!
uh comunicação ilimitada

ano 4 - número 857 - terça-feira, 12 de abril de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

“A única certeza que tenho é que de tédio, no Brasil, a gente não vai morrer nunca.”

José Eduardo de Andrade Vieira

colunas anteriores
e-ditorial
entrevista do sábado
resenha
e-xclusiva
q.i.
tribuna livre
prateleira eletrônica
uuuh!
página uh!
boca maldita
parceiros
anuncie
expediente

COLUNISTAS

Antonio Carlos Ferreira
Antonio Carlos Rayol
Claudio Tognolli
Ipojuca Pontes
José Nêumanne Pinto
Marcelo Kahns
Roberto Romano da Silva
Sandro Villar

O Brasil e as Relações Internacionais

Santa Catarina em Brasília

ESCREVA PARA O UCHO

Receba em seu
e-mail os principais destaques do dia


Nome:

E-mail:

  

 

Parceiros

Óleo de peroba
Em novembro de 2000, em entrevista à revista Caros Amigos, Luiz Inácio Lula da Silva destilou, mais uma vez, o populismo barato que agora expõe ao mundo ao declarar: “Se eu ganhasse a Presidência para fazer o mesmo que o Fernando Henrique Cardoso está fazendo, preferiria que Deus me tirasse a vida antes para não passar vergonha. Por que sabe o que acontece? Tem muita gente que tem o direito de mentir, o direito de enganar. Eu não tenho. Há uma coisa que tenho como sagrada: é não perder o direito de olhar nos olhos de meus companheiros e de dormir com a consciência tranqüila de que a gente é capaz de cumprir cada palavra que a gente assume. E, quando não as cumprir, ter coragem de discutir por que não cumpriu”. Ora, em sua viagem ao continente africano, o presidente Lula tem feito ouvidos moucos para corrupção que impera na República dos Camarões, por exemplo, onde anunciou a reabertura da embaixada brasileira. Bom seria que, ao retornar ao Brasil, o presidente cumprisse o que prometeu em 2000. Ou seja, pelo menos dizer por que não fez, uma vez que olhar nos olhos está cada dia mais difícil.

Gênio da lâmpada
Em seu périplo pelo continente africano, o presidente Lula parece ter descoberto a pólvora. Em mais uma de suas conhecidas declarações de improviso, que têm deixado a diplomacia brasileira em polvorosa, Lula disse que o problema da fome não está relacionado à falta de alimentos, mas à baixa renda ou, até mesmo, à própria ausência. Os que eram ricos continuam ricos e os que eram pobres continuam, disse o presidente brasileiro. Se Lula acredita no que fala, o Programa Fome Zero, embuste político que até então não decolou, deveria ser rebatizado como Programa Renda Mil. Afinal, pesquisas dos mais distintos matizes mostram que o salário mínimo ideal deveria estar acima dos R$ 1 mil. E agora, presidente?

Par ou ímpar?
A mais nova invencionice do messianismo luliano emerge da área da Saúde. Depois de desembarcar com pompa e circunstância no Rio de Janeiro, onde garantiu solucionar a crise que se instalou nos hospitais cariocas, o ministro Humberto Costa (Saúde) anunciou um plano que prevê o fracionamento da ocupação das Unidades de Terapia Intensiva nos hospitais públicos, fazendo da luta pela vida a mais nova loteria do governo Lula. O Palácio do Planalto não é acometido de nenhum tipo de constrangimento ao propor solução tão polêmica, pois a melhor UTI de Brasília continua sendo a sala de embarque do aeroporto. Mesmo apresentando um decréscimo contínuo, ainda é grande o número de pessoas que acreditam na vitória da esperança sobre o medo.

Frigideira rouge
Enfrentando, provavelmente, os piores momentos de seu inferno astral, o ministro da Previdência Social, Romero Jucá (PDMB-RR), certo de que a melhor defesa é o ataque, decidiu abrir o verbo e colocou o presidente Lula na berlinda. Jucá disse que as acusações sobre irregularidades ocorridas em um empréstimo oficial para uma de suas empresas, da qual afirma não ser mais sócio, era do conhecimento de boa parte do presidente Lula. Assim, resta concluir, como noticiamos anteriormente, que trata-se de uma operação de fritura política, cuja receita pode ser encontrada em qualquer gabinete do Palácio do Planalto. Resumindo, o outrora tão importante PMDB caiu na esparrela do governo Lula.

Você decide
Se mesmo depois de contemplada a foto abaixo, o brasileiro ainda tem esperanças que um dia tudo será muito melhor, é porque certamente não tem a menor noção de tempo.

Agora vai!
Contrariando a estratégia montada pelos defensores do mais polêmico banqueiro tupiniquim, o Senhor Opportunidade – a Justiça, em decisão que remete aos tempos da ditadura, continua nos proibindo de citar seu nome – Carla Cicco, presidente da Brasil Telecom prestou depoimento à Polícia Federal, ocasião em que foi indiciada por formação de quadrilha e divulgação de segredo (espionagem ilegal). A idéia inicial era transferir a Carla Cicco a responsabilidade pela contratação da americana Kroll, aproveitando o fato da executiva ter nacionalidade italiana. Uma ação da Polícia Federal de São Paulo, que culminou com a invasão do escritório de Avner Shemesh, ex-oficial do exército israelense treinado pelo Mossad, tornou inexeqüível o plano do banqueiro opportunista, que deve depor à PF nas próximas horas. Festejado durante o início do governo Collor, quando teve o nome cotado para ocupar o Ministério da Fazenda, o Senhor Opportunidade pode, se decidir falar, implodir boa parte do servilismo que o acompanhou nos últimos anos, colocando na berlinda não apenas arapongas de quinta categoria, mas alguns magistrados até então tidos como impolutos pela sociedade. Enfim, cada um tem a opportunidade que merece.

Olhos fechados
Se a Polícia Federal está realmente empenhada em guilhotinar os tentáculos do banqueiro, deveria se dedicar ao seqüestro planejado dentro da opportunista instituição financeira, que reuniu um grupo canhestro de colaboradores, onde até garotas de programa e travestis foram chamados para ajudar. O caso, mesmo que ainda parado na polícia paulista, poderia elucidar uma série de conexões virulentas, desmontando uma rede de relacionamentos jamais vista na história recente do país. Enquanto as coisas não acontecem, o banqueiro continua financiando os bravateiros de plantão, que por alguns míseros tostões se prestam a difamar aqueles que denunciam o opportunista. Para que o assunto saia da inércia em que se encontra, bastaria um gesto de boa vontade do governador Geraldo Alckmin e do secretário de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro. Com a palavra, o governador e o secretário.

Missão cumprida
Ontem, quando embarcou no vôo da Tam (JJ 3928) que o levou da Paulicéia Desvairada à Cidade Maravilhosa, o presidente do BNDES, Guido Mantega, deixava transparecer a sensação do dever cumprido, ou melhor, de ter obedecido a ordens vindas de Brasília. Durante sua estada na capital paulista, Mantega decidiu que o BNDES não irá capitalizar a Companhia Energética de São Paulo (Cesp). Para justificar, Mantega alegou que o BNDES só poderá repassar à Cesp o dinheiro que for liberado pelo Tesouro Nacional, o que lhe conferirá, pelo menos neste caso, o status de mero intermediário. São Paulo é a maior unidade da federação, merecendo, portanto, uma contrapartida à altura daquilo que o governo federal nela arrecada. Se a Cesp não é merecedora de crédito algum, causa espécie o empréstimo concedido à Venezuela do ditador Hugo Chávez. Enfim, como eles são vermelhos, que se entendam.

Passando a faca
A Câmara dos Deputados vai tentar, a partir de hoje até quinta-feira, votar a cassação do mandato do deputado André Luiz (sem partido-RJ). Acusado de cobrar propina no valor de R$ 4 milhões do empresário zooteca Carlinhos Cachoeira, André Luiz corre o risco de continuar como parlamentar. Responsável pelo processo que convergiu na recomendação da cassação, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) vê alguma possibilidade do parlamentar fluminense escapar. Por outro lado, André Luiz será vítima da própria verborragia, pois a Câmara analisa a fita em que o deputado fala claramente ter ordenado e participado de alguns assassinatos. E se ao final nada acontecer, as únicas saídas continuarão sendo os aeroportos de Cumbica e Tom Jobim. E boa viagem!

Revirando a tumba
A pedido do deputado Mário Heringer (PDT-MG) o inquérito sobre o assassinato do ex-prefeito de Campinas, Toninho do PT, deverá ser conduzido, de agora em diante, pelo Ministério Público Federal. Passados quase quatro anos do crime, a polícia não concluiu as investigações que indicassem o motivo do crime, menos ainda seus culpados, declarou Heringer ao justificar o requerimento de sua autoria. Na verdade, creditar a Anderson de Paula Silva, o Andinho, o assassinato de Toninho do PT é querer eixo do tapete. Quem, após o crime, circulou pelo submundo de Campinas, ouviu inúmeras vezes os motivos do crime. E não causará surpresa se a solução do crime que o PT insiste em abafar estiver bem no fundo do lixo. Até porque, seguindo a escola inaugurada por Marta Suplicy, o PT tem conseguido, nos últimos anos, transformar lixo em ouro.

Fazendo escola
Depois de Severino Cavalcanti e a ministra Marina Silva, agora é a vez da alcaidessa fortalezense, Luizianne Lins (PT), se enveredar pelo mundo do nepotismo. Adepta convicta da modalidade de salvar a pele dos parentes – o ex-marido é o gerentão de Fortaleza – Luizianne Lins indicou a mãe, Luíza Linz, para a presidência do Instituto de Pesquisas Américo Barreira (IPAB) da Câmara Municipal de Fortaleza. Um dos granes nomes do municipalismo brasileiro, Américo Barreira dá nome ao instituto que, via de regra, é dirigido por algum intelectual, algumas vezes escolhido nas próprias hostes. Professora do ensino fundamental, a mãe de Luizianne Lins, que não guarda qualquer relação com o trabalho de Américo Barreira, vai embolsar R$ 2 mil na qualidade de assessora técnica, enquanto os irmãos da prefeita gastam o tempo desbravando o mundo das licitações. Em outras palavras, na política de Fortaleza a mosca só mudou de cor. Agora é vermelha!

Operação abafa
A chacina que banhou de sangue a Baixada Fluminense e ganhou espaço na mídia internacional, tem proporcionado um sem fim de informações desencontradas sobre o número de vítimas. O que deveria, pelo menos em tese, aumentar, parece que vem diminuindo a cada dia. Logo depois do episódio, falava-se em trinta e três mortos, número que caiu para vinte e nove, segundo as autoridades. Na verdade, a tragédia se transformou em palco de disputas políticas entre o presidente Lula e o governador de fato do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho. Sob a ótica da federalização do Estado, o mínimo que se poderia esperar é que a governadora de direito, Rosângela Matheus, batesse o pé, impedindo a entrada eleitoreira de forças federais em seu domínio. O fato é que o povo, que continua acreditando em promessas palanqueiras, é vítima contumaz de eleições que acontecem a cada dois anos. Ou seja, o que deveria ser feito, não o é, por conta de interesses eleitorais.

Rápido, muito rápido
Ainda a chacina da Baixada Fluminense... Ao pegar carona na barbárie, o governo Lula, que sofre de um messianismo desmedido, chamou para si uma solução compatível com o índice de acerto político-administrativo que gazeteia mundo afora. Ontem, surgiu a informação de que os assassinos teriam ligações com empresários que exploram caça-níqueis na região, mas o autor da genial teoria sabe que os baixos salários levam os policiais a procurarem em serviços paralelos uma forma de sobrevivência. Imaginar que um reles rádio comunicador é prova suficiente para incriminar quem quer que seja, mostra que o irresponsável que lançou a idéia não merece estar onde está. De mais a mais, Lula e Garotinho deveriam elucidar o que muitos órgãos da imprensa não bancam por motivos quase óbvios: o número de mortos na chacina é muito maior do que o anunciado, sendo que dezesseis corpos foram recolhidos com brevidade, por ordem de uma conhecida autoridade da região, que nutre uma considerável intimidade com o Palácio do Planalto.

Na mosca
Leitor de Jundiaí, no interior de São Paulo, José Roberto Bonini revela sua indignação em e-mail enviado à coluna, especialmente com os avisos afixados nas repartições públicas, que destacam ser crime desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela, com possibilidade de detenção de seis meses a dois anos. Para contrapor, o leitor sugere que ao lado dos tais cartazes sejam exibidas as penalidades a que estão sujeitos os servidores que no exercício da função maltratarem o contribuinte. Principalmente porque em nenhuma relação trabalhista o patrão fica à mercê do empregado. Ou será que sim?

Fim do mundo
Pensando bem, se no corredor do hospital você encontrar um médico falando uni-duni-tê, não se assuste. Estará escollhendo o p'roximo inquilino da UTI.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

Do que estará vivendo a ex-ministra Benedita da Silva? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país

Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.

Destaques

e-ditorial: "A visão usual da ilegalidade" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "A política na bacia das almas" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Fundo Internacional de Cabides" - por Ralph J. Hofmann

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Pânico geral
Por mais que o Palácio do Planalto insista em divulgar que tudo caminha bem e a passos largos, o desespero já toma conta dos corredores palacianos. Em São Paulo, berço da resistência oposicionista, milhares de telefones celulares estão ilegalmente grampeados. E mais: na tentativa de diminuir o poder de fogo dos inimigos, os mais coerentes e ferrenhos críticos do poder já começam a ser chamados para integrar, mesmo que indiretamente, o governo Lula. Ou seja, é o fim do caminho. (12/04004)

Dica do Ucho

Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.

Editora Senac São Paulo

A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week - o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br

 

 

ucho.info - copyright 2004 - 2005