| Morrendo
pela boca
Antes de deixar o Senegal, última parada de seu périplo
pela África, o presidente Lula, como de costume, tropeçou
na própria irresponsabilidade discursiva. Em visita à
Ilha de Gorée, na costa senegalesa, de onde os escravos
partiam para as Américas, Lula pediu perdão
pelo que fizemos aos negros, como se ele próprio
fosse um nórdico que despencou no Nordeste brasileiro.
Vi fotografias de muitas personalidades que vieram aqui,
mas apenas uma, que morreu e foi enterrada na sexta-feira (papa
João Paulo 2º), teve a humildade de vir aqui e pedir
perdão, completou o presidente Lula, ao pretensiosamente
se comparar a Karol Wojtyla. A derradeira esperança do
brasileiro é que, um dia, Lula seja vítima da
própria língua. (Ilustração
de Cássio Scavone, o genial Manga)

Sua
Santidade, o Lula
Em sua cruzada para se transformar no Sassá Mutema
planetário, o presidente Lula vem, ao longo dos últimos
dois anos, fazendo verdadeira farra com o dinheiro do contribuinte.
A última investida, que tem a Bolívia como alvo
das benesses lulianas, diz respeito a um investimento
no valor aproximado de US$ 1 bilhão em projeto de geração
de energia alternativa no país vizinho, o que levará
a ministra Dilma Roussef (Minas e Energia) e o embaixador da
Bolívia no Brasil, Edgar Camacho Omiste, a se explicarem
diante dos deputados integrantes da Comissão de Relações
Exteriores da Câmara. No caso de não ser mais uma
insanidade política, é porque o presidente Lula,
sem avisar, está fazendo do Brasil um país de
todos os bolivianos, venezuelanos, cubanos, haitianos, africanos...
Quem
te viu
Quando noticiamos, muitas vezes com exclusividade, as mazelas
do governo Lula, a esquerda festiva nos ataca com as mais distintas
teses sobre direitismo, as mesmas nas quais a esquerda
palaciana se lambuza diuturnamente. Não se trata de jornalismo
de esquerda ou de direita, mas de uma postura coerente e democrática,
que tem o povo e a nação como objetivos maiores.
Até porque, direitista é viajar três finais
de semana seguidos em aviões oficiais para tratar de
assuntos pessoais, como fez Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome. Patrus, como bom mineiro que
é, viaja a Belo Horizonte em avião da FAB, retornando
a Brasília em avião de alguma estatal. Sem muito
esforço é possível perceber que todo discurso
emocionado que advém do Palácio do Planalto e
dos ministérios não passa de uma bravata embrulhada
para presente, que exala o insuportável ranço
do direitismo tacanho e obsoleto.
Bicada
final
Após ter causado um verdadeiro reboliço nas estruturas
do Palácio do Planalto e do Ministério da Justiça,
o pedido de audiência pública com os delegados
federais Antonio Carlos Rayol e Lorenzo Pompílio da Hora,
responsáveis pela prisão de Duda Mendonça,
foi aprovado pela Comissão de Segurança Pública
e Crime Organizado da Câmara dos Deputados. Rayol e Pompílio
da Hora deverão explicar na Comissão os detalhes
da operação que flagrou o marqueteiro
palaciano em uma rinha de galos, não sem antes relatarem
as mais diversas perseguições que têm sofrido
depois do episódio. Mesmo assim, o melhor é torcer
para que a verdade venha a público, que os currículos
dos policiais sejam reconhecidos definitivamente pelo governo
e que, mesmo culpado, Duda Mendonça não sofra
o que os galos sempre sofreram sob seu comando.
Encontro
de amigos
A operação da Polícia Federal que desmantelou
o escritório do espião israelense Avner Shemesh,
contratado pelo Senhor Opportunidade - a Justiça
continua nos proibindo de citar seu nome - para bisbilhotar
seus desafetos, acabou ecoando no Congresso Nacional. Os nomes
de Shemesh e de Carlos Rodenburg, cunhado do banqueiro, constam
de requerimento a ser apresentado nos próximos dias à
Comissão de Segurança Pública e Crime Organizado.
Os parlamentares, que acompanharam a operação
policial à distância, querem ouvir do espião
e do cunhado do banqueiro as devidas explicações
para tão ilegal atividade. Rodenburg, um estafeta de
luxo do opportunista, foi flagrado pela PF entrando
e saindo diversas vezes do escritório de Avner Shemesh,
em São Paulo. Alegando súbitos males cardíacos,
o cunhado acabou sendo levado ao hospital Sírio-Libanês,
em São Paulo, onde não foi constatada nenhuma
anomalia cardíaca. Em outras palavras, coragem não
é o forte da família das Opportunidades.
Do
próprio veneno
Indiciada pela Polícia Federal, em Brasília, a
executiva Carla Cicco está prestes a viver o real conceito
de uma campanha publicitária da empresa de telefonia
que preside, a Brasil Telecom. Vez por outra, quem circula por
Brasília sempre se depara com cartazes da promoção
Pula-Pula, um sistema de transferência de chamadas
entre telefones fixos e celulares oferecido pela Brasil Telecom.
Informações obtidas pela coluna junto à
diretoria da empresa dão conta que Carla Cicco estaria
com as horas contadas, devendo ser ejetada do cargo a qualquer
momento. Ou seja, Carla Cicco vai sentir na pele o real significado
do Pula-Pula. Fora da empresa, é claro!
Cartão
quase vermelho
A suposta demissão do ministro dos Transportes, Alfredo
Nascimento, fervilhou nos bastidores do poder. Ontem, quinta-feira,
o assunto ganhou os corredores mais seletos do Congresso, obrigando
um bem administrado corre-corre de parlamentares para evitar
a demissão. Caso a degola seja definitivamente consumada,
é preciso que o presidente Lula deixe de lado a intenção
de fazer política em setor tão importante para
o cotidiano do país, nomeando alguém capaz de
reverter a caótica situação das estradeiras
brasileiras, no menor tempo possível. Na verdade, setores
vitais para a existência de uma nação não
deveriam, em hipótese alguma, ficar a mercê de
casuísmos políticos, como é o caso dos
transportes. Tais setores mereceriam leis orgânicas, como
forma de garantir a continuidade de projetos que muitas vezes
são interrompidos por mudança de bandeira partidária.
Bola
da vez
O rapapé que aconteceu no Supremo Tribunal Federal, na
última terça-feira, em comemoração
ao aniversário do ministro Nelson Jobim, reuniu as mais
distintas correntes da política nacional. Entre os que
lá foram cumprimentar o presidente do STF estavam os
senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José
Sarney (PMDB-AP) e os deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP), Professor
Luizinho (PT-SP) e Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR). Para muitos
ficou clara a impressão de que o flerte do presidente
Lula na direção do ministro Jobim, que sonha em
tê-lo como vice em sua empreitada pela reeleição,
pode não dar em nada. Jobim, que tem mostrado uma enorme
disposição para retornar ao mundo político,
sonha em ser candidato à Presidência da República,
já em 2006. E mais: algumas alas do PSDB já admitem
que Nelson Jobim seria o candidato ideal para o partido.
Tiro
no pé
É verdade que ser oposição não é
tarefa fácil no mundo da política, mas o PT tem
demonstrado ser tão vulnerável quanto qualquer
outro partido político, situação que não
apenas joga o discurso de décadas no lixo, mas mostra
que o messianismo que acomete o governo Lula é uma artimanha
de quinta categoria. De autoria do deputado Paulo Rocha (PT-PA),
o Projeto de Lei 33/1999 proíbe a utilização
de recursos públicos federais em propaganda oficial,
favorável ou contrária, que tenha por objeto proposições
pendentes de apreciação pelo Congresso Nacional.
Após pouco mais de um ano de adormecimento, o projeto
foi retomado para, momentos antes da apresentação
do respectivo relatório – realizado pelo deputado
Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) –, ter sido vítima
de um pedido de retirada de pauta. E para surpresa de todos,
o pedido partiu exatamente do autor, que durante a era FHC integrava
a tropa que infernizava o tucanato. Nunca é
tarde para o PT aprender que pau que bate em Chico, bate
em Francisco.
Truque
no ar
Enquanto luta para continuar livre das garras do Tribunal de
Contas da União, a Itaipu Binacional, uma das maiores
usinas de geração de energia do planeta, gasta
o dinheiro público de forma insana e inconseqüente.
Não faz muito e a Itaipu contratou pela bagatela de R$
1,9 milhão os serviços do arquiteto Oscar Niemeyer,
que terá a incumbência de projetar a nova sede
administrativa da empresa. O mais espantoso, até então,
é que não ficou comprovada a necessidade de se
construir um novo prédio para abrigar o capítulo
brasileiro da Itaipu Binacional. E enquanto Jorge Sameck, diretor
brasileiro da empresa, não explicar o fato, fica valendo
a tese da mágica.
Querendo
voltar
Em suas discretas andanças por Brasília, o ex-prefeito
Paulo Maluf confidenciou a amigos que poderá entrar na
disputa presidencial em 2006, mesmo sabendo que suas chances
são remotas, se considerada a enorme quantidade de votos
necessária para se transformar em inquilino do Palácio
do Planalto. Com os pés mais próximos da Terra,
o que Maluf quer mesmo é se eleger deputado federal por
São Paulo, o que, politicamente, não é
impossível, mesmo que difícil seja. E mais: Maluf
não apenas aposta em sua candidatura, mas quer eleger
outros dez deputados federais, situação que, se
concretizada, lhe daria um poder de negociação
que o eleitor paulista tão bem conhece. Socorro!
Pedindo
ajuda
Edemar Cid Ferreira, controlador do quase finado Banco
Santos, começa externar sinais de seu desespero, principalmente
pela eminente possibilidade de decretação da quebra
da instituição financeira, o que o levaria, pelo
menos nos domínios tupiniquins, à bancarrota.
Há dias, um amigo de infância de Edemar aterrissou
no Congresso, com um pedido no bolso: aliviar a situação
do banqueiro, que deverá ser alvo de duras investigações
do parlamento brasileiro. Fazendo uma espécie de beija-mão
privé, o amigo do banqueiro parecia ter adotado
o estilo do atacante Robinho, do Santos Futebol Clube, pois
seu pedido foi uma verdadeira pedalada. Enfim, cada um joga
com o que tem.
Reino
da bicharada
Dia desses, a Comissão de Valores Mobiliários
multou a empresa Avestruz Master, divulgando, logo em seguida,
um novo alerta sobre as Cédulas de Produto Rural (CPR’s),
vendidas a investidores sob a promessa de rentabilidade de até
60% ao ano. A Avestruz Master acaba de inaugurar uma fazenda
em São Gonçalo do Amarante, cidade a 50 quilômetros
de Fortaleza, terra do governador Lúcio Alcântara
(PSDB). Mesmo ciente da multa e do alerta da CVM, Lúcio
Alcântara gravou um comercial destacando o interesse social
da empresa. Por isso, meu caro leitor, se um dia, na casa do
governador cearense, lhe oferecerem uma omelete gigante, não
se assuste. Afinal, em negócios de tucano com avestruz
também aparece, vez por outra, um boi na linha.
Gatilho
ligeiro
O referendo sobre o comércio de armas e o Estatuto do
Desarmamento, que perambula por duas comissões permanentes
da Câmara, vive um impasse quase sem fim, enquanto a bandidagem
usa e abusa da criatividade para continuar sobrevivendo. Há
dias, em uma favela do subúrbio do Rio de Janeiro, uma
placa estrategicamente posicionada dava conta da ousadia dos
criminosos. Aqui nós pagamos muito mais pela sua arma,
anunciavam os transgressores locais. Ou seja, o Estado paralelo,
mesmo ilegal, é muito mais ágil e eficiente do
que o oficial.
Salário
de fome
Pensando bem, independentemente da cor da pele, escravidão
maior é aquela que o salário mínimo impinge
a qualquer um.
Ucho Haddad |


Querendo entender...
O descumprimento de Marta Suplicy à Lei de
Responsabilidade Fiscal foi esquecido. Por quê? Afinal,
perguntar não ofende...


O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país



Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.


Destaques
e-ditorial:
"A visão usual da ilegalidade"
- por Ucho Haddad
e-xclusiva:
"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"A política na bacia das almas"
- por Ucho Haddad
Q.I.:
"A eminência parda do cardeal" -
por Pedro Luís de Campos Vergueiro
Tribuna
Livre: "Fundo Internacional
de Cabides" - por Ralph J. Hofmann
Prateleira
Eletrônica: "As 100 Melhores
Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
Rolo
compressor
Por mais que a Coca-Cola tenha se valido de um forte e pesado
esquema de lobby – notícias de bastidores dão
conta que foi gasta uma verdadeira fortuna para tal –
não foi possível evitar a convocação
do presidente da empresa, Brian Smith, na comissão
de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara
dos Deputados, onde a derrota da gigante dos refrigerantes
se deu por dezessete votos contra um. Já na Comissão
de Defesa do Consumidor, presidida pelo deputado Paulo Lima
(PMDB-SP), a decisão foi mais avassaladora. Depois
de uma breve, mas detalhada, explanação do deputado
Celso Russomano sobre as ações da Coca-Cola,
a convocação de Brian Smith se deu por unanimidade.
Apenas para lembrar, o calvário da Coca-Cola começou
por obra do editor da coluna. (15/04/04)


Dica do Ucho
Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.



Editora Senac São Paulo
A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week - o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br
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