| Costura sem nó
A reforma ministerial, que o presidente Lula garante estar definida e deve ser anunciada amanhã, pode ser um enorme surpresa ou o que será apresentado à nação não faz jus ao tempo que demandou. Se muitos companheiros da esquerda festiva brasileira relutam em abandonar os respectivos cargos, os integrantes da base aliada – que não parece ser tão aliada assim – esperam muito mais do que irão receber. A preocupação maior fica por conta da falta de comando do presidente Lula, que nos últimos tempos não tem sido respeitado nem mesmo pelos ditos amigos do peito. E não será novidade alguma se a reforma ministerial for um enorme remendo político-eleitoral, para não dizer eleitoreiro.
Reviravolta vermelha
Mesmo que o presidente Lula tenha garantido que a reforma ministerial está definida, algumas dúvidas ainda pairam nos corredores do poder. Decidido a ejetar o ministro Humberto Costa da pasta da Saúde, o que ganhou a simpatia e o apoio explícito do ministro José Dirceu, o presidente deve ter reavaliado a própria decisão, principalmente depois que Costa partiu para neutralizar politicamente um dos fantasmas de Lula para 2006: o prefeito carioca César Maia. Não se sabe se o ministro agiu na esperança de colher dividendos políticos para disputar o governo de Pernambuco, ou se tudo foi arquitetado para continuar no cargo. O fato é que César Maia entrou na conversa de Humberto Costa, e por enquanto está levando a pior. Resta esperar para conferir os resultados práticos da verdadeira operação de guerra montada pelo governo Lula na Cidade Maravilhosa.
Perna curta
A decisão do governo de trazer as Forças Armadas para dentro do imbróglio entre a Saúde e o Rio de Janeiro, nada mais é do que um escandaloso ato teatral, onde o Planalto tenta fazer de uma tragédia constatada um conto de fadas com direito a uma reedição barbada de Messias. Beira a sandice o hospital de campanha que a Aeronáutica montou na zona oeste do Rio, que, segundo dados das Forças Armadas, deverá atender uma média de mil pacientes por dia. Lula tem repetido que ainda é cedo para falar em sucessão, mas para o Palácio do Planalto a campanha já começou.
Pedra no caminho
Quem pensou que a farra oferecida pelo filho mais novo do presidente Lula aos seus amigos de escola terminaria em uma mal cheirosa pizza, enganou-se. A Câmara dos Deputados recebeu, na última semana, requerimento para que a Presidência da República justifique e detalhe os gastos com a lancha da Marinha que levou a irresponsável turma para conhecer o lago Paranoá. E se o PT palaciano, em um lapso de conduta, lembrar que no passado tanto insistiu em uma tal transparência, se antecipa e entrega todos os dados requisitados antes do prazo final. Se não o fizer, é porque o partido sempre foi um engodo travestido de luta pela liberdade.
Dono da bola
Na última quinta-feira, na audiência realizada no Senado para tratar do imbróglio PT-Farc, ficou claro que o os colaboradores mais próximos do presidente Lula mandam muito mais do que o próprio mandatário tuiniquim. Cotado para disputar, pelo PT, o governo paulista, o senador Aloízio Mercadante deixou a sala de audiência de forma atabalhoada e ao celular. Dizia Mercadante ao seu interlocutor que o ministro Eunício Oliveira (PMDB), atualmente na pasta das Comunicações, deveria ser transferido para o ministério das Cidades, por ser um cargo honorífico. O PMDB governista já sinalizou ao Palácio do Planalto que uma pasta sem expressão pode levar ao rompimento com o governo. E se tudo se confirmar e o PP de Severino Cavalcanti assumir o Ministério das Comunicações, o senador Ney Suassuna (PMDB-PB) poderá ter no futuro problemas com seu eleitorado. Principalmente porque têm sido escandalosos e desavergonhados os salamaleques do parlamentar paraibano na direção do Planalto. E não se tem notícia de alguém que tenha plantado uma coisa e colhido algo totalmente diferente.
Detector de mentiras
O encontro parlamentar ocorrido no Senado e que discutiu as relações entre o PT e os narco-guerrilheiros das Farc não produziu nenhuma resposta digna de ser divulgada à nação, mas mostrou que, para defender o partido, os petistas fazem de tudo, inclusive mentir. Durante a audiência o senador Mercadante disse não saber se as Farc eram um grupo terrorista, o que mostra claramente que a desfaçatez é o prato do dia para os esquerdistas palacianos. Negar que o PT mantém relações com guerrilheiros e terroristas das mais diversas facções beira a insensatez. O deputado Paulo Delgado (PT-MG), ex-secretário de Relações Internacionais do PT, manteve, enquanto no cargo, estreitas relações com a Frente Sandinista de Libertação Nacional, grupo guerrilheiro que aterrorizou durante anos o cotidiano da Nicarágua. Por outro lado, Paulo Delgado deixou a Secretaria de Relações Internacionais a partir do momento que discordou de algumas atitudes adotadas pela FSLN. E para quem não se recorda, o símbolo maior dos sandinistas, Daniel Ortega, preso e deportado para os EUA, procurou recentemente o embaixador brasileiro em Cuba, o ex-padre Tilden Santiago. Mas são apenas coincidências.
Ele é o cara
Durante a audiência do caso que envolve as Farc e o PT, o diretor-geral da Abin, delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva, conseguiu uma proeza. Acomodou no repleto e apertado recinto a sua inseparável vaidade. Portando uma pasta de couro azul com uma gigantesca insígnia da central brasileira de arapongagem – distintivos fazem parte da personalidade do delegado – Mauro Marcelo foi flagrado por um assessor parlamentar, enquanto remexia nos papéis que utilizaria durante seu depoimento. Na divisão interna da ofuscante pasta que ostentava a inscrição secreto, existiam apenas recortes de jornais. Já na que trazia grafada a expressão ultra-secreto, continha só recortes de jornais. E se a inteligência brasileira pode ser traduzida por um amontoado de recortes de jornais, certo está o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) que disse ser este um escandaloso caso de indigência. E mais: para não se sentir só na audiência, o araponga-em-chefe Mauro Marcelo chegou acompanhado do assessor internacional da Abin, Marcelo Zero. E aquela pode ter sido a única situação em que se chegou ao Zero antes de se discutir os fatidicos US$ 5 milhões.
Reconhecimento geral
Enquanto agoniza na Justiça fluminense, em função de decisões judiciais descabidas, o caso do marqueteiro contraventor Duda Mendonça recobra forças nos bastidores da política parlamentar. Os delegados federais Antonio Carlos Rayol e Lorenzo Pompílio da Hora e os agentes responsáveis pela prisão do publicitário baiano são extremamente reconhecidos pelos companheiros de corporação, principalmente por aqueles que não estão comprometidos com a cúpula do governo Lula. Na sede da PF, em Brasília, muitos policiais federais foram unânimes ao afirmar, sob a promessa de terem os nomes mantidos em sigilo, que Rayol, Pompílio da Hora e os agentes estão sendo vítimas de uma ordem explícita que partiu do Ministério da Justiça. Por essas e outras, meu caro leitor, é que aquele discurso do ministro Márcio Thomaz Bastos, que disse por telefone que Duda Mendonça deveria procurar um advogado para defendê-lo, não passou de um tremendo jogo de cena.
Fugindo da raia
Para que a festa dos vinte e cinco nos do partido não coincidisse com a data em que o escândalo Waldomiro Diniz veio à tona, o PT adiou e comemoração, previamente marcada para acontecer em Belo Horizonte. Tempos depois, o PT modificou a programação, transferindo o local da festa para Recife, para não enfrentar a hostilidade dos mineiros, inconformados com a segregação política imposta ao deputado mineiro Virgílio Guimarães, por sua candidatura avulsa à presidência da Câmara. No sábado, a festa acabou acontecendo na cidade que é conhecida como a Veneza brasileira, mas o clima de funeral imperou na festividade petista. Não bastassem as sucessivas intempéries políticas que tem enfrentado, com raios surgindo de todos os lados, o PT foi obrigado a aturar uma ruidosa manifestação de simpatizantes do ministro Humberto Costa. Os gazeteiros de plantão pediram, de forma incisiva e barulhenta, que Costa permaneça na Saúde. E como já era e se esperar, o presidente Lula não compareceu ao evento, preferindo a tranqüilidade nababesca da Granja do Torto. Até porque, a popularidade de Lula, a exemplo do que se comentava no plenário da Câmara, tem crescido como rabo de cavalo.
Vai um brilho aí?
Entra ano e sai ano, e o poder público não aprende a ter respeito pelo dinheiro do contribuinte. No final de semana, máquinas poliam a rampa de acesso à garagem do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, localizado na rua Francisca Miquelina, no centro da capital paulista. O piso da rampa, todo em granito, carecia, ao que parece, de um brilho extra. A barbaridade maior não está no fato do polimento, mas no material utilizado para confeccionar o piso. E contribuinte mais humilde, que paga a conta na proporcionalidade, quando morre é colocado em um ataúde de quinta, que, se levantado com força, faz com que o féretro passe e o defunto fique para trás. Enfim, há quem garanta que a Justiça é cega e justa.
Operação engana
O governador de São Paulo parece ter encontrado uma solução mágica para as turbulências que tomaram conta da Febem nos últimos tempos. Geraldo Alckmin deve rebatizar a instituição, além de reduzir o tamanho das unidades da instituição, o que significa que um número menor de internos deverá ocupar cada uma delas. Nada adianta a mudança de nome, como reduzir o número de internos, se nada for feito em prol de uma juventude que não tem outra saída para sobreviver, que não se enveredar pelo mundo do crime. E transferir parte dos internos para unidades do interior do Estado desrespeita de forma escandalosa o Estatuto do Menor e do Adolescente, da mesma forma que atenta contra o que dispõe a Lei das Execuções Penais, se fosse o caso de utilizá-la apenas como referencial de consulta. Os internos, assim como os que se encontram em estabelecimentos prisionais, devem cumprir as respectivas penas em locais próximos do domicílio das famílias. Em outras palavras, tal assunto ainda vai trazer um sem fim de problemas para quem acredita que será o próximo inquilino do Palácio do Planalto.
Abaixa que é bala!
Na sexta-feira, o charmoso e tão cantado bairro de Ipanema viveu momentos típicos de saloon de faroeste americano. A bandidagem dos morros do Pavão e do Pavãzinho decidiu deixar as protuberâncias geográficas de armas em punho, disparando para todos os lados quando alcançou as ruas do bairro. O ápice do tiroteio aconteceu na rua Vinícius de Morais, situação que deve ter feito o Poetinha revirar na tumba. Enquanto as balas cruzavam as ruas de um dos mais caros e disputados redutos cariocas, a governadora de direito Rosângela Matheus e o governador de fato Anthony Garotinho estavam debruçados sobre os planos eleitorais da família para 2006. E como o caos da última semana se instalou principalmente na rua que leva o nome de um dos mais reconhecidos compositores brasileiros, o melhor é fazer as malas e passar milhares de tardes em Itapuã.
O último apaga a luz
Como noticiamos em edição anterior, uma leitora da coluna foi assaltada quando ia do Alto da Boa Vista para Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, ocasião em que teve o carro, celulares e todos os documentos roubados. Há dias, a leitora compareceu à Polícia Federal para entrega de documentos, apresentando na recepção o passaporte, único documento legal que lhe restou. Na recepção da PF a leitora foi informada que passaporte não era válido como documento de identificação. O contribuinte investe quase R$ 90 para ter um passaporte, sendo que o órgão expedidor não o reconhece como documento válido. Ou seja, chegamos ao fim e ninguém avisou.
Muito cuidado
Não contente com a verdadeira fortuna que fatura com a telefonia nos domínios paulistas, a espanhola Telefônica decidiu partir para cima dos consumidores. Operadoras de telemarketing telefonam para a casa dos clientes e oferecem um serviço que até então era gratuito, mas que passará a ser cobrado. Trata-se da manutenção da linha telefônica na parte interna do imóvel, que custará ao assinante o absurdo de R$ 3,99 mensais, sem contar a taxa de adesão no valor de R$ 12,90. Ladinas, as operadoras não só ligam mais de uma vez para o mesmo número, como, ao detalharem o novo serviço, vão perguntando se está certo. E se o assinante desavisado, por um descuido qualquer, disser, uma única vez, que está certo, pode esperar pela próxima conta. É o que se pode chamar de Super Truque 15.
Contra-mão
Pensando bem, Humberto Costa contrariou a história. Tirou de César o que era de César. Maia, claro!
Ucho Haddad |


Querendo entender...
O caso da morte do prefeito Celso Daniel voltou para a moita. Por quê? Afinal, perguntar não
ofende...


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Clique na lupa e confira os detalhes dos mais recentes e polêmicos escândalos que abalaram as estruturas políticas do país


Destaques
e-ditorial:
"A Maria que nunca pede socorro"
- por Ucho Haddad
e-xclusiva:
"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"A política na bacia das almas"
- por Ucho Haddad
Q.I.:
"A eminência parda do cardeal" -
por Pedro Luís de Campos Vergueiro
Tribuna
Livre: "Fundo Internacional
de Cabides" - por Ralph J. Hofmann
Prateleira
Eletrônica: "As 100 Melhores
Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
Receita infalível
Em novembro de 2000, em entrevista à revista Caros Amigos, Luiz Inácio Lula da Silva ainda falava com uma pseudo-probidade, como se fosse – e assim permaneceu por mais algum tempo – o salvador da Terra Brasilis: Se eu ganhasse a Presidência para fazer o mesmo que o Fernando Henrique Cardoso está fazendo, preferiria que Deus me tirasse a vida antes. Para não passar vergonha. Porque sabe o que acontece? Tem muita gente que tem o direito de mentir, o direito de enganar. Eu não tenho. Há uma coisa que tenho como sagrada: é não perder o direito de olhar nos olhos de meus companheiros e de dormir com a consciência tranqüila de que a gente é capaz de cumprir cada palavra que a gente assume. E, quando não as cumprir, ter coragem de discutir por que não cumpriu. Resta saber se o presidente vai morrer ou discutir as razões do não cumprimento das suas promessas. (22/03/04)


Boca Maldita
Na página Boca Maldita você encontra a pizza meia Zé Dirceu - meia Waldomiro, em versão para impressão; a lista dos senadores e deputados que votaram contra o salário-mínimo de R$ 275; além de detalhes da agenda de Waldomiro Diniz e o primeiro depoimento do juiz João Carlos da Rocha Mattos.


Dica do Ucho
Paris recebe as Áfricas do Brasil - Exposição de 50 fotografias de Catherine Krulik no Centro Cultural Clichy-sous-Bois apresenta nossas festas, nossos rituais e tradição. Somente na programação oficial do Ano do Brasil na França, Krulik tem destaque em três grandes mostras diferentes, com trabalhos que mostram sua habilidade e arte com as imagens. Além dessa, já está com 94 painéis gigantes no Futuroscope e agora, na segunda quinzena de março, dia 17, na prestigiada área arquitetônica Cité de la Musique.
“Brasil, o país dos Carnavais”
(www.krulik.com.br/futuroscope)
“Les Afriques du Brésil”
(www.krulik.com.br/clichy)
“Cité de la Musique”
(www.krulik.com.br/cite)



Editora Senac São Paulo
A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week – e diante de uma platéia de 1.200 pessoas, o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br
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