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ano 4 - número 840 - quinta-feira, 17 de março de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

“Quatro coisas são difíceis de esconder por muito tempo: a ciência, a estupidez, a riqueza e a pobreza.”

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Ladeira abaixo
Uma pesquisa qualitativa, cujo contratante ainda permanece em sigilo, pelo menos para a opinião pública, tomou conta das conversas paralelas no plenário da Câmara. Em uma roda de parlamentares falava-se que a pesquisa, realizada em Minas, Rio e São Paulo, detectou uma considerável queda na popularidade do presidente Lula, até então imune aos reflexos das trapalhadas de seu governo. Quem teve acesso aos resultados garantiu, mesmo que jocosamente, que a popularidade de Lula cresce assustadoramente, como rabo de cavalo. Ou seja, para baixo. Em sendo verdade, em preciso refletir que Lula já não convence nos estados que representam a maior concentração eleitoral do país. E os algozes lulianos, ao que tudo indica, são o prefeito carioca, César Maia, e o governador de fato do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho. É verdade que Lula não acredita em pesquisas, principalmente quando estas lhe são desfavoráveis, mas uma coisa é certa: o presidente pode até não crer em bruxas, mas elas certamente existem.

Laços vermelhos
O envolvimento entre o PT e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Farc dá sinais que será a pedra do momento no sapato do presidente Lula. O assunto ganhou o Congresso Nacional, fazendo com que a oposição não perdesse a oportunidade de tentar transformar a polêmica em CPI. O chefe do gabinete de Segurança Institucional da Presidência da Reública, general Jorge Armando Félix, compareceu ao Senado e declarou que existem nos arquivos da Abin documentos que comprovam tal ligação. Lembrou ainda o general que os documentos, que vieram à tona na era FHC, foram arquivados no ano de 2002 por falta de informações complementares e principalmente para não comprometer o processo sucessório da época. O importante é lembrar que, com ou sem doação de vultuosas quantias para a campanha eleitoral de 2002, o assunto foi ressuscitado a mando de alguém, que certamente deve estar se beneficiando de forma oculta com a magnitude que a polêmica tomou nos últimos dias. É sabido e notório que, em tempos de crise, criar um novo escândalo é a melhor forma de sepultar um outro ainda maior.

Do ouro ao pó
Ainda o caso das Farc... É quase impossível desvincular a ligação entre o PT e as Farc, principalmente se voltarmos ao passado recente. Ontem, na Câmara, em uma das mesas da sala do café, os deputados Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) e Walter Barelli (PSDB-SP) conversaram sobre o assunto, separadamente, com o editor da coluna. Barelli, a exemplo do leitor gaúcho Paulo Ricardo Ballard, ressuscitou o episódio em que o então governador Olívio Dutra recebeu, com honras de chefe de Estado, um dos altos representantes das Farc. O narco-guerrilheiro teve direito a todos os salamaleques do governo do Rio Grande do Sul, só faltando os batedores oficiais para que a festa fosse completa. Mas o melhor da conversa coube ao deputado Hauly, que bem definiu a situação. A esquerda latino-americana já não vive às custas do ouro da extinta União Soviética, mas do pó da Colômbia.

Faturando na saída
Prestes a deixar o Ministério da Saúde, de onde sai chamuscado politicamente, Humberto Costa tem feito de tudo para capitalizar em seus últimos dias na Esplanada dos Ministérios. Depois de travar um verdadeiro enfretamento político com César Maia, onde a saúde pública serviu como cenário, Humberto Costa agora se volta às benesses que sua pasta pode conceder. O Ministério da Saúde, o mesmo que deixa milhões de brasileiros nas filas dos hospitais, publicou nota informando que os grupos responsáveis pelas Paradas do Orgulho GLBT (gay, lésbica, bissexual e transexual) têm até o próximo dia 30 de março para se cadastrar, caso queiram pleitear verba oficial para financiar o evento. É verdade que marca de pasta de dente e opção sexual não se discute em hipótese alguma, mas, em um país onde as pessoas morrem nas filas dos hospitais, financiar passeatas de tal naipe deve ser idéia de alguém que é eunuco de neurônio.

Muy amigo
Enquanto alisa com uma das mãos o governo Lula, com a outra o deputado Severino Cavalcanti bate duro e com vontade. O presidente da Câmara parece não levar em conta o fato do seu partido, o PP, integrar a base aliada do governo Lula e ter conseguido uma vaga na reforma ministerial, e parte com volúpia na direção do Palácio do Planalto, deixando o presidente sem saída. A CPI das Privatizações, que nasceu após mais um dos aterrorizantes discursos presidenciais, vai investigar a veracidade das denúncias do presidente Lula, que afirmou que abafou, no início de seu governo, a divulgação de casos de corrupção na era FHC. Para colocar mais lenha na fogueira, Severino Cavalcanti indicou o deputado Wladimir Costa (PMDB-PA) para o cargo de relator da CPI. Costa, conhecido na Câmara como um parlamentar sem papas na língua, já avisou que não hesitará em mandar para trás das grades os possíveis culpados. Como os tucanos estão muito tranqüilos em relação ao assunto, resta saber para quem irá sobrar. E mais: à época do escândalo patrocinado pela reportagem do The New York Times, Wladimir Costa apresentou requerimento para que fosse constatada a quantidade de álcool ingerida pelo presidente Lula. Em outras palavras, vem muita confusão pela frente.

Banco dos réus
A situação do governo Lula começa a se complicar a cada novo dia. Tremendamente desgastado, especialmente por conta de uma crise que os ocupantes do Palácio do Planalto tentam camuflar diuturnamente, o governo terá de enfrentar mais uma estocada oposicionista. O ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) deve comparecer à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, onde terá de explicar alguns imbróglios relacionados ao Banco Santos. Os senadores querem informações sobre recursos de entidades públicas e sobre as aplicações de diversos fundos de pensão de estatais na polêmica instituição financeira. É bom lembrar que no relatório da Polícia Federal sobre o caso da americana Kroll, o nome do banqueiro Edemar Cid Ferreira aparece em comentário do espião Tiago Verdial, como sendo o caixa 2 do Banco do Brasil.

Carteira recheada
Os deputados passam a receber, já no próximo pagamento, 25% de aumento na verba de gabinete. A decisão foi anunciada ontem, em meio a tantas confusões que tomaram conta da Casa Legislativa. Muitos parlamentares ficaram desconfortáveis com a nova situação, principalmente pelo fato de ser este um ano pré-eleitoral. Alguns já cogitam, inclusive, não utilizar a verba, devolvendo-a aos cofres públicos, deixando de repassar o respectivo aumento aos funcionários dos próprios gabinetes. O assunto foi um dos mais discutidos no café do plenário da Câmara, sendo que alguém lembrou que o presidente da Casa, Severino Cavalcanti (PP-PE), está sendo responsabilizado por uma proposta do seu antecessor, João Paulo Cunha (PT-SP). A Justiça, após estudar sobre o assunto, entendeu ser justo a majoração do orçamento dos gabinetes dos parlamentares. Por isso, meu caro leitor, prepare-se porque a conta é toda sua.

Ame-o ou deixe-o
Entre tantas polêmicas que protagonizou, escorregando, inclusive, em alguns de seus explosivos discursos – o caso do supositório foi um deles – o presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti, ainda ganha do presidente Lula no quesito preferência. Uma conhecida parlamentar disse, dia desses, que entre Lula e Severino prefere o deputado pernambucano, pois, besteiras por besteiras, o presidente da Câmara tem quarenta anos de experiência política. Até o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) já engrossa a fila dos fãs de Severino Cavalcanti. Em conversa com o editor da coluna, Gabeira declarou que em certos aspectos é melhor trabalhar com o Severino do que com o PT. O Severino joga e deixa jogar, completou o deputado fluminense.

Coisa de louco
Tramita silenciosamente no Supremo Tribunal Federal uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), proposta pela Federação Brasileira de Bancos para escapar da obrigação de se submeter ao Código de Defesa do Consumidor. Os banqueiros alegam que seguem um conjunto de normas do Banco Central, não estando, assim, obrigados a cumprir o que determina o CDC. O fato é que os bancos lucram cada vez mais, e o governo Lula, que poderia ser uma esperança de frear a ação escandalosa dos banqueiros, passou a ser um de seus mais ferrenhos aliados. Entre tantas barbaridades cometidas pelos bancos, a famigerada Taxa de Abertura de Crédito (TAC), normalmente cobrada em financiamentos de veículos, não apenas é ilegal, mas inconstitucional. Quem, por telefone, argüir algum integrante do Banco Central, terá como resposta que a cobrança da TAC é legal. No cara a cara não existe nenhum irresponsável capaz de afirmar o que diz por telefone. Apenas dizem que a cobrança é usual. E se cobrar o que é proibido é apenas usual, Fernandinho Beira-Mar não é um fora da lei, mas apenas alguém que se enveredou pelo usual tráfico de drogas.

Gosto amargo
A vitória de Rodrigo Garcia (PFL) na disputa pela presidência do Legislativo paulista provocou um momento de reflexão na política de São Paulo. Inicialmente, Geraldo Alckmin, que se arvora a enfrentar Lula em 2006, foi tremendamente irresponsável de viajar aos EUA em semana tão decisiva para seu futuro político, conhecendo muito bem as limitações do tucano Arnaldo Madeira, seu articulador político. Por outro lado, se Madeira teve, quando deputado federal, alguma avaliação positiva, é porque a maquina parlamentar o empurrava para frente. E se o governador paulista continuar fechando os olhos e os ouvidos para os políticos que quase diuturnamente batem às portas do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, seria bom que engavetasse seu projeto para 2006. Rodrigo Garcia, que já foi comparado a Severino Cavalcanti, por sua inesperada vitória, já é chamado em Brasília de Rodrigo Cheque-Cheque, em alusão ao xique-xique imposto ao presidente da Câmara. Há quem garanta que o governo Lula, diante da efusiva comemoração do ministro José Dirceu, tenha feito uma farra política em São Paulo com a ajuda da viúva.

Barril de pólvora
Há dias, esta coluna recomendou a uma reconhecida jornalista da área policial que voltasse suas atenções ao sistema prisional paulista, que estava prestes a se rebelar. Os argumentos apresentados foram simples e objetivos. As facções criminosas que dominam os estabelecimentos penais há muito não se manifestavam, o que deveria acontecer logo após o fim das rebeliões da Febem. Altamente explosivo, o segundo motivo repousa na área da Justiça. Existem mais de 200 mil mandatos de prisão para serem cumpridos, em São Paulo, e outros 3.500 novos mandatos são expedidos a cada mês. O número de estabelecimentos prisionais não cresce à medida que aumenta a criminalidade. A caótica situação eclodiu na rebelião do Centro de Detenção Provisória de Pinheiros – lá esteve, dias atrás, o juiz Rocha Mattos -, na capital paulista, onde os amotinados mantêm agentes penitenciários como reféns. Se o Estado, como um todo, não passar a investir imediata e responsavelmente na área social, oferecendo condições mínimas de sobrevivência ao cidadão, um dia todos serão criminosos. Até porque, essa é a única explicação para tamanha inoperância.

Prova dos nove
A greve dos perueiros, em São Paulo, que acabou no mesmo dia mas deixou vários ônibus incendiados, é uma resposta à ex-prefeita Marta Suplicy, que garante ter deixado nos cofres municipais uma enorme quantidade de dinheiro. Fosse verdade, a manifestação incendiária não teria acontecido. Agora, o Congresso se deu conta que a MP 237, aprovada no início do ano, foi uma manobra petista para salvar a então alcaidessa paulista das agruras da lei de Responsabilidade Fiscal. Depois de muito alardear seus feitos, Marta Suplicy, que ao continuar usando o sobrenome do ex-marido mancha a história do senador paulista, parece ter aderido ao silêncio obsequioso.

Bancando o inocente
O presidente americano George W. Bush pode indicar oficialmente, nas próximas horas, o novo diretor do Banco Mundial. Entidade máxima do setor financeiro global que decide a sorte de muitas nações em desenvolvimento, o Banco Mundial deverá comandado por Paul Wolfovitz, sub-secretário de Defesa dos EUA. Wolfovitz, assessor de Donald Rumsfeld e um dos falcões da administração Bush, foi um dos responsáveis pela invasão do Iraque. A indicação de Paul Wolfovitz mostra que a teoria americana continua idêntica à da década de 60, quando Robert McNamara, secretário de Defesa dos EUA entre 1961 e 1968, assumiu o Banco Mundial após invadir o Vietnã. Em outras palavras, a história mostra que os americanos são, além de nocivos, repetitivos.

Pau mandado
Quem pensa que a novela América é uma simples coincidência, engana-se. O drama assinado por Glória Perez só fatura no Ibope por conta das imagens, uma vez que o conteúdo nada mais é do que um folhetim barato que não faria sucesso nem mesmo no México, tida como a catedral das telenovelas. Tudo não passa de uma bem encomendada anestesia que os americanos querem, ao aplicá-la, agir no inconsciente coletivo do planeta e fixar uma imagem de nação poderosa, porém generosa. Essa história de sonho americano não emplaca em canto algum do universo, uma vez que muitos sabem que entre sonho e pesadelo existe uma infinda distância. Mais uma vez a Vênus Platinada se coloca a serviço do totalitarismo, o que certamente foi, como ainda é, a sua manjedoura predileta. Que o digam os militares da ditadura e democratas da esquerda festiva.

Estrebaria rouge
Pensando bem, se a popularidade de Lula cresce como rabo de cavalo, resta saber quem levará o coice.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

Em declarada campanha pelo governo de São Paulo, Marta Suplicy ainda não revelou que são seus financiadores. Por quê? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte brasileiro e internacional com o maior jornalista esportivo do País

Clique na lupa e confira os detalhes dos mais recentes e polêmicos escândalos que abalaram as estruturas políticas do país

Destaques

e-ditorial: "A Maria que nunca pede socorro" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "A política na bacia das almas" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Fundo Internacional de Cabides" - por Ralph J. Hofmann

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Muleta quebrada
Todas as vezes que partiu para o ataque, o PT sempre se apoiou nas opiniões emitidas pelos representantes da OAB. Desta vez, o atual presidente da instituição, Roberto Antonio Busato, defendeu a instalação da CPI dos Bingos ou até mesmo a do Waldomiro, além de dizer que o ministro José Dirceu deveria se afastar do governo até a completa comprovação de sua inocência. Isto é, se realmente inocente for. E agora, presidente? (17/03/04)

Boca Maldita

Na página Boca Maldita você encontra a pizza meia Zé Dirceu - meia Waldomiro, em versão para impressão; a lista dos senadores e deputados que votaram contra o salário-mínimo de R$ 275; além de detalhes da agenda de Waldomiro Diniz e o primeiro depoimento do juiz João Carlos da Rocha Mattos.

Dica do Ucho

Paris recebe as Áfricas do Brasil - Exposição de 50 fotografias de Catherine Krulik no Centro Cultural Clichy-sous-Bois apresenta nossas festas, nossos rituais e tradição. Somente na programação oficial do Ano do Brasil na França, Krulik tem destaque em três grandes mostras diferentes, com trabalhos que mostram sua habilidade e arte com as imagens. Além dessa, já está com 94 painéis gigantes no Futuroscope e agora, na segunda quinzena de março, dia 17, na prestigiada área arquitetônica Cité de la Musique.

“Brasil, o país dos Carnavais”

(www.krulik.com.br/futuroscope)

“Les Afriques du Brésil”

(www.krulik.com.br/clichy)

“Cité de la Musique”

(www.krulik.com.br/cite)

Editora Senac São Paulo

A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week – e diante de uma platéia de 1.200 pessoas, o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br

 

 

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