| Ladeira
abaixo
Uma pesquisa qualitativa, cujo contratante ainda permanece em
sigilo, pelo menos para a opinião pública, tomou
conta das conversas paralelas no plenário da Câmara.
Em uma roda de parlamentares falava-se que a pesquisa, realizada
em Minas, Rio e São Paulo, detectou uma considerável
queda na popularidade do presidente Lula, até então
imune aos reflexos das trapalhadas de seu governo. Quem teve
acesso aos resultados garantiu, mesmo que jocosamente, que a
popularidade de Lula cresce assustadoramente, como rabo de cavalo.
Ou seja, para baixo. Em sendo verdade, em preciso refletir que
Lula já não convence nos estados que representam
a maior concentração eleitoral do país.
E os algozes lulianos, ao que tudo indica, são o prefeito
carioca, César Maia, e o governador de fato do Rio de
Janeiro, Anthony Garotinho. É verdade que Lula não
acredita em pesquisas, principalmente quando estas lhe são
desfavoráveis, mas uma coisa é certa: o presidente
pode até não crer em bruxas, mas elas certamente
existem.
Laços
vermelhos
O envolvimento entre o PT e as Forças Armadas Revolucionárias
da Colômbia – Farc dá sinais que será
a pedra do momento no sapato do presidente Lula. O assunto ganhou
o Congresso Nacional, fazendo com que a oposição
não perdesse a oportunidade de tentar transformar a polêmica
em CPI. O chefe do gabinete de Segurança Institucional
da Presidência da Reública, general Jorge Armando
Félix, compareceu ao Senado e declarou que existem nos
arquivos da Abin documentos que comprovam tal ligação.
Lembrou ainda o general que os documentos, que vieram à
tona na era FHC, foram arquivados no ano de 2002 por falta de
informações complementares e principalmente para
não comprometer o processo sucessório da época.
O importante é lembrar que, com ou sem doação
de vultuosas quantias para a campanha eleitoral de 2002, o assunto
foi ressuscitado a mando de alguém, que certamente deve
estar se beneficiando de forma oculta com a magnitude que a
polêmica tomou nos últimos dias. É sabido
e notório que, em tempos de crise, criar um novo escândalo
é a melhor forma de sepultar um outro ainda maior.
Do
ouro ao pó
Ainda o caso das Farc... É quase impossível desvincular
a ligação entre o PT e as Farc, principalmente
se voltarmos ao passado recente. Ontem, na Câmara, em
uma das mesas da sala do café, os deputados Luiz Carlos
Hauly (PSDB-PR) e Walter Barelli (PSDB-SP) conversaram sobre
o assunto, separadamente, com o editor da coluna. Barelli, a
exemplo do leitor gaúcho Paulo Ricardo Ballard, ressuscitou
o episódio em que o então governador Olívio
Dutra recebeu, com honras de chefe de Estado, um dos altos representantes
das Farc. O narco-guerrilheiro teve direito a todos os salamaleques
do governo do Rio Grande do Sul, só faltando os batedores
oficiais para que a festa fosse completa. Mas o melhor da conversa
coube ao deputado Hauly, que bem definiu a situação.
A esquerda latino-americana já não vive às
custas do ouro da extinta União Soviética, mas
do pó da Colômbia.
Faturando
na saída
Prestes a deixar o Ministério da Saúde, de onde
sai chamuscado politicamente, Humberto Costa tem feito de tudo
para capitalizar em seus últimos dias na Esplanada dos
Ministérios. Depois de travar um verdadeiro enfretamento
político com César Maia, onde a saúde pública
serviu como cenário, Humberto Costa agora se volta às
benesses que sua pasta pode conceder. O Ministério da
Saúde, o mesmo que deixa milhões de brasileiros
nas filas dos hospitais, publicou nota informando que os grupos
responsáveis pelas Paradas do Orgulho GLBT (gay, lésbica,
bissexual e transexual) têm até o próximo
dia 30 de março para se cadastrar, caso queiram pleitear
verba oficial para financiar o evento. É verdade que
marca de pasta de dente e opção sexual não
se discute em hipótese alguma, mas, em um país
onde as pessoas morrem nas filas dos hospitais, financiar passeatas
de tal naipe deve ser idéia de alguém que é
eunuco de neurônio.
Muy
amigo
Enquanto alisa com uma das mãos o governo Lula, com a
outra o deputado Severino Cavalcanti bate duro e com vontade.
O presidente da Câmara parece não levar em conta
o fato do seu partido, o PP, integrar a base aliada do governo
Lula e ter conseguido uma vaga na reforma ministerial, e parte
com volúpia na direção do Palácio
do Planalto, deixando o presidente sem saída. A CPI das
Privatizações, que nasceu após mais um
dos aterrorizantes discursos presidenciais, vai investigar a
veracidade das denúncias do presidente Lula, que afirmou
que abafou, no início de seu governo, a divulgação
de casos de corrupção na era FHC. Para colocar
mais lenha na fogueira, Severino Cavalcanti indicou o deputado
Wladimir Costa (PMDB-PA) para o cargo de relator da CPI. Costa,
conhecido na Câmara como um parlamentar sem papas na língua,
já avisou que não hesitará em mandar para
trás das grades os possíveis culpados. Como os
tucanos estão muito tranqüilos em relação
ao assunto, resta saber para quem irá sobrar. E mais:
à época do escândalo patrocinado pela reportagem
do The New York Times, Wladimir Costa apresentou requerimento
para que fosse constatada a quantidade de álcool ingerida
pelo presidente Lula. Em outras palavras, vem muita confusão
pela frente.
Banco
dos réus
A situação do governo Lula começa a se
complicar a cada novo dia. Tremendamente desgastado, especialmente
por conta de uma crise que os ocupantes do Palácio do
Planalto tentam camuflar diuturnamente, o governo terá
de enfrentar mais uma estocada oposicionista. O ministro Antonio
Palocci Filho (Fazenda) deve comparecer à Comissão
de Constituição e Justiça do Senado, onde
terá de explicar alguns imbróglios relacionados
ao Banco Santos. Os senadores querem informações
sobre recursos de entidades públicas e sobre as aplicações
de diversos fundos de pensão de estatais na polêmica
instituição financeira. É bom lembrar que
no relatório da Polícia Federal sobre o caso da
americana Kroll, o nome do banqueiro Edemar Cid Ferreira aparece
em comentário do espião Tiago Verdial, como sendo
o caixa 2 do Banco do Brasil.
Carteira
recheada
Os deputados passam a receber, já no próximo pagamento,
25% de aumento na verba de gabinete. A decisão foi anunciada
ontem, em meio a tantas confusões que tomaram conta da
Casa Legislativa. Muitos parlamentares ficaram desconfortáveis
com a nova situação, principalmente pelo fato
de ser este um ano pré-eleitoral. Alguns já cogitam,
inclusive, não utilizar a verba, devolvendo-a aos cofres
públicos, deixando de repassar o respectivo aumento aos
funcionários dos próprios gabinetes. O assunto
foi um dos mais discutidos no café do plenário
da Câmara, sendo que alguém lembrou que o presidente
da Casa, Severino Cavalcanti (PP-PE), está sendo responsabilizado
por uma proposta do seu antecessor, João Paulo Cunha
(PT-SP). A Justiça, após estudar sobre o assunto,
entendeu ser justo a majoração do orçamento
dos gabinetes dos parlamentares. Por isso, meu caro leitor,
prepare-se porque a conta é toda sua.
Ame-o
ou deixe-o
Entre tantas polêmicas que protagonizou, escorregando,
inclusive, em alguns de seus explosivos discursos – o
caso do supositório foi um deles – o presidente
da Câmara, deputado Severino Cavalcanti, ainda ganha do
presidente Lula no quesito preferência. Uma conhecida
parlamentar disse, dia desses, que entre Lula e Severino prefere
o deputado pernambucano, pois, besteiras por besteiras, o presidente
da Câmara tem quarenta anos de experiência política.
Até o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) já engrossa
a fila dos fãs de Severino Cavalcanti. Em conversa com
o editor da coluna, Gabeira declarou que em certos aspectos
é melhor trabalhar com o Severino do que com o PT. O
Severino joga e deixa jogar, completou o deputado fluminense.
Coisa
de louco
Tramita silenciosamente no Supremo Tribunal Federal uma Ação
Direta de Inconstitucionalidade (Adin), proposta pela Federação
Brasileira de Bancos para escapar da obrigação
de se submeter ao Código de Defesa do Consumidor. Os
banqueiros alegam que seguem um conjunto de normas do Banco
Central, não estando, assim, obrigados a cumprir o que
determina o CDC. O fato é que os bancos lucram cada vez
mais, e o governo Lula, que poderia ser uma esperança
de frear a ação escandalosa dos banqueiros, passou
a ser um de seus mais ferrenhos aliados. Entre tantas barbaridades
cometidas pelos bancos, a famigerada Taxa de Abertura de Crédito
(TAC), normalmente cobrada em financiamentos de veículos,
não apenas é ilegal, mas inconstitucional. Quem,
por telefone, argüir algum integrante do Banco Central,
terá como resposta que a cobrança da TAC é
legal. No cara a cara não existe nenhum irresponsável
capaz de afirmar o que diz por telefone. Apenas dizem que a
cobrança é usual. E se cobrar o que é proibido
é apenas usual, Fernandinho Beira-Mar não é
um fora da lei, mas apenas alguém que se enveredou pelo
usual tráfico de drogas.
Gosto
amargo
A vitória de Rodrigo Garcia (PFL) na disputa pela presidência
do Legislativo paulista provocou um momento de reflexão
na política de São Paulo. Inicialmente, Geraldo
Alckmin, que se arvora a enfrentar Lula em 2006, foi tremendamente
irresponsável de viajar aos EUA em semana tão
decisiva para seu futuro político, conhecendo muito bem
as limitações do tucano Arnaldo Madeira, seu articulador
político. Por outro lado, se Madeira teve, quando deputado
federal, alguma avaliação positiva, é porque
a maquina parlamentar o empurrava para frente. E se o governador
paulista continuar fechando os olhos e os ouvidos para os políticos
que quase diuturnamente batem às portas do Palácio
dos Bandeirantes, sede do governo paulista, seria bom que engavetasse
seu projeto para 2006. Rodrigo Garcia, que já foi comparado
a Severino Cavalcanti, por sua inesperada vitória, já
é chamado em Brasília de Rodrigo Cheque-Cheque,
em alusão ao xique-xique imposto ao presidente da Câmara.
Há quem garanta que o governo Lula, diante da efusiva
comemoração do ministro José Dirceu, tenha
feito uma farra política em São Paulo com a ajuda
da viúva.
Barril
de pólvora
Há dias, esta coluna recomendou a uma reconhecida jornalista
da área policial que voltasse suas atenções
ao sistema prisional paulista, que estava prestes a se rebelar.
Os argumentos apresentados foram simples e objetivos. As facções
criminosas que dominam os estabelecimentos penais há
muito não se manifestavam, o que deveria acontecer logo
após o fim das rebeliões da Febem. Altamente explosivo,
o segundo motivo repousa na área da Justiça. Existem
mais de 200 mil mandatos de prisão para serem cumpridos,
em São Paulo, e outros 3.500 novos mandatos são
expedidos a cada mês. O número de estabelecimentos
prisionais não cresce à medida que aumenta a criminalidade.
A caótica situação eclodiu na rebelião
do Centro de Detenção Provisória de Pinheiros
– lá esteve, dias atrás, o juiz Rocha Mattos
-, na capital paulista, onde os amotinados mantêm agentes
penitenciários como reféns. Se o Estado, como
um todo, não passar a investir imediata e responsavelmente
na área social, oferecendo condições mínimas
de sobrevivência ao cidadão, um dia todos serão
criminosos. Até porque, essa é a única
explicação para tamanha inoperância.
Prova
dos nove
A greve dos perueiros, em São Paulo, que acabou
no mesmo dia mas deixou vários ônibus incendiados,
é uma resposta à ex-prefeita Marta Suplicy, que
garante ter deixado nos cofres municipais uma enorme quantidade
de dinheiro. Fosse verdade, a manifestação incendiária
não teria acontecido. Agora, o Congresso se deu conta
que a MP 237, aprovada no início do ano, foi uma manobra
petista para salvar a então alcaidessa paulista das agruras
da lei de Responsabilidade Fiscal. Depois de muito alardear
seus feitos, Marta Suplicy, que ao continuar usando o sobrenome
do ex-marido mancha a história do senador paulista, parece
ter aderido ao silêncio obsequioso.
Bancando
o inocente
O presidente americano George W. Bush pode indicar oficialmente,
nas próximas horas, o novo diretor do Banco Mundial.
Entidade máxima do setor financeiro global que decide
a sorte de muitas nações em desenvolvimento, o
Banco Mundial deverá comandado por Paul Wolfovitz, sub-secretário
de Defesa dos EUA. Wolfovitz, assessor de Donald Rumsfeld e
um dos falcões da administração Bush, foi
um dos responsáveis pela invasão do Iraque. A
indicação de Paul Wolfovitz mostra que a teoria
americana continua idêntica à da década
de 60, quando Robert McNamara, secretário de Defesa dos
EUA entre 1961 e 1968, assumiu o Banco Mundial após invadir
o Vietnã. Em outras palavras, a história mostra
que os americanos são, além de nocivos, repetitivos.
Pau
mandado
Quem pensa que a novela América é uma simples
coincidência, engana-se. O drama assinado por Glória
Perez só fatura no Ibope por conta das imagens, uma vez
que o conteúdo nada mais é do que um folhetim
barato que não faria sucesso nem mesmo no México,
tida como a catedral das telenovelas. Tudo não passa
de uma bem encomendada anestesia que os americanos querem, ao
aplicá-la, agir no inconsciente coletivo do planeta e
fixar uma imagem de nação poderosa, porém
generosa. Essa história de sonho americano não
emplaca em canto algum do universo, uma vez que muitos sabem
que entre sonho e pesadelo existe uma infinda distância.
Mais uma vez a Vênus Platinada se coloca a serviço
do totalitarismo, o que certamente foi, como ainda é,
a sua manjedoura predileta. Que o digam os militares da ditadura
e democratas da esquerda festiva.
Estrebaria
rouge
Pensando bem, se a popularidade de Lula cresce como rabo de
cavalo, resta saber quem levará o coice.
Ucho Haddad |




Querendo entender...
Em declarada campanha pelo governo de São Paulo,
Marta Suplicy ainda não revelou que são seus
financiadores. Por quê? Afinal, perguntar não
ofende...


O melhor do esporte brasileiro e internacional com o maior jornalista esportivo do País


Clique na lupa e confira os detalhes dos mais recentes e polêmicos escândalos que abalaram as estruturas políticas do país


Destaques
e-ditorial:
"A Maria que nunca pede socorro"
- por Ucho Haddad
e-xclusiva:
"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"A política na bacia das almas"
- por Ucho Haddad
Q.I.:
"A eminência parda do cardeal" -
por Pedro Luís de Campos Vergueiro
Tribuna
Livre: "Fundo Internacional
de Cabides" - por Ralph J. Hofmann
Prateleira
Eletrônica: "As 100 Melhores
Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
Muleta
quebrada
Todas as vezes que partiu para o ataque, o PT sempre se apoiou
nas opiniões emitidas pelos representantes da OAB.
Desta vez, o atual presidente da instituição,
Roberto Antonio Busato, defendeu a instalação
da CPI dos Bingos ou até mesmo a do Waldomiro, além
de dizer que o ministro José Dirceu deveria se afastar
do governo até a completa comprovação
de sua inocência. Isto é, se realmente inocente
for. E agora, presidente? (17/03/04)


Boca Maldita
Na página Boca Maldita você encontra a pizza meia Zé Dirceu - meia Waldomiro, em versão para impressão; a lista dos senadores e deputados que votaram contra o salário-mínimo de R$ 275; além de detalhes da agenda de Waldomiro Diniz e o primeiro depoimento do juiz João Carlos da Rocha Mattos.


Dica do Ucho
Paris recebe as Áfricas do Brasil - Exposição de 50 fotografias de Catherine Krulik no Centro Cultural Clichy-sous-Bois apresenta nossas festas, nossos rituais e tradição. Somente na programação oficial do Ano do Brasil na França, Krulik tem destaque em três grandes mostras diferentes, com trabalhos que mostram sua habilidade e arte com as imagens. Além dessa, já está com 94 painéis gigantes no Futuroscope e agora, na segunda quinzena de março, dia 17, na prestigiada área arquitetônica Cité de la Musique.
“Brasil, o país dos Carnavais”
(www.krulik.com.br/futuroscope)
“Les Afriques du Brésil”
(www.krulik.com.br/clichy)
“Cité de la Musique”
(www.krulik.com.br/cite)



Editora Senac São Paulo
A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week – e diante de uma platéia de 1.200 pessoas, o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br
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