|
Descedo a ladeira
Personificação da virulência planetária e um dos mais polêmicos banqueiros brasileiros, o Senhor Opportunidade – a Justiça ainda nos proíbe de citar seu nome – começa a viver um novo capítulo de seu quase derradeiro inferno astral. Como antecipou a coluna, com total exclusividade, o banqueiro terá de explicar à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso suas ligações com a americana Kroll, que, sob suas ordens, realizou uma das mais escandalosas e ilegais espionagens do país. De acordo com requerimento assinado pelo deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) e protocolado ontem às 15:10 horas, o banqueiro, acompanhado por sua caterva, deverá ser ouvido em audiência no Congresso Nacional. Como a arapongagem patrocinada pelo banqueiro acabou resvalando em autoridades palacianas e do primeiro escalão do governo Lula, difícil será para um certo xerife impedir a realização da audiência. Caso não compareça à audiência, o Senhor Opportunidade, um covarde contumaz, será um réu confesso.
Pagando caro
Ainda o polêmico banqueiro... Depois de perder na Justiça para um dos mais conceituados jornalistas do país, o Senhor Opportunidade, que tem o hábito de intimidar a imprensa com um sem fim de processos, agora tenta revidar a derrota, processando na esfera criminal o decano do jornalismo brasileiro. E para dar peso e credibilidade à sua irresponsável investida, o banqueiro contratou um conhecido escritório de advocacia de São Paulo, cujo antigo dono – quiçá ainda não seja – fez uma concorrida festa de despedida para, em seguida, ocupar um lugar de destaque no governo Lula. Informações obtidas pela coluna dão conta que, para patrocinar mais uma de suas sandices, o banqueiro assinou um cheque com seis zeros antes da vírgula.
Para baixo
O enfraquecimento do presidente Lula, que já não consegue ver suas ordens serem cumpridas, parece ter atingido as raias da irresponsabilidade. A ida do ministro José Dirceu a Washington, onde discutiu com a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, temas relacionados a Alca, o Conselho de Segurança e a reforma da ONU, mostra que o governo está sem comando. Pessoas próximas ao Palácio do Planalto garantem que, nos bastidores, o presidente está literalmente abatido por conta das conseqüências de suas recentes declarações sobre o governo FHC, o que teria motivado um rompante de poder em Jose Dirceu. Na verdade, a missão de José Dirceu deveria ter sido conferida ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
Deixa isso pra lá...
Tendo incumbido assessores para informar que a reforma ministerial aconteceria logo após as eleições da Câmara, o presidente Lula vem postergando a dança de cadeiras. Durante a inauguração de uma unidade cervejeira da Ambev no Uruguai, Luiz Inácio Lula da Silva disse que não tem pressa para concluir a reforma ministerial. De acordo com o presidente, a troca de ministros deve ser produtiva para o governo e para a sociedade. É preciso lembrar que, dias antes de se instalar no Palácio do Planalto, o então presidente eleito disse que o Brasil se surpreenderia com sua equipe de colaboradores. Como de fato se surpreendeu.
Correndo por fora
Mesmo que lenta e quase silenciosamente, a possível ida do deputado Delfim Netto (PP-SP) para o Ministério do Planejamento começa a tomar corpo nos corredores do Congresso. Economista paparicado por muitos e com bom trânsito no mercado financeiro internacional, Delfim Netto pode acabar dividindo a responsabilidade da política econômica do governo Lula com o ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda). E tal situação pode ser o único empecilho para sua indicação, por conta de seu temperamento dominador. Durante o governo do general João Batista Figueiredo, Delfim Netto, a certa altura, mandava mais do que o próprio Presidente da República. E como no PT existem caciques demais para índios de menos...
Troca de caciques
Tendo prometido ao presidente Lula que permaneceria no cargo por um curto período, o procurador Cláudio Fonteles deve passar o bastão da Procuradoria Geral da República (PGR) em junho próximo. É sabido que a indicação do procurador-geral é uma atribuição presidencial, mas na PGR todos trabalham pela indicação de Eitel Santiago de Brito Pereira, respeitadíssimo pelos colegas, competente e de fácil acesso. Em outras palavras, o ortodoxismo de Cláudio Fonteles poderá dar passagem à simplicidade prática de Eitel Santiago.
Afogado na fama
Embriagado pela imponência do novo cargo, o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, tem consumido boa parte do tempo em viagens pelo Brasil, entrevistas e outros salamaleques mais que fazem parte de seu marketing pessoal. Cavalcanti, ao invés de torrar o dinheiro do contribuinte para massagear o próprio ego, deveria se dedicar ao comando da casa legislativa que reúne os representantes do povo brasileiro. Porém, que sai lucrando com os quinze minutos de Severino Cavalcanti é o deputado José Thomaz Nonô (PFL-AL), primeiro vice-presidente da Câmara. Tribuno por excelência e um dos mais ácidos críticos do governo Lula, Thomaz Nonô tem se saído muito bem no comando dos trabalhos legislativos, merecendo, inclusive, os elogios dos inimigos políticos. E enquanto Severino Cavalcanti brinca de Lula do Legislativo, viajando para todos os lados, Nonô vai sedimentando sua estrada para 2007. Se quiser, pode ser o próximo presidente da Câmara.
Perna curta
Quando seu nome veio à baila na imprensa, o ex-assessor do Ministério do Desenvolvimento, Renello Parrini, informou que não é, como nunca foi, um dos controladores do Bank of Europe, instituição financeira off-shore ligada ao banqueiro Edemar Cid Ferreira. Parrini informou, ainda, que em novembro último foi para Genebra com recursos próprios, por ocasião da viagem à Itália, quando participou dos funerais do pai, tendo aproveitado a licença para um rápido giro pela bela cidade suíça. Porém, um relatório de viagens do Ministério do Desenvolvimento, em poder da coluna, mostra que coube ao governo brasileiro pagar uma passagem aérea (Varig) em favor de Parrini, que em 19 de outubro viajou para Roma e Milão, com direito a uma rápida esticada na Suíça. E a brincadeira do inocente que aprece no contrato de um banco com sede nas Ilhas Antíguas custou ao contribuinte brasileiro perto de R$ 10 mil. E se o dito popular garante que as cartas não mentem jamais, a lógica afirma que documento, muito menos.
Dando o troco
Ontem, quinta-feira, quando os políticos teoricamente voltam às suas bases, o assunto era um só no aeroporto de Brasília. Na sala de embarque, grupos heterogêneos politicamente discutiam o sepultamento da proposta de aumento salarial dos parlamentares, cujo golpe final coube ao presidente do Senado, Renan Calheiros, um ferrenho integrante da ala governista do PMDB. E os deputados, que agora querem ir à forra, confabulavam sobre a possibilidade de revelar ao contribuinte todas as mordomias que os senadores têm direito. Pelo visto, será uma queda de braços para não se colocar defeito algum.
Prato frio
Com o fim da proposta de aumento do salário dos deputados, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) saiu fortalecido do episódio, fazendo com que o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, se desgastasse com seus pares. Como a idéia inicial era majorar o salário dos integrantes da mais alta casta do Judiciário, os vilões, daqui para frente, serão os ministros do STF e do STJ, que, por lei, têm direito ao aumento. Assim, o presidente do Senado, que acabou livrando a pátria de mais uma conta exagerada, conquistou, gratuitamente, inimizades nas cortes supremas.
Brincando de Nero
Nem bem assumiu a presidência da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara, o deputado Luiz Antonio Fleury Filho (PTB-SP) promete revolucionar logo na primeira audiência. Contando com a concordância dos integrantes da comissão, Fleury vai convocar representantes do Denatran para uma audiência pública, onde será discutida a polêmica substituição dos extintores dos automóveis. O problema maior é que, além de único, o fabricante que está por trás da operação é estrangeiro. Ou seja, mesmo iniciando os trabalhos com extintores, Fleury Filho deixa claro que veio para incendiar.
Fugindo da raia
Em exatos onze dias, o rinheiro e dublê de marqueteiro palaciano, Duda Mendonça, deverá comparecer à Justiça do Rio de Janeiro para participar, ao lado do vereador Jorge Babu, de audiência na 26ª Vara Crminal. Duda e Babu, juntamente com outros comparsas, são acusados, entre outras coisas, de formação de quadrilha. Os advogados impetraram habeas corpus em favor de ambos, na esperança que, com o trancamento da ação, seus clientes respondam apenas por maus-tratos a animais. O escancarado e irresponsável silêncio dos ocupantes do Palácio do Planalto comprova, de forma clara e cristalina, que o presidente Lula, depois do imbróglio de Waldomiro Diniz, agora parte para endossar os crimes praticados pelo publicitário de sua preferência. Se no lugar de Duda Mendonça estivesse um cidadão comum e sem notoriedade alguma, certamente já estaria mofando na cadeia. E se há quem aposte na sua cegueira, é porque a Justiça não quer enxergar o que muitos fazem para dela escapar.
Catacumba revirada
O Ministério Público Federal solicitou ao Tribunal de Justiça de São Paulo cópia do processo sobre o inquérito instaurado para apurar a responsabilidade do secretário de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, no caso da chamada Operação Castelinho. A ação policial, que teve lugar em uma estrada de acesso à cidade de Sorocaba, no interior paulista, resultou na morte de doze pessoas, possíveis integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O processo foi arquivado por maioria de votos, sendo que o TJ de São Paulo limitou o acesso do Ministério Público aos autos. Ou seja, mais problemas na seara do quase inerte Geraldo Alckmin.
Ajoelhado no milho
A cada novo dia, as chances do governador Geraldo Alckmin emplacar como candidato do PSDB rumo ao Planalto, em 2006, diminuem assustadoramente. Ontem, logo pela manhã, os internos da unidade Raposo Tavares da Febem provocaram uma rebelião, na tentativa de empreenderem fuga. O fato só não se consumou porque os funcionários estavam em operação de revezamento, o que fez com que o contingente funcional, naquele momento, fosse o dobro do normal. Por outro lado, para comprometer, ainda mais, as esperanças do governador paulista, a Justiça do Trabalho suspendeu a demissão de 1.751 funcionários da Febem, ejetados da instituição há duas semanas. Em outras palavras, falta a Geraldo Alckmin o que sobra para os internos: coragem.
Dó, ré, mi
Pensando bem, o hino do governo Lula poderia ser a música eternizada por Jair Rodrigues. Deixe que digam, que pensem, que falem, deixa isso pra lá o que é que tem, eu não tô fazendo nada você também...
Ucho Haddad |


Querendo entender...
Para onde o presidente Lula irá mandar os próximos desempregados do PT palaciano? Afinal, perguntar não
ofende...


O melhor do esporte brasileiro e internacional com o maior jornalista esportivo do País


Clique na lupa e confira os detalhes dos mais recentes e polêmicos escândalos que abalaram as estruturas políticas do país


Destaques
e-ditorial:
"Política: entre jogos e bonecas, uma brincadeira de criança"
- por Ucho Haddad
e-xclusiva:
"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"A política na bacia das almas"
- por Ucho Haddad
Q.I.:
"A eminência parda do cardeal" -
por Pedro Luís de Campos Vergueiro
Tribuna
Livre: "Fundo Internacional
de Cabides" - por Ralph J. Hofmann
Prateleira
Eletrônica: "As 100 Melhores
Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
Tiro no pé
A primeira-filha Lurian Lula da Silva – embaixatriz do pai em Santa Catarina – vai ter muito o que explicar sobre a ONG que dirige, a “13 contra a Fome”. No rastro do falido Fome Zero, a “13 Contra a Fome”, que atua na orla marítima de Santa Catarina, recebeu nada menos que R$ 170 mil dos bingos catarinenses. E agora presidente como ficamos? (04/03/04)


Boca Maldita
Na página Boca Maldita você encontra a pizza meia Zé Dirceu - meia Waldomiro, em versão para impressão; a lista dos senadores e deputados que votaram contra o salário-mínimo de R$ 275; além de detalhes da agenda de Waldomiro Diniz e o primeiro depoimento do juiz João Carlos da Rocha Mattos.


Dica do Ucho
Opiniões da Hora – Compilação de opiniões sobre esporte dadas pelo jornalista Wanderley Nogueira, nos últimos anos, o livro Opiniões da Hora, que reproduz textos do autor publicados em jornais e portais da Internet, é uma excelente oportunidade para que quer ter a oportunidade de viajar no tempo e checar o rumo dos acontecimentos. Para adquirir o livro Opiniões da Hora (R$ 25 – frete incluso) basta entrar em contato pelo telefone (11) 6681-6777 ou pelo e-mail jppique@terra.com.br



Editora Senac São Paulo
A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week – e diante de uma platéia de 1.200 pessoas, o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br
|