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ano 4 - número 860 - sexta-feira, 15 de abril de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

“Se não puder se destacar pelo talento vença pelo esforço.”

Dave Weinbaum

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O Brasil e as Relações Internacionais

Santa Catarina em Brasília

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Morrendo pela boca
Antes de deixar o Senegal, última parada de seu périplo pela África, o presidente Lula, como de costume, tropeçou na própria irresponsabilidade discursiva. Em visita à Ilha de Gorée, na costa senegalesa, de onde os escravos partiam para as Américas, Lula pediu perdão pelo que fizemos aos negros, como se ele próprio fosse um nórdico que despencou no Nordeste brasileiro. Vi fotografias de muitas personalidades que vieram aqui, mas apenas uma, que morreu e foi enterrada na sexta-feira (papa João Paulo 2º), teve a humildade de vir aqui e pedir perdão, completou o presidente Lula, ao pretensiosamente se comparar a Karol Wojtyla. A derradeira esperança do brasileiro é que, um dia, Lula seja vítima da própria língua. (Ilustração de Cássio Scavone, o genial Manga)

Sua Santidade, o Lula
Em sua cruzada para se transformar no Sassá Mutema planetário, o presidente Lula vem, ao longo dos últimos dois anos, fazendo verdadeira farra com o dinheiro do contribuinte. A última investida, que tem a Bolívia como alvo das benesses lulianas, diz respeito a um investimento no valor aproximado de US$ 1 bilhão em projeto de geração de energia alternativa no país vizinho, o que levará a ministra Dilma Roussef (Minas e Energia) e o embaixador da Bolívia no Brasil, Edgar Camacho Omiste, a se explicarem diante dos deputados integrantes da Comissão de Relações Exteriores da Câmara. No caso de não ser mais uma insanidade política, é porque o presidente Lula, sem avisar, está fazendo do Brasil um país de todos os bolivianos, venezuelanos, cubanos, haitianos, africanos...

Quem te viu
Quando noticiamos, muitas vezes com exclusividade, as mazelas do governo Lula, a esquerda festiva nos ataca com as mais distintas teses sobre direitismo, as mesmas nas quais a esquerda palaciana se lambuza diuturnamente. Não se trata de jornalismo de esquerda ou de direita, mas de uma postura coerente e democrática, que tem o povo e a nação como objetivos maiores. Até porque, direitista é viajar três finais de semana seguidos em aviões oficiais para tratar de assuntos pessoais, como fez Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Patrus, como bom mineiro que é, viaja a Belo Horizonte em avião da FAB, retornando a Brasília em avião de alguma estatal. Sem muito esforço é possível perceber que todo discurso emocionado que advém do Palácio do Planalto e dos ministérios não passa de uma bravata embrulhada para presente, que exala o insuportável ranço do direitismo tacanho e obsoleto.

Bicada final
Após ter causado um verdadeiro reboliço nas estruturas do Palácio do Planalto e do Ministério da Justiça, o pedido de audiência pública com os delegados federais Antonio Carlos Rayol e Lorenzo Pompílio da Hora, responsáveis pela prisão de Duda Mendonça, foi aprovado pela Comissão de Segurança Pública e Crime Organizado da Câmara dos Deputados. Rayol e Pompílio da Hora deverão explicar na Comissão os detalhes da operação que flagrou o marqueteiro palaciano em uma rinha de galos, não sem antes relatarem as mais diversas perseguições que têm sofrido depois do episódio. Mesmo assim, o melhor é torcer para que a verdade venha a público, que os currículos dos policiais sejam reconhecidos definitivamente pelo governo e que, mesmo culpado, Duda Mendonça não sofra o que os galos sempre sofreram sob seu comando.

Encontro de amigos
A operação da Polícia Federal que desmantelou o escritório do espião israelense Avner Shemesh, contratado pelo Senhor Opportunidade - a Justiça continua nos proibindo de citar seu nome - para bisbilhotar seus desafetos, acabou ecoando no Congresso Nacional. Os nomes de Shemesh e de Carlos Rodenburg, cunhado do banqueiro, constam de requerimento a ser apresentado nos próximos dias à Comissão de Segurança Pública e Crime Organizado. Os parlamentares, que acompanharam a operação policial à distância, querem ouvir do espião e do cunhado do banqueiro as devidas explicações para tão ilegal atividade. Rodenburg, um estafeta de luxo do opportunista, foi flagrado pela PF entrando e saindo diversas vezes do escritório de Avner Shemesh, em São Paulo. Alegando súbitos males cardíacos, o cunhado acabou sendo levado ao hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde não foi constatada nenhuma anomalia cardíaca. Em outras palavras, coragem não é o forte da família das Opportunidades.

Do próprio veneno
Indiciada pela Polícia Federal, em Brasília, a executiva Carla Cicco está prestes a viver o real conceito de uma campanha publicitária da empresa de telefonia que preside, a Brasil Telecom. Vez por outra, quem circula por Brasília sempre se depara com cartazes da promoção Pula-Pula, um sistema de transferência de chamadas entre telefones fixos e celulares oferecido pela Brasil Telecom. Informações obtidas pela coluna junto à diretoria da empresa dão conta que Carla Cicco estaria com as horas contadas, devendo ser ejetada do cargo a qualquer momento. Ou seja, Carla Cicco vai sentir na pele o real significado do Pula-Pula. Fora da empresa, é claro!

Cartão quase vermelho
A suposta demissão do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, fervilhou nos bastidores do poder. Ontem, quinta-feira, o assunto ganhou os corredores mais seletos do Congresso, obrigando um bem administrado corre-corre de parlamentares para evitar a demissão. Caso a degola seja definitivamente consumada, é preciso que o presidente Lula deixe de lado a intenção de fazer política em setor tão importante para o cotidiano do país, nomeando alguém capaz de reverter a caótica situação das estradeiras brasileiras, no menor tempo possível. Na verdade, setores vitais para a existência de uma nação não deveriam, em hipótese alguma, ficar a mercê de casuísmos políticos, como é o caso dos transportes. Tais setores mereceriam leis orgânicas, como forma de garantir a continuidade de projetos que muitas vezes são interrompidos por mudança de bandeira partidária.

Bola da vez
O rapapé que aconteceu no Supremo Tribunal Federal, na última terça-feira, em comemoração ao aniversário do ministro Nelson Jobim, reuniu as mais distintas correntes da política nacional. Entre os que lá foram cumprimentar o presidente do STF estavam os senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Sarney (PMDB-AP) e os deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP), Professor Luizinho (PT-SP) e Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR). Para muitos ficou clara a impressão de que o flerte do presidente Lula na direção do ministro Jobim, que sonha em tê-lo como vice em sua empreitada pela reeleição, pode não dar em nada. Jobim, que tem mostrado uma enorme disposição para retornar ao mundo político, sonha em ser candidato à Presidência da República, já em 2006. E mais: algumas alas do PSDB já admitem que Nelson Jobim seria o candidato ideal para o partido.

Tiro no pé
É verdade que ser oposição não é tarefa fácil no mundo da política, mas o PT tem demonstrado ser tão vulnerável quanto qualquer outro partido político, situação que não apenas joga o discurso de décadas no lixo, mas mostra que o messianismo que acomete o governo Lula é uma artimanha de quinta categoria. De autoria do deputado Paulo Rocha (PT-PA), o Projeto de Lei 33/1999 proíbe a utilização de recursos públicos federais em propaganda oficial, favorável ou contrária, que tenha por objeto proposições pendentes de apreciação pelo Congresso Nacional. Após pouco mais de um ano de adormecimento, o projeto foi retomado para, momentos antes da apresentação do respectivo relatório – realizado pelo deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) –, ter sido vítima de um pedido de retirada de pauta. E para surpresa de todos, o pedido partiu exatamente do autor, que durante a era FHC integrava a tropa que infernizava o tucanato. Nunca é tarde para o PT aprender que pau que bate em Chico, bate em Francisco.

Truque no ar
Enquanto luta para continuar livre das garras do Tribunal de Contas da União, a Itaipu Binacional, uma das maiores usinas de geração de energia do planeta, gasta o dinheiro público de forma insana e inconseqüente. Não faz muito e a Itaipu contratou pela bagatela de R$ 1,9 milhão os serviços do arquiteto Oscar Niemeyer, que terá a incumbência de projetar a nova sede administrativa da empresa. O mais espantoso, até então, é que não ficou comprovada a necessidade de se construir um novo prédio para abrigar o capítulo brasileiro da Itaipu Binacional. E enquanto Jorge Sameck, diretor brasileiro da empresa, não explicar o fato, fica valendo a tese da mágica.

Querendo voltar
Em suas discretas andanças por Brasília, o ex-prefeito Paulo Maluf confidenciou a amigos que poderá entrar na disputa presidencial em 2006, mesmo sabendo que suas chances são remotas, se considerada a enorme quantidade de votos necessária para se transformar em inquilino do Palácio do Planalto. Com os pés mais próximos da Terra, o que Maluf quer mesmo é se eleger deputado federal por São Paulo, o que, politicamente, não é impossível, mesmo que difícil seja. E mais: Maluf não apenas aposta em sua candidatura, mas quer eleger outros dez deputados federais, situação que, se concretizada, lhe daria um poder de negociação que o eleitor paulista tão bem conhece. Socorro!

Pedindo ajuda
Edemar Cid Ferreira, controlador do quase finado Banco Santos, começa externar sinais de seu desespero, principalmente pela eminente possibilidade de decretação da quebra da instituição financeira, o que o levaria, pelo menos nos domínios tupiniquins, à bancarrota. Há dias, um amigo de infância de Edemar aterrissou no Congresso, com um pedido no bolso: aliviar a situação do banqueiro, que deverá ser alvo de duras investigações do parlamento brasileiro. Fazendo uma espécie de beija-mão privé, o amigo do banqueiro parecia ter adotado o estilo do atacante Robinho, do Santos Futebol Clube, pois seu pedido foi uma verdadeira pedalada. Enfim, cada um joga com o que tem.

Reino da bicharada
Dia desses, a Comissão de Valores Mobiliários multou a empresa Avestruz Master, divulgando, logo em seguida, um novo alerta sobre as Cédulas de Produto Rural (CPR’s), vendidas a investidores sob a promessa de rentabilidade de até 60% ao ano. A Avestruz Master acaba de inaugurar uma fazenda em São Gonçalo do Amarante, cidade a 50 quilômetros de Fortaleza, terra do governador Lúcio Alcântara (PSDB). Mesmo ciente da multa e do alerta da CVM, Lúcio Alcântara gravou um comercial destacando o interesse social da empresa. Por isso, meu caro leitor, se um dia, na casa do governador cearense, lhe oferecerem uma omelete gigante, não se assuste. Afinal, em negócios de tucano com avestruz também aparece, vez por outra, um boi na linha.

Gatilho ligeiro
O referendo sobre o comércio de armas e o Estatuto do Desarmamento, que perambula por duas comissões permanentes da Câmara, vive um impasse quase sem fim, enquanto a bandidagem usa e abusa da criatividade para continuar sobrevivendo. Há dias, em uma favela do subúrbio do Rio de Janeiro, uma placa estrategicamente posicionada dava conta da ousadia dos criminosos. Aqui nós pagamos muito mais pela sua arma, anunciavam os transgressores locais. Ou seja, o Estado paralelo, mesmo ilegal, é muito mais ágil e eficiente do que o oficial.

Salário de fome
Pensando bem, independentemente da cor da pele, escravidão maior é aquela que o salário mínimo impinge a qualquer um.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

O descumprimento de Marta Suplicy à Lei de Responsabilidade Fiscal foi esquecido. Por quê? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país

Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.

Destaques

e-ditorial: "A visão usual da ilegalidade" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "A política na bacia das almas" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Fundo Internacional de Cabides" - por Ralph J. Hofmann

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Rolo compressor
Por mais que a Coca-Cola tenha se valido de um forte e pesado esquema de lobby – notícias de bastidores dão conta que foi gasta uma verdadeira fortuna para tal – não foi possível evitar a convocação do presidente da empresa, Brian Smith, na comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, onde a derrota da gigante dos refrigerantes se deu por dezessete votos contra um. Já na Comissão de Defesa do Consumidor, presidida pelo deputado Paulo Lima (PMDB-SP), a decisão foi mais avassaladora. Depois de uma breve, mas detalhada, explanação do deputado Celso Russomano sobre as ações da Coca-Cola, a convocação de Brian Smith se deu por unanimidade. Apenas para lembrar, o calvário da Coca-Cola começou por obra do editor da coluna. (15/04/04)

Dica do Ucho

Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.

Editora Senac São Paulo

A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week - o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br

 

 

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