| Propaganda enganosa
Entre o que de fato está sendo realizado pelo governo Lula e o que o Palácio do Planalto divulga por meio de milionárias campanhas publicitárias existe uma abissal diferença. Beira a irresponsabilidade acreditar que tudo vai muitíssimo bem em um país onde grupos terroristas agem deliberadamente e interferem na vida política local, índios morrem por falta de remédios e cinqüenta mil pessoas correm o risco de ter contraído a doença de Chagas por conta de um caldo de cana-de-açúcar. No mais, um presidente que se acovarda diante da ameaça de um político é o que se pode chamar de café pequeno. E amargo, claro!
Ave de camelô
Os petistas, especialmente os do governo, ficam incomodados quando lhes é dito que o governo Lula é uma versão genérica e mal acabada do governo FHC. Tirante a virulência político-administrativa de ambos, Lula e FHC, é preciso reconhecer que os governos são absolutamente incomparáveis. A começar pela administração de escândalos, que o tucano sabia fazer com certa maestria. O fato é que não se pode negar que Lula não só deu continuidade ao modelo político-econômico de FHC, como importou para seu governo alguns dos representantes da era tucana. O primeiro deles foi Henrique Meirelles, e agora, no remendo ministerial, o último a surgir foi o senador Romero Jucá, ex-líder de FHC no Senado. Em outras palavras, o PT é um tucano sarará.
5X4
Diante da cena da visita de Leny Kravitz à Granja do Torto, o produtor musical Heraldo Palmeira não se conteve ao ver o presidente Lula com a guitarra do astro e disparou: a sinfonia será incompleta.
Recobrando forças
Se a pífia reforma ministerial ainda produz eco no mundo da política tupiniquim, o que começa a ser analisado, daqui por diante, é o poder de fogo daqueles que deveriam sair e não saíram e, principalmente, de quem comandou a operação que não deu em absolutamente nada. Os ministros Aldo Rebelo (Articulação Política), Humberto Costa (Saúde), Olívio Dutra (Cidades) e Eunício de Oliveira (Comunicações) não só ficam onde estão, pelo menos por enquanto, como saem fortalecidos depois de um longo período que exigiu doses excessivas e contínuas de Lexotan. E se existe algum derrotado nessa história, além do próprio presidente Lula, é o ministro José Dirceu. O ministro-chefe da Casa Civil trabalhou intensamente para a queda de Aldo Rebelo, sonhando em substituí-lo pelo deputado João Paulo Cunha (PT-SP). Amigo do presidente Lula, Rebelo está mais forte do que nunca.
Fogo pelas ventas
Ainda os reflexos da reforma... No âmbito do legislativo, o ministro José Dirceu sofreu mais um duro golpe. Depois de apostar todas as fichas em Luiz Eduardo Greenhalgh para a presidência da Câmara, Dirceu foi responsabilizado pela derrota petista, quando, na verdade, o PT poderia ter emplacado com muita tranqüilidade o nome de Arlindo Chinaglia (PT-SP). Agora, como resposta ao erro cometido na Câmara, o presidente Lula, sem consultar um assessor sequer, indicou Chinaglia para assumir a liderança do governo na Câmara dos Deputados. E a flamejante fogueira de vaidades em que se transformou o Palácio do Planalto só vai prejudicar, ainda mais, o andamento das coisas. Que, diga-se de passagem, já não seguiam às mil maravilhas.
Quem te viu
Durante décadas, quando ainda arrastava simpatizantes, o Partido dos Trabalhadores tinha como um de seus discursos contra o capitalismo, ameaças irresponsáveis de estatização de todos os bancos brasileiros. Tal posicionamento ideológico não apenas impôs seguidas derrotas ao partido, mas se transformou no pote de mel em que o PT palaciano mergulha para se lambuzar. Não bastasse a indicação do representante de um dos maiores credores internacionais do Brasil para presidir o Banco Central, o governo Lula agora fecha os olhos para a farra que os bancos fazem ao arrepio da lei. Para se ter idéia do absurdo, a taxa de juros cobrada no cheque especial chegou à marca de 146,4% ao ano, em fevereiro último. No contraponto, os banqueiros não se envergonham de cobrar o que foi batizado de Taxa de Abertura de Crédito (TAC), um dos maiores descalabros do mercado financeiro, cuja cobrança o Banco Central insiste em dizer que é usual, quando, na verdade, é absolutamente ilegal. Para compreender a virulenta atuação dos banqueiros e sua famigerada e ilegal TAC, clique e confira o artigo A visão usual da ilegalidade.
Razões de sobra
O Professor Luizinho tinha tudo para continuar como líder do governo na Câmara, mas sua degola foi decidida depois de um entrevero em torno da MP do Trigo. Luizinho teria se desentendido com o empresário Lawrence Pih, dono do Moinho Pacífico, íntimo amigo do presidente Lula e um dos responsáveis pela quase profissional estrutura financeira do PT. Para completar o cenário da guilhotina, o deputado paulista teria sido audacioso demais durante a votação das MP's do leite e do álcool. E por falar em audácia, uma conhecida revista americana publicou, há dias, lista das cem figuras mais audaciosas do planeta.
Pequeno Príncipe
Desde que o PT chegou à instância máxima do poder, o deputado Professor Luizinho (PT-SP) usou e abusou das benesses que o cargo de líder do governo na Câmara lhe proporcionava. Durante os dois primeiros anos da atual legislatura, Professor Luizinho ocupou, de forma descarada e inexplicável, dois apartamentos funcionais. Localizados no mesmo edifício, os dois apartamentos juntos somavam uma área útil de quinhentos metros quadrados e oito quartos. Resta saber quanto tempo será necessário para que o parlamentar ponha um fim à mais bizarra história habitacional da política nos últimos tempos.
Fim da farra
Diz o ditado que alegria de pobre dura pouco, mas a do rico dura menos ainda. Enquanto comemoravam a queda de uma liminar que impedia a ilegal utilização do sistema Megadata (leia-se Carlos Augusto Montenegro) – o que não significa que a decisão judicial vinha sendo respeitada - o Detran-RJ e a Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e Capitalização (Fenaseg) imaginavam já estar em berço esplêndido. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, por continuar entendo que a alienação fiduciária só passa a existir a partir do momento que o contrato de financiamento estiver registrado no Registro de Títulos e Documentos, restabeleceu a liminar que fora considerada improcedente por um juiz de primeira instância da Cidade Maravilhosa. Fosse improcedente a matéria, a Procuradoria Geral da República não estaria debruçada sobre o assunto. Para resumir, uma das mais virtuosas cornucópias fluminenses, que certamente jorraria sobre a campanha de Anthony Garotinho em 2006, pode ter secado.
Morrendo na praia
Em mais um daqueles inefáveis conselhos políticos – agora é o Conselho de Altos Estudos e Avaliação tecnológica – os brasileiros que vivem no exterior serão objeto de estudos. O tal conselho, a ser criado na Câmara Federal e que terá na presidência o deputado Inocêncio de Oliveira (PFL-PE), deveria se preocupar em descobrir os motivos que levam milhares de patrícios a tentar a sorte em um país estranho. Provavelmente porque o Brasil está longe de ser um país de todos, como alardeiam alguns irresponsáveis.
Reis do ringue
Ontem, policiais militares interromperam um assalto na Vila Brasilândia, zona norte da capital paulista. Um verdadeiro pelotão se postou diante da casa invadida pelo assaltante, que teve muito trabalho para prender o criminoso que tentou fugir a pé, depois de sair pela porta da frente do imóvel. As cenas, divulgadas pelas emissoras de televisão, mostravam a falta de preparo dos policiais. O assaltante não escapou por pouco, sendo agredido a chutes e pontapés, mesmo depois de imobilizado por mais de trinta PM's. Governador Alckmin, polícia eficiente é aquela que entra na favela e prende traficante e não a que chuta cachorro morto.
Fora da lei
Na última terça-feira, às 17:02 horas, um Astra preto, de placas 004, do Tribunal de Alçada Cível de São Paulo, dava claros sinais que a cegueira da Justiça é algo totalmente irrecuperável. O motorista e seu garboso acompanhante, que não era um desembargador, trafegavam na contra-mão da avenida Brigadeiro Luiz Antonio, uma das mais movimentadas e perigosas da capital paulista, utilizando para tal a faixa exclusiva dos ônibus. Os ocupantes do veículo, que pareciam não se incomodar com a ilegalidade, ainda exibiam um ar do tipo “somos autoridades”. Inicialmente, é preciso lembrar que ninguém autoridade, mas apenas está como tal. Por outro lado, resta saber se o douto desembargador a quem foi afiançado o automóvel, tem conhecimento das barbaridades cometidas por seus comandados.
Segura peão
Vivendo um inferno astral político sem precedentes, Marta Suplicy elegeu o deputado José Mentor (PT-SP) como seu escudo na Câmara. Mentor, que terá a incumbência de blindar a ex-alcaidessa paulistana, entrou em ação logo no primeiro dia. É de Mentor o requerimento enviado ao Tesouro Nacional, em que solicita informações sobre todos os municípios brasileiros cujas administrações anteriores feriram o que determina a Lei de Responsabilidade Fiscal. A manobra tem o claro objetivo de tirar Marta Suplicy do olho do furacão em que se transformaram as contas de sua administração em São Paulo. Só falta o PT, que sempre pregou a transparência, tentar salvar Marta Suplicy.
Minutos de fama
Como se a Justiça brasileira não tivesse o que julgar, o Tribunal Regional Federal da 1ª região vai analisar pedido de indenização dos evangélicos, que protestam contra a lei que institui 12 de outubro como o dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. É verdade que religião, pasta de dente e futebol não se discute, mas os evangélicos estão passando dos limites. Se o problema é indenização, os não evangélicos deveriam ser indenizados pela quase ensurdecedora barulheira que certos templos promovem para emoldurar suas pregações, enquanto os incautos fiéis depositam suas economias na famigerada sacolinha, na esperança de conquistar um ingresso para o paraíso. Melhor seria se a reclamação fosse feita no Iraque, protestando contra qualquer feriado dedicado a Maomé.
Acorde desafinado
Pensando bem, se a falta de um dedo compromete a sinfonia, a de um presidente arruína uma nação.
Ucho Haddad |


Querendo entender...
Já não se fala mais em Luis Favre, depois da farra que promoveu na prefeitura paulistana. Por quê? Afinal, perguntar não
ofende...


O melhor do esporte brasileiro e internacional com o maior jornalista esportivo do país


Clique na lupa e confira os detalhes dos mais recentes e polêmicos escândalos que abalaram as estruturas políticas do país


Destaques
e-ditorial:
"A Maria que nunca pede socorro"
- por Ucho Haddad
e-xclusiva:
"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"A política na bacia das almas"
- por Ucho Haddad
Q.I.:
"A eminência parda do cardeal" -
por Pedro Luís de Campos Vergueiro
Tribuna
Livre: "Fundo Internacional
de Cabides" - por Ralph J. Hofmann
Prateleira
Eletrônica: "As 100 Melhores
Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
Nitroglicerina pura
Vítima do próprio descontrole verborrágico – sinal de stress ou incompetência – o ministro José Dirceu acabou se envolvendo, ontem, em mais um polêmico caso de futricas políticas. Dirceu disparou contra governadores, sem deixar de lado o Ministério Público. Momentos mais tarde, o ministro-chefe da Casa Civil divulgou nota em que pediu desculpas pelo tom agressivo a que se referiu aos governadores, mas manteve a acusação contra o Ministério Público que, na sua opinião, vem cometendo violências legais contra o governo federal . Rebatendo as acusações, o MP culpou o ministro pelo descrédito do governo. E como o assunto é violência legal, o ministro poderia explicar o que significa tirar um site do ar, utilizando um testa-de-ferro como desculpa. Ou não se trata de violência, ministro?


Boca Maldita
Na página Boca Maldita você encontra a pizza meia Zé Dirceu - meia Waldomiro, em versão para impressão; a lista dos senadores e deputados que votaram contra o salário-mínimo de R$ 275; além de detalhes da agenda de Waldomiro Diniz e o primeiro depoimento do juiz João Carlos da Rocha Mattos.


Dica do Ucho
Paris recebe as Áfricas do Brasil - Exposição de 50 fotografias de Catherine Krulik no Centro Cultural Clichy-sous-Bois apresenta nossas festas, nossos rituais e tradição. Somente na programação oficial do Ano do Brasil na França, Krulik tem destaque em três grandes mostras diferentes, com trabalhos que mostram sua habilidade e arte com as imagens. Além dessa, já está com 94 painéis gigantes no Futuroscope e agora, na segunda quinzena de março, dia 17, na prestigiada área arquitetônica Cité de la Musique.
“Brasil, o país dos Carnavais”
(www.krulik.com.br/futuroscope)
“Les Afriques du Brésil”
(www.krulik.com.br/clichy)
“Cité de la Musique”
(www.krulik.com.br/cite)



Editora Senac São Paulo
A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week – e diante de uma platéia de 1.200 pessoas, o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br
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