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uh comunicação ilimitada

ano 4 - número 814 - quarta-feira, 09 de fevereiro de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

Não entendo como alguns escolhem o crime, quando há tantas maneiras legais de ser desonesto.

Laurence J. Peter

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Nitroglicerina pura
Polêmico e inexplicável, o caso do marqueteiro Duda Mendonça, preso pela Polícia Federal em uma rinha de galos em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, parece que não cairá tão cedo no esquecimento como apostava o Palácio do Planalto. Em uma reveladora e bombástica entrevista concedida à Entrevista do Sábado, os delegados federais Antonio Carlos Rayol e Lorenzo Pompílio da Hora, responsáveis pela prisão do publicitário predileto do presidente Lula, relatam todos os detalhes dos bastidores do caso e as contínuas pressões que sofrem por terem, exclusivamente, dado cumprimento ao que determina a lei. Clique e confira a Entrevista do Sábado, que certamente vai chacoalhar os bastidores palacianos. Só aqui no ucho.info. Orgulho de ser independente!

Caras-de-pau
Agindo na contra-mão dos próprios atos, a Polícia Federal irá promover, de 14 a 25 de fevereiro, em Brasília, o 1º Curso de Combate a Crimes Ambientais. O evento, que contará com a participação de instrutores do U.S. Department of Interior & Wildlife Service Office Law Enforcement (Serviço de Pesca e Vida Selvagem do Departamento de Interior dos Estados Unidos & Escritório de Proteção à Vida Selvagem), certamente colocará por terra todo o discurso em torno do caso do publicitário Duda Mendonça. A Delegacia do Meio Ambiente e Patrimônio Histórico (Delemaph), onde estavam lotados os delegados Rayol e Pompílio da Hora, foi simplesmente abandonada, como forma de levar ao esquecimento o envolvimento do marqueteiro palaciano em criminosas brigas de galos. Assim, o ministro Márcio Thomaz Bastos pode ir se preparando para jogar fora a desculpa de atos de rotina para justificar o afastamento dos policiais federais.

Caneta da lei
Para emoldurar o já reconhecido nível dos articulistas do ucho.info, Antonio Carlos Rayol, Delegado da Polícia Federal, especialista em crime organizado, terrorismo e tráfico de entorpecentes, estréia hoje como o nosso mais novo colaborador. No artigo “O ADVOGADO DO TRAFICANTE E O DELEGADO MALUCO”, Rayol faz uma análise crítica e realista da condição dos advogados de mega-traficantes, em sua maioria pagos com dinheiro advindo do tráfico. Clique e confira o artigo do delegado Antonio Carlos Rayol.

Deu zebra
Tão logo foi anunciado o seqüestro do engenheiro brasileiro João José Vasconcellos Júnior, por rebeldes iraquianos, o governo Lula disse que a responsabilidade era da empreiteira brasileira, para, depois das repercussões negativas da declaração, assumir a responsabilidade. O Itamaraty enviou um diplomata experiente e poliglota para região, na tentativa de negociar ou, pelo menos, obter informações seguras sobre o brasileiro. Como quase nada de concreto aconteceu, o governo brasileiro anunciou ter pedido ajuda ao primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconni, sob a desculpa que o premiê gozava de bom trânsito junto às autoridades iraquianas. Tendo apostado suas fichas na carta errada, agora o governo Lula torce os dedos para que o engenheiro brasileiro não tenha o mesmo destino da jornalista italiana, Giuliana Sgrena, seqüestrada pela organização Jihad. Ontem, em uma prova clara de que o governo brasileiro errou ao pedir ajuda a Berlusconni, o grupo rebelde islâmico Brigada Mujahedeen anunciou a morte da jornalista, meso que provas do fato não existam. E agora Lula?

Reforma geral
Na próxima segunda-feira, 14, quando a Câmara dos Deputados promete ferver, não apenas a presidência da Casa estará em jogo, mas outros cargos que, dependendo do resultado, podem mandar pelos ares a segunda metade do governo Lula. No dia será definida a composição de todas as comissões permanentes da câmara, bem como os relatores das Medidas Provisórias e das Emendas Constitucionais. Por tradição, o comando da Comissão de Constituição e Justiça cabe sempre ao partido mais numeroso, o que, se o PMDB não surgir com alguma surpresa, será mesmo do Partido dos Trabalhadores. E dentro do próprio PT a briga já é animalesca para decidir que vai assumir a CCJ.

Canastra de reis
De hoje até domingo, muita coisa deve acontecer no cenário político nacional, especialmente por conta da eleição do presidente da Câmara dos Deputados. O desembarque do deputado Inocêncio de Oliveira no PMDB, depois de vinte anos no PFL, pode ter por trás uma manobra maquiavélica que nem mesmo o PT palaciano conseguiu envergar. Inocêncio trouxe, junto com sua mudança, alguns outros deputados, o que fez com que o PMDB precisasse de apenas mais cinco parlamentares para ser o maior partido da Câmara. E não será novidade alguma se o PMDB conseguir mais do que cinco deputados federais até segunda-feira. Até porque, Anthony Garotinho, que controla uma enorme quantidade de parlamentares, deve se incumbir da tarefa e, como prêmio, indicar seus comandados para cargos de destaque no partido e na própria Câmara.

Vale tudo
Para complicar ainda mais a vida do deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), que por ordem do Palácio do Planalto concorre à presidência da Câmara, fatos do passado começam a ser ressuscitados para colocar o parlamentar petista em maus lençóis. Protagonista do rumoroso caso Lubeca e principal responsável pelo abafamento do caso Celso Daniel (clique e ouça as escutas telefônicas), Greenhalgh traz em seu eclético currículo a negociação do contrato entre a ex-sem-terra Débora Rodrigues e a revista Playboy. De quebra, Greenhalgh deve ser surpreendido pelo ressurgimento de um imbróglio de grilagem de terras na cidade de Registro, no Vale do Ribeira, no sul do estado de São Paulo. E como se isso não bastasse, há quem garanta que irá explorar a ausência do deputado e defensor confesso do MST na cidade de Quipapá, no interior de Pernambuco, onde ocorreu a morte de um policial militar e atos de tortura contra um outro, vítimas de ação de integrantes do movimento. E se o advogado do MST não aparece e nem mesmo se pronuncia sobre o caso, é porque certamente endossa o que foi feito. Afinal, diz o adágio popular que quem cala, consente.

Com o mico na mão
Literalmente sem saber o que fazer diante da possibilidade da derrota de Greenhalgh, o presidente Lula determinou castigos partidários a todos os companheiros que votarem contra o candidato oficial. Na verdade, a única saída que o presidente Lula tem, mas que dela dificilmente lançará mão, é a degola do ministro José Dirceu, que há muito vem desagradando correligionários e integrantes da base aliada com seu jeito truculento e ditatorial de ser. Já repousam no gabinete presidencial pesquisas realizadas nos bastidores da Câmara dos Deputados, que apontam a resistência à candidatura de Luiz Eduardo Greenhalgh como uma forma de protesto contra o ministro José Dirceu. E se até minutos antes da eleição o incêndio político não for apagado por Genoíno e seus convivas, tudo pode acontecer. E mais: para minar a resistência ao candidato do presidente Lula, o Planalto acena com a possibilidade de negociar o conteúdo da MP 232, que no apagar das luzes de 2004 aumentou os impostos para as empresas prestadoras de serviços.

Jogada de mestre
Tendo alternado suas férias entre Nova York e Lisboa, foi no Velho Mundo que o senador Jorge Bornhausen (SC) decidiu se licenciar da presidência nacional do PFL. Quem assume em seu lugar, depois de outras tantas acomodações dentro do partido, é ninguém menos do que o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia. Candidato do PFL para enfrentar Lula em 2006, César Maia poderá bater à vontade no governo federal, sem se preocupar qualquer tipo de investida por parte do Palácio do Planalto. César Maia discursará como autoridade máxima do PFL. E ponto final.

Bom da boca
Mesmo que silenciosamente, o secretário nacional do PT, Silvio Pereira, tem mostrado seu quase ilimitado poder dentro do partido. Diversos diretores dos Correios, da Dataprev e da empresa de computadores Cobra foram indicados por Silvio Pereira. Em outras palavras, a corriola presidencial está avermelhando o país e o brasileiro não está percebendo.

Chave de cadeia
Tendo patrocinado um preocupante prejuízo para a empresa em 2004, o ainda presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, parece não ter se incomodado com a fortuna investida em um camarote na Marquês de Sapucaí. Diferentemente das empresas que normalmente utilizam os camarotes para a divulgação de marcas e para fazer relações-públicas com clientes, a Petrobras fez do seu reduto carnavalesco um ninho para acolher petistas interessados em assistir aos desfiles das escolas de samba. Tudo, obviamente, custeado com o dinheiro do contribuinte. Em um país menos irresponsável, o presidente da empresa já estaria curtindo a quarta-feira de Cinzas no xadrez.

Tudo outra vez
Como se fosse o velho caminhão de gás, que dia sim dia não batia à porta de casa, os internos da unidade da Febem do Tatuapé, zona leste da capital paulista, se rebelaram no início da noite de ontem. O assunto já é tão freqüente, que ao se deparar com a notícia o leitor acredita ser algo velho e requentado. O fato é que o governador Geraldo Alckmin, que silenciosamente se arvora para enfrentar Lula em 2006, perdeu o pulso com os funcionários e internos da Febem. Essa é uma história que domina o noticiário paulista desde os tempos do velho tucanato, sem que as prometidas mudanças tenham sido implantadas. Com a palavra o governador Alckmin.

Serpentinas eleitorais
De olho na cadeira que atualmente é ocupada pelo governador Luiz Henrique da Silveira, a senadora Ideli Salvati (PT-SC) chacoalhou o esqueleto durante todos os dias de Carnaval. Apenas em Florianópolis, Ideli Salvati saiu em quatro escolas de samba, no afã de conquistar o voto do eleitor catarinense para 2006. Senhor de uma verve condimentada, o leitor Adilson Minossi de Oliveira, de Florianópolis, lembra que se Carnaval garantisse um voto que fosse, o Rei Momo seria Presidente da República. O que não significa que Lula não esteja como tal, no meio de uma folia sem fim que ele próprio insiste em chamar de governo.

Bico calado
Durante o Carnaval, a rede de televisão norte-americana CNN publicou reportagem em que rotulou a maior festa popular brasileira de ilegal. A participação da contravenção no Carnaval foi o ponto mais forte e contundente do trabalho jornalístico, sendo que o Palácio do Planalto não terá como rebater. Afinal, o governo Lula tem concedido benesses à Vênus Platinada, que na enfadonha novela Senhora do Destino dá especial destaque ao personagem Giovanni Prota, um bicheiro que na apenas comanda sua própria escola de samba, como soluciona todos os problemas de sua comunidade, o que deveria, de acordo com a Constituição Federal, ser de responsabilidade do Estado. Assim, o ministro Luiz Gushiken, o mais novo pauteiro da emissora carioca, terá de permanecer calado diante do ataque ianque.

Comissão de frente
Pensando bem, o PT foi ao camarote para ver o samba passar, para no resto do ano fazer o povo rebolar.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

O programa que iria turbinar o sorriso do brasileiro não deu em nada. Por quê? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte brasileiro e internacional com o maior jornalista esportivo do País

Clique na lupa e confira os detalhes da espionagem que abalou as estruturas do Palácio do Planalto

Clique na imagem do banqueiro e saiba os detalhes de um seqüestro que foi planejado a partir do mais polêmico banco de investimentos do país

Clique na imagem e confira os principais trechos das gravações telefônicas sobre o caso do assassinato do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel.

Destaques

e-ditorial: "O desconhecido como armadilha da burrice da fama" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "Santos Dumont e o tsunami de mentiras" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Fundo Internacional de Cabides" - por Ralph J. Hofmann

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Coisa de louco
Passada a época das pregações pela ética e transparência na política, os integrantes do chamado núcleo duro do poder começam a destilar a verdadeira essência. O co-presidente e ministro José Dirceu (Casa Civil), também conhecido como o Golbery de vermelho, tem mantido contatos que chegam a assustar. Dirceu tem encontrado semanalmente com o ex-senador e atual deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), envolvido em desvios de verbas da Sudam e outras tantas acusações de corrupção. Não sendo para consulta política, o que é uma barbaridade, certamente é para encomendar uma rã de pela vermelha com estrelas brancas. E PT saudações! (09/02/04)

Boca Maldita

Na página Boca Maldita você encontra a pizza meia Zé Dirceu - meia Waldomiro, em versão para impressão; a lista dos senadores e deputados que votaram contra o salário-mínimo de R$ 275; além de detalhes da agenda de Waldomiro Diniz e o primeiro depoimento do juiz João Carlos da Rocha Mattos.

Dica do Ucho

Santa Papa - O centro velho de São Paulo parece estar retomando o charme de outrora. Para os amantes da boa comida, o Santa Papa, restaurante localizado na Rua do Arouche, 156, não é mais um daqueles insuportáveis restaurantes por quilo. Assinado pelo chef de cozinha José dos Anjos, o cardápio, que não perde para os bons restaurantes da capital paulista, traz, entre tantas outras coisas, mini-pastel de bacalhau e filé mignon ao capim santo. E como gastronomia é a praia do paulistano, bom apetite! Santa Papa – Rua do Arouche, 156 – (11) 3362-2651.

Editora Senac São Paulo

A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week – e diante de uma platéia de 1.200 pessoas, o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br

 

 

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