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uh comunicação ilimitada

ano 4 - número 810 - terça-feira, 01 de fevereiro de 2005
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício!

Olha de novo: não existem brancos, não existem amarelos, não existem negros: somos todos arco-íris.

Ulisses Tavare

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Maremoto engarrafado
Em mais uma daquelas inexplicáveis compras palacianas, o gabinete do presidente Lula vai adquirir, segundo consta no processo de licitação número 00140.000451/2004-84, 259.460 litros de água mineral, em embalagens de diversos tamanhos. Para honrar a compra, que certamente faria a alegria de qualquer camelo de tuareg, o contribuinte brasileiro vai desembolsar a bagatela de R$ 102.950,00. Para solucionar o problema bastaria adquirir uma dúzia de filtros de água de primeiríssima linha. Mas como a sede do PT palaciano não é apenas de poder, o negócio é pagar a conta.

Cartão vermelho
A reunião que o presidente Lula teve, ontem, com os presidentes da Petrobrás (José Eduardo Dutra), Correios (João Henrique Almeida), Eletrobrás (Rondeal Cavalcante) e alguns diretores da Infraero pode ser um sinal que as estatais vão mesmo entrar na reforma ministerial, como instrumento de persuasão de alguns partidos que ainda insistem em jogar contra a candidatura de Luiz Eduardo Greenhalgh à presidência da Câmara. Alguns dos partidos que integram a base aliada e que há muito esperam uma compensação já sinalizaram que preferem uma estatal de peso a um ministério inexpressivo.

Escravos de jó
Na reforma ministerial prometida para depois do dia 14 de fevereiro, o presidente Lula pode surgir com indicações e mudanças que certamente causarão surpresas. A ministra Dilma Roussef (Minas e Energia), que tem atordoado a cabeça do companheiro Lula com suas explicações sobre os apagões, pode desembarcar na Petrobrás para ocupar a cadeira da presidência, hoje ocupada por José Eduardo Dutra. Por conta dos prejuízos apresentados pela estatal do petróleo, Dutra entrou para a lista negra de Lula. Na área econômica, o nome mais cotado para assumir a pasta do Planejamento, que depois da saída de Guido Mantega está sendo tocada por um interino, é o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O presidente Lula não tem achado a menor graça nos consecutivos aumentos dos juros, enquanto Meirelles sonha em sair candidato ao Senado por Goiás. E para fazer do sonho uma realidade, o Ministério do Planejamento é um verdadeiro trampolim para quem é candidato. Afinal, o comandante da pasta distribui dinheiro aos borbotões.

Esqueleto de armário
O caso Lubeca, que teve o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) no olho do furacão, voltou à tona, principalmente em reportagem da jornalista Lílian Christofoletti (Folha de São Paulo). À época dos fatos, 1989, Greenhalgh, vice-prefeito de São Paulo na gestão de Luiza Erundina, acumulava o cargo de secretário de Negócios Extraordinários e foi acusado de ter recebido U$ 200 mil da empresa Lubeca para facilitar a aprovação de um projeto imobiliário na zona sul da capital paulista, sendo que o dinheiro, de acordo com os acusadores, foi utilizado na campanha do então candidato Lula. Tão logo o assunto eclodiu na imprensa, Luiza Erundina afastou Greenhalgh da secretaria. Ontem, em São Paulo, onde fez campanha rumo à presidência da Câmara dos Deputados, Luiz Eduardo Greenhalgh lembrou que o assunto já foi julgado pelo STF e foi arquivado por falta de provas. E mais: Greenhalgh quer saber a quem interessa ressuscitar o caso.

Do próprio veneno
Inicialmente, é preciso lembrar que o caso serve ao povo brasileiro, que por ocasião dos fatos não teve acesso às informações que rechearam o imbróglio. O PT, que sempre ressuscitou confusões dos adversários, agora posa de vestal, como se o passado jamais tivesse existido. A apetite do PT por casos passados esteve evidente na campanha de Marta Suplicy pela reeleição. Representantes do partido procuraram, ainda no primeiro turno, quem poderia elaborar um completo dossiê sobre Gilberto Kassab, vice-prefeito de São Paulo. Já no segundo turno, os petistas ofereceram verdadeira fortuna para que um dossiê sobre José Serra voltasse a circular. Ou seja, o discurso de vítima que o PT agora faz por conta do caso Lubeca é jogo de cena.

Tucano irritado
Circulando por São Paulo, Luiz Eduardo Greenhalgh, que tenta angariar votos para sua campanha à presidência da Câmara dos Deputados, esteve reunido com o prefeito José Serra e o governador Geraldo Alckmin. Ambos, que continuam na dependência do governo federal para liberação de verbas, tentam fazer um jogo duplo, situação que desagrada totalmente FHC. O ex-presidente tucano, empenhado em patrocinar uma sangria política no Partido dos Trabalhadores, já acena com a possibilidade de lutar pela indicação de seu nome para enfrentar Lula em 2006. E se o Brasil não merece o presidente que tem, muito menos o que já teve.

Louco pelo poder
Ex-líder do PFL e atual vice-presidente da Câmara, o deputado Inocêncio de Oliveira (PE) pode se transferir para o PMDB nos próximos dias, na tentativa de se manter na mesa diretiva da Casa. Inocêncio tentou, nos bastidores, uma manobra que lhe permitisse realizar o sonho, mas o PFL elegeu o deputado Rodrigo Maia (RJ) para a liderança do partido. O projeto de Inocêncio de Oliveira no PMDB é assumir a Primeira Secretaria da Câmara, cargo que já ocupou, mas que o seu provável novo partido já tem um nome escolhido: o do deputado Henrique Eduardo Alves (RN). O fato é que se o caso é partir para um disputa interna, o PMDB tem uma fila de aspirantes à briga.

Batendo duro
A censura proposta pelo presidente Lula ao IBGE continua rendendo dividendos. O líder do PFL na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (BA), protocolou junto à mesa da Casa um projeto de decreto legislativo, cujo objetivo é sustar a portaria do Ministério do Planejamento que determina o sigilo sobre as pesquisas estruturais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Esse decreto é a expressão do descontentamento e da inconstitucionalidade com a medida, disse o parlamentar baiano, que mantém a sua candidatura à presidência da Câmara. Como noticiamos na edição de ontem, Lula, durante a campanha presidencial de 2002, revelou ao cineasta João Moreira Salles que tinha sérias dúvidas sobre os números divulgados pelo IBGE.

Cartilha do rei
Depois de bater de frente com a ala oficial do PT, durante sua campanha à prefeitura de Fortaleza, Luizianne Lins parece que adquiriu por osmose os vícios do partido. Acreditando estar respaldada juridicamente no decreto de emergência, Luizzianne começou a recompensar aqueles que se empenharam em sua campanha. A agência Time, que trabalhou para a alcaidessa fortalezense em 2004, foi contratada, sem licitação, para cuidar da campanha publicitária sobre a arrecadação do IPTU. A verba destinada é de R$ 650 mil, o que é uma verdadeira fortuna para uma prefeita que no primeiro dia de mandato foi obrigada a abastecer o carro oficial com o próprio dinheiro.

Pendura oficial
Não bastassem os cheques sem a devida provisão de fundos que o capítulo maranhense do Partido dos Trabalhadores utilizou para pagar as dívidas de campanha, um papagaio de mais de R$ 1 milhão repousa em uma produtora de vídeo da capital paulista. A dívida é referente ao material produzido para a campanha de Lindbergh Farias, atual prefeito de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Delúbio Soares, tesoureiro do PT, não pensou duas vezes em assinar o papagaio.

Pulando fora
Os cento e doze petistas que durante o Fórum Social Mundial se desligaram do Partido dos Trabalhadores, podem ser os cicerones de uma leva muito maior que deve abandonar o partido por discordar das diretrizes adotadas pelo presidente Lula e sua equipe. A CUT, que teve participação decisiva na debandada, pode engrossar ainda mais o coro. A central sindical planeja se rebelar contra o presidente Lula, que na Lei de Falências não acolheu como prioridade nos recebimentos os créditos trabalhistas. Os únicos que se beneficiaram com a nova lei foram os banqueiros. Lula, quem te viu, que te vê.

Abraçando o mico
Tendo herdado uma dívida que ultrapassa a casa dos R$ 14 milhões, o secretário de Cultura de São Paulo, Emanoel Araújo, estará recebendo amanhã, em seu gabinete, os representantes dos diversos segmentos e Corpos Estáveis (Ópera, Música, Dança e Educação Musical) da sua pasta, para encontrar uma saída negociada para o calote da secretaria. Emanoel Araújo, que tem no currículo, entre outras coisas, a recuperação da Pinacoteca do Estado, tem a seu favor o reconhecimento dos credores. Apenas para se ter uma idéia, o valor da dívida deixada por Marta Suplicy na Cultura seria suficiente para pagar, em 2005, os artistas já contratados pela Secretaria da Cultura.

Inferno na praça
A Praça da República, em São Paulo, que integra o projeto de revitalização do centro antigo da capital paulista, acabou sendo transformada no palco da fé de um irresponsável pregador da doutrina divina. Um pastor, munido de sua irritante e estridente parafernália eletrônica, invade a praça e, aos berros, começa a pregar a palavra do Criador, fazendo com que os que pela redondeza trabalham ou vivem não tenham sossego. E se nas suas preces o pastor jamais falou em inferno, é porque o playground do satanás passou a ser a própria praça. Prefeito, a responsabilidade é toda sua!

Polícia caridosa
Há dias, um fato ocorrido nos Jardins, bairro elegante da capital paulista, chamou a atenção daqueles que circulavam pela rua Oscar Freire, a mais badalada da região. Como se tivessem despencado do céu, duas viaturas da Polícia Militar chegaram em alta velocidade ao local, o que acabou trazendo uma certa expectativa aos que presenciaram a cena. Com as viaturas estacionadas em posição de diligência, os policiais desceram para auxiliar um bêbado a atravessar a rua. Lamentavelmente, a mesma PM não é tão ágil quando o assunto é mais sério, como, por exemplo, assaltos, seqüestros, assassinatos... Com a palavra o governador Geraldo Alckmin. (Foto: Nyoka Baker)

Salva-vidas
Pensando bem, com tanta água à disposição, Lula ainda vai aparecer no Planalto de bóia.

Ucho Haddad

 

Querendo entender...

Líder do governo na Câmara, o deputado Professor Luizinho (PT-SP) sumiu. Por quê? Afinal, perguntar não ofende...

O melhor do esporte brasileiro e internacional com o maior jornalista esportivo do País

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Destaques

e-ditorial: "O desconhecido como armadilha da burrice da fama" - por Ucho Haddad

e-xclusiva: "Barrados no baile - o direito de voto do preso"

Resenha: "Santos Dumont e o tsunami de mentiras" - por Ucho Haddad

Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro

Tribuna Livre: "Fundo Internacional de Cabides" - por Ralph J. Hofmann

Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar

Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional

Túnel do Tempo

Fim de feira
Já não bastassem os 2.797 cargos em comissão criados pelo Planalto para abrigar correligionários e afins, o núcleo duro do poder – leia-se José Golbery Dirceu - vai criar nada menos que 41 mil novos cargos, a serem preenchidos até o final da gestão Lula. A desculpa disparada pelo governo federal para justificar mais uma insanidade é que boa parte do funcionalismo (27%) pode se aposentar até 2007. É verdade que FHC entregou o Brasil, mas o que restou Lula está decidido a acabar. (02/02/04)

Boca Maldita

Na página Boca Maldita você encontra a pizza meia Zé Dirceu - meia Waldomiro, em versão para impressão; a lista dos senadores e deputados que votaram contra o salário-mínimo de R$ 275; além de detalhes da agenda de Waldomiro Diniz e o primeiro depoimento do juiz João Carlos da Rocha Mattos.

Dica do Ucho

Santa Papa - O centro velho de São Paulo parece estar retomando o charme de outrora. Para os amantes da boa comida, o Santa Papa, restaurante localizado na Rua do Arouche, 156, não é mais um daqueles insuportáveis restaurantes por quilo. Assinado pelo chef de cozinha José dos Anjos, o cardápio, que não perde para os bons restaurantes da capital paulista, traz, entre tantas outras coisas, mini-pastel de bacalhau e filé mignon ao capim santo. E como gastronomia é a praia do paulistano, bom apetite! Santa Papa – Rua do Arouche, 156 – (11) 3362-2651.

Editora Senac São Paulo

A costura do invisível - Em 17 de junho de 2004, no maior evento de moda da América Latina – o São Paulo Fashion Week – e diante de uma platéia de 1.200 pessoas, o estilista Jum Nakao realizou uma performance em que, ao final do desfile, as modelos rasgaram elaboradíssimas roupas de papel vegetal construídas em mais de 700 horas de trabalho, que envolveram cerca de 150 profissionais. Todas as etapas desse processo foram documentadas em fotos, vídeos e fotogramas, dando origem ao livro e DVD A costura do invisível, lançados pela Editora Senac São Paulo.

www.editorasenacsp.com.br

 

 

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