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ano 4 - número 832 - segunda-feira, 07 de março de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

Cada vez que fazemos alarde de algo, ganhamos um inimigo. É preciso manter-se medíocre para ser popular.

Oscar Wilde

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Alcoviteiros de Gutenberg
Reflexo das inúmeras denúncias aqui formuladas, as quais, como sempre, buscam resgatar a dignidade do povo brasileiro e passar o país a limpo, o editor da coluna foi, novamente, alvo de uma caterva que de maneira quase contumaz o ataca em nome de terceiros, sem revelar a identidade do verdadeiro mandante. Como paladinos da moralidade, agem de forma escusa e sorrateira, utilizando um reles “troca letras” – aqui fica o pedido de licença ao novelista Aguinaldo Silva – como arma principal da ação difamatória. Como, oscilando entre ameaças terroristas a familiares, depredação de um modesto patrimônio e sabotagem em veículo, as investidas anteriores não surtiram o efeito esperado, o mandante agora se vale de pessoas irresponsáveis para tentar me calar. E se falta de sorte é o estrito significado de azar, resta invocar o adágio popular que diz que ninguém chuta cachorro morto. Clique e leia a íntegra da resposta do editor.

No mundo da lua
Entre os inúmeros disparates que emanam do Palácio do Planalto, está a tão propalada inclusão digital. Antes de se valer de um populismo barato para, mais uma vez, ludibriar a opinião pública, o governo Lula deveria promover, imediatamente, uma auto-inclusão digital. Em muitas das páginas eletrônicas dos principais e mais importantes ministérios, as informações sobre as ações do governo Lula não são atualizadas há mais de uma semana. Assim, resta concluir que alguém não está fazendo o que deveria ou o governo anuncia o que não faz.

Passe de mágica
Se a ida do ministro José Dirceu a Washington causou uma certa dose de estranheza nos bastidores esquerdistas, por outro lado pode ter proporcionado aquelas famosas coincidências que até mesmo o Criador duvida. Depois de discutir com a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, a retomada da Alca e o futuro da Organização das Nações Unidas, José Dirceu assistiu, mesmo ainda estando na capital ianque, o inusitado acontecer. O procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, chegado recentemente das Ilhas Cayman, pediu a federalização do caso da missionária ianque Dorothy Stang. Ou seja, tudo vai acabar na medida exata da necessidade do PT palaciano.

Por água abaixo
Nos últimos dias, o Palácio do Planalto teve motivos de sobra para comemorar a queda da inflação na capital paulista, mas, daqui por diante, será obrigado a administrar as estocadas advindas da administração tucana de José Serra. Deixando para trás, como sempre, os discursos palanqueiros, Serra aprovou, com uma simples canetada, o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo, o que irá comprometer os índices de inflação futuros. Considerando-se que todos são farináceos da mesma embalagem, sábio foi aquele que não votou em Marta Suplicy e louco foi o que acreditou em José Serra. Enfim, o que o Brasil mais precisa é uma reforma da política, muito antes de uma simples reforma política.

Batendo duro
Deixando claro que a oposição ao governo Lula será o mote dos próximos meses, o PPS ocupou o horário político para trazer ao telespectador os depoimentos dos expoentes do partido. De Roberto Freire (PE), presidente nacional do partido, à deputada federal Denise Frossard (RJ), a juíza que enjaulou os bicheiros cariocas, o discurso foi pasteurizado e arrasador, principalmente quando o marqueteiro do PPS decidiu deitar e rolar no slogan Brasil, um país de todos, criado por Duda Mendonça para o governo federal. E todos do PPS, sem exceção, encerraram o programa político repetindo: Um país só é de todos quando é para todos. Resumindo, na opinião de muitos, o Brasil de Lula é para poucos.

Fim do sufoco
Tão logo seja sacramentado o acordo entre o governo federal e as companhias aéreas, capitaneado pelo presidente do STJ, ministro Edson Vidigal, a Varig pode se considerar praticamente salva das agruras financeiras que ameaçavam sua existência. O grupo português Pestana, que já se faz presente no Brasil com uma rede de hotéis de mesmo nome, deve mesmo ficar com 55% da maior companhia aérea brasileira. A Fundação Rubem Berta ficará com 20% do capital da empresa, enquanto o restante será dividido entre a Boeing e a General Eletric, que encabeçam a lista de credores da Varig. Em outras palavras, cinco séculos depois, nossos patrícios retornam ao Brasil com parte daquilo que levaram em 1500.

Alça de mira
Na sexta-feira, o Ministério Público de São Paulo ofereceu denúncia contra os empresários Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra” – acusado de ser o mandante do assassinato do prefeito Celso Daniel, Klinger de Oliveira e Ronan Maria Pinto por concussão, formação de quadrilha e crime contra a ordem tributária e relações de consumo. O juiz da 1ª Vara Criminal de Santo André, Iassin Issa Ahmed, aceitou a denúncia e abriu processo correspondente. “Sombra”, Klinger e Ronan responderão às acusações na Justiça juntamente com outras três pessoas, mas parece existir uma discrepância na acusação. Concussão, pelo menos no âmbito do artigo 316 do Código Penal, é crime praticado por funcionário publico no exercício da função. Até onde se tem conhecimento, Klinger de Oliveira foi secretário de Negócios de Santo André na gestão de Celso Daniel, o que permite ao MP oferecer denúncia contra todos, mesmo que apenas um dos acusados tenha ocupado cargo público.

O outro lado
Em nota de esclarecimento enviada à coluna, o empresário Ronan Maria Pinto se defende das acusações de fazer parte de um esquema de corrupção em Santo André, alegando total inocência. Vou enfrentar mais esse desenrolar processual com a mesma serenidade de sempre, pronto a comparecer e a fornecer todas as informações solicitadas, como venho fazendo habitualmente, afirmou o empresário. Não tenho o que temer, quero apenas ver esses assuntos resolvidos de uma vez por todas. São de tal despropósito e descabidas essas acusações que buscam me envolver que, quanto mais profundas forem as análises judiciais, melhor. Será demonstrada minha inocência e comprovado o erro e a motivação real das denúncias que foram feitas inicialmente, informa a nota assinada por Ronan Maria Pinto.

Melhor assim
A Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores, que esteve reunida na última sexta-feira, em São Paulo, discutiu entre tantos assuntos, a punição que seria aplicada ao deputado Virgílio Guimarães (PT-MG), por ter insistido em sua candidatura avulsa à presidência da Câmara. Acusado de ser um dos responsáveis pela derrota do companheiro Luiz Eduardo Greenhalgh, Virgílio teria de enfrentar um afastamento de dezoito meses das atividades políticas do partido, o que lhe impediria de disputar qualquer cargo nas eleições de 2006. Para não potencializar ainda mais o inferno astral político que vive atualmente, o PT decidiu maneirar e suspendeu o parlamentar mineiro por apenas um ano.

Tudo combinado
A indicação do deputado Alberto Goldman (SP) para a liderança do PSDB na Câmara teve negociações de bastidores que não vieram a público. A deputada Zulaiê Cobra Ribeiro (SP) negociou uma troca de apoios, que culminou com a vitória de Goldman. Zulaiê propôs apoiar o companheiro tucano, desde que pudesse contar com seu apoio em 2006. Zulaiê Cobra será candidata ao Senado pelo PSDB. Em outras palavras, na política, assim como na ornitologia, os tucanos continuam bons de bico.

Beco sem saída
Aumentam, a cada dia, as chances de criação e instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as estripulias do banqueiro Edemar Cid Ferreira, dono do Banco Santos. Desde a intervenção do Banco Central na instituição financeira, nada de tão expressivo aconteceu, a não ser uma decisão da Justiça de bloquear bens móveis e imóveis do banqueiro e dublê de mecenas. Os fundos de pensão, que inexplicavelmente investiram verdadeiras fortunas no Banco Santos, podem passar de vítimas a réus em um mero piscar de olhos. Ou revelam o imbróglio que muitas autoridades tentam esconder ou farão parte do mesmo bolo do banqueiro.

No lugar errado
Há dias, o veículo oficial do governador do Paraná, um Omega importado, estava estacionado próximo ao teatro Guairá, em Curitiba. O fato é que o carro de Roberto Requião estava parado bem em frente ao teatro da Caixa (Caixa Econômica Federal), onde acontece a temporada curitibana da peça teatral O Bicho Corre Hoje. A faceta hilária da situação é que Requião, em suas campanhas políticas, prometeu combater os bicheiros e os bingueiros. Hoje, quem circula pelo belo estado do Paraná não demora a perceber que o jogo do bicho e os bingos funcionam à luz do dia.

Deu a louca
Ainda a peça... Chega a ser inacreditável que uma peça teatral cujo nome faz alusões ao jogo, seja patrocinada pela Caixa Econômica Federal, que integra o primeiro escalão do governo Lula. Vale lembrar que a mesma Caixa foi cenário das negociatas de Waldomiro Diniz, ex-assessor do ministro José Dirceu, afastado do governo depois que suas investidas contra o empresário da zooteca, Carlinhos Cachoeira, pôs a boca no mundo. Resumindo, depois da mitomania, a desfaçatez é a principal integrante do governo Lula.

Às avessas
A nova novela da Vênus Platinada, América, que estréia hoje, está cercada de mazelas e maus exemplos. Não bastasse a insana obsessão por rodeios que será exibida na telinha, a emissora carioca tenta, de maneira silenciosa, reconquistar o público hispânico das Américas. Por outro lado, ao trazer o sonho dourado que está literalmente embutido no pensamento daqueles que planejam viver nos EUA, a Vênus Platinada certamente deixará de exibir os constantes pesadelos que marcam o cotidiano dos forasteiros que desembarcam, legal ou ilegalmente, na terra do Tio Sam. Assim, resta acompanhar, durante a exibição da novela, as estatísticas sobre os brasileiros que irão tentar entrar nos EUA de maneira ilegal.

Castigo longo
Pensando bem, Virgílio, aquele que guiou Dante até a porta do céu, tem entre nós um homônimo que agora aguarda na recepção do inferno.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

O presidente Lula irá promover uma reforma ministerial ou um remendo político? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte brasileiro e internacional com o maior jornalista esportivo do País

Clique na lupa e confira os detalhes dos mais recentes e polêmicos escândalos que abalaram as estruturas políticas do país

Destaques

e-ditorial: "Política: entre jogos e bonecas, uma brincadeira de criança" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "A política na bacia das almas" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Fundo Internacional de Cabides" - por Ralph J. Hofmann

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Pobretão de luxo
Na última semana, o ex-assessor do ministro José Dirceu, Waldomiro Diniz, travestido de coitado, declarou-se um sujeito de hábitos simples, na tentativa de camuflar a própria evolução patrimonial. Em seu choramingo declaratório, Waldomiro disse estar morando de favor, tamanho é o estado de simplicidade de sua vida. Porém, leitores assíduos da coluna informaram que Waldomiro Diniz, conhecido com um dos barões de Goiânia, mora no edifício Excalibur, um dos mais luxuosos da cidade. Com apartamentos valendo perto de US$ 1 milhão, à época do lançamento, o prédio tem entre seus ilustres moradores ninguém menos que o cantor sertanejo Leonardo. E o valor mensal do condomínio beira os US$ 1,2 mil. Realmente, a vida de Waldomiro Diniz já tange a miserabilidade. (08/03/04)

Boca Maldita

Na página Boca Maldita você encontra a pizza meia Zé Dirceu - meia Waldomiro, em versão para impressão; a lista dos senadores e deputados que votaram contra o salário-mínimo de R$ 275; além de detalhes da agenda de Waldomiro Diniz e o primeiro depoimento do juiz João Carlos da Rocha Mattos.

Dica do Ucho

Opiniões da Hora – Compilação de opiniões sobre esporte dadas pelo jornalista Wanderley Nogueira, nos últimos anos, o livro Opiniões da Hora, que reproduz textos do autor publicados em jornais e portais da Internet, é uma excelente oportunidade para que quer ter a oportunidade de viajar no tempo e checar o rumo dos acontecimentos. Para adquirir o livro Opiniões da Hora (R$ 25 – frete incluso) basta entrar em contato pelo telefone (11) 6681-6777 ou pelo e-mail jppique@terra.com.br

Editora Senac São Paulo

A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week – e diante de uma platéia de 1.200 pessoas, o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br

 

 

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