| Tocando piano
Por duas vezes, o pedido de prisão preventiva de Carla Cicco, presidente da Brasil Telecom, e do banqueiro opportunista – a Justiça ainda nos impede de citar seu nome – foi negado. Ontem, Cicco foi indiciada por formação de quadrilha, divulgação de segredo e corrupção ativa, o que pode lhe render a chance, mesmo que curta, de contemplar o sol geometricamente diferente. Como seu passaporte não foi confiscado pelas autoridades brasileiras, Carla Cicco, que possui cidadania italiana, pode, de uma hora para outra, se transformar no Salvatore Cacciola de saias. Ou seja, bater asas e voar.
Em apuros
Experimentando os mais difíceis momentos da vida, o Senhor Opportunidade deve prestar depoimento à Polícia Federal ainda hoje, de onde sairá indiciado pelos mesmos crimes cometidos por Carla Cicco. O advogado do banqueiro, Nélio Machado, tripudia sobre a verdade dos fatos ao declarar que as investigações foram feitas de forma arbitrária e ilegal, esquecendo o que seu cliente vem fazendo, nos últimos meses, com o rol de desafetos. A não ser que o causídico carioca entenda como legal ameaçar familiares de jornalistas, destruir bens dos desafetos, grampear telefones, interceptar correspondências e planejar seqüestro. Como as coisas mudam juntamente com a modernidade, é mais prudente perguntar a quem sabe.
Por trás das cortinas
Informações obtidas pela coluna junto à Polícia Federal dão conta que a operação que tinha o agente israelense Avner Shemesh como alvo, acabou sendo do tipo atirar no que viu e acertar no que não viu. No escritório de Shemesh foi encontrado farto material de espionagem clandestina, além de provas documentais de sua ligação com o banqueiro opportunista, acusado mais uma vez de ser o responsável pela bisbilhotagem que vinha acontecendo. Quando a PF diz que o problema é muito maior, significa que figurões da política e do mundo empresarial estavam no alvo da ação do araponga israelense, o que certamente irá complicar a na da confortável situação do banqueiro.
Roteiro de filme
É verdade que coincidências até existem, mas em algumas situações chega a ser uma hipocrisia desmedida. Há meses, quando noticiamos a entrega de um prêmio na Câmara de Comércio Britânica, em São Paulo, a ênfase ficou por conta do fato das laureadas estarem envolvidas no mesmo imbróglio. Em 2002, a presidente da Brasil Telecom, Carla Cicco, indiciada criminalmente pela Polícia Federal, conquistou o prêmio Business Woman na categoria Setor Privado. Em 2003, o prêmio foi entregue para Maria Regina Yazbek, acusada de ser a responsável pela subtração de milhares de mensagens eletrônicas do computador do ex-marido, o empresário Luís Roberto Demarco, material que serviu de base para a espionagem realizada pela Kroll e contratada por Carla Cicco. De quebra, Regina Yazbek, por ocasião da solenidade, se deixou fotografar ao lado da ex-primeira-dama Ruth Cardoso. Em outras palavras, nem mesmo Federico Fellini seria capaz de tanto preciosismo.
Companheiro empregado
No caso de o governo Lula acabar autorizando uma intervenção do BNDES para salvar a Varig, cujo controle está sendo cobiçado por diversos grupos econômicos, o Banco do Estado do Rio Grande do Sul – Banrisul poderia participar da operação como gestor, o que proporcionaria ao PT uma certa dose de lucro político, principalmente em uma unidade da federação onde o partido perdeu as últimas duas eleições por fadiga material, após dezesseis anos de reinado absoluto. No caso de tudo se confirmar, o retorno de Olívio Dutra, também conhecido como o Stalin de Bossoróca, ao Banrisul seria uma alternativa para defenestrá-lo do governo Lula, sem causar-lhe a sensação de maior abandonado. De mais a mais, a infestação petista na Varig é, cada vez mais, uma realidade indesejada.
Recuo estratégico
Após a péssima repercussão nas mais distintas camadas da sociedade brasileira, o ministro da Saúde, Humberto Costa, que integra a comitiva que acompanha o presidente Lula em sua viagem à África, declarou que foi suspensa a discussão sobre o uso das Unidades e Terapia Intensiva nos hospitais púbico. De acordo com o ministro, não significa que o governo desistiu da proposta, mas que apenas irá estudar a proposta por mais tempo, enquanto ouve representantes de vários setores. Trata-se de uma tentativa de impor regras para a ocupação das UTI's, sendo que no momento em que uma vida humana está em jogo não deve existir, em hipótese alguma, requisitos que lembram uma roleta russa.
Pé de cristal
Enquanto o presidente Lula era informado na África sobre a polêmica causada pela possibilidade de o governo federal criar regras para a utilização das UTI's, a primeira-dama Marisa Letícia despencava no hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Durante a viagem a Roma, onde acompanhou os funerais do papa João Paulo II, Marisa Letícia torceu o pé. Beira o inexplicável a atitude da primeira-dama de viajar a São Paulo para solucionar algo tão corriqueiro, principalmente se analisadas as últimas licitações que entupiram o gabinete presidencial com material médico-hospitalar. E o contribuinte, fadado a morrer na fila de espera dos hospitais púbicos, é obrigado a acordar mais cedo para financiar as mordomias nas quais se refestelam os Lula da Silva. E nada do Brasil mudar!
Cara-a-cara
Trabalhando nos bastidores para minimizar os efeitos da brusca retomada do caso Duda Mendonça, o Palácio do Planalto tem mostrado a quem quiser ver que os métodos totalitaristas que de lá emanam, fazem dos outrora integrantes da Gestapo meros aprendizes de feiticeiros. Não bastasse a vergonhosa intimidação promovida contra os delegados de Polícia Federal Antonio Carlos Rayol e Lorenzo Pompílio da Hora e contra os agentes federais Amado e Guimarães, responsáveis pela prisão do marqueteiro palaciano em uma rinha de galos, o governo Lula irá submetê-los ao constrangimento de sete sindicâncias internas. E mais: ao defender os companheiros de profissão e dar ciência do fato à imprensa, um outro agente também já sofre com a truculência palaciana. Em uma das sindicâncias, o Planalto, o Ministério da Justiça e a própria Polícia Federal querem saber as razões que levaram os delegados a concederem entrevista ao ucho.info. O editor espera o momento para, caso venha a depor, dizer que pensava estar vivendo em uma democracia. Pelo menos foi o que nos disseram.
Haja paciência
Tancredo Neves, Mensageiro da Liberdade é o nome do DVD que será lançado dentro de alguns dias, para homenagear o ex-governador mineiro que por obra do destino não se transformou em inquilino do Palácio do Planalto. Com direito a depoimentos de José Sarney, Fernando Henrique Cardoso e Aécio Neves, a obra recai sobre a mesma cantilena que emoldurou as homenagens a Teotônio Vilela. É preciso lembrar que Tancredo Neves, na opinião da maioria, ainda é considerado como o melhor presidente brasileiro, apenas por não ter sido de fato, pois o direito foi conquistado.
Dando o troco
Depois de algumas tentativas de entendimento, o PMDB deu mostras que está cansado das promessas e investidas palacianas. O presidente do partido, deputado Michel Temer, anunciou que a escolha do candidato que enfrentará Lula em 2006 ocorrerá em breve. A decisão surge depois que o PMDB não conseguiu sua participação no governo, sem contar a tentativa de fragilização política imposta através da fritura do ministro Romero Jucá (Previdência Social).
Que vergonha!
O presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), declarou que a Proposta de Emenda Constitucional que acaba com o nepotismo nos Três Poderes e em todas as instâncias do Estado deverá ter ritmo normal dentro da Casa. Trata-se de uma aberração, pois o eleitor elege seus representantes para defendê-lo, mas não para que os mesmos se beneficiem de forma escandalosa e imoral. Severino, ao determinar qualquer mudança no rito da discussão do assunto estaria promovendo um suicídio político. Principalmente depois que o filho tomou posse como delegado do Ministério da Agricultura em Pernambuco.
Parece brincadeira
Uma nova rebelião na unidade Tatuapé da Fundação Estadual do Bem Estar do Menor – Febem acabou tirando o sono do governador Geraldo Alckmin na noite de ontem. Pouco antes das 22 horas desta terça-feira, alguns internos decidiram se rebelar, como forma de protestar contra algumas transferências que devem acontecer nos próximos dias. Se dentro da lei, a transferência de um interno não deve ser discutida, mas é impossível acreditar que a Febem seja alvo contínuo de rebeliões. Alckmin peca vergonhosamente ao crer na teoria de que é possível fazer política na Febem. Em outras palavras, quem sequer consegue recuperar menores, não pode sonhar com o voto dos maiores para ser presidente.
E o futuro?
Deflagrada com o intuito de desestabilizar politicamente o governador de fato do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, a presença de enviados do governo Lula na elucidação da chacina que chocou a Baixada Fluminense tem servido para gerar polêmicas e esticar uma discussão insana e irresponsável. Não se trata de conceder salvo conduto aos facínoras que praticaram tamanha barbaridade, mas é preciso discutir soluções imediatas para outras trinta pessoas não sejam assassinadas covardemente. E isso, certamente ninguém fará.
Tudo de novo
O Vaticano põe em prática, a partir de hoje, a segunda parte marketing necrológio, como forma de recuperar os fiéis perdidos ao longo dos anos. Nas primeiras horas desta quarta-feira foi reaberta a cripta da Basílica de São Pedro, local onde são estão sepultados os pontífices da Igreja Católica, para que os fiéis possam visitar a tumba de João Paulo II. No contraponto, mesmo que muitos não acreditem, a Santa Sé trabalha de forma incansável para canonizar Karol Wojtyla até o final deste ano. Vem aí, João Paulo II, a missão!
Pé trocado
Pensando bem, mulher de esquerdista só tropeça quando o marido se apóia na direita.
Ucho Haddad |


Querendo entender...
O ex-assessor de José Dirceu, Waldomiro Diniz ,sumiu. Por quê? Afinal, perguntar não
ofende...


O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país



Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.


Destaques
e-ditorial:
"A visão usual da ilegalidade"
- por Ucho Haddad
e-xclusiva:
"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"A política na bacia das almas"
- por Ucho Haddad
Q.I.:
"A eminência parda do cardeal" -
por Pedro Luís de Campos Vergueiro
Tribuna
Livre: "Fundo Internacional
de Cabides" - por Ralph J. Hofmann
Prateleira
Eletrônica: "As 100 Melhores
Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
Enganação orquestrada
No afã de mostrar ao Brasil e ao mundo que a chamada agenda positiva é uma realidade, o Palácio do Planalto obrigou alguns de seus ministros a abusarem da mitomania, mesmo que positivamente. Ontem, Roberto Rodrigues (Agricultura) e Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) não conseguiram disfarçar o desconforto pelas declarações. Rodrigues garantiu que a situação no campo está controlada e que o governo vai dar cumprimento ao investimento previsto para a reforma agrária. Já Furlan, se esforçou – chegou inclusive a tropeçar – ao dizer que os números atuais da economia mostram que o governo não está parado como muitos anunciam. Mas a lógica acabou derrubando a retórica encomendada. O excessivo número de invasões de terras, que mostra que o Abril Vermelho está em prática, é um claro sinal que o governo parou. (13/04/04)


Dica do Ucho
Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.



Editora Senac São Paulo
A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week - o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br
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