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Antes
tarde...
Se o indiciamento pela Polícia Federal do mais polêmico
banqueiro tupiniquim, o Senhor Opportunidade, causou
espécie para os mais desavisados, para aqueles que o
enfrentam diariamente era algo esperado há muito. Misto
de vaidade inconseqüente com uma certa dose de divindade
inexistente – pelo menos é assim que se enxerga
– o banqueiro opportunista chegou com três
horas e meia de antecedência à sede da Polícia
Federal do Rio de Janeiro – o depoimento estava marcado
para as 10 da manhã – como estratégia para
não ser filmado e nem fotografado. De igual maneira,
após ser indiciado, o banqueiro saiu pela porta dos fundos
do prédio da praça Mauá, no centro do Rio
de Janeiro, despistando jornalistas e cinegrafistas. Tais situações
refletem a quase incontrolável psicopatia do opportunista,
que lamentavelmente a Justiça não conseguiu enxergar
ao negar por duas vezes sua prisão preventiva. É
verdade que trata-se de tarefa hercúlea, mas passar o
Brasil a limpo é algo absolutamente possível.
Até porque, ser patriota não se resume a decorar
o Hino Nacional.
...
do que nunca
Quando ainda achava-se onipotente e inimputável, o banqueiro
opportunista contratou o agente israelense Avner Shemesh
pata bisbilhotar a vida de seus mais ácidos desafetos,
enquanto a Polícia Federal analisava os documentos relativos
à espionagem contratada pela Brasil Telecom e protagonizada
pela americana Kroll Associates. Informações obtidas
pela coluna dão conta que no material apreendido na última
sexta-feira, no escritório de Shemesh, a PF encontrou,
entre tantas coisas, fotos dos familiares e das residências
dos jornalistas que o incomodaram nos últimos anos. Mesmo
assim, o inconseqüente Senhor Opportunidade continuará
solto e aterrorizando a vida daqueles que o enfrentam. Tal situação
deve ser considerada como uma total e absurda irresponsabilidade
do Estado, principalmente porque quando a liberdade de um reles
transgressor da lei representa ameaça ao andamento das
investigações, a Justiça não pensa
duas vezes em decretar sua prisão, mesmo que preventiva.
Bye
bye, Brasil
Quando algum reles mortal se envereda pelos truques da vida,
as autoridades não titubeiam em requisitar os passaportes
dos mágicos, como forma de garantir que não saiam
do país e escapem das garras da Justiça. Outrossim,
causa perplexidade o fato da Polícia Federal não
ter apreendido os passaportes de Carla Cicco, presidente da
Brasil Telecom, e do Senhor Opportunidade. O banqueiro,
para os que desconhecem, é dono de uma verdadeira frota
de jatos executivos – já são quatro –
sendo que a última aquisição lhe custou
a bagatela de US$ 35 milhões. Do contrário, a
Justiça aparecerá somente no binóculo do
opportunista.
Carona
interesseira
Quando passou a contemplar o crescimento
sustentado das oposições, a entourage palaciana
decidiu flertar o PMDB, como receita milagrosa para as eleições
de 2006. Se por um lado o presidente Lula disparou salamaleques
dos mais variados na direção dos senadores Renan
Calheiros (PMDB-AL) e José Sarney (PMDB-AP), por outro,
o ministro José Dirceu se encarregou de neutralizar o
partido em suas hostes estaduais. No entanto, no exato momento
em que persuadir os peemedebistas tornou-se algo difícil
e quase impossível, em especial pela pífia reforma
ministerial, o Palácio do Planalto passou a sonhar com
o nome de Nelson Jobim como vice de Lula em 2006. Do contrário,
o presidente do Supremo Tribunal Federal teria acompanhado o
funeral do papa pela televisão.
Na
maca
Temendo dificuldades na campanha presidencial
de 2006, o Planalto tem se valido de ações bisonhas
para aniquilar os possíveis adversários do presidente
Lula, mas nem tudo tem saído a contento. A operação
realizada na Saúde da Cidade Maravilhosa foi um show
de pirotecnia tão oportunista quanto irresponsável,
sendo que o assunto já caiu no esquecimento. Tal situação
prova que o messianismo luliano é mais um daqueles famosos
e indesejáveis embustes do marketing político,
sendo que nada de tão excepcional mudou no Rio de Janeiro,
se é que realmente algo tenha ocorrido por lá.
Em outras palavras, não se sabe se a doença maior
está na Saúde do Rio ou na saúde do pensamento
petista.
Vingança
da sacristia
Ainda colhendo os espinhos de sua incursão vaticanista
de três dias, ocasião em que participou do funeral
do papa João Paulo II, o presidente Lula acaba de conquistar
mais uma declaração desastrosa sobre sua suposta
religiosidade. Após celebrar uma missa na Santa Sé,
o ex-arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal dom Eugênio
Salles, recebeu a imprensa em seus aposentos e disparou: Ele
não é um cristão modelo, disse o cardeal
ao se referir ao presidente brasileiro. Na opinião de
dom Eugênio Salles, que quer explicações
sobre o fato do presidente ter comungado durante o funeral do
papa, Lula não é um cristão ao seu
modo e tão pouco um cristão sem pecados.
Traduzindo, posar de coroinha de igreja parece não ter
dado muito certo.
Morrendo
na praia
Pouco mais de vinte e quatro horas após
ter declarado que os gastos do governo federal com viagens internacionais
não são desmedidos, mas absolutamente necessários,
o ministro José Dirceu admitiu, nos bastidores, que o
périplo africano do presidente Lula não rendeu
tantos acordos comerciais como vem sendo anunciado. As negociações
ficaram entre o moderado e o pífio, sendo que o dinheiro
do contribuinte, gasto em mais uma insana viagem internacional,
apenas proporcionou ao presidente Lula a possibilidade de recordar
os primeiros dias de governo, quando ainda se mesclava ao povo
e era ovacionado compulsivamente. De resto, os resultados obtidos
na África condizem com a competência do governo.
O
que é isso companheiro?
Quando ainda sonhava com a eleição
de Luiz Eduardo Greenhalgh para a presidência da Câmara
Federal, o PT e o Palácio do Planalto apostavam, até
mesmo de maneira cega e irresponsável, na capacidade
de seus líderes no Congresso. Bastou uma pequena dissidência
partidária para que ficasse comprovada a incapacidade
de articulação em momentos de crise do então
líder do governo na Câmara, deputado Professor
Luizinho (PT-SP), para que Severino Cavalcanti aniquilasse o
topetudo Greenhalgh. À época, em um atitude típica
da Gestapo, a derrota petista foi creditada ao ministro Aldo
Rebelo (Articulação Política), sendo que
o nome do Professor Luizinho sequer veio à baila. Ou
seja, a cegueira petista muitas vezes é maior do que
a dura realidade que o partido enfrenta.
Panos
quentes
Ainda a incompetência rouge... Agora,
enquanto decanta a não aprovação do nome
de José Fantine para uma das diretorias da Agência
Nacional do Petróleo, o PT palaciano vai digerindo mais
uma derrota no Congresso, o que mostra de forma clara e evidente
que a peçonha política de seus principais representantes
no parlamento não é paralisante e letal como muitos
querem fazer acreditar. O maior culpado pela recente derrota
é o senador Aloízio Mercadante (PT-SP), que misteriosamente
tem sido poupado pelo partido. Tanto é assim, que após
o novo vexame, Mercadante deixou de fazer o que mais gosta:
destilar sua empáfia diante das câmeras. Enfim,
não há como negar que o tempo é o senhor
da razão.
Dançando
miúdo
Dentro de algumas semanas, a Comissão
de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados deverá
colocar em discussão uma das mais polêmicas matérias
envolvendo os bancos. De acordo com o presidente da Comissão,
deputado Luiz Antonio Fleury Filho (PTB-SP), representantes
do Banco Central darão os retoques finais na submissão
dos bancos ao Código de Defesa do Consumidor, situação
que nem de longe os banqueiros admitiam. A propósito,
em recente declaração, os banqueiros reiteraram
a posição de não se submeter ao Código,
alegando que seguiam uma normatização própria
do setor, editada pelo BC. É preciso lembrar que nenhuma
instituição, independentemente de seu caráter,
está acima do que determinam o conjunto de leis e a Constituição.
Em outras palavras, pode ser o começo do fim.
De
pernas para o ar
Nas articulações políticas
que acontecem no Rio de Janeiro, uma verdadeira dança
de nomes acontece quando o assunto é a sucessão
da governadora de direito Rosângela Matheus. O governador
de fato Anthony Garotinho, que antes pensava se derretia pelo
senador Marcelo Crivella (PL-RJ), agora dá sinais claros
que seu candidato ao governo do Rio pode ser o senador Sérgio
Cabral Filho (PMDB-RJ). O que não significa, em hipótese
alguma, que seja uma dádiva à terra que vive sob
as bênçãos do Redentor.
Barrado
no baile
Com a morte do deputado estadual
Márcio Corrêa (PSB-RJ), vítima de um acidente
automobilístico, a vaga deveria ser ocupada por seu primeiro
suplente, o advogado Hugo Leal. Presidente do Detran do Rio
de Janeiro, cargo que alcançou por suas fortes e questionáveis
relações com Anthony Garotinho, Leal, que em alguns
departamentos do órgão já chamado de Hugo
(des)Leal, queria mesmo é ser alçado à
condição de desembargador do Tribunal de Justiça
fluminense, onde ingressaria através do Quinto Constitucional.
O fato é que o sonho de Hugo Leal alcançar a magistratura
foi interrompido de maneira inesperada. Uma ação
de atentado contra o manda-chuva do Detran, por desrespeitar
uma decisão judicial, acabou com sua fantasia. É
o que dá jogar confete em Carlos Augusto Montenegro,
presidente do Ibope, e João Elísio Ferraz de Campos,
presidente da Fenaseg, dupla que se destaca pela arrogância.
Resumindo, diga-me com quem andas e dir-te-ei o que serás.
Nada!
Ele
é o bom
Circulando, dia desses, pelos corredores do Congresso, o governador
de fato Anthony Garotinho, em mais um de seus momentos de ironia,
decidiu comentar o assunto que tem tomado a mídia nacional,
o nepotismo. Sou ex-governador e minha mulher é governadora.
Já fui secretário da Segurança e agora,
ela me convida para ser secretário do Governo. Será
que isso também é nepotismo? Não, governador,
é apenas um ato de irresponsabilidade sem precedentes.
Glórias
mil pra lá
O Corinthians pode sentar no banco dos
réus. Pelo menos é o que desejam os deputados
da Comissão de Segurança Pública e Crime
Organizado, que aprovaram ontem um pedido de audiência
pública de autoria dos deputados Rubinelli (PT-SP) e
Alberto Fraga (PTB-DF). Os parlamentares esperam que o empresário
Kia Joorabchian esclareça as acusações
sobre suposta lavagem de dinheiro realizada pela empresa MSI
– Marketing Sports Investments, parceira do alvinegro
do Parque São Jorge. De quebra a Comissão deverá
ouvir, também, o presidente do Corinthians, Alberto Dualib.
As línguas viperinas da Câmara garantem que a idéia
de ouvir os corintianos é armação de palmeirenses
inconformados. No entanto, se existe algum tipo de lavagem absolutamente
comprovada, é a da alma dos torcedores que há
muito não viam o time do coração vencer.
Adágio
de ocasião
Pensando bem, se, no mundo, um dia é da caça,
outro do caçador, ontem, na Polícia Federal, a
história mudou por algumas horas. Um dia é da
opportunidade, outro do opportunista.
Ucho Haddad |


Querendo entender...
Anthony Garotinho não vai explicar o que fez
com o dinheiro do "Bônus do Garotinho"?
Por quê? Afinal, perguntar não ofende...


O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país



Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.


Destaques
e-ditorial:
"A visão usual da ilegalidade"
- por Ucho Haddad
e-xclusiva:
"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"A política na bacia das almas"
- por Ucho Haddad
Q.I.:
"A eminência parda do cardeal" -
por Pedro Luís de Campos Vergueiro
Tribuna
Livre: "Fundo Internacional
de Cabides" - por Ralph J. Hofmann
Prateleira
Eletrônica: "As 100 Melhores
Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
Casa
de ferreiro
Entre tantos gabinetes existentes na Câmara dos Deputados,
alguns chegam a chamar a atenção pela ironia
do destino. A maioria dos gabinetes petistas ostenta, logo
na porta de entrada, uma mensagem que é a antítese
do que vem acontecendo no governo Lula: CORRUPÇÃO
NUNCA MAIS. Depois da inexplicável viagem de Benedita
da Silva, das revelações sobre os casos Celso
Daniel e Toninho do PT e do imbróglio evolvendo Waldomiro
Diniz e o ministro José Dirceu, bom seria se os parlamentares
petistas retirassem, ou pelo menos cobrissem, tão hilária
citação. (15/04/04)


Dica do Ucho
Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.



Editora Senac São Paulo
A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week - o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br
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