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uh comunicação ilimitada

ano 4 - número 841 - sexta-feira, 18 de março de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

O tempo é um ponto de vista. Velho é quem é um dia mais velho que a gente.

Mário Quintana

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Sem trégua
Uma das últimas trincheiras de resistência aos desmandos do Estado, esta coluna tem, ao noticiar a verdade, incitado a ira daqueles que chegaram ao poder com ares messiânicos. Resquício da fracassada tentativa de criar o Conselho Federal de Jornalismo, que na verdade não passaria de um instrumento de patrulhamento ideológico, o controle da mídia parece estar mais vivo do que nunca. De acordo com informações obtidas pelo editor, os servidores do Ministério da Saúde estão proibidos de acessar a coluna. Um bloqueio no computador central do ministério impede o acesso a esta página desde a última quarta-feira. O Ministério da Saúde adverte: o ucho.info faz bem à dignidade do povo!

Chama o rei
Responsável pelo inchaço da máquina federal, o presidente Lula, que desde o início do governo já contratou 45 mil companheiros, é um dos mandatários mais caros do planeta. Para manter as respectivas chefias de Estado, os ingleses gastam anualmente US$ 104 milhões com sua escandalosa realeza (US$ 1,87 por cidadão), enquanto os japoneses, US$ 52 milhões com seus recatados regentes, o que representa US$ 0,42 para cada habitante da terra do sol nascente. Com um gasto anual de US$ 1,1 bilhão, cada americano contribui com US$ 4,6 para manter a insanidade do baby Bush na Casa Branca. Já no Brasil, que nos últimos anos se transformou em reduto messiânico, a xavantina local arca com US$ 1,7 bilhão por ano para manter o presidente Lula e sua entourage, o que significa, na média, que cada cidadão desembolsa o equivalente a US$ 12 anuais para assistir a um show de incompetência e insana verborragia. Resumindo, custa muito menos manter uma monarquia do que um presidente operário.

É, mas não é
Ontem, na audiência da Comissão de Controle das Atividades de Inteligência, o assunto sobre o envolvimento do PT com as Farc se transformou em um embate político, que obrigou o Planalto enviar sua tropa de choque para o encontro. Comandados pelo senador Aloízio Mercadante (PT-SP), líder do governo no Senado, os petistas foram tão inconsistentes em suas declarações quanto o teor das denúncias que rechearam a matéria da revista Veja. Enquanto o deputado Alberto Fraga (PMDB-DF) afirmava categoricamente ter cópias dos documentos que comprometem o PT, o delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva, diretor-geral da Abin, dizia que não existe relação alguma entre o partido e o grupo narco-guerrilheiro. A Abin é um órgão de inteligência do Estado e não do governo, sendo que a nomeação de seus integrantes não deveria caber ao Presidente da República, mas a um possível conselho de notáveis que representasse, acima de tudo, os interesses da nação. Apenas para finalizar, o diretor-geral da Abin é amigo pessoal do presidente Lula e, segundo consta, amigo não trai amigo.

Além do limite
Ainda o caso das Farc... Na concorrida audiência, não ficou claro se o PT recebeu ajuda financeira das Farc para a campanha do então candidato Lula, no valor de US$ 5 milhões. Mesmo sendo uma soma considerável, o dinheiro supostamente entregue pelo grupo revolucionário colombiano vale muito menos que a soberania nacional. No momento não importa se existiu doação ou não, mas se o PT realmente matem ligações com os narco-guerrilheiros que tempos atrás deram guarida ao mega-traficante Fernandinho Beira-Mar. A integridade do território nacional não tem preço e US$ 5 milhões nada representam no contexto.

Quase parando
A tão esperada reforma ministerial, que todos esperam desde novembro de 2004, pode atrasar ainda mais. Sem nenhuma voz de comando e tendo assistido, nos últimos dias, suas ordens serem descumpridas, o presidente Lula não consegue remover dos cargos mais importantes os companheiros de partido. Se por um lado Lula passou a ser presidente de 170 milhões de brasileiros, por outro chega a ser inadmissível que o PT esteja acima da instituição chamada Presidência da República. Tal situação denota que os petistas não apenas tinham um projeto de poder, mas vieram para ficar.

Tô fora!
Quando a reforma ministerial veio à baila, o presidente Lula preocupou-se, juntamente com os companheiros mais próximos, em criar uma situação que favorecesse sua reeleição em 2006, desejo maior do partido. Com a popularidade em queda e as chances de reeleição despencando a cada dia, Lula revelou a um amigo pessoal, que não freqüenta o mundo político, que já pensa em não se candidatar em 2006. Confidenciou, também, que só tem insistido na tese para poupar o partido de um vexame histórico. Sua vontade é deixar o Planalto e voltar para São Bernardo do Campo.

Sem crédito
Ontem, após encontro com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, o presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), disse que a fatídica Medida Provisória 232 estava praticamente sepultada, se consideradas as enormes mudanças que serão feitas para que seja aprovada. O fato é que a aprovação da MP se transformou em um ponto de honra para o PT palaciano, que tenta evitar que a sensação que o governo acabou chegue até a opinião pública. O Palácio do Planalto tem, de forma até ostensiva, controlado alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país, mas nem tudo pode ser escondido.

Na contra-mão
Com a inesperada chegada de Severino Cavalcanti à presidência da Câmara, o quadro político do país foi modificado de forma considerável, a ponto de fazer com que o PT deixasse vazar sua incompetência em lidar com crises políticas mais agudas. A saída foi tentar acomodar a situação, tentando contentar a todos e tentando trazer o PMDB para dentro do governo, o que, na opinião de muitos, foi um dos maiores erros palacianos. Com o escancaramento do governo para a ala governista do PMDB, o presidente Lula tentou na conversa o que os militares não conseguiram com as armas. Calar o PMDB.

Cartela cheia
Durante os anos em que passou na oposição, o PT pregou a ética e a transparência na política, o que não se vê desde que o partido chegou à instância máxima do poder. A farsa patrocinada pelo marqueteiro contraventor, Duda Mendonça, tem Waldomiro Diniz, ex-assessor e parceiro de apartamento de José Dirceu, logo no primeiro capítulo, sendo que o mais recente é o suposto envolvimento do PT com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Porém, o que mais espanta é a velocidade com que os imbróglios petistas caem no esquecimento. Em uma atitude puramente populista, o presidente Lula acabou com os bingos através de uma simples canetada. Agora, quem circula pelo Brasil percebe que na maioria dos estados as casas de bingo funcionam clara e escancaradamente. É verdade que a maioria funciona através de liminares, mas o governo federal deveria ter recorrido da decisão judicial. Se não o fez é porque alguém, nos bastidores, lucrou muito. No mínimo estranho.

Pobre menino rico
A CPMI da Terra, presidida pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR) e que discute os intermináveis problemas da reforma agrária no Brasil e o leviano desrespeito ao direito de propriedade, vai pedir a quebra do sigilo bancário do líder do MST, José Rainha Júnior. Os parlamentares querem entender como Rainha conseguiu quitar um empréstimo junto ao Banco Bradesco, no valor de R$ 228 mil. De acordo com informações obtidas pela Comissão, Rainha Júnior teria utilizado dinheiro do MST para quitar a dívida. É verdade que o líder do movimento deve explicações, mas representantes do banco devem apresentar motivos convincentes que justifiquem a concessão de um empréstimo vultuoso a um cidadão que divide o tempo entre o cárcere e a invasão da propriedade alheia.

Sem piedade
A entrada das Forças Armadas no sistema de saúde do Rio de Janeiro é mais um factóide criado pelo governo Lula, para comprometer a escalada política do prefeito César Maia. O Palácio do Planalto tomou conhecimento da pesquisa qualitativa que noticiamos na edição de ontem, percebendo que as duas principais pedras no caminho do presidente Lula atendem pelo nome de César Maia e Anthony Garotinho. Se a verdadeira intenção do governo era tirar o contribuinte do calvário dos hospitais, deveria acabar, de uma vez por todas, com os gastos irresponsáveis que o Ministério da Saúde fez nos últimos dois anos. Tudo não passa de uma sórdida manobra capitaneada pelo ministro José Dirceu, que tenta transformar o Planalto Central em uma Sierra Maestra particular.

Maluco beleza
A sandice parece ter tomado conta até dos diletos amigos do presidente Lula. Dia desses, o todo poderoso diretor brasileiro da Itaipu Binacional, Jorge Sameck, externou durante reunião de trabalho o seu pensamento sobre a real situação do governo Lula. O governo vai bem e o PT vai Mal. Podemos dizer que está ruim, mas está bom, declarou o diretor de Itaipu. De acordo com os mais básicos princípios gramaticais, bom e ruim são antônimos, para não dizer que são inimigos. E como até hoje não se tem notícia de nenhuma meia gravidez, pode-se dizer que Sameck é, além de cego político, ruim da cabeça.

Sim sinhô!
No rastro das espionagens ilegais promovidas pela americana Kroll e das estripulias do Senhor Opportunidade, autoridades policiais passaram a monitorar os políticos que têm apoiado o banqueiro dentro do Congresso Nacional. A pequena tropa de choque que age sorrateiramente em nome do Darth Vader tupiniquim, integrada por baianos ilustres, outros nem tanto e xerifes consagrados, pode colocar por terra as ambições de seus respectivos partidos políticos, que na oposição sonham com a Presidência da República em 2006. O Palácio do Planalto acompanha tudo de perto, e só irá detonar o caso no momento certo. Tudo para limpar o caminho para a reeleição.

Na moita
Diz o ditado que o bom cabrito não berra. Verdadeira ou não, na política tal tese muitas vezes funciona. Enquanto Geraldo Alckmin divide seu tempo entre rebeliões na Febem e intifadas nos presídios estaduais, que prometem continuar, César Maia vai às últimas conseqüências no caso da intervenção dos hospitais cariocas, simplesmente para provar que pode muito mais do que imaginam. Porém, não se pode esquecer que, politicamente fortes, Aécio Neves (PSDB) e Anthony Garotinho (PMDB) recolheram a artilharia.

Rasgando tudo
Pensando bem, se o vento é capaz de levar as palavras, amigo oculta papéis.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

Alegando ser inocente, o PT apelou para sua guerrilha para se safar do imbróglio das Farc. Por quê? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte brasileiro e internacional com o maior jornalista esportivo do país

Clique na lupa e confira os detalhes dos mais recentes e polêmicos escândalos que abalaram as estruturas políticas do país

Destaques

e-ditorial: "A Maria que nunca pede socorro" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "A política na bacia das almas" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Fundo Internacional de Cabides" - por Ralph J. Hofmann

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Palavras ao vento
Em mais um dos seus conhecidos e enfadonhos discursos, desta vez em Fortaleza, no Ceará, durante o lançamento do programa Cresce Nordeste, o presidente Lula voltou a abusar das comparações esdrúxulas que dominaram, de forma hilária, o primeiro ano do seu governo. Ao discursar para políticos e empresários locais, Lula disse que muitos que torcem contra o seu governo são como ex-marido que torce para que a ex-mulher não se dê bem no novo casamento. Por outro lado, presidente, muitas das segundas núpcias são a receita de felicidade de muitos, desde que aconteçam bem distante e não transformem a vida alheia em um inferno. Enfim, quem não sabe, e jamais saberá, o que dizer, só pode mesmo apelar para frases feitas. (18/03/04)

Boca Maldita

Na página Boca Maldita você encontra a pizza meia Zé Dirceu - meia Waldomiro, em versão para impressão; a lista dos senadores e deputados que votaram contra o salário-mínimo de R$ 275; além de detalhes da agenda de Waldomiro Diniz e o primeiro depoimento do juiz João Carlos da Rocha Mattos.

Dica do Ucho

Paris recebe as Áfricas do Brasil - Exposição de 50 fotografias de Catherine Krulik no Centro Cultural Clichy-sous-Bois apresenta nossas festas, nossos rituais e tradição. Somente na programação oficial do Ano do Brasil na França, Krulik tem destaque em três grandes mostras diferentes, com trabalhos que mostram sua habilidade e arte com as imagens. Além dessa, já está com 94 painéis gigantes no Futuroscope e agora, na segunda quinzena de março, dia 17, na prestigiada área arquitetônica Cité de la Musique.

“Brasil, o país dos Carnavais”

(www.krulik.com.br/futuroscope)

“Les Afriques du Brésil”

(www.krulik.com.br/clichy)

“Cité de la Musique”

(www.krulik.com.br/cite)

Editora Senac São Paulo

A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week – e diante de uma platéia de 1.200 pessoas, o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br

 

 

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