| Artilharia santa
Fazer do esquife papal uma plataforma política parece que não será uma ação de sucesso do presidente Lula. Antes de embarcar para Roma, Lula já está sendo atacado, inclusive, pelos representantes brasileiros do Vaticano. Arcebispo do Rio de Janeiro, o cardeal dom Eusébio Oscar Scheid afirmou em sua chegada à capital italiana que a possibilidade do próximo papa ser brasileiro não cresce com a presença do presidente Lula no funeral de João Paulo II. Visivelmente irritado com o presidente, dom Eusébio Scheid, entrevistado por jornalistas, disparou: Não misturemos Lula nesta história, o Espírito Santo não entende disto. Lula não é um católico, mas um caótico. Comentar é absolutamente desnecessário.
De bandeja
Cotado para fazer dupla com Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, já começa a fazer o jogo do Palácio do Planalto. Como a base governista não conseguiu votar e nem derrubar a MP 232, Calheiros resolveu prorrogá-la por mais sessenta dias, a partir de 15 de abril, tempo suficiente para que o presidente Lula, que, após as cerimônias no Vaticano parte em viagem para a África, retorne ao Brasil e redija o projeto que irá substituir a fatídica MP. Ou seja, o fisiologismo parlamentar vai ajudar o presidente Lula a continuar empurrando o caos com a barriga.
Sinônimo do caos
Antes de faturar politicamente com a chacina da Baixada Fluminense, o presidente Lula deveria abrir a gaveta de sua mesa de trabalho e verificar as barbáries cometidas por seu governo. A segurança pública, como outros tantos assuntos, é mais um factóide do governo Lula, que cortou 58% da verba destinada ao Fundo Nacional de Segurança (R$ 242,9 milhões). Por outro lado, a horda luliana teve a capacidade de torrar, em 2004, R$ 1,1 bilhão em passagens aéreas e diárias de viagens, o que representa trinta e quatro vezes o orçamento previsto para o Programa Primeiro Emprego, em 2005.
Conto do vigário
Quando as primeiras informações sobre chacina ocorrida na Baixada Fluminense ganharam a imprensa, o ministro Márcio Thomaz Bastos se apressou em anunciar que o governo federal mandaria um contingente de aproximadamente seiscentos homens da Força Nacional para participar das investigações. Como a informação inicial dava conta que a tropa seria enviada apenas para treinamento, o governo do Rio de Janeiro se surpreendeu com a mudança de rumo. Dias depois do anúncio do envio da tropa, Márcio Thomaz Bastos e o secretário de Segurança Pública fluminense, Marcelo Itagiba, declararam, conjuntamente, que a ida Força Nacional não está vinculada à chacina ocorrida dias atrás. Itagiba, um policial federal experiente, caiu na esparrela do Palácio do Planalto, que, a qualquer preço, quer desestabilizar politicamente o governador de fato do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho. Para condimentar ainda mais a situação, Garotinho manteve, dia desses, um encontro reservado com Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo. No cardápio do encontro, sucessão presidencial.
Aperitivo do fim
Além de comprometer diversos segmentos da economia, o corte de até 80% nos orçamentos de diversos ministérios vai criar situações bizarras na gestão do dinheiro público. Extremamente preocupado e prevendo um futuro desastroso, o deputado federal Odacir Zonta (PP-SC) disparou: O Ministério da Agricultura que detinha o minguado orçamento de R$ 354 milhões acabou sendo reduzido para R$ 61 milhões. Uma vergonha para a classe produtora brasileira, já que praticamente o mesmo valor é gasto com publicidade pelo governo federal. O que é mais importante? A economia nacional ou a propaganda do governo? De posse de números recentes da Presidência da República, Zonta provou no Congresso que a empresa do publicitário Duda Mendonça - Duda Mendonça e Associados Propaganda, - irá receber mais dinheiro do que o governo irá destinar ao combate da febre aftosa. Trata-se de inversão de valores que deve ser examinada pelo povo. Nós do setor agropecuário e cooperativista não vamos ficar calados porque queremos o em do Brasil, concluiu Odacir Zonta.
Está na hora
Ontem, a Polícia Federal prendeu, em Curitiba, Valdir Copetti Neves, tenente-coronel da Polícia Militar paranaense. Ex-comandante do Águia, grupo da polícia responsável pela desocupação de terras invadidas no Paraná, Neves é acusado de chefiar uma associação informal de ex-policiais que oferecia proteção aos fazendeiros da região em troca de pagamento. Se o grupo cometeu alguma ilegalidade, como afirma a Justiça Federal, o fato deve ser investigado e os culpados devidamente julgados e condenados. Porém, é preciso lembrar que o MST, que não existe legalmente, recebe dinheiro público para invadir propriedades privadas, além de destruir e matar como bem entender, aexemplo do que ocorreu com dois policiais militares em um assentamento em Pernambuco. A reforma agrária é um assunto que deve ser tratado seriamente, com um peso, uma medida e o rigor da lei e da coerência.
Assina no "x"
Depois de muita conversa e horas de negociação, os advogados da presidente da Brasil Telecom, Carla Cicco, conseguiram que a empresária seja intimada na próxima sexta-feira, devendo comparecer, dias depois, para prestar depoimento na Polícia Federal e explicar as espionagens realizadas pela americana Kroll. Seu cúmplice na operação, o banqueiro opportunista, agendou, através de seus defensores, a intimação para terça-feira, 12 de abril. O fato é que, como antecipamos na edição de ontem, a prisão preventiva de ambos foi solicitada à Justiça pelo Ministério Público Federal e pela PF. Refugiado em Nova York por orientação de seus advogados, o banqueiro pode não aparecer para ser intimado e, muito menos, para prestar esclarecimentos. Até porque, ver o sol geometricamente diferente é o tipo de oportunidade que não se almeja.
Querência gaúcha
Sob a coordenação da deputada Yeda Crusius (PSDB-RS), a bancada gaúcha se reúne hoje na Câmara dos Deputados. Entre os assuntos que constam da pauta do encontro, um deles merece especial atenção. Trata-se do relatório sobre as audiências realizadas em Porto Alegre, na última sexta-feira, quando foram discutidas as reais possibilidades de recuperação da Varig. Yeda Crusius defendeu, desde o início da crise, uma saída negociada para a maior e mais importante companhia aérea brasileira, tendo administrado situações que beiraram o terrorismo político, mas a irresponsabilidade alguns diretores da Varig está aquém da competência e da dedicação da parlamentar gaúcha. E se a Varig, um dia, acabar indo pelos ares, não será por falta de pessoas que ainda tentam evitar o pior.
"Pas-de-deux"
A CPI da Sapatilha, que investiga as irregularidades financeiras cometidas pela unidade de Joinvile do Balé Bolshoi – é a única fora da Rússia – vai mesmo continuar. Os deputados governistas, ao discursarem na Assembléia Legislativa de Santa Catarina, tentaram passar informações distorcidas à opinião pública, com claro objetivo de poupar o governador Luiz Henrique da Silveira, mas não lograram êxito. Indignado com o comportamento de seus pares, o deputado estadual Francisco de Assis Nunes (PT-SC) argumentou ser impossível sepultar a CPI da Sapatilha, uma vez que o Bolshoi, até então, é alvo de onze ações na Justiça Federal. A movimentação para salvar o governador catarinense só tem uma explicação: como o assunto envolve sapatilhas e apetrechos correlatos, Luiz Henrique deve estar com medo de dançar.
Arco e flecha
Com encontros agendados em vários ministérios e assuntos polêmicos para serem discutidos, desembarca hoje, em Brasília, o prefeito de Blumenau, João Paulo Kleinubing (PFL). Em companhia do chefe de gabinete, Flávio Coelho, o alcaide blumenauense tem no Ministério da Justiça sua missão mais espinhosa. Convencer o ministro Márcio Thomaz Bastos a tomar uma atitude em relação aos índios que invadiram a barragem de Ibirama, no Vale do Itajaí, destruindo todos os equipamentos. O não funcionamento da barragem representa um sério risco para os municípios da região, inclusive Blumenau, que podem, em caso de chuvas mais fortes, naufragar. Em conversa informal com o cacique da tribo local, Flávio Coelho teve a impressão de estar tratando com um pós-graduado na Sorbonne, tamanho é o conhecimento jurídico do chefe indígena. Resumindo, daqui por diante, índio de verdade só no Forte Apache.
Mudança de hábito
A mais nova galhofa nacional mistura a inoperância do governo Lula e o surto de doença de Chagas que começa a preocupar as autoridades da saúde. Línguas maledicentes afirmam que a crise é tão grande no governo Lula, que o barbeiro passou a chupar cana ao invés de sangue.
Já era
Ainda o barbeiro... Como se mágica fosse, o surto do mal de Chagas, que teve início em Santa Catarina e se espalhou pelo Brasil, parece que já caiu no esquecimento, pelo menos no âmbito da imprensa. O que fora alardeado com certa insistência e preocupação, agora não mais aparece na pauta dos noticiários e jornais. Mas como tudo na vida é questão de oportunidade, não demora muito e aparece alguém com caldo-de-cana embalado moderna e corretamente. Não se trata de desdenhar da genialidade do primeiro oportunista, mas é preciso cobrar do Estado melhorias urgentes na gestão da saúde pública. Do contrário, o barbeiro será apenas a ponta de um iceberg chamado caos.
Bomba de flit
Olímpia, cidade do interior paulista, registrou duzentos e dezesseis casos de dengue, somente em 2005, situação que lhe confere o status de campeã da categoria. Não podendo ocorrer em nenhum lugar do Brasil, a situação mostra que nos domínios do governador Geraldo Alckmin a situação da saúde não é das melhores. Em outras palavras, é possível afirmar que por tudo o que se paga de impostos, dengue é, apesar da redundância, o fim da picada.
Mãos ao alto
A Companhia Estadual de Gás do Rio de Janeiro parece estar prestando serviços para cidadãos suíços. Tomada de surpresa ao constatar que o gás de seu apartamento havia sido cortado, uma leitora da coluna telefonou para a CEG e foi informada que a tubulação estava com vazamento e deveria ser trocada para que o fornecimento de gás fosse restabelecido. Sem poder escolher uma empresa que lhe fizesse o serviço, a leitora concordou em pagar R$ 5 mil, que serão cobrados na conta mensal. Trata-se de uma barbaridade, principalmente em um país onde normalmente o salário acaba e o mês sobra. Resumindo, a CEG quer acabar com o gás do consumidor que consome gás.
Dinheiro a rodo
Pensando bem, Duda Mendonça maltrata o galo na rinha e mata o boi na prancheta da agência.
Ucho Haddad |


Querendo entender...
Lula não vai cumprir a promessa de criar 10 milhões de empregos. Por quê? Afinal, perguntar não
ofende...


O melhor do esporte com o maior jornalista esportivo do país


Clique na lupa e confira os escândalos que abalaram as estruturas políticas do país.


Destaques
e-ditorial:
"A visão usual da ilegalidade"
- por Ucho Haddad
e-xclusiva:
"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"A política na bacia das almas"
- por Ucho Haddad
Q.I.:
"A eminência parda do cardeal" -
por Pedro Luís de Campos Vergueiro
Tribuna
Livre: "Fundo Internacional
de Cabides" - por Ralph J. Hofmann
Prateleira
Eletrônica: "As 100 Melhores
Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
Delivery oficial
No rastro do consumismo desenfreado que assola o Palácio do Planalto, o gabinete presidencial vai partir para mais uma compra estratosférica. O processo de licitação número 00160.000073/2004-09 é o respaldo legal para que os asseclas palacianos adquiram vinte aparelhos de fax multifuncional para equipar o gabinete do presidente Lula. Resumindo, depois que FHC leiloou o Brasil, Lula deve estar querendo entregá-lo por fax. (06/04/04)


Dica do Ucho
Novas Visões Urbanas - Retrato fiel de Heraldo Palmeira, um perfeccionista contumaz e apaixonado pela MPB, Novas Visões Urbanas é um tributo ao talento e à competência, ingredientes raros na nova safra musical brasileira. Além do preciosismo de Ilha Bela, Cartão Postal e Grupo de Risco, de autoria de Heraldo Palmeira, o repertório do CD tem seu ponto alto em arranjos marcantes, como acontece na consagrada Baixa do Sapateiro, de Ary Barroso, e Agora só Falta Você, de Rita Lee. Novas Visões Urbanas é o Nirvana da discografia nacional.



Editora Senac São Paulo
A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week - o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br
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