Na alça de mira
Lamentavelmente, lidar com a verdade dos fatos é um ofício que, na maioria das vezes, incomoda uma minoria que sempre imaginou estar acima do bem e do mal. Por força das revelações feitas por esta coluna, que têm minado os interesses de grupos poderosos que vilipendiam a sociedade brasileira, o editor e seus familiares estão sendo alvo de ameaças e ações irresponsáveis por parte dos incomodados. Não bastassem as tentativas de monitoramentos telefônicos e de computadores, o que nos levou a atrasar a publicação desta edição, a ação adversária tem freqüentado o campo da invasão da privacidade e outras situações correlatas. Assim, lembramos a todos os interessados que este site não é, como jamais foi, uma cornucópia virtual, que, por favorecimentos escusos, amealha fortunas para proporcionar benesses imundas a quem quer que seja. Até porque, entre a imundice de qualquer R$ 1 conseguido de forma espúria e passar o Brasil a limpo, a segunda hipótese é a que prevalece e sempre prevalecerá. Boa sorte a todos!
Maquiagem oficial
Na contra-mão dos discursos do presidente Lula, que insiste na tese de uma economia em franco crescimento sustentado, detalhes da última decisão do Copom revelam exatamente o contrário. O aumento da taxa Selic foi aprovado por todos os integrantes do conselho, que, para piorar a situação da verborragia presidencial, sinalizaram firmemente com a intenção de continuar aumentando os juros nos próximos meses. E como em qualquer parte do planeta a economia de um país fala mais alto do que qualquer outro setor, chega-se à conclusão de quem realmente manda no Brasil é o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
O que passou, passou
Lula esteve em São Paulo no último sábado, onde inaugurou obra realizada pela prefeitura paulistana. Com o claro objetivo de impulsionar a candidatura da companheira Marta Suplicy, o presidente contrariou o passado oposicionista do PT, quando condenava o suo da máquina pública em campanhas eleitorais. Por mais que seja politicamente normal o Presidente da República subir no palanque de um companheiro de partido, é preciso lembrar que após a vitória nas urnas Lula passou a ser presidente de brasileiros de todas as correntes políticas. De mais a mais, Lula é livre para apoiar politicamente quem quiser, desde que não seja em eventos patrocinados com o dinheiro do povo.
Portão de embarque
Depois do escândalo do Bolsa-Família, cujo gerenciamento largou mão de controlar a freqüência escolar dos alunos beneficiados pelo programa, o presidente Lula embarcou para Nova York, onde participará da Cúpula contra a Fome na Organização das Nações Unidas. A retórica de combate à fome é meramente eleitoreira, como é possível conferir no Brasil. Em um país onde as taxas de juros são elevadas, a carga tributária escandalosa, os investimentos oficiais na infra-estrutura são quase nulos e a corrupção impera no poder, falar em combate à fome é devaneio de político populista. E mais: Lula terá em Nova York a companhia do ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), principal responsável pelo imbróglio do Bolsa-Família. Assim, o presidente Lula inaugura a fase de contemplar os erros ministeriais com nababescas viagens internacionais.
 Contra a parede
Depois de uma semana perdida no parlamente brasileiro, o governo Lula viveu, como ainda vive, uma situação típica de quem está entre a cruz e a espada. A não aprovação da lei de biossegurança, que liberaria o plantio de soja transgênica, colocou o presidente Lula em uma encruzilhada político-eleitoral. Caso libere o plantio da soja transgênica através de Medida Provisória, Lula irá massacrar a tese da ministra do Meio-Ambiente, Marina Silva. Por outro lado, se deixar de fazê-lo, o presidente pode perder terreno político no Rio Grande do Sul, onde a maioria dos agricultores só cultiva soja transgênica, prejudicando diretamente a corrida do companheiro Raul Pont à prefeitura de Porto Alegre.
Acertos de coxia
Um dia antes de comemorar os números da última pesquisa CNI/Ibope, que apresentou uma elevação nos índices de sua provação popular, o presidente Lula já sabia do escândalo que ocorrera em Londrina, envolvendo o PT e o Ibope. Durante realização de pesquisa eleitoral naquela cidade, militantes do PT panfletavam a poucos metros dos pesquisadores do Ibope. Em outros tempos, quando o PT ainda era oposição, os partidos se valiam da mesma estratégia, mas de forma menos escancarada. As imagens da atuação da militância petista foram gravadas por um cinegrafista da TV Bandeirantes, e já foram requisitadas pelo juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Maringá. É preciso lembrar que o vaticínio eleitoral anunciado pelos petistas está seriamente comprometido, desde o momento em que o partido contratou o Ibope para realizar pesquisas em trezentas cidades brasileiras. E como ninguém vai ao alfaiate para encomendar um terno que não lhe sirva...
A família de Dom Lula
Quem circula pela bela cidade de Blumenau, em Santa Catarina, percebe, com certa constância, um vai-vem de viaturas da Polícia Federal. Trata-se da tropa de choque encarregada de levar e buscar o neto do presidente Lula na escola. A mãe, Lurian Lula da Silva, é a filha do presidente que o então candidato Fernando Collor usou como arma para desbancar Lula na campanha de 1989. O fato é que ao registrar sua última candidatura, Lula não revelou à sociedade a extensão familiar que o brasileiro precisaria financiar, principalmente no quesito segurança e salamaleques afins. Resumindo, o brasileiro elege um presidente sob a promessa da mudança, e no dia seguinte se vê responsável pelas andanças até da cadela presidencial, que circula pela capital federal abordo de veículo oficial e com direito a segurança. Só mudaram as moscas.
Calvário aéreo
Na sexta-feira, o ministro da Defesa, José Viegas, com o aval do presidente Lula, renovou as concessões da Varig, que vive momentos de indecisões sobre o seu futuro. O governo federal, que acenou com uma possível ajuda financeira, decidiu recuar depois de não ver atendida sua principal reivindicação. Sob o comando do ministro José Dirceu, a operação para sanear financeiramente a Varig contava com a transferência das ações da Fundação Rubem Berta para a União, que, posteriormente, negociaria a empresa aérea com qualquer interessado. É preciso lembrar que, independentemente das distintas situações, o tratamento dispensado à Varig e negado à Vasp, é muito diferente daquele que a falida Transbrasil tem experimentado. O que sobrou da empresa que um dia foi comandada por Omar Fontana, continua intacto por obra e graça do advogado Roberto Teixeira, defensor de Antonio Celso Cipriani e compadre do presidente Lula. Quer mais?
Sem saída
Ainda a aviação brasileira... Por mais que viva um período de crise, a aviação brasileira continua sendo um fator estratégico para o país, além de ser o único setor da área dos transportes que ainda funciona. Para piorar a situação do governo, a Varig Engenharia e Manutenção – VEM foi recentemente certificada para prestar serviços de manutenção pesada em aviões Airbus. Como o novo avião do presidente Lula, o Air Force Fifty One, é um Airbus de luxo, seria falta de estratégia contar com apenas uma empresa de manutenção no país, serviço que até então era exclusividade da Tam. Em outras palavras, recuperar a Varig já não é mais uma obrigação, mas uma necessidade.
Para inglês não ver
Na última semana, o ministro Aldo Rebelo, da Articulação Política, deixou por alguns momentos os seus afazeres oficiais para acompanhar o andamento de um projeto de sua autoria, enquanto parlamentar. Tendo como foco principal a obrigatoriedade de filmes estrangeiros serem dublados para o português aqui no Brasil, o projeto de Aldo Rebelo, que se encontra na Comissão de Defesa do Consumidor, recebeu parecer contrário do deputado Júlio Lopes (PP-RJ). A tristeza que tomou repentinamente o ministro tinha motivos muito mais familiares do que ideológicos. Ferrenho defensor da não inclusão de terminologias estrangeiras na língua brasileira, Aldo Rebelo torcia para que seu projeto fosse aprovado e contemplasse o setor de dublagem tupiniquim, onde sua esposa tem estreitos relacionamentos. Enfim, resta dizer que o governo Lula caminha para um quase irreversível ambiente familiar. O que não significa que seja de respeito.
Desdizendo o que disse
Quando compareceu ao Congresso para falar sobre a proposta de criação da Ancinav, Gilberto Gil tratou de explicar a notícia publicada pelo boletim Em Questão, que lhe atribuiu frases polêmicas como o fascismo das grandes corporações da mídia, entre outras mais. A Secretaria de Comunicação da Presidência da República, responsável pela publicação, achou uma culpada para salvar a pele do ministro da Cultura. A Secom informou que a responsável pela notícia era uma jornalista que, em viagem, foi chamada com urgência à Brasília para dar explicações. Quem conhece o ministro Luiz Gushiken sabe que tudo passa pelo seu crivo antes de ser publicado. Recentemente, o anúncio de um evento de surf, patrocinado pela Petrobras, precisou ser enviado ao gabinete do ministro para ser aprovado. Ou seja, a jornalista acaba de ser elevada à categoria de bode expiatório.
Entre amigos
Depois de anos patrocinando a equipe do Flamengo, a Petrobras começa a aparecer em outros domínios do futebol carioca. Como o rubro-negro está sem condições legais para receber patrocínios oficiais, uma vez que deve verdadeiras fortunas em tributos federais, a Petrobras está apostando suas fichas no Botafogo. Na sede do clube, ao lado do shopping Rio Sul, foi instalado um enorme outdoor com o logotipo da gasolina Podium, combustível diferenciado que conta com os resultados das investidas tecnológicas da Petrobras na Fórmula 1. E o dinheirinho que tem pingado nos cofres do Botafogo é fruto da despretensiosa amizade entre o ministro José Dirceu e o botafoguense Carlos Augusto Montenegro, presidente do Ibope.
Óleo de peroba
Diante dos números de campanha que não decolam, os marqueteiros do candidato Paulo Maluf apostaram em uma nova rodada de outdoors que pode expor o ex-prefeito ao ridículo. Ao lado da foto de Maluf, aparecem três palavras que definitivamente não coadunam com a sua história: coragem, caráter e competência. É verdade que Paulo Maluf teve muita coragem e competência para fazer o que fez, mas sobre o seu caráter só mesmo as Ilhas Jersey poderão opinar.
A caminho do céu
Um acordo entre os partidos políticos livrou a Cidade Maravilhosa da imundice típica das corridas eleitorais. Sem nenhuma propaganda política nos chamados locais proibidos, o acordo acabou proporcionando uma oportunidade de trabalho para muita gente, mesmo que seja temporária. As ruas da capital fluminense estão infestadas de cabos eleitorais que agitam continuamente bandeiras dos mais diversos partidos e candidatos. O senador Marcelo Crivella, candidato do Partido Liberal à prefeitura do Rio de Janeiro, tem na rua um verdadeiro exército de agitadores de bandeiras, que infestaram a orla marítima carioca no último sábado. São os fiéis das igrejas evangélicas que trabalham gratuitamente na esperança de conseguir uma senha para o céu.
Acredite se quiser
Pensando bem, pesquisas de opinião são o mais novo truque palaciano. O país vai bem, o presidente vai mal e o povo pior ainda.
Ucho Haddad |


"Tem um teor repressivo e é inconstitucional. Nenhuma lei pode criar embaraços à liberdade de informação"
Maurício Azêdo, presidente da ABI, sobre a criação do Conselho Federal de Jornalismo
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Querendo
entender...
O assessor financeiro Ricardo Sérgio de Oliveira, também conhecido como caixa 2 emplumado, simplesmente desapareceu. Por quê? Afinal, perguntar não ofende...


Destaques
e-ditorial: "Açoite irresponsável, aceitação silenciosa" - por Ucho Haddad
e-xclusiva: "Empresário Luís Demarco divulga nota de esclarecimento sobre espionagem de empresa americana"
Resenha: "Terrorismo e tragédias: uma receita americana de reeleição" - por Ucho Haddad
Q.I.: "A eminência parda do cardeal" - por Pedro Luís de Campos Vergueiro
Tribuna Livre: "Os esqueletos do poder e a Justiça" - por João Alberto Graça
Prateleira Eletrônica: "As 100 Melhores Crônicas de Humor" - por Sandro Villar
Boca Maldita: Alguns dos escândalos que marcaram a política nacional


Túnel do Tempo
Mentira elegante
Durante a solenidade de formatura dos novos integrantes do Itamaraty, o presidente Lula ressaltou o profissionalismo e a dedicação dos diplomatas, transmitindo estímulo e felicitações. Em certo ponto do discurso, o presidente revelou a mitomania que assola o Palácio do Planalto: Não aceitamos mais participarmos de política internacional como se fôssemos os coitadinhos da América Latina, um paísinho do terceiro mundo, um paísinho que tem criança de rua, um paísinho que só sabe jogar futebol e só sabe pular carnaval. Lula só não falou aos novos diplomatas que o governo federal não trasladou o corpo do embaixador Rui Antonio Neves Pinheiro de Vasconcelos, morto na Tunísia, por pura falta de recursos. A nossa sorte é que, detectada no início, mitomania tem cura. (19/09/03)


Boca Maldita
Na página Boca Maldita você encontra a pizza meia Zé Dirceu - meia Waldomiro, em versão para impressão; a lista dos senadores e deputados que votaram contra o salário-mínimo de R$ 275; além de detalhes da agenda de Waldomiro Diniz e o primeiro depoimento do juiz João Carlos da Rocha Mattos.


Dica do
Ucho
O Silêncio do Delator - Dono de uma verve literária invejável, José Nêumanne Pinto, senhor de um dos mais belos e corretos textos jornalísticos deste país, lança, no próximo dia 23, o romance O Silêncio do Delator, uma obra que, décadas depois de sua concepção, chega às livrarias. Editado pela A Girafa Editora, o segundo romance do paraibano Nêumanne retrata o velório do líder de uma turma e de sua geração, que viveu plenamente as revoluções política e dos costumes dos anos 60 do século 20. O Silêncio Do Delator – lançamento dia 23 de setembro – a partir das 19 horas - Café Suplicy - Alameda Lorena, 1430 (entre Augusta e Padre João Manuel) - Manobristas à porta.



Editora Senac São
Paulo
Carandiru 111 - Para fazer o livro Carandiru 111, editado pela Editora Senac São Paulo, Doug Casarin envolveu-se no cotidiano dos presos, mas não caiu na armadilha de fazer juízos de valor ou tentar evidenciar o “lado bom” dos que viviam no maior presídio da América Latina. As 111 imagens, cujo número é uma óbvia referência ao massacre ocorrido em outubro de 1992, se não são 100% objetivas – pela própria impossibilidade da tarefa, afinal, o registro é filtrado pelo olhar do fotógrafo – chegam perto disso, mostrando detalhes que poderiam passar despercebidos ou seriam inacessíveis ao visitante do Carandiru. Carandiru 111 – Doug Casarin – Lançamento dia 22 de setembro – 19:15 horas - Centro de Comunicação e Artes – Rua Scipião, 67 – Lapa – São Paulo – (11) 3866-2500.

www.editorasenacsp.com.br

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