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ano 4 - número 813 - sexta-feira, 04 de fevereiro de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

Os homens juntam nuvens e depois queixam-se das tempestades.

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Escândalo na PF
Se depender do Palácio do Planalto, o caso do marqueteiro Duda Mendonça, preso em uma rinha de galos em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, deve mesmo cair no esquecimento popular. Objeto de dois inquéritos na Polícia Federal (132 e 133), o caso passou a ser tratado como se fosse uma encomenda palaciana. Ontem, Fernanda de Medeiros Assumpção, a advogada que representa o Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, tentou em vão conseguir cópia do inquérito 133, que investiga cento e cinqüenta rinheiros, entre eles Duda Mendonça e o vereador Babu. Visivelmente irritado com a situação, o delegado federal Deuler Rocha, que agora está à frente do caso, negou o pedido da advogada. Alegou, o delegado, que seria melhor aguardar a chegada do inquérito na Justiça, pois não gostaria de ver seu nome na Corregedoria da Polícia Federal. Acontece que a Lei n° 8906 (04/07/1994), em seu artigo 7º e inciso XIV, é clara ao explicitar os direitos do advogado: examinar em qualquer repartição policial, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de inquérito, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e tomar apontamentos.

Pau mandado
Deuler Rocha, que tem um currículo considerável na Polícia Federal, sugere à advogada que formalize o pedido por escrito. Ao receber a petição da advogada, o delegado se irrita novamente e, classificando o documento como absurdo, pois a advogada mencionou a Lei nº 8906, alega que cumprirá o prazo de cinco dias para analisar se concorda ou não com o pedido. O fato é que Rocha está sob o comando do delegado federal Roberto Prel, que por sua vez é amigo do advogado de Duda Mendonça, Luiz Guilherme Vieira, que é amigo do ministro Márcio Thomaz Bastos. E tudo isso explica a coincidência de Luiz Guilherme Vieira ser o defensor de Waldomiro Diniz. Em outras palavras, querem fazer do escândalo dos galos de briga um indigesto ensopado de conveniências.

Boca no trombone
Amanhã, na Entrevista do Sábado, os delegados federais Antonio Carlos Rayol e Lorenzo Pompílio da Hora, responsáveis pela prisão de Duda Mendonça na rinha de galos, vão mostrar os bastidores do caso que tem a ingerência explícita e escandalosa do Palácio do Planalto. A ordem, segundo os delegados, é abafar o caso e poupar o marqueteiro do presidente Lula de novos constrangimentos. Você não pode perder, amanhã, a Entrevista do Sábado, só aqui no ucho.info. Apenas a publicação da coluna será interrompida durante o Carnaval, voltando à sua normalidade na quarta-feira, 9 de fevereiro.

Clube de tiro
Não bastasse a vergonha de ser obrigado a utilizar colete à prova de balas durante o Fórum Social Mundial, um evento conceitual e meramente social, o presidente Lula, cuja popularidade não é tão grande quanto se divulga, vai autorizar a aquisição de munição para armas de fogo, em quantidade que certamente faria uma verdadeira folia em qualquer súcia tupiniquim. O processo de licitação número 00185.002820/2004-57 vai rechear o gabinete presidencial com exatos 134 mil cartuchos de munição calibre 12 e .38. E como lula, aquela do mar, não se pega à bala, é porque a situação é muito mais séria do que a vã filosófica imagina.

Farra vermelha
Ainda as barbaridades palacianas... Mesmo que inadmissível seja a expedição de cartões de crédito corporativos para a Presidência da República, cujos integrantes se refestelam sob os auspícios financeiros da nação, tudo seria tolerável se as despesas fossem divulgados ao povo, explicitados os motivos para cada uma delas. O fato é que mesmo antes de multiplicar o número de cartões de crédito que serão entregues à caterva palaciana, os gastos dos mesmos em 2004 bateu recorde. Os saques em dinheiro superaram em 62% o valor destinado a compras, o que comprova, sem deixar dúvidas, que existe um beneficiamento escandaloso das figuras íntimas do poder. No segundo semestre de 2004, como noticiou o jornalista Diego Casagrande (www.diegocasagrande.com.br), os saques em dinheiro somaram R$ 6 milhões, contra R$ 3,7 milhões em despesas faturadas. Atualmente o contribuinte brasileiro é responsável por 3.144 cartões de crédito, distribuídos em diversas esferas do poder federal, sendo que o maior volume de gastos cabe à Presidência da República. O cartão de crédito utilizado por um assessor presidencial apresentou em um único mês saques que totalizara, R$ 78 mil. Ou seja, para Lula e sua horda de seguidores é um sistema político onde cento e setenta milhões de palhaços madrugam para pagar as bizarrices consumistas de uma camarilha que se diz ter sido perseguida durante a ditadura militar.

Coisa de doido
O presidente Lula parece estar seguindo deliberada e escandalosamente o modelo do ditador cubano Fidel Castro, que utiliza programas sociais para camuflar a ditadura sanguinária que impõe na ilha caribenha. O mais novo programa social do governo Lula é o ProJovem (Programa de Inclusão Social de Jovens), lançado esta semana em São Paulo, que tem como prioridade o ensino da língua inglesa os adolescentes que integram a camada da população rotulada como excluídos sociais. Por outro lado, o mesmo governo Lula acabou com o caráter eliminatório da prova de língua inglesa para os candidatos que concorrem a uma vaga no Itamaraty. Em outras palavras, Lula já está em campanha para 2006 e a conta, como sempre, será nossa.

Missa encomendada
O PT republicano conseguiu. Atendendo a ordens supostamente expressas do palácio do Planalto, a Vênus Platinada produziu matéria jornalística sobre extintores de incêndio automotivos, o que pode ser uma ferramenta de persuasão para a obrigatoriedade de substituição dos equipamentos. Os telejornais da emissora carioca veicularam a reportagem, que contou com a participação de jornalistas de todo o país e, em especial, de um soldado do Corpo de Bombeiros. Para aumentar o poder anestésico da matéria, a emissora divulgou dados sobre o número de carros incendiados diariamente nas principais cidades brasileiras. Por isso, não pense duas vezes em beneficiar algum grupelho que mantém relações duvidosas com a turma planaltina. Troque agora o extintor do seu carro.

Sinal dos tempos
Tão logo se instalou no Palácio do Planalto, o presidente Lula viu, logo no Carnaval de 2003, o seu rosto estampado em máscaras que fizeram a alegria dos foliões. Dois anos depois, a máscara de Lula sumiu das prateleiras, dando lugar para as de super-heróis. Verdadeira conversa de história em quadrinhos, a balela de que a esperança venceria o medo evaporou como lança-perfume no ar. E se a máscara do Lula já não é mais o hit da temporada carnavaesca, é porque as pesquisas de opinião pública estão sendo manipuladas. Principalmente se levarmos em consideração que a voz do povo é a voz de Deus.

Me dá um dinheiro aí...
A disputa pela presidência da Câmara dos Deputados continua acirrada. Para emplacar o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh na cadeira que até o próximo dia 14 continuará sendo ocupada por João Paulo Cunha, o Palácio do Planalto terá, realmente, que abrir os cofres e patrocinar uma derrama de dinheiro em forma de emendas parlamentares. Como, seguindo o regimento interno da Câmara, o voto será secreto, o presidente Lula corre o sério risco de ter de liberar verbas para os mais de cinco centenas de parlamentares. É verdade que Lula só deve liberar o dinheiro depois que for confirmada uma possível vitória de Greenhalgh, mas não é recomendável que aja como na votação da reforma da Previdência, quando o que foi prometido não foi cumprido.

Operação degola
Teoricamente, a rebeldia do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) é motivo suficiente para uma daquelas conhecidas expulsões que os petistas tanto gostam de impor aos que democraticamente discordam das teses ditatoriais do partido. A expulsão de Virgílio Guimarães ainda não é fato consumado por uma questão estratégica. A saída do parlamentar mineiro do partido poderia provocar uma debandada de descontes com o presidente Lula, o que comprometeria sua reeleição. Por questões regimentais internas, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sempre é entregue ao maior partido da Câmara, que até segunda ordem continuará sendo o PT. E a presidência da CCJ é fator primordial para que Lula tenha menos problemas durante a segunda metade de seu mandato.

Assessor assassino
Não é de hoje que, em suas andanças pelo Brasil, o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, que aspira presidir a Câmara dos Deputados, está sempre acompanhado de seu anjo da guarda terreno, se é que assim pode ser chamado. Pedro Lobo de Oliveira, famoso durante as guerrilhas revolucionárias, foi um dos responsáveis pelo assassinato Charles Chandler, um capitão do exército americano que residia e estudava em São Paulo, durante os anos de chumbo. Chandler foi condenado à morte por ser, supostamente, um agente da CIA, sendo executado de forma covarde, em 12 de outubro de 1968, diante da mulher e de um filho de quatro anos. Agente da CIA ou não, o fato é que se o presidente Lula se ausentar do país, juntamente com o vice José Alencar, quem assumirá o comando da nação será ninguém menos que Luiz Eduardo Greenhalgh, caso vença a eleição do próximo dia 14. E como se sua sombra fosse, estará ao seu lado um assassino que nos bastidores se vangloria de ter liquidado a vida de um ser humano. O Brasil jamais esteve em tão péssimas mãos!

Batendo duro
Uma conhecida revista, que trata, entre os mais variados assuntos, de política e negócios, prepara uma verdadeira cajadada editorial no deputado Luiz Eduardo Greenhalgh. No olho do furacão, além do deputado petista, está o assessor do presidente da Câmara, João Paulo Cunha, que foi cedido temporariamente à campanha de Greenhalgh. Entre outras atribuições, Luiz Costa Pinto, o Lulinha, contratado pela Coca-Cola como lobista, está a blindagem da gigante dos refrigerantes no Congresso Nacional. A reportagem, quase pronta, traz, entre tantas outras coisas, a atuação de Luiz Eduardo Greenhalgh nos casos Lubeca e Celso Daniel.

Jogando para o alto
Alguns publicitários, com larga experiência na área política brasileira, já dão como certa uma possível revisão, pelo PFL, da candidatura de César Maia à Presidência da República, em 2006. Um deles, que bem conhece o alcaide carioca, garantiu que a candidatura de César Maia não passa de uma massa de manobra do PFL para impedir qualquer vôo mais alto dos tucanos. E mais: o mesmo profissional garantiu que para encarar uma empreitada como essa César Maia deve ter recebido algum tipo de compensação, pois, ciente de que sua candidatura não decola, não se exporia a tal ponto.

Frevo do bom
Se a política já não é mais uma caixa de surpresas, certamente é uma caixa de Pandora, a rainha do mal sob os olhos tradicionais da mitologia grega. A acolhida que o PMDB deu ao seu histórico inimigo, Inocêncio de Oliveira, deixa claro que qualquer reforma política não será suficiente para mudar a história de uma nação vilipendiada em seus direitos há mais de cinco séculos. Como noticiamos na edição de ontem, o projeto maior de Inocêncio, que certamente não se concretizará, era ser indicado como primeiro-secretário da Câmara, uma espécie de prefeitão da Casa, o que lhe daria a visibilidade suficiente para se candidatar, em 2006, ao governo de Pernambuco. Mesmo que para tal fosse obrigado a enfrentar o atual mandatário pernambucano, Jarbas Vasconcellos. Por outro lado, Jarbas Vasconcelos está fadado a enfrentar a ira dos contribuintes pernambucanos. Diversos outdoors espalhados por Recife protestam contra o governo estadual, que gastou US$ 1 milhão com assessores especiais. Eis o que exibe a quase uma centena de outdoors: Pernambuco. Mais de US$ 1 milhão gastos com assessores especiais. JÁ basta. Respeitem o dinheiro público.

Pau de galinheiro
Pensando bem, no imbróglio dos galos de briga, todos são bons de bico.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

Quem pagou a conta do Expresso 2222 do Carnaval baiano? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte brasileiro e internacional com o maior jornalista esportivo do País

Clique na lupa e confira os detalhes da espionagem que abalou as estruturas do Palácio do Planalto

Clique na imagem do banqueiro e saiba os detalhes de um seqüestro que foi planejado a partir do mais polêmico banco de investimentos do país

Clique na imagem e confira os principais trechos das gravações telefônicas sobre o caso do assassinato do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel.

Destaques

e-ditorial: "O desconhecido como armadilha da burrice da fama" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "Santos Dumont e o tsunami de mentiras" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Fundo Internacional de Cabides" - por Ralph J. Hofmann

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Gepetto tupiniquim
Ontem, em mais uma solenidade no Palácio do Planalto, o presidente Lula reuniu a sua horda de seguidores para um balanço do primeiro ano do programa Fome Zero. Na opinião do presidente, os programas Fome Zero e Bolsa Família estão consolidados. É fato que Lula fez dessa mentira social a marca de seu governo, mas admitir que em apenas três anos mais de onze milhões de famílias serão atendidas pelos programas é querer desdenhar da capacidade de raciocínio do povo. O Brasil, segundo dados de 2001, tem 54 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza, o que significa estar recebendo menos de R$ 80 mensais. A primeira atitude do governo deveria ser a criação de empregos e a elevação do salário-mínimo. (04/02/04)

Boca Maldita

Na página Boca Maldita você encontra a pizza meia Zé Dirceu - meia Waldomiro, em versão para impressão; a lista dos senadores e deputados que votaram contra o salário-mínimo de R$ 275; além de detalhes da agenda de Waldomiro Diniz e o primeiro depoimento do juiz João Carlos da Rocha Mattos.

Dica do Ucho

Santa Papa - O centro velho de São Paulo parece estar retomando o charme de outrora. Para os amantes da boa comida, o Santa Papa, restaurante localizado na Rua do Arouche, 156, não é mais um daqueles insuportáveis restaurantes por quilo. Assinado pelo chef de cozinha José dos Anjos, o cardápio, que não perde para os bons restaurantes da capital paulista, traz, entre tantas outras coisas, mini-pastel de bacalhau e filé mignon ao capim santo. E como gastronomia é a praia do paulistano, bom apetite! Santa Papa – Rua do Arouche, 156 – (11) 3362-2651.

Editora Senac São Paulo

A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week – e diante de uma platéia de 1.200 pessoas, o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br

 

 

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