| Óleo
de peroba
Em novembro de 2000, em entrevista à
revista Caros Amigos, Luiz Inácio Lula da Silva destilou,
mais uma vez, o populismo barato que agora expõe ao mundo
ao declarar: “Se eu ganhasse a Presidência para
fazer o mesmo que o Fernando Henrique Cardoso está fazendo,
preferiria que Deus me tirasse a vida antes para não
passar vergonha. Por que sabe o que acontece? Tem muita gente
que tem o direito de mentir, o direito de enganar. Eu não
tenho. Há uma coisa que tenho como sagrada: é
não perder o direito de olhar nos olhos de meus companheiros
e de dormir com a consciência tranqüila de que a
gente é capaz de cumprir cada palavra que a gente assume.
E, quando não as cumprir, ter coragem de discutir por
que não cumpriu”. Ora, em sua viagem ao continente
africano, o presidente Lula tem feito ouvidos moucos para corrupção
que impera na República dos Camarões, por exemplo,
onde anunciou a reabertura da embaixada brasileira. Bom seria
que, ao retornar ao Brasil, o presidente cumprisse o que prometeu
em 2000. Ou seja, pelo menos dizer por que não fez, uma
vez que olhar nos olhos está cada dia mais difícil.
Gênio
da lâmpada
Em seu périplo pelo continente
africano, o presidente Lula parece ter descoberto a pólvora.
Em mais uma de suas conhecidas declarações de
improviso, que têm deixado a diplomacia brasileira em
polvorosa, Lula disse que o problema da fome não está
relacionado à falta de alimentos, mas à baixa
renda ou, até mesmo, à própria ausência.
Os que eram ricos continuam ricos e os que eram pobres continuam,
disse o presidente brasileiro. Se Lula acredita no que fala,
o Programa Fome Zero, embuste político que até
então não decolou, deveria ser rebatizado como
Programa Renda Mil. Afinal, pesquisas dos mais distintos matizes
mostram que o salário mínimo ideal deveria estar
acima dos R$ 1 mil. E agora, presidente?
Par
ou ímpar?
A mais nova invencionice do messianismo
luliano emerge da área da Saúde. Depois de desembarcar
com pompa e circunstância no Rio de Janeiro, onde garantiu
solucionar a crise que se instalou nos hospitais cariocas, o
ministro Humberto Costa (Saúde) anunciou um plano que
prevê o fracionamento da ocupação das Unidades
de Terapia Intensiva nos hospitais públicos, fazendo
da luta pela vida a mais nova loteria do governo Lula. O Palácio
do Planalto não é acometido de nenhum tipo de
constrangimento ao propor solução tão polêmica,
pois a melhor UTI de Brasília continua sendo a sala de
embarque do aeroporto. Mesmo apresentando um decréscimo
contínuo, ainda é grande o número de pessoas
que acreditam na vitória da esperança sobre o
medo.
Frigideira
rouge
Enfrentando, provavelmente, os piores
momentos de seu inferno astral, o ministro da Previdência
Social, Romero Jucá (PDMB-RR), certo de que a melhor
defesa é o ataque, decidiu abrir o verbo e colocou o
presidente Lula na berlinda. Jucá disse que as acusações
sobre irregularidades ocorridas em um empréstimo oficial
para uma de suas empresas, da qual afirma não ser mais
sócio, era do conhecimento de boa parte do presidente
Lula. Assim, resta concluir, como noticiamos anteriormente,
que trata-se de uma operação de fritura política,
cuja receita pode ser encontrada em qualquer gabinete do Palácio
do Planalto. Resumindo, o outrora tão importante PMDB
caiu na esparrela do governo Lula.
Você
decide
Se mesmo depois de contemplada a foto abaixo, o brasileiro ainda
tem esperanças que um dia tudo será muito melhor,
é porque certamente não tem a menor noção
de tempo.

Agora
vai!
Contrariando a estratégia montada
pelos defensores do mais polêmico banqueiro tupiniquim,
o Senhor Opportunidade – a Justiça, em decisão
que remete aos tempos da ditadura, continua nos proibindo de
citar seu nome – Carla Cicco, presidente da Brasil Telecom
prestou depoimento à Polícia Federal, ocasião
em que foi indiciada por formação de quadrilha
e divulgação de segredo (espionagem ilegal). A
idéia inicial era transferir a Carla Cicco a responsabilidade
pela contratação da americana Kroll, aproveitando
o fato da executiva ter nacionalidade italiana. Uma ação
da Polícia Federal de São Paulo, que culminou
com a invasão do escritório de Avner Shemesh,
ex-oficial do exército israelense treinado pelo Mossad,
tornou inexeqüível o plano do banqueiro opportunista,
que deve depor à PF nas próximas horas. Festejado
durante o início do governo Collor, quando teve o nome
cotado para ocupar o Ministério da Fazenda, o Senhor
Opportunidade pode, se decidir falar, implodir boa parte do
servilismo que o acompanhou nos últimos anos, colocando
na berlinda não apenas arapongas de quinta categoria,
mas alguns magistrados até então tidos como impolutos
pela sociedade. Enfim, cada um tem a opportunidade que merece.
Olhos
fechados
Se a Polícia Federal está
realmente empenhada em guilhotinar os tentáculos do banqueiro,
deveria se dedicar ao seqüestro planejado dentro da opportunista
instituição financeira, que reuniu um grupo canhestro
de colaboradores, onde até garotas de programa e travestis
foram chamados para ajudar. O caso, mesmo que ainda parado na
polícia paulista, poderia elucidar uma série de
conexões virulentas, desmontando uma rede de relacionamentos
jamais vista na história recente do país. Enquanto
as coisas não acontecem, o banqueiro continua financiando
os bravateiros de plantão, que por alguns míseros
tostões se prestam a difamar aqueles que denunciam o
opportunista. Para que o assunto saia da inércia em que
se encontra, bastaria um gesto de boa vontade do governador
Geraldo Alckmin e do secretário de Segurança Pública
de São Paulo, Saulo de Castro. Com a palavra, o governador
e o secretário.
Missão
cumprida
Ontem, quando embarcou no vôo da
Tam (JJ 3928) que o levou da Paulicéia Desvairada à
Cidade Maravilhosa, o presidente do BNDES, Guido Mantega, deixava
transparecer a sensação do dever cumprido, ou
melhor, de ter obedecido a ordens vindas de Brasília.
Durante sua estada na capital paulista, Mantega decidiu que
o BNDES não irá capitalizar a Companhia Energética
de São Paulo (Cesp). Para justificar, Mantega alegou
que o BNDES só poderá repassar à Cesp o
dinheiro que for liberado pelo Tesouro Nacional, o que lhe conferirá,
pelo menos neste caso, o status de mero intermediário.
São Paulo é a maior unidade da federação,
merecendo, portanto, uma contrapartida à altura daquilo
que o governo federal nela arrecada. Se a Cesp não é
merecedora de crédito algum, causa espécie o empréstimo
concedido à Venezuela do ditador Hugo Chávez.
Enfim, como eles são vermelhos, que se entendam.
Passando
a faca
A Câmara dos Deputados vai tentar,
a partir de hoje até quinta-feira, votar a cassação
do mandato do deputado André Luiz (sem partido-RJ). Acusado
de cobrar propina no valor de R$ 4 milhões do empresário
zooteca Carlinhos Cachoeira, André Luiz corre o risco
de continuar como parlamentar. Responsável pelo processo
que convergiu na recomendação da cassação,
o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) vê alguma possibilidade
do parlamentar fluminense escapar. Por outro lado, André
Luiz será vítima da própria verborragia,
pois a Câmara analisa a fita em que o deputado fala claramente
ter ordenado e participado de alguns assassinatos. E se ao final
nada acontecer, as únicas saídas continuarão
sendo os aeroportos de Cumbica e Tom Jobim. E boa viagem!
Revirando
a tumba
A pedido do deputado Mário Heringer
(PDT-MG) o inquérito sobre o assassinato do ex-prefeito
de Campinas, Toninho do PT, deverá ser conduzido, de
agora em diante, pelo Ministério Público Federal.
Passados quase quatro anos do crime, a polícia não
concluiu as investigações que indicassem o motivo
do crime, menos ainda seus culpados, declarou Heringer ao justificar
o requerimento de sua autoria. Na verdade, creditar a Anderson
de Paula Silva, o Andinho, o assassinato de Toninho do PT é
querer eixo do tapete. Quem, após o crime, circulou pelo
submundo de Campinas, ouviu inúmeras vezes os motivos
do crime. E não causará surpresa se a solução
do crime que o PT insiste em abafar estiver bem no fundo do
lixo. Até porque, seguindo a escola inaugurada por Marta
Suplicy, o PT tem conseguido, nos últimos anos, transformar
lixo em ouro.
Fazendo
escola
Depois de Severino Cavalcanti e a ministra Marina Silva, agora
é a vez da alcaidessa fortalezense, Luizianne Lins (PT),
se enveredar pelo mundo do nepotismo. Adepta convicta da modalidade
de salvar a pele dos parentes – o ex-marido é o
gerentão de Fortaleza – Luizianne Lins indicou
a mãe, Luíza Linz, para a presidência do
Instituto de Pesquisas Américo Barreira (IPAB) da Câmara
Municipal de Fortaleza. Um dos granes nomes do municipalismo
brasileiro, Américo Barreira dá nome ao instituto
que, via de regra, é dirigido por algum intelectual,
algumas vezes escolhido nas próprias hostes. Professora
do ensino fundamental, a mãe de Luizianne Lins, que não
guarda qualquer relação com o trabalho de Américo
Barreira, vai embolsar R$ 2 mil na qualidade de assessora técnica,
enquanto os irmãos da prefeita gastam o tempo desbravando
o mundo das licitações. Em outras palavras, na
política de Fortaleza a mosca só mudou de cor.
Agora é vermelha!
Operação
abafa
A chacina que banhou de sangue
a Baixada Fluminense e ganhou espaço na mídia
internacional, tem proporcionado um sem fim de informações
desencontradas sobre o número de vítimas. O que
deveria, pelo menos em tese, aumentar, parece que vem diminuindo
a cada dia. Logo depois do episódio, falava-se em trinta
e três mortos, número que caiu para vinte e nove,
segundo as autoridades. Na verdade, a tragédia se transformou
em palco de disputas políticas entre o presidente Lula
e o governador de fato do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho.
Sob a ótica da federalização do Estado,
o mínimo que se poderia esperar é que a governadora
de direito, Rosângela Matheus, batesse o pé, impedindo
a entrada eleitoreira de forças federais em seu domínio.
O fato é que o povo, que continua acreditando em promessas
palanqueiras, é vítima contumaz de eleições
que acontecem a cada dois anos. Ou seja, o que deveria ser feito,
não o é, por conta de interesses eleitorais.
Rápido,
muito rápido
Ainda a chacina da Baixada Fluminense... Ao pegar carona na
barbárie, o governo Lula, que sofre de um messianismo
desmedido, chamou para si uma solução compatível
com o índice de acerto político-administrativo
que gazeteia mundo afora. Ontem, surgiu a informação
de que os assassinos teriam ligações com empresários
que exploram caça-níqueis na região, mas
o autor da genial teoria sabe que os baixos salários
levam os policiais a procurarem em serviços paralelos
uma forma de sobrevivência. Imaginar que um reles rádio
comunicador é prova suficiente para incriminar quem quer
que seja, mostra que o irresponsável que lançou
a idéia não merece estar onde está. De
mais a mais, Lula e Garotinho deveriam elucidar o que muitos
órgãos da imprensa não bancam por motivos
quase óbvios: o número de mortos na chacina é
muito maior do que o anunciado, sendo que dezesseis corpos foram
recolhidos com brevidade, por ordem de uma conhecida autoridade
da região, que nutre uma considerável intimidade
com o Palácio do Planalto.
Na
mosca
Leitor de Jundiaí, no interior
de São Paulo, José Roberto Bonini revela sua indignação
em e-mail enviado à coluna, especialmente com os avisos
afixados nas repartições públicas, que
destacam ser crime desacatar funcionário público
no exercício da função ou em razão
dela, com possibilidade de detenção de seis meses
a dois anos. Para contrapor, o leitor sugere que ao lado dos
tais cartazes sejam exibidas as penalidades a que estão
sujeitos os servidores que no exercício da função
maltratarem o contribuinte. Principalmente porque em nenhuma
relação trabalhista o patrão fica à
mercê do empregado. Ou será que sim?
Fim
do mundo
Pensando bem, se no corredor do
hospital você encontrar um médico falando uni-duni-tê,
não se assuste. Estará escollhendo o p'roximo
inquilino da UTI.
Ucho Haddad |


Querendo entender...
Do que estará vivendo a ex-ministra Benedita
da Silva? Afinal, perguntar não ofende...


O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país



Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.


Destaques
e-ditorial:
"A visão usual da ilegalidade"
- por Ucho Haddad
e-xclusiva:
"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"A política na bacia das almas"
- por Ucho Haddad
Q.I.:
"A eminência parda do cardeal" -
por Pedro Luís de Campos Vergueiro
Tribuna
Livre: "Fundo Internacional
de Cabides" - por Ralph J. Hofmann
Prateleira
Eletrônica: "As 100 Melhores
Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
Pânico
geral
Por mais que o Palácio do Planalto
insista em divulgar que tudo caminha bem e a passos largos,
o desespero já toma conta dos corredores palacianos.
Em São Paulo, berço da resistência oposicionista,
milhares de telefones celulares estão ilegalmente grampeados.
E mais: na tentativa de diminuir o poder de fogo dos inimigos,
os mais coerentes e ferrenhos críticos do poder já
começam a ser chamados para integrar, mesmo que indiretamente,
o governo Lula. Ou seja, é o fim do caminho. (12/04004)


Dica do Ucho
Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.



Editora Senac São Paulo
A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week - o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br
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