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Dor
de cabeça extra
Mesmo dizendo que ainda não pensou na reforma ministerial,
que deve acontecer nos próximos dias – a promessa
é para o dia 14, segunda-feira - o presidente Lula tem
mais um problema para resolver. O corte de R$ 16 bilhões
no orçamento acabou atingindo, principalmente, o Ministério
do Desenvolvimento Agrário, comandado por Miguel Rossetto.
Diante da nova realidade orçamentária da pasta,
o coordenador nacional do MST, João Paulo Rodrigues,
pediu a demissão de Rossetto e do presidente do Incra,
Rolf Hackbart. “Acho que o ministro e o presidente do
Incra deveriam pedir demissão. Seria uma forma de eles
protestarem contra os cortes feitos em suas áreas”,
declarou Rodrigues. Inicialmente, a verba destinada ao Ministério
da Reforma agrária seria suficiente para o assentamento
de 115 mil famílias até dezembro deste ano, mas
com o corte de verbas as expectativas caíram para 40
mil famílias. Em tom de ameaça, como é
típico no discurso dos líderes do movimento, João
Paulo Rodrigues anunciou um aumento considerável no número
de invasões. E para mostrar que realmente não
está para brincadeira, o coordenador do MST disparou:
“O governo jogou um balde de gasolina na questão
fundiária. É uma provocação”.
Assim, Lula coloca mais um indesejado troféu na estante
de 2006.
Queimando
dinheiro
É verdade que fazer cortesia com o chapéu alheio
é muito fácil, mas os seguidores do presidente
Lula têm abusado quando o assunto é dinheiro público.
O poderoso e temido ministro Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação
de Governo e Gestão Estratégica) utilizou um dos
jatos executivos do governo federal para viabilizar seu voto
na eleição municipal de 3 de outubro passado.
Tendo viajado a São Paulo para depositar seu voto a favor
de Marta Suplicy, Gushiken determinou que um Learjet VU-35 saísse
de Brasília para buscá-lo em São Paulo,
levando-o de volta para a capital federal. Só em combustível,
a obrigação cívica do ministro custou aos
cofres públicos a bagatela de R$ 12.682,96. Comentar
para quê?
Alô,
alô, responde...
Ainda as barbaridades palacianas... Para dar mobilidade aos
assessores, o gabinete do presidente Lula dispunha, em 2003,
147 telefones celulares, que produziram R$ 467.473,29 em contas.
Já em 2004, o gabinete presidencial passou a contar com
184 telefones celulares, os quais convergiram em módicos
R$ 568.632,71. Para os amantes dos números, os colaboradores
mais próximos do presidente Lula – se é
que se pode chamar isso de colaboração –
gastaram em apenas dois anos a fortuna de R$ 1.036.106,00 em
contas de telefones celulares, equivalente a 3.985 salários
mínimos. O que um reles trabalhador demoraria trezentos
e seis anos para ganhar, computado o famigerado décimo
terceiro salário.
Seguindo
o rastro
O procurador-geral da República, Cláudio Fonteles,
desembarcou em Brasília na terça-feira, vindo
do arquipélago de Cayman. A viagem de Fonteles ao conhecido
paraíso fiscal ocorreu no mais absoluto segredo, mas
informações obtidas pela coluna dão conta
que o procurador teria mantido encontros com autoridades locais,
com o fim específico de repatriar o dinheiro de alguns
cidadãos brasileiros depositados em bancos no arquipélago.
E a turma que achou que investir por lá era a maior “opportunidade”
do planeta, agora bate de porta em porta na busca do melhor
medicamento para acelerar o sono.
Braço
de ferro
Há dias, quando se reuniram para tratar de promoções,
os procuradores da República acabaram entrando em rota
de colisão. Um dos promovidos pela Procuradoria Geral
da República não conquistou a elevação
de cargo por merecimento, mas por mera articulação.
O que irritou os opositores é que o felizardo se ausentou
do país durante quatro anos, às expensas do erário
público, para freqüentar um curso de especialização.
O fato é que o promovido não apresentou, até
hoje, o respectivo diploma.
Fala
que eu te escuto
Como antecipou a coluna, o mais polêmico e arrogante banqueiro
tupiniquim, o “Senhor Opportunidade”, terá
de explicar em Brasília suas estreitas relações
com a americana Kroll, executora da arapongagem que acabou resvalando
em autoridades palacianas. O banqueiro deve ser convocado para
dar o ar de sua graça em audiência da Comissão
Mista de Controle das Atividades de Inteligência, a mesma
que terá o enorme prazer de receber o espião lusitano,
Tiago Verdial. Há quem aposte que plenamente convicto
de sua condição divina, o banqueiro venha a ignorar
a decisão parlamentar. Neste caso, o “Senhor Opportunidade”
pode acabar circulando pela capital federal a bordo de um veículo
no mínimo estranho para quem está acostumado a
viajar em luxuosos jatinhos. Um camburão, e na parte
de trás.
Fora
do ramo
Não bastasse a vergonhosa derrota na eleição
da mesa diretora da Câmara, o capítulo palaciano
do PT mostrou que não entende de política. Ontem,
após a renovação das comissões permanentes
da Câmara, ficou claro que falta competência na
articulação política do Planalto. As principais
comissões da Câmara, que abrigam temas correspondentes
aos pontos mais importantes do governo Lula, acabaram nas mãos
da oposição. Jader Barbalho (PMDB-PA) é
o novo presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia,
que em 2006 vai analisar as possíveis fusões das
empresas de telefonia, cumprido os dez anos impostos na época
das privatizações. Outra perda importante para
o governo foi a Comissão de Agricultura, Pecuária,
Abastecimento e Desenvolvimento Rural, que será presidida
pelo deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), integrante da bancada
ruralista. Para completar o desastre palaciano, a Comissão
de Finanças e Tributação será comandada
pelo deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), um conhecido crítico
do governo Lula.
Vai
e vem
Quem imagina que a disputa pela liderança do PMDB na
Câmara dos Deputados terminou, engana-se. Depois de uma
verdadeira batalha de listas de assinaturas e intrigas de coxia,
o deputado José Borba (PMDB-PR), que temporariamente
perdeu a briga para Saraiva Felipe (PMDB-MG), surgiu na última
terça-feira com uma nova lista de apoio, contendo quarenta
e seis assinaturas. Integrante da ala governista do PMDB, Borba,
que já é considerado o novo líder do partido,
deve ter motivos de sobra para ter lutado tanto por sua volta
ao cargo.
Liberou
geral
Por 352 votos a favor, 60 contra e uma abstenção,
a Câmara dos Deputados aprovou na noite de ontem a Lei
de Biossegurança, que libera, em definitivo, a pesquisa
com células-tronco e soja transgênica, além
de impor uma regulamentação para os novos produtos
geneticamente modificados que devem chegar ao mercado. A pesquisa
com células-tronco, que tomou conta das discussões
desta semana, será permitida apenas com embriões
congelados há mais de três anos, com a devida autorização
dos pais. Trata-se de um importante passo da sociedade em direção
à pesquisa científica, mas é preciso um
rígido controle para que o universo ciência não
seja transformado em um irresponsável e virulento mercado
negro de soluções para as degenerações
do ser humano.
Jogando
lama
E-mail que aterrissou na caixa de mensagens de um conhecido
e respeitado parlamentar pode colocar mais lenha na fogueira
em que se transformou o imbróglio do Banco Santos. O
signatário, que pelo conteúdo da mensagem eletrônica
parece ser mais uma vítima do banqueiro Edemar Cid Ferreira,
lembra que a CPI do Banco Santos só não foi aprovada
no final de 2004 porque o banqueiro foi um fervoroso colaborador
das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Marta Suplicy,
sendo que um dos articuladores da operação teria
sido o tesoureiro do PT, Delúbio Soares. E mais: afirma
ainda o missivista eletrônico que o Banco Santos teria
utilizado o CNPJ de diversas empresas multinacionais e, principalmente,
de grandes companhias brasileiras, para validar as misteriosas
operações de créditos. E na lista estaria
uma das maiores empresas brasileiras do setor de alimentos,
ligada a uma conhecida figura da Esplanada dos Ministérios.
Cara-de-pau
Quem acessa a página do Banco Santos na internet, se
depara com uma mensagem de que a instituição está
sob intervenção do Banco Central, sendo que até
um e-mail para o interventor foi criado. Na página é
possível encontrar alguns dos inúmeros comunicados
para os credores, mas o que mais chama a atenção
é o logotipo da instituição que aparece
no canto superior esquerdo. E lá consta o slogan do banco,
que, se no passado foi sinônimo de vanguarda, hoje não
passa de uma enorme heresia: "Inteligência e Tecnologia".
Mas não deixa de ser uma verdade, pois Edemar usou a
inteligência para mostrar que a burrice alheia sempre
foi sua tecnologia predileta.
Chá
de sumiço
Em Brasília, nos dias que antecederam a eleição
de Severino Cavalcanti, Anthony Garotinho era figura fácil
nos bastidores da política local. Agora, o ex-governador
do Rio, que intriga alguns parlamentares do PMDB por seu sumiço,
preferiu manter distância dos holofotes. Na verdade, Garotinho
tem acompanhado atentamente a movimentação da
política nacional, que tem servido como referencial para
seus planos futuros. Ambicioso do ponto de vista político,
o sonho da família Garotinho é fazer do ex-governador
o próximo inquilino do Palácio do Planalto. E
de quebra, Rosângela Matheus senadora e a filha, Clarissa,
deputada estadual. É verdade que sonhar não custa
absolutamente nada, mas resta saber quem irá financiar
as três campanhas da família Buscapé.
Roupa
suja
Quem acompanhou de perto a eleição para a mesa
diretora da Câmara, garante que, momentos antes do início
da votação, o tempo esquentou entre os deputados
João Caldas (PL-AL) e Sandro Mabel (PL-GO). Tentando
angariar votos para outros candidatos, Mabel acabou repreendido
por João Caldas, ao tentar persuadir o deputado José
Thomaz Nono (PFL-AL). E a discussão entre Caldas e Mabel
acabou de tal forma, que somente as respectivas mães
foram poupadas. De resto, todos os chulos adjetivos foram coadjuvantes
do imbróglio.
Fazendo
história
A TV Educativa do Paraná, que vive um impasse em relação
aos funcionários, encontrou, com a ajuda do Palácio
Iguaçu, uma forma de solucionar o problema. Admitidos
fora do critério legal, os funcionários da emissora
prestarão um concurso realizado pela Fundação
da Universidade Federal do Paraná – Funpar, para
que a situação seja definitivamente resolvida.
O fato é que o concurso, que deveria ser aberto a todos
os interessados, teve suas inscrições abertas
por um dia, onde somente os funcionários da TV Educativa
tiveram oportunidade de se inscrever. Findo o processo seletivo,
todos passam a integrar o quadro da Funpar, sendo cedidos à
emissora. Ou seja, trata-se de mais uma daquelas manobras administrativas
escusas que existem em todas as administrações,
assunto que o governador Roberto Requião parece ser um
especialista.
Dia
D
Pensando bem, a “opportunidade” está bem
mais próxima do que muitos imaginam.
Ucho Haddad |


Querendo entender...
Candidato à degola ministerial que acontece
dentro de alguns dias, Olívio Dutra voltará
a carimbar cheques no Banrisul? Afinal, perguntar não
ofende...


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e-ditorial:
"Política: entre jogos e bonecas, uma brincadeira de criança"
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"Barrados no baile - o direito de voto do preso"
Resenha:
"A política na bacia das almas"
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Q.I.:
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Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca
Maldita: Alguns dos escândalos
que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
Pedro
Caroço
Para encostar, definitivamente, o ministro José Dirceu
na parede, basta perguntar quem foi o tesoureiro de sua campanha
ao governo do estado de São Paulo, em 1994, quando
o petista perdeu a chance de ser inquilino do Palácio
dos Bandeirantes para Mário Covas. Se a resposta não
for Waldomiro Diniz, certamente estará agindo como
na época em que desembarcou em Cruzeiro do Oeste, no
Paraná. Quando a mitomania chegava até debaixo
dos lençóis. (03/03/04)


Boca Maldita
Na página Boca Maldita você encontra a pizza meia Zé Dirceu - meia Waldomiro, em versão para impressão; a lista dos senadores e deputados que votaram contra o salário-mínimo de R$ 275; além de detalhes da agenda de Waldomiro Diniz e o primeiro depoimento do juiz João Carlos da Rocha Mattos.


Dica do Ucho
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A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week – e diante de uma platéia de 1.200 pessoas, o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br
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