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uh comunicação ilimitada

ano 4 - número 835 - quinta-feira, 10 de março de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

A confiança perdida é difícil de recuperar. Ela não cresce como as unhas.

Johannes Brahms

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Vexame oficial
Um dia depois de se dirigir às mulheres, pedindo que não fossem desaforadas a ponto de almejarem a Presidência da República, o presidente Lula viajou ao Rio de Janeiro, onde participou da cerimônia de batismo do submarino Tikuna. Acompanhado da primeira-dama, Lula preferiu não tropeçar, uma vez mais, em sua desastrada verborragia, transferindo a responsabilidade pela leitura de seu discurso a um oficial da Marinha. Para que a vergonhosa situação não alcançasse proporções incontroláveis, a assessoria presidencial tratou de informar, antecipadamente, que é praxe, em eventos do gênero, que apenas o mestre-de-cerimônias discurse. Diante do fiasco, o presidente Lula poderia aproveitar a reforma ministerial e criar a Secretaria Nacional da Piada.

Balcão de negócios
A tão esperada reforma ministerial, que deveria ser anunciada nos próximos dias, deve mesmo demorar a acontecer. Percebendo que suas chances de reeleição, em 2006, começam a diminuir diariamente, o presidente decidiu amarrar o PMDB ao seu lado. Em um encontro no Palácio do Planalto, no final da tarde de ontem, o presidente Lula, jogando para o alto o que sempre disse sobre fisiologismo político e outras coisas mais, acenou para o PMDB com a possibilidade de mais uma vaga na Esplanada dos Ministérios. O interlocutor, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), pediu um prazo para tentar convencer nacionalmente o partido a apoiá-lo em seu projeto de reeleição. Enquanto isso, o Brasil continua parado à espera de soluções.

Camisa de força
A incompetência do governo Lula só perde em tamanho para a desfaçatez de seus integrantes. Ao participar, na última terça-feira, de reunião do Conselho Nacional da Saúde, o ministro Humberto Costa disse estar dentro da normalidade os casos de morte que correram entre crianças indígenas. Para mostrar sua irresponsável insensibilidade, ou vice-versa, Costa declarou que não está se caracterizando uma mortandade maior do que nos anos anteriores. E se Humberto Costa nada fez à frente do Ministério da Saúde, muito menos terá a fazer quando deixar a Esplanada nos próximos dias.

Trem da alegria
Indignado com a inoperância do ministro Humberto Costa, o senador José Agripino Maia (PFL-RN) trouxe a público dados do Sistema Integrado de Administração Financeira – Siafi, que mostram que o governo Lula não está nem um pouco preocupado com os pobres índios brasileiros. A Fundação Nacional da Saúde gastou, em 2004, R$ 5,4 milhões em passagens e R$ 1,6 milhões em remédios para os índios. A se lamentar, além das mortes das crianças indígenas, só o fato do presidente Lula, quando ainda o populismo barato dava resultados, ter usado um cocar em uma solenidade qualquer. Principalmente porque os índios brasileiros não mereciam tamanho achincalhe.

Baderna autorizada
Ontem, em Maceió, integrantes do MST invadiram a sede local do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra, para, momentos depois, atearem fogo a uma camionete do órgão. Circulando há dias pela capital alagoana carregando pedaços de pau, pedras e foices, o que caracteriza uma atitude tipicamente intimidatória, os integrantes exigem a demissão do diretor regional do Incra. Na seqüência, os sem-terra invadiram um armazém da Companhia Nacional de Abastecimento, de onde levaram duas toneladas de alimentos. Com o recente corte de R$ 16 bilhões no orçamento federal, o governo certamente não dará seguimento à prometida política de assentamento agrário, fechando os olhos para a escandalosa onda de invasões e roubo de mercadorias, situações que ferem de maneira inadmissível a legislação. Os ocupantes do Palácio do Planalto precisam vir a público e explicar a diferença que existe entre um sem-terra que saqueia um armazém e um trabalhador faminto que entra em um supermercado e rouba um pão para matar a fome.

Endosso palaciano
Contemplar passivamente os desmandos protagonizados pelo MST, como se nada de anormal acontecesse, é passar recibo de que a camarilha vermelha não apenas veio para ficar, mas para cubanizar o país. Coincidência ou não, na página eletrônica de um espertalhão que comercializa glebas no Pará, região de verdadeiras guerras agrárias, existe, em determinada seção, a seguinte pergunta: O presidente do Brasil é um marxista? Como o site é dirigido especificamente para estrangeiros, a resposta, em inglês, é ainda não. Assim, retomando o assunto das invasões, se a solução para a maioria dos problemas é partir para a violência, como prega o MST, melhor seria se o presidente Lula embarcasse em seu milionário avião, indo para bem longe, enquanto as pessoas ainda cumprem algumas de suas ordens.

Psiu, silêncio!
A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara deverá aprovar nos próximos dias requerimento para a realização de audiência pública, ocasião em que serão ouvidos alguns dos acusados de fraude e desvio de dinheiro no Conselho Federal de Enfermagem – Cofen. Segundo o Ministério Público Federal, todos os presos estão sendo acusados de peculato (desvio de valores públicos) e formação de quadrilha. Além desses crimes, o presidente do Cofen, Gilberto Linhares Teixeira, é suspeito de fraudar licitação, escuta clandestina, lavagem de dinheiro, advocacia administrativa, falsidade ideológica e possível envolvimento em assassinato. Quando, há anos, denunciou o suposto esquema, Maria Goretti David Lopes, ex-presidente da Associação Brasileira de Enfermagem, não só foi perseguida, como processada na esfera federal da Justiça, sendo que o processo, para complicar sua vida, tramitou no Ceará. Tempos atrás, o outrora parlamentar e hoje ministro Ricardo Berzoini disse que a criação de conselhos de classe só serviria para fomentar a corrupção. Resta saber o que o profeta Berzonini pensa a respeito dos companheiros que promoveram o truque.

Mínimos detalhes
Foi aprovado ontem, na Câmara, requerimento do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) solicitando a realização de audiência pública para ouvir o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência – Abin, Mauro Marcelo de Lima e Silva. Gabeira espera que Mauro Marcelo consiga explicar sua recente viagem a Cuba, que, segundo nota do Palácio do Planalto, serviu para treinar e atualizar os integrantes da inteligência brasileira. Ciente de que o bombardeio de perguntas será inevitável, o diretor da Abin já se prepara para o interrogatório parlamentar, sem desconfiar do que pode vir pela frente.

Agora foi
Enquanto o Citibank decidia afastá-lo da gestão de seus investimentos no Brasil, o mais polêmico banqueiro tupiniquim, o Senhor Opportunidade - exige ser chamado de empresário – tentava, a todo custo, encontrar uma saída para a situação de desespero que tomou conta de seu staff nas primeiras horas da manhã de ontem. Na esperança de frear a avalanche que se movimenta continuamente em sua direção – parece estar bem próxima – o banqueiro opportunista revirou o baú de maldades, de lá sacando os nomes daqueles que supostamente poderiam lhe ajudar em hora tão difícil. Logo cedo, saiu pelo mundo com documentos sob o braço e uma chantagem na carteira. Tudo para não contemplar, geometricamente diferente, o sol da manhã.

Dois pesos
Milenarmente conhecida, a cegueira imposta à Justiça serve para exemplificar sua imparcialidade. Porém, certos casos, como se viessem acompanhados de messiânicas mãos, fazem com a tal cegueira desapareça em um piscar de olhos. A rapidez com que foi julgado o habeas corpus em favor do marqueteiro contraventor, Duda Mendonça, chegou a causar espanto, principalmente se for considerada a gravidade do caso. No contraponto, a mesma Justiça fluminense marca passo para julgar um agravo de instrumento, que restabeleceria ao editor da coluna o direito de citar o nome do banqueiro opportunista. E como democracia e liberdade de expressão não proporcionam dividendos à Justiça, o melhor é fingir que a cegueira é total.

Pânico geral
Aprovado pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, por unanimidade, o relatório final sobre o caso do deputado André Luiz (RJ) acabou provocando dissabores na tarde de ontem. Autor do relatório, que recomenda a cassação do mandato de André Luiz, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) anexou, ao documento, todas as notícias publicadas na imprensa sobre o envolvimento de Waldomiro Diniz e o ministro José Dirceu. Quando, já aprovado, o documento chegou às mãos dos petistas que participaram da investigação, foi como se uma bomba tivesse caído no Congresso. E Fruet, com a sua conhecida calma, alegou que como o assunto ficará registrado para a posteridade, deveria estar absolutamente completo. E assim ficou.

Rota de colisão
Pelo segundo dia consecutivo, o deputado Luiz Antonio de Medeiros (PL-SP), responsável pela CPI que culminou com a prisão do contrabandista e falsificador Law Kim Chong, ocupou a tribuna da Câmara para protestar contra a possível decisão do STF, que deve conceder liberdade ao empresário chinês. O tom do discurso causou um mal estar entre o legislativo e o STF, mas o parlamentar tem a seu favor uma carta de apoio do Congresso americano, na qual senadores e deputados ianques classificam como heróica a atuação de Medeiros em prol do combate à pirataria. Essa é uma história que renderá novos e complicados capítulos, a começar pela morte de um segurança de Medeiros, meses atrás.

Rainha do botox
Em ritmo de campanha, a ex-prefeita Marta Suplicy voltou ao Brasil coma metralhadora giratória em punho. Logo ao desembarcar, Marta disse que Serra deve parar de reclamar e fazer alguma coisa concreta. Não se trata de poupar um e atacar outro, até porque ambos são aquele fino e alvo pó que resulta da moagem do trigo, acondicionado na mesma embalagem, mas Marta Suplicy deveria, antes de falar alguma coisa, visitar as aberrações da engenharia que inaugurou às pressas e que consumiu verdadeiras fortunas dos cofres paulistanos. As obras, que muitos insistem em chamar de túneis, vez por outra alagam, transformando o trânsito em um verdadeiro caos. Os túneis, que nos dicionários aparecem como sendo passagens subterrâneas, só serviram para que o dinheiro passasse de um lado para o outro, sem que ninguém visse. Só mesmo quem vive em São Paulo para entender.

Sem pudor
Não bastassem as torrenciais denúncias que caem sobre seus controladores ou alto executivos, a Brasil Telecom e a Coca-Cola parecem estar unidas, pelo menos no âmbito das empresas que contratam. Uma conhecida agência de promoção, que atende as duas empresas, parece ter incorporado o espírito do jogo que os contratados adotam nos bastidores. Para forçar alguns funcionários à demissão voluntária e escapar de algumas obrigações salariais, a agência adotou a técnica do assédio moral, para não dizer terrorismo barato. A coluna tem recebido e-mails de ex-funcionários da agência, que, vivendo agruras financeiras, não sabem mais o que fazer para receber o que têm direito. E a agência deve agir assim porque levou a sério os slogans das campanhas publicitárias das contratantes: Pula-Pula e Emoção pra Valer.

Sem dedo, sem alma
Pensando bem, se depender do presidente Lula, ir ao velório é o mais novo programa de índio.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

Nos últimos vinte e seis meses, o Secretário Nacional da Pesca, ministro José Fritsch, só pescou o próprio salário. Por quê? Afinal perguntar não ofende...

O melhor do esporte brasileiro e internacional com o maior jornalista esportivo do País

Clique na lupa e confira os detalhes dos mais recentes e polêmicos escândalos que abalaram as estruturas políticas do país

Destaques

e-ditorial: "A Maria que nunca pede socorro" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "A política na bacia das almas" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Fundo Internacional de Cabides" - por Ralph J. Hofmann

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Impressão de primeira
Dando continuidade à intenção do presidente Lula de causar uma boa impressão, o gabinete presidencial vai novamente às compras. Desta vez, o processo de licitação número 00140.000728/2003-98 vai respaldar a aquisição de 450 cartuchos de tinta para impressoras. Um gasto aproximado de R$ 54 mil para um desempenho que mais parece um rascunho. (10/03/04)

Boca Maldita

Na página Boca Maldita você encontra a pizza meia Zé Dirceu - meia Waldomiro, em versão para impressão; a lista dos senadores e deputados que votaram contra o salário-mínimo de R$ 275; além de detalhes da agenda de Waldomiro Diniz e o primeiro depoimento do juiz João Carlos da Rocha Mattos.

Dica do Ucho

Opiniões da Hora – Compilação de opiniões sobre esporte dadas pelo jornalista Wanderley Nogueira, nos últimos anos, o livro Opiniões da Hora, que reproduz textos do autor publicados em jornais e portais da Internet, é uma excelente oportunidade para que quer ter a oportunidade de viajar no tempo e checar o rumo dos acontecimentos. Para adquirir o livro Opiniões da Hora (R$ 25 – frete incluso) basta entrar em contato pelo telefone (11) 6681-6777 ou pelo e-mail jppique@terra.com.br

Editora Senac São Paulo

A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week – e diante de uma platéia de 1.200 pessoas, o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br

 

 

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