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ano 4 - número 830 - quinta-feira, 03 de março de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.”

Chico Xavier

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Dor de cabeça extra
Mesmo dizendo que ainda não pensou na reforma ministerial, que deve acontecer nos próximos dias – a promessa é para o dia 14, segunda-feira - o presidente Lula tem mais um problema para resolver. O corte de R$ 16 bilhões no orçamento acabou atingindo, principalmente, o Ministério do Desenvolvimento Agrário, comandado por Miguel Rossetto. Diante da nova realidade orçamentária da pasta, o coordenador nacional do MST, João Paulo Rodrigues, pediu a demissão de Rossetto e do presidente do Incra, Rolf Hackbart. “Acho que o ministro e o presidente do Incra deveriam pedir demissão. Seria uma forma de eles protestarem contra os cortes feitos em suas áreas”, declarou Rodrigues. Inicialmente, a verba destinada ao Ministério da Reforma agrária seria suficiente para o assentamento de 115 mil famílias até dezembro deste ano, mas com o corte de verbas as expectativas caíram para 40 mil famílias. Em tom de ameaça, como é típico no discurso dos líderes do movimento, João Paulo Rodrigues anunciou um aumento considerável no número de invasões. E para mostrar que realmente não está para brincadeira, o coordenador do MST disparou: “O governo jogou um balde de gasolina na questão fundiária. É uma provocação”. Assim, Lula coloca mais um indesejado troféu na estante de 2006.

Queimando dinheiro
É verdade que fazer cortesia com o chapéu alheio é muito fácil, mas os seguidores do presidente Lula têm abusado quando o assunto é dinheiro público. O poderoso e temido ministro Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica) utilizou um dos jatos executivos do governo federal para viabilizar seu voto na eleição municipal de 3 de outubro passado. Tendo viajado a São Paulo para depositar seu voto a favor de Marta Suplicy, Gushiken determinou que um Learjet VU-35 saísse de Brasília para buscá-lo em São Paulo, levando-o de volta para a capital federal. Só em combustível, a obrigação cívica do ministro custou aos cofres públicos a bagatela de R$ 12.682,96. Comentar para quê?

Alô, alô, responde...
Ainda as barbaridades palacianas... Para dar mobilidade aos assessores, o gabinete do presidente Lula dispunha, em 2003, 147 telefones celulares, que produziram R$ 467.473,29 em contas. Já em 2004, o gabinete presidencial passou a contar com 184 telefones celulares, os quais convergiram em módicos R$ 568.632,71. Para os amantes dos números, os colaboradores mais próximos do presidente Lula – se é que se pode chamar isso de colaboração – gastaram em apenas dois anos a fortuna de R$ 1.036.106,00 em contas de telefones celulares, equivalente a 3.985 salários mínimos. O que um reles trabalhador demoraria trezentos e seis anos para ganhar, computado o famigerado décimo terceiro salário.

Seguindo o rastro
O procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, desembarcou em Brasília na terça-feira, vindo do arquipélago de Cayman. A viagem de Fonteles ao conhecido paraíso fiscal ocorreu no mais absoluto segredo, mas informações obtidas pela coluna dão conta que o procurador teria mantido encontros com autoridades locais, com o fim específico de repatriar o dinheiro de alguns cidadãos brasileiros depositados em bancos no arquipélago. E a turma que achou que investir por lá era a maior “opportunidade” do planeta, agora bate de porta em porta na busca do melhor medicamento para acelerar o sono.

Braço de ferro
Há dias, quando se reuniram para tratar de promoções, os procuradores da República acabaram entrando em rota de colisão. Um dos promovidos pela Procuradoria Geral da República não conquistou a elevação de cargo por merecimento, mas por mera articulação. O que irritou os opositores é que o felizardo se ausentou do país durante quatro anos, às expensas do erário público, para freqüentar um curso de especialização. O fato é que o promovido não apresentou, até hoje, o respectivo diploma.

Fala que eu te escuto
Como antecipou a coluna, o mais polêmico e arrogante banqueiro tupiniquim, o “Senhor Opportunidade”, terá de explicar em Brasília suas estreitas relações com a americana Kroll, executora da arapongagem que acabou resvalando em autoridades palacianas. O banqueiro deve ser convocado para dar o ar de sua graça em audiência da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, a mesma que terá o enorme prazer de receber o espião lusitano, Tiago Verdial. Há quem aposte que plenamente convicto de sua condição divina, o banqueiro venha a ignorar a decisão parlamentar. Neste caso, o “Senhor Opportunidade” pode acabar circulando pela capital federal a bordo de um veículo no mínimo estranho para quem está acostumado a viajar em luxuosos jatinhos. Um camburão, e na parte de trás.

Fora do ramo
Não bastasse a vergonhosa derrota na eleição da mesa diretora da Câmara, o capítulo palaciano do PT mostrou que não entende de política. Ontem, após a renovação das comissões permanentes da Câmara, ficou claro que falta competência na articulação política do Planalto. As principais comissões da Câmara, que abrigam temas correspondentes aos pontos mais importantes do governo Lula, acabaram nas mãos da oposição. Jader Barbalho (PMDB-PA) é o novo presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, que em 2006 vai analisar as possíveis fusões das empresas de telefonia, cumprido os dez anos impostos na época das privatizações. Outra perda importante para o governo foi a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, que será presidida pelo deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), integrante da bancada ruralista. Para completar o desastre palaciano, a Comissão de Finanças e Tributação será comandada pelo deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), um conhecido crítico do governo Lula.

Vai e vem
Quem imagina que a disputa pela liderança do PMDB na Câmara dos Deputados terminou, engana-se. Depois de uma verdadeira batalha de listas de assinaturas e intrigas de coxia, o deputado José Borba (PMDB-PR), que temporariamente perdeu a briga para Saraiva Felipe (PMDB-MG), surgiu na última terça-feira com uma nova lista de apoio, contendo quarenta e seis assinaturas. Integrante da ala governista do PMDB, Borba, que já é considerado o novo líder do partido, deve ter motivos de sobra para ter lutado tanto por sua volta ao cargo.

Liberou geral
Por 352 votos a favor, 60 contra e uma abstenção, a Câmara dos Deputados aprovou na noite de ontem a Lei de Biossegurança, que libera, em definitivo, a pesquisa com células-tronco e soja transgênica, além de impor uma regulamentação para os novos produtos geneticamente modificados que devem chegar ao mercado. A pesquisa com células-tronco, que tomou conta das discussões desta semana, será permitida apenas com embriões congelados há mais de três anos, com a devida autorização dos pais. Trata-se de um importante passo da sociedade em direção à pesquisa científica, mas é preciso um rígido controle para que o universo ciência não seja transformado em um irresponsável e virulento mercado negro de soluções para as degenerações do ser humano.

Jogando lama
E-mail que aterrissou na caixa de mensagens de um conhecido e respeitado parlamentar pode colocar mais lenha na fogueira em que se transformou o imbróglio do Banco Santos. O signatário, que pelo conteúdo da mensagem eletrônica parece ser mais uma vítima do banqueiro Edemar Cid Ferreira, lembra que a CPI do Banco Santos só não foi aprovada no final de 2004 porque o banqueiro foi um fervoroso colaborador das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Marta Suplicy, sendo que um dos articuladores da operação teria sido o tesoureiro do PT, Delúbio Soares. E mais: afirma ainda o missivista eletrônico que o Banco Santos teria utilizado o CNPJ de diversas empresas multinacionais e, principalmente, de grandes companhias brasileiras, para validar as misteriosas operações de créditos. E na lista estaria uma das maiores empresas brasileiras do setor de alimentos, ligada a uma conhecida figura da Esplanada dos Ministérios.

Cara-de-pau
Quem acessa a página do Banco Santos na internet, se depara com uma mensagem de que a instituição está sob intervenção do Banco Central, sendo que até um e-mail para o interventor foi criado. Na página é possível encontrar alguns dos inúmeros comunicados para os credores, mas o que mais chama a atenção é o logotipo da instituição que aparece no canto superior esquerdo. E lá consta o slogan do banco, que, se no passado foi sinônimo de vanguarda, hoje não passa de uma enorme heresia: "Inteligência e Tecnologia". Mas não deixa de ser uma verdade, pois Edemar usou a inteligência para mostrar que a burrice alheia sempre foi sua tecnologia predileta.

Chá de sumiço
Em Brasília, nos dias que antecederam a eleição de Severino Cavalcanti, Anthony Garotinho era figura fácil nos bastidores da política local. Agora, o ex-governador do Rio, que intriga alguns parlamentares do PMDB por seu sumiço, preferiu manter distância dos holofotes. Na verdade, Garotinho tem acompanhado atentamente a movimentação da política nacional, que tem servido como referencial para seus planos futuros. Ambicioso do ponto de vista político, o sonho da família Garotinho é fazer do ex-governador o próximo inquilino do Palácio do Planalto. E de quebra, Rosângela Matheus senadora e a filha, Clarissa, deputada estadual. É verdade que sonhar não custa absolutamente nada, mas resta saber quem irá financiar as três campanhas da família Buscapé.

Roupa suja
Quem acompanhou de perto a eleição para a mesa diretora da Câmara, garante que, momentos antes do início da votação, o tempo esquentou entre os deputados João Caldas (PL-AL) e Sandro Mabel (PL-GO). Tentando angariar votos para outros candidatos, Mabel acabou repreendido por João Caldas, ao tentar persuadir o deputado José Thomaz Nono (PFL-AL). E a discussão entre Caldas e Mabel acabou de tal forma, que somente as respectivas mães foram poupadas. De resto, todos os chulos adjetivos foram coadjuvantes do imbróglio.

Fazendo história
A TV Educativa do Paraná, que vive um impasse em relação aos funcionários, encontrou, com a ajuda do Palácio Iguaçu, uma forma de solucionar o problema. Admitidos fora do critério legal, os funcionários da emissora prestarão um concurso realizado pela Fundação da Universidade Federal do Paraná – Funpar, para que a situação seja definitivamente resolvida. O fato é que o concurso, que deveria ser aberto a todos os interessados, teve suas inscrições abertas por um dia, onde somente os funcionários da TV Educativa tiveram oportunidade de se inscrever. Findo o processo seletivo, todos passam a integrar o quadro da Funpar, sendo cedidos à emissora. Ou seja, trata-se de mais uma daquelas manobras administrativas escusas que existem em todas as administrações, assunto que o governador Roberto Requião parece ser um especialista.

Dia D
Pensando bem, a “opportunidade” está bem mais próxima do que muitos imaginam.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

Candidato à degola ministerial que acontece dentro de alguns dias, Olívio Dutra voltará a carimbar cheques no Banrisul? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte brasileiro e internacional com o maior jornalista esportivo do País

Clique na lupa e confira os detalhes dos mais recentes e polêmicos escândalos que abalaram as estruturas políticas do país

Destaques

e-ditorial: "Política: entre jogos e bonecas, uma brincadeira de criança" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "A política na bacia das almas" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Fundo Internacional de Cabides" - por Ralph J. Hofmann

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Pedro Caroço
Para encostar, definitivamente, o ministro José Dirceu na parede, basta perguntar quem foi o tesoureiro de sua campanha ao governo do estado de São Paulo, em 1994, quando o petista perdeu a chance de ser inquilino do Palácio dos Bandeirantes para Mário Covas. Se a resposta não for Waldomiro Diniz, certamente estará agindo como na época em que desembarcou em Cruzeiro do Oeste, no Paraná. Quando a mitomania chegava até debaixo dos lençóis. (03/03/04)

Boca Maldita

Na página Boca Maldita você encontra a pizza meia Zé Dirceu - meia Waldomiro, em versão para impressão; a lista dos senadores e deputados que votaram contra o salário-mínimo de R$ 275; além de detalhes da agenda de Waldomiro Diniz e o primeiro depoimento do juiz João Carlos da Rocha Mattos.

Dica do Ucho

Opiniões da Hora – Compilação de opiniões sobre esporte dadas pelo jornalista Wanderley Nogueira, nos últimos anos, o livro Opiniões da Hora, que reproduz textos do autor publicados em jornais e portais da Internet, é uma excelente oportunidade para que quer ter a oportunidade de viajar no tempo e checar o rumo dos acontecimentos. Para adquirir o livro Opiniões da Hora (R$ 25 – frete incluso) basta entrar em contato pelo telefone (11) 6681-6777 ou pelo e-mail jppique@terra.com.br

Editora Senac São Paulo

A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week – e diante de uma platéia de 1.200 pessoas, o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br

 

 

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