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uh comunicação ilimitada

ano 4 - número 836 - sexta-feira, 11 de março de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

O único tirano que aceito neste mundo é a pequena voz silenciosa que há dentro de mim.

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Pega na mentira
Ao discursar na abertura da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, quando uma enxurrada de suas conhecidas gafes gramaticais atentou contra os ouvidos dos presentes, o presidente Lula pediu aos ministros que não exagerem nos gastos, especialmente em ano pré-eleitoral. Lula, que tenta passar à opinião pública uma imagem de bom moço, age de forma diferente nos bastidores. A ordem é gastar o que for necessário até 2006, para ludibriar o eleitor. Aprovado pelo ministro e dublê de samurai Luiz Gushiken, o governo estréia, na próxima semana, uma série de comerciais voltados à mulher brasileira, mesmo depois da gafe presidencial no Dia Internacional da Mulher.

Enganando geral
A coluna teve acesso ao texto dos filmes publicitários da campanha Mudando o Brasil, a ser exibida em rede nacional, onde é possível perceber que, a exemplo da campanha presidencial, a farsa faz parte do cardápio petista. Em determinado ponto do texto, o redator assinala com ênfase a necessidade de emoção no depoimento. E as mulheres que aparecerão no filme, já foram previamente classificadas por raça, cor da pele, e status profissional. Só para mostrar ao Brasil que o governo Lula agrada a todas. Clique e confira o texto que será utilizado nas gravações.

Batata quente
A queda de braços entre o governo federal e a prefeitura do Rio de Janeiro, que há meses trocavam farpas por conta do caos nos hospitais municipais da Cidade Maravilhosa, acabou de forma eminentemente política. César Maia, prefeito do Rio, reclamava da falta de repasse de verbas federais e já vinha ameaçando devolver os hospitais ao governo Lula. Ontem, depois de um encontro com o ministro Humberto Costa (Saúde), o presidente Lula decidiu pela intervenção em seis hospitais públicos do Rio de Janeiro, sob a alegação de calamidade pública no setor. Transferindo a responsabilidade pelos hospitais ao governo fluminense, Lula acabou colocando duas pedras no caminho de César Maia. A sua própria reeleição e a quase inevitável candidatura de Anthony Garotinho ao Palácio do Planalto, em 2006. E se alguém ficou comovido com a atitude do governo Lula , de repentinamente salvar os hospitais cariocas, não se iluda. Toda a encenação foi minuciosamente planejada. Não fosse verdade, o ministro José Dirceu não teria aparecido, diante de um batalhão de jornalistas e cinegrafistas, ao lado do interventor indicado pelo Planalto.

Jogo de cena
Intervir nos hospitais públicos cariocas foi uma forma que o presidente Lula encontrou para dar um certo ar de competência ao ministro Humberto Costa, antes de sua defenestração da pasta, o que poderá lhe render dividendos políticos em sua candidatura ao governo de Pernambuco. É preciso lembrar que o clima no Ministério da Saúde não é dos melhores, principalmente entre os técnicos e funcionários de carreira, inconformados com os desmandos da atual gestão. E-mail enviado por um leitor, cujo nome preservamos por questões de segurança, dá conta que o orçamento sob a responsabilidade de Humberto Costa beira a fortuna de R$ 35 bilhões anuais, situação que exige do ministro e de seus assessores um rígido controle no repasse de verbas, impedindo a prática de qualquer tipo de pacto com secretarias estaduais ou municipais de Saúde. Informa ainda o leitor que o Ministério da Saúde se transformou em uma ilha da fantasia em plena Esplanada, onde acontecem todos os tipos de invencionices marqueteiras como sexo seguro, educação alimentar, entre outras, sendo que os famosos funcionários (sic) do aparelhamento petista só fazem viajar.

Pedra no sapato
Ao que parece, a oposição não desistirá tão cedo de alfinetar o presidente Lula. Será apresentado nos próximos dias um requerimento cobrando detalhes sobre o fatídico passeio que o filho do presidente Lula e seus amigos irresponsáveis fizeram no lago Paranoá, a bordo de uma lancha da Marinha. O Planalto terá de informar quanto o contribuinte pagou somente em combustível. De chofre, o tema parece não levar a nada, mas é importante mostrar ao governo Lula que, a exemplo do que os petistas faziam quando estavam na oposição, nem tudo pode terminar em pizza, principalmente quando o Palácio do Planalto determina.

Liberou geral
Luiz Inácio Lula da Silva comete o crime de prevaricação ao encobrir casos de corrupção na era FHC, confirma o fato em púbico, mas a Justiça o livra dos respectivos imbróglios alegando que não foi bem aquilo que o presidente quis dizer. Ontem, o Tribunal Regional Eleitoral acabou entendendo que Lula não era candidato a qualquer cargo eletivo quando pediu voto para Marta Suplicy, em São Paulo, e muito menos usou a máquina do governo para tal. Ou seja, se a Justiça é realmente cega ninguém sabe, mas aquela famosa venda que ostenta sobre os olhos, só baixa para uma piscadela ao interessado.

Barata tonta
Encurralado entre decisões judiciais e investigações policiais, o mais polêmico banqueiro brasileiro, o Senhor Opportunidade, tem feito do pânico e do desespero o seu diuturno cardápio. Sem saber o que fazer, o banqueiro opportunista tem tirado da gaveta seus contatos políticos atuais e do passado, na tentativa de encontrar uma saída derradeira. Como os amigos de outrora hoje guardam suas respectivas fortunas em outros bancos, já não lhe dão bola. Os atuais, por o conhecerem bem, o tratam com desdém. Ontem, o banqueiro disparou seus soteropolitanos salamaleques na direção de Brasília, mais precisamente entre alguns edifícios da Esplanada dos Ministérios e o Palácio do Planalto. Tudo em vão.

Mãos ao alto
Na noite da última quinta-feira, quando a votação da PEC Paralela tomava conta do plenário da Câmara, uma atitude inusitada, pelo menos naquele recinto, levou muitos parlamentares da oposição ao delírio. Freqüentador ilustre das hostes petistas, um cidadão cedeu ao lobby presente na Casa e tentou, sem nenhum constrangimento, cobrar aquele famoso pedágio para favorecer um segmento da sociedade na citada votação. O assunto correu pelas galerias da Câmara como rastilho de pólvora, obrigando o líder de um partido a solicitar a palavra para, mesmo extremamente nervoso, tentar contornar a situação. Longe das lentes das câmeras, o assunto virou galhofa. Muitos afirmavam, com certa dose de jocosidade, que para ser um anão (do orçamento) Luizinho precisava só de alguns centímetros a mais.

Caras-de-pau
Quem freqüenta o corrido cotidiano do parlamento brasileiro nem sempre encontra tempo para contemplar certos detalhes do cenário. Como se fosse algo extremamente normal, a Câmara dos Deputados exibe, em determinado local, uma vistosa máquina de venda de refrigerantes, alegria daqueles que sofrem com o calor e a baixa umidade da capital federal. Tudo passaria despercebido se a máquina não ostentasse, o logotipo da Coca-Cola. A gigante dos refrigerantes é alvo de uma tumultuada investigação na Casa, e o presidente Severino Cavalcanti há de concordar que não fica bem tão incestuoso convívio. Isso sem contar que a máquina está sendo alimentada com energia elétrica paga pelo contribuinte.

Tudo combinado
O caso do marqueteiro contraventor Duda Mendonça acaba de ganhar mais um indigesto capítulo. O inquérito policial 133/2004, que tramita na Polícia Federal do Rio de Janeiro e que deveria investigar a máfia dos rinheiros em todo o país, pode acabar sendo remetido para uma outra instância policial. Influentes na cúpula da corporação, alguns graduados policiais já pensam em transferir o imbróglio para a Polícia Civil do Rio de Janeiro. De tal feita, a investigação ficará a cargo da mesma Polícia Civil que os durante dezessete anos do Clube Prive Cinco Estrelas – local onde Duda Mendonça foi preso – jamais suspeitou do que se passava no interior do recinto. E mais: a mesma polícia tem integrantes famosos e quase nada suspeitos. O vereador Jorge Luiz Hauat, o Jorge Babú, é inspetor da Polícia Civil fluminense e filho do delegado de polícia aposentado, Jorge Hauat.

Que vergonha!
Ainda o caso das rinhas... Mas a polícia do Rio, não sabendo o que fazer, poderá contar com os préstimos do delegado aposentado Sivuca, deputado estadual que costumeiramente se elege sob a égide do slogan bandido bom é bandido morto. De quebra, Sivuca foi autor da Lei Estadual 2.895 (20/03/98), sancionada pelo então governador Marcelo Alencar, que regularizava (sic) as rinhas de galo no Rio de Janeiro. A lei foi suspensa pelo STJ, após Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) proposta pelo procurador geral da República e relatada pelo ministro Carlos Velloso (STJ). Assim, resta concluir que nem só os coitados dos galos são bons de bico e de briga.

Pé no freio
O Tribunal de Contas da União decidiu investigar a farra das pensões e indenizações milionárias, pagas a supostas vítimas da ditadura militar. A maior pensão, até agora, coube ao jornalista Carlos Heitor Cony (R$ 21 mil), enquanto o maior favorecido no campo das indenizações é Sérgio da Silva Del Nero, com R$ 3,4 milhões. A lei de anistia vem sendo aplicada de maneira inconstitucional, sendo que as indenizações são distribuídas a pessoas que nem de longe sofreram qualquer tipo de prejuízo nos plúmbeos anos brasileiros. E se a decisão for pela suspensão dos pagamentos, resta saber quem será o corajoso que vai comunicar o fato ao Presidente da República. Afinal, o senhor Luiz Inácio Lula da Silva é um dos anistiados.

Muito à vontade
A nova moda em Fortaleza emerge do mundo do terrorismo amador. Criminosos fazem ligações a cobrar para a casa de uma vítima pré-selecionada, informando que um membro da família está seqüestrado e no porta-malas do carro. Daí em diante iniciam a chantagem, cobrando insistentemente o pagamento de resgate. E a polícia local até agora, nada.

Lamba se for capaz
O serviço postal britânico lançou, ontem, um selo comemorativo ao casamento do príncipe Charles com sua eterna namorada, Camilla Parker Bowles. Mesmo tendo agradado parte dos ingleses, a novidade mostra que os castelos britânicos têm em suas estruturas um falacioso componente que camufla o avançado estado de putrefação da realeza. A rainha Elizabeth, em defesa das tradições monárquicas, se recusou categoricamente a participar da cerimônia do casamento de Charles e Camilla, para, dias mais tarde, rever sua decisão. O pior será lamber o selo antes de aplicá-lo sobre uma correspondência qualquer, pois no verso terá a imagem de uma bruxa que tomou o lugar de uma princesa e um príncipe de saias que tem vocação para absorvente íntimo. Enfim, se a coragem for grande...

Jogo do bicho
Pensando bem, se César Maia ficasse, o bicho comeria. Se Lula corresse, o bicho pegaria. Acharam melhor ver a Garotinha abraçar o mico.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

Rogério Buratti, ex-assessor de Palocci e parceiro de truque de Waldomiro Diniz, desapareceu. Por quê? Afinal perguntar não ofende...

O melhor do esporte brasileiro e internacional com o maior jornalista esportivo do País

Clique na lupa e confira os detalhes dos mais recentes e polêmicos escândalos que abalaram as estruturas políticas do país

Destaques

e-ditorial: "A Maria que nunca pede socorro" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "A política na bacia das almas" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Fundo Internacional de Cabides" - por Ralph J. Hofmann

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Barbaridade oficial
Definitivamente, os integrantes do Palácio do Planalto não se envergonham diante das barbaridades que cometem. No período de 1º de julho a 1º de outubro de 2003, o presidente Lula contou com os serviços da Fundação Getúlio Vargas para auxiliá-lo na condução do país. Com um valor estipulado em R$ 80 mil, pagos em quatro parcelas, o objeto do contrato era, para surpresa de muitos, hilário: Assessoramento na elaboração de uma metodologia para a produção de consensos. Neste caso, qualquer comentário seria alvo de censura. (11/03/04)

Boca Maldita

Na página Boca Maldita você encontra a pizza meia Zé Dirceu - meia Waldomiro, em versão para impressão; a lista dos senadores e deputados que votaram contra o salário-mínimo de R$ 275; além de detalhes da agenda de Waldomiro Diniz e o primeiro depoimento do juiz João Carlos da Rocha Mattos.

Dica do Ucho

Opiniões da Hora – Compilação de opiniões sobre esporte dadas pelo jornalista Wanderley Nogueira, nos últimos anos, o livro Opiniões da Hora, que reproduz textos do autor publicados em jornais e portais da Internet, é uma excelente oportunidade para que quer ter a oportunidade de viajar no tempo e checar o rumo dos acontecimentos. Para adquirir o livro Opiniões da Hora (R$ 25 – frete incluso) basta entrar em contato pelo telefone (11) 6681-6777 ou pelo e-mail jppique@terra.com.br

Editora Senac São Paulo

A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week – e diante de uma platéia de 1.200 pessoas, o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br

 

 

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