!
uh comunicação ilimitada

ano 4 - número 847 - terça-feira, 29 de março de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

Um amigo é uma pessoa diante de quem posso pensar em voz alta.

Ralph W. Emerson

colunas anteriores
e-ditorial
entrevista do sábado
resenha
e-xclusiva
q.i.
tribuna livre
prateleira eletrônica
uuuh!
página uh!
boca maldita
parceiros
anuncie
expediente

COLUNISTAS

Antonio Carlos Ferreira
Antonio Carlos Rayol
Claudio Tognolli
Ipojuca Pontes
José Nêumanne Pinto
Marcelo Kahns
Roberto Romano da Silva
Sandro Villar

 

ESCREVA PARA O UCHO

Receba em seu
e-mail os principais destaques do dia


Nome:

E-mail:

  

 

Parceiros

Castelo de areia
A não renovação do acordo com o Fundo Monetário Internacional pode ter sido explorado politicamente pelo governo Lula muito mais do que deveria. Na verdade, o presidente Lula, de olho na reeleição, colocou sua entourage para trabalhar, no intuito de que sejam produzidos fatos positivos que melhorem sua aprovação popular. Se por um lado é bom se ver livre do famigerado FMI, por outro pode ser um risco ficar à mercê de especuladores profissionais. Justificar a não renovação do acordo com a tese de que o Brasil andará com as próprias pernas, beira a irresponsabilidade e o desconhecimento. Um país que tem a maior carga tributária do planeta, onde os bancos ganham o que bem entendem e o Estado gasta mais do que pode, não caminha, mas se arrasta. Enquanto o governo federal não reduzir os próprios gastos – e corte no orçamento não significa redução de gastos – o máximo que se pode arriscar é dizer que o Brasil ainda engatinha.

Bola dentro
O Palácio do Planalto, especialmente o núcleo duro do governo Lula, deve estar vivendo momentos de profundo arrependimento por ter insistido na candidatura de Luiz Eduardo Greenhalgh à presidência da Câmara dos Deputados. O PT palaciano poderia estar vivendo uma situação política bem diferente da que vive atualmente, caso tivesse deixado livre o caminho para o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). Chinaglia, que por contar com a simpatia dos parlamentares da oposição teria derrotado Severino Cavalcanti, tem se mostrado competente no trato da MP 232. Em poucos dias, o parlamentar petista mostrou aos integrantes do governo Lula que o melhor a se fazer, no caso da impopular Medida Provisória, é descer do salto alto. Ponto para Arlindo Chinaglia.

Pingüim de geladeira
Antes de anunciar a primeira equipe ministerial de seu governo, o presidente Lula disse que o Brasil se surpreenderia com a qualidade dos ministros, como de fato se surpreendeu. Não há quem tenha esquecido de Benedita da Silva (foi rezar em Buenos Aires), Anderson Adauto (notas frias em uma prefeitura mineira), José Graziano (responsável pelo Fome Zero), Agnelo Queiroz (durante as Olimpíadas se hospedou em um transatlântico de luxo), Olívio Dutra (íntimo dos bicheiros de Porto Alegre), José Viegas Filho (responsável indireto pelo acidente de Alcântara), Walfrido dos Mares Guia (teve o nome envolvido no escândalo da morte da modelo Cristiana Ferreira) e Ricardo Berzoini (o algoz dos aposentados). Agora, no remendo ministerial que promoveu há dias, o presidente Lula conseguiu que o povo se surpreendesse com pouco. Nomeado ministro da Previdência, Romero Jucá é acusado de ter oferecido sete fazendas inexistentes no Amazonas, como garantia de um empréstimo bancário no valor de R$ 18 milhões.E o assunto teria passado despercebido se o empréstimo tivesse sido pago. E a pergunta que não quer calar versa sobre quem foi o maior irresponsável: o nomeante ou o nomeado?

Pega na mentira
O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) anunciou, nesta segunda-feira, que a Polícia Federal passará por um processo de correição, nos próximos meses, a exemplo do método adotado na Superintendência paulista do órgão. De acordo com o ministro, a operação servirá para depurar a Polícia Federal, eliminando a ineficiência e a corrupção, fatores que vêm comprometendo a imagem da instituição. Se o discurso de Thomas Bastos fosse a estrita tradução da verdade, os delegados federais Antonio Carlos Rayol e Lorenzo Pompílio da Hora não estariam na berlinda. Responsáveis pela prisão do marqueteiro contraventor Duda Mendonça, Rayol e Pompílio da Hora já foram alvos de quatro sindicâncias do DPF. Sem contar o que está por vir. Ministro, se os delegados agiram dentro do que determina a lei, o que denota eficiência, é porque não são corruptos. E não é exatamente isso que Vossa Excelência está buscando?

Sinuca de bico
Na próxima quinta-feira, o ministro da Saúde, Humberto Costa, deve comparecer à Câmara dos Deputados, onde participa de audiência pública na Comissão de seguridade Social e Família. Costa, que escapou da degola ministerial conta da indecisão do presidente Lula, deverá explicar os motivos sobre a falta de remédios na rede pública de saúde para portadores do vírus HIV. Mesmo que prevaleça a teoria do o que não tem remédio, remediado está, Humberto Costa vai tentar explicar o inexplicável ou, como diria o ex-ministro Antonio Rogério Magri, responder o irrespondível.

Todos de luto
Nos últimos dias, circulou pela Internet, com insistência absolutamente justificável, um e-mail convocando todos os brasileiros a usarem pelo menos uma peça de roupa preta como forma de protestar contra a farra com o dinheiro público, patrocinada pela Câmara Federal, principalmente depois da chegada do deputado Severino Cavalcanti à cadeira mais importante da Casa. E o dia do protesto é hoje, 29 de março. Por isso, meu caro leitor, é melhor aderir a sentir no bolso.

Cartola de mágico
Como era de se esperar, o Banco Central decidiu prorrogar por mais cento e vinte dias a conclusão do relatório sobre o Banco Santos. A alegação dos técnicos do BC é que o caso é extremamente complexo, sendo que os imbróglios patrocinados por Edemar Cid Ferreira carecem de mais temo para serem investigados. Considerando-se que, por questões legais, uma nova prorrogação está descartada, além de muitos políticos poderosos estarem envolvidos na trama, o melhor é se preparar para mais uma pizza. Até porque, em laudo da Polícia Federal sobre o caso Kroll, o Banco Santos aparece em conversas de espiões como sendo uma espécie de lavanderia particular de diretores – ou ex – do Banco do Brasil.

Mãos ao alto
Os banqueiros tupiniquins terão de enfrentar mais um problema pela frente. Os clientes que têm carros financiados descobriram que a famigerada Taxa de Abertura de Crédito – TAC, cobrada no ato da concessão do crédito, não é destinada ao registro do contrato de financiamento, mas para o pagamento de despesas outras que quase todos desconhecem. Indignados com a descoberta, os clientes lesados estão se unindo para cobrar dos bancos o pagamento das taxas referentes aos respectivos registros. Mesmo assim, ainda existem mães desnaturadas que, com fervor, oram para que as filhas casem com banqueiros.

Pobres velhinhos
Quem desconhece a realidade dos aposentados brasileiros e, despretensiosamente, liga a televisão, deve imaginar que o Brasil é uma espécie de Suíça tropical. A quantidade de anúncios de bancos oferecendo empréstimos para aposentados é tão grande, que é possível pensar que os beneficiários da Previdência Social reclamam sem motivos. Ou o governo age para acabar com mais um escândalo no universo financeiro, ou se cala por conta de algum acordo espúrio. Uma coisa ou outra, o fato é que algum truque deve existir por trás de tanta benevolência por parte dos banqueiros.

Fazendo escola
Prefeito do Rio de Janeiro e candidato do PFL para enfrentar o presidente Lula em 2006, César Maia parece ter sido atingido pela intervenção federal nos hospitais da Cidade Maravilhosa. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, César Maia disse, ao responder a um dos seus entrevistadores, que o processo de formação da opinião pública é virótico. Ele acontece por contaminação, completou o prefeito do Rio. Se a tese é verdadeira, ninguém sabe, mas diante de uma pequena possibilidade, o governo Lula é capaz de aumentar o estoque de antibióticos na cidade. Por outro lado, César Maia foi massacrado pelos participantes do programa, chegando a se embaralhar em algumas repostas. Mas, se na culinária, quem tem pressa come cru, na política, é bombardeado. O PFL, que já experimentou situação semelhante com Roseana Sarney, deveria ter evitado o excesso de exposição do prefeito.

Dividindo o feudo
Também candidato a enfrentar o presidente Lula em 2006, o governador de fato do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, já começa a articular nos bastidores da política fluminense. Pré-candidato do PMDB à Presidência da República, Garotinho já trata de acertar o nome do sucessor da governadora Rosângela Matheus. Informações obtidas pela coluna dão conta que Garotinho deve apoiar o senador Marcelo Crivella (PL) para ocupar o Palácio Guanabara, desde que o atual presidente do Detran, Hugo Leal, continue no cargo até 2010. Ou seja, Garotinho entrega o reino, mas fica com a chave do cofre.

Panos quentes
Não é novidade que desavenças políticas acontecem em todos os cantos do planeta, mas como todo imbróglio que se preze, principalmente aqueles que por aqui acontecem, sempre termina em mal cheirosas pizzas. Enquanto as desavenças políticas entre tucanos e petistas crescem por conta da eleição de 2006, José Serra e Marta Suplicy, protagonistas principais da confusão, parecem que nasceram para se encontrar. No feriado prolongado da Páscoa, o prefeito tucano levou suas olheiras e o conhecido humor destemperado para um mergulho nas águas da praia de Iporanga, reduto elegante do litoral paulista. Coincidência ou não, a ex-prefeita Marta Suplicy também passou o feriado no mesmo local. E os dois só não se encontraram por conta da estafante ginástica dos assessores.

Deixando para depois
Os advogados de Nicolau dos Santos Neto conseguiram adiar o julgamento, em segunda instância, do processo em que o ex-juiz é acusado de lavagem de dinheiro. A Justiça brasileira só poderá repatriar os US$ 4,389 milhões depositados no banco Santander de Genebra, depois de uma sentença condenatória com trânsito em julgado. No caso de prescrição da ação judicial, o bloqueio será suspenso e o dinheiro devolvido a Santos Neto. Não se trata de inocentar quem quer que seja, mas continua causando estranheza o fato de apenas o ex-juiz ter sido condenado. Os outros acusados, o ex-senador Luiz Estevão e os empresários Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Teixeira Ferraz, continuam vivendo nababescamente, como se nada tivesse acontecido.

Socorro, o professor chegou!
Há dias, um escândalo de fraudes envolvendo a seguradora Porto Seguro ganhou destaque na imprensa. A operação, comandada por um advogado, três delegados e um escrivão de polícia, consistia em produzir documentos falsos no Paraguai, que, anexados a inquéritos policiais de origem duvidosa, eram utilizados para não reembolsar as vítimas de furtos de veículos. O Ministério Público paulista ofereceu denúncia contra todos os acusados, mas até agora o governador Geraldo Alckmin não deu a menor satisfação à sociedade. Algo de muito estranho deve estar acontecendo na Segurança Pública de São Paulo, pois ninguém lembrou da chamada via rápida, instrumento administrativo criado pelo governo paulista para penalizar policiais corruptos. E mais: não bastasse terem os nomes envolvidos na confusão, um dos delegados leciona em uma das mais importantes faculdades de Direito da capital paulista, enquanto o advogado que agia em nome da seguradora criou um curso de especialização para bacharéis em Direito. Resta saber o que estava sendo ensinado.

Fria total
Pensando bem, as fazendas de Jucá deveriam ser utilizadas para a reforma agrária. Com o ministro na porteira, claro!

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

Os casos de Celso Daniel e Waldomiro Diniz retornaram ao tão conhecido ostracismo. Por quê? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte brasileiro e internacional com o maior jornalista esportivo do país

Clique na lupa e confira os detalhes dos mais recentes e polêmicos escândalos que abalaram as estruturas políticas do país

Destaques

e-ditorial: "A visão usual da ilegalidade" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "A política na bacia das almas" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Fundo Internacional de Cabides" - por Ralph J. Hofmann

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Situação crítica
De olho na verba a ser liberada pelo BNDES para salvar os grandes grupos da mídia brasileira, a Vênus Platinada começou a fazer a sua parte como candidata à maior fatia do bolo. Ontem, ao exibir o Senna in Concert, programa especial em homenagem a Aytron Senna da Silva, a Rede Globo tentou abafar, mas não conseguiu, a longa vaia recebida pelo presidente Lula, durante depoimento exibido nos telões instalados no estádio do Pacaembu, em São Paulo. Mas como diz o ditado, a necessidade não tem limite. Nem de um, nem de outro. (29/03/04)

Boca Maldita

Na página Boca Maldita você encontra a pizza meia Zé Dirceu - meia Waldomiro, em versão para impressão; a lista dos senadores e deputados que votaram contra o salário-mínimo de R$ 275; além de detalhes da agenda de Waldomiro Diniz e o primeiro depoimento do juiz João Carlos da Rocha Mattos.

Dica do Ucho

Paris recebe as Áfricas do Brasil - Exposição de 50 fotografias de Catherine Krulik no Centro Cultural Clichy-sous-Bois apresenta nossas festas, nossos rituais e tradição. Somente na programação oficial do Ano do Brasil na França, Krulik tem destaque em três grandes mostras diferentes, com trabalhos que mostram sua habilidade e arte com as imagens. Além dessa, já está com 94 painéis gigantes no Futuroscope e agora, na segunda quinzena de março, dia 17, na prestigiada área arquitetônica Cité de la Musique.

“Brasil, o país dos Carnavais”

(www.krulik.com.br/futuroscope)

“Les Afriques du Brésil”

(www.krulik.com.br/clichy)

“Cité de la Musique”

(www.krulik.com.br/cite)

Editora Senac São Paulo

A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week – e diante de uma platéia de 1.200 pessoas, o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br

 

 

ucho.info - copyright 2004 - 2005