. A disputa pela cadeira de São Pedro é tão acirrada, que o serviço sujo dos bastidores da Santa Sé já começa a dar sinais de vida. A possibilidade de o cardeal argentino vir a ser papa caiu por terra quando foi noticiada sua suposta participação em um seqüestro, ocorrido há anos. Ontem foi a vez do brasileiro dom Cláudio Hummes, que seria portador de diabetes, notícia desmentida por seu assessor, horas depois. E como no Vaticano é preciso fazer o maior doce...
Fôlego de gato
Pensando bem, a CPI da Terra encontrou em Curitiba muito mais pó que poeira.
Ucho Haddad |


Querendo entender...
José Dirceu pediu um mês para se pronunciar sobre o imbróglio Waldomiro Diniz, mas até agora nada. Por quê? Afinal,
perguntar não ofende...


O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país



Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.


Destaques
e-ditorial:
"A visão usual da ilegalidade"
- por Ucho Haddad
e-xclusiva:
"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"A política na bacia das almas"
- por Ucho Haddad
Q.I.:
"A eminência parda do cardeal" -
por Pedro Luís de Campos Vergueiro
Tribuna
Livre: "Fundo Internacional
de Cabides" - por Ralph J. Hofmann
Prateleira
Eletrônica: "As 100 Melhores
Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
Receita popular
Enquanto a primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, desprovida daquele populismo barato que marcou a campanha presidencial, se preocupa em colocar símbolos petistas em prédios públicos, o povo brasileiro continua refém da incompetência e da inoperância do governo do presidente Lula. No último final de semana, o paulistano apaixonado por melancia foi obrigado a desembolsar R$ 8 (preço da Ceagesp) para levar a redonda para casa. Considerando que o salário-mínimo vale míseros R$ 240 – e com o aumento prometido não passará de R$ 260 – o valor da difícil labuta de um trabalhador comum corresponde a trinta melancias mensais. E como a primeira-dama não sabe mais o que fazer para realçar uma existência inócua, R$ 8 podem resolver rapidamente o problema. (19/04/04)


Dica do Ucho
Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.



Editora Senac São Paulo
A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week - o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br
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