Tudo parado (29.04.08 - 16h36)
No rastro do desentendimento que marca as relações entre a oposição e a base do governo, o Senado Federal não vota qualquer matéria hoje ou amanhã. O a reunião que acabou há pouco não produziu qualquer entendimento. A pauta deve ser retomada somente na próxima terça-feira, quando os líderes governistas tentarão ter quórum suficiente para votar duas matérias que consideram importantes. A que desvincula os recursos da União da Educação, sugerida pela senadora petista Ideli Salvatti (SC), e a dos precatórios, apresentada pelo líder do PMDB, Valdir Raupp (RO). A oposição obstrui a votação até que o Supremo Tribunal Federal decida sobre a constitucionalidade de medidas provisórias que tratam sobre créditos extraordinários.
Tudo como antes (29.04.08 - 13h26)
Em ano eleitoral, tudo vale. E no rastro dessa teoria o prefeito Gilberto Kassab tem aproveitado todas as oportunidades para faturar politicamente. A última delas foi a "Virada Cultural", evento que movimentou no final de semana a maior cidade do País. A coluna percorreu algumas das regiões da cidade que abrigaram os diversos shows, e pôde perceber que o consumo de drogas foi a tônica. Na Cracolândia, região da cidade que ficou conhecida pelo comércio e consumo de crack, e que o ucho.info vasculhou lentamente no final de semana, a situação era degradante e desanimadora. O que encontramos no local mostra que a Cracolândia só foi extinta no discurso de Gilberto Kassab.

Face lenhosa (29.04.08 - 13h22)
Como acontece todos os anos, a Força Sindical irá realizar enorme festa em comemoração ao 1º de maio, Dia Mundial do Trabalho. Resta saber com que cara o presidente da Força, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), subirá ao palanque. Paulinho, como é conhecido o sindicalista e dublê de parlamentar foi alvo das investigações da Operação Santa Tereza, da Polícia Federal.
Saia justa
Durante o lançamento de obras do PAC, em Guarulhos, o presidente Luiz Inácio viveu momento de puro constrangimento. Ao falar sobre a universidade federal criada no município da Grande São Paulo, Lula, dirigindo a palavra ao prefeito Elói Pietá (PT), afirmou serem dez os cursos universitários, quando são apenas quatro. Sem saber o que fazer, o presidente-metalúrgico optou por repreender em público o prefeito.

Fechando o cerco
Independentemente da aprovação ou não do terceiro mandato para o presidente Lula, quem não der seguimento aos passos do petista na área dos bancos já deve se considerar uma carta fora do baralho. O maior branco privado brasileiro, o Bradesco, divulgou o lucro líquido no primeiro trimestre do ano: R$ 2,1 bilhões. O que representa um aumento de 23,3% em relação ao mesmo período de 2007. É bom lembrar que um dos fatores que elegeram e reelegeram Lula da Silva foi a derrama de dinheiro feita pelos baços nas duas campanhas do ex-metalúrgico. O candidato que não rezar essa cartilha dificilmente terá dinheiro em abundância para a campanha. Em tempo: mesmo com o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido dos bancos, os banqueiros jamais ganharam tanto como na era luliana.
Fugindo da raia
"Não podemos cair em tentação; está lá na Bíblia". A frase é do líder da bancada do PT na Câmara, deputado Maurício Rands (PE), diante da pergunta sobre a possibilidade da realização de um plebiscito sobre o terceiro mandato, proposta que poderia ser animada pelos altos índices de aprovação popular do presidente-metalúrgico Lula da Silva. Rands garante que seu partido descarta esta possibilidade, assim como dar apoio a uma emenda constitucional que altera a regra atual.

Na dúvida
O senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) voltou a dizer ontem que é contra um terceiro mandato, mas, provocado, admitiu que está preocupado com as pesquisas que dão força à segunda reeleição do presidente. "Vocês sabem o poder que elas têm, mas não deixo me impressionar", comentou com jornalistas na entrada do seu gabinete. Garibaldi acha que a questão não pode ser decidida no calor das pesquisas de aprovação ou por um plebiscito. Político experiente, o presidente do Congresso Nacional sabe a força da opinião pública, inclusive entre a classe política. Segundo a pesquisa da CNT/Sensus, divulgada ontem, 50,4% das pessoas pesquisadas disseram ser favoráveis a um terceiro mandato contra 45,4%. No Nordeste, região de Garibaldi, quase 70% da população estaria favorável à continuidade da administração Lula.

Vida dura
O Senado Federal começou a semana com uma sessão de apenas duas horas e meia. Nem mesmo o falante senador Mão Santa (PMDB-PI) compareceu para garantir os intermináveis discursos. A segunda-feira vazia foi um sinal de como serão os dias que antecedem ao feriado do Dia dos Trabalhadores. As votações estão obstruídas, segundo Garibaldi Alves Filho, pelas Medidas Provisórias e pela oposição que não vota nada até que o Supremo Tribunal Federal decida sobre a legitimidade constitucional das MPs que tratam da concessão de crédito extraordinário. O julgamento foi suspenso há duas semanas e basta apenas um voto para que a ação interposta pelo PSDB acabe com a farra dos créditos do governo.


Giro oficial
A agenda estava tão folgada, que sobrou tempo inclusive para o presidente do Senado descer até o Comitê de Imprensa e conhecer de perto a obra que custou meio milhão de reais. Arrastou com ele o diretor-geral da Casa, Agaciel Maia, que autorizou a reforma, cujo valor equivale a um apartamento de luxo na Asa Sul de Brasília, uma das áreas mais nobres do Distrito Federal. Apesar dos R$ 500 mil gastos na reforma, o serviço apresentado foi de péssima qualidade. Há suspeita de que houve superfaturamento.
Ócio remunerado
Assim como no Senado, a Câmara dos Deputados não conseguiu votar uma matéria sequer, por conta da falta de presença em Plenário. O presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), convocou sessão extraordinária para as 18h30, mas conseguiu apenas o registro de 209 presenças, número insuficiente para votar a MP 413, que altera a incidência do PIS/Pasep e da Confins na produção e comercialização de álcool. Chinaglia espera que hoje e quarta-feira sejam colocadas em votação outras três Medidas Provisórias, seja por acordo ou por procedimento. Estão na pauta a MP 419, que transforma a Secretária Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial em ministério, e a MP 420, que é uma medida complementar à MP 414, já aprovada e que determina a forma como os recursos do BNDES devem ser usados.

Deu errado
Depois do fim da convocação no final da tarde, Arlindo Chinaglia conversou com os jornalistas e, surpreendentemente amável, fez considerações acerca da popularidade do presidente-metalúrgico Lula da Silva. Disse que os altos índices conquistados em todas as cinco regiões deveriam estar sendo festejados pelo presidente e não por quem deseja o terceiro mandato. Questionado pelo ucho.info sobre a possibilidade da apresentação de uma proposta de plebiscito do terceiro mandato na onda da popularidade, Chinaglia comparou a questão a uma situação clínica. O médico poderia assim consultar a população se determinado receituário era conveniente ou não a um paciente. "A manifestação popular não pode levar os Poderes a determinar suas convenções". Então tá!
Fazendo figa
Está nas mãos do Supremo Tribunal Federal uma solução para a caótica situação financeira do outrora poderoso governo do Rio Grande do Sul. A governadora Yeda Crusius (PSDB) conseguiu apoio do governo federal através da ministra da Casa Civil Dilma Roussef para obter um empréstimo de US$ 1 bilhão junto ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento. O STF, no entanto, colocou areia nas pretensões da governadora gaúcha ao decidir favoravelmente a uma ação da Secretaria do Tesouro Nacional. Ao transitar ontem por Brasília, Yeda Crusius mandou avisar pela sua assessoria que espera que os ministros da Suprema Corte sejam sensíveis ao agravo regimental da Procuradoria-Geral do Estado e possam autorizar o negócio com o Bird. Ela pelo menos conseguiu sensibilizar o relator do processo, o ministro Joaquim Barbosa, que determinou um prazo de 72 horas para que a Procuradoria dê mais detalhes da urgência do empréstimo. E rapidez é tudo o que a governadora quer.

Confusão na certa
Tão logo Orestes Quércia anunciou o apoio do PMDB ao prefeito Gilberto Kassab, que em outubro próximo tenta a reeleição, a coluna não apenas noticiou que José Serra era o maior beneficiado com a aproximação entre as duas legendas, mas enfatizou que a decisão do ex-governador paulista não repercutiria dentro do partido. Presidente nacional do PMDB, o deputado Michel Temer (SP) disse que ainda é muito cedo para apontar o nome que disputará a sucessão de Lula da Silva em 2010. Lembrando que a tese da candidatura própria ganha força dentro do partido, Temer destacou que a presença do PMDB na base não garante apoio ao candidato de Lula da Silva em 2010. "E a maior possibilidade é o PMDB ter candidato. O ideal é que a base tenha uma única candidatura", diz. Na sua avaliação o PMDB, como maior partido, tem direito a candidatura própria e, hoje, ninguém governa sem a legenda. "Sem o PMDB hoje ninguém governa. Mas, na última eleição, o PMDB só não lançou candidato por causa dos governadores. Se lançasse, ficava impedido de fazer qualquer tipo de aliança. Agora, o PMDB local faz a aliança que quiser.
Racha total
É provável que o diretório nacional não arrede pé da decisão de enquadrar o diretório municipal do PT de Belo Horizonte, que decidiu coligar-se a uma frente que tem a participação do PSDB. A polêmica envolve questões partidárias nacionais e as pretensões do partido do presidente-metalúrgico em 2010. Para resolver esse problema do tamanho das intermináveis discussões dos barbudinhos, cogita-se uma intervenção da executiva nacional, que poderia ser acionada por um membro efetivo do diretório municipal. O PSB está desanimado com a acalorada briga interna petista, e hoje pode tomar uma decisão radical que expurgue o PT da frente, cujo candidato é Márcio Lacerda. O pessebista tem o apoio incondicional do governador Aécio Neves (PSDB). A proposta de disputar a prefeitura sem o PT foi defendida ontem por vários deputados do PSB.

Em cima do muro
A executiva nacional do PT discutiu ontem o "caso Belo Horizonte", mas não tomou nenhuma decisão. Aguarda os acontecimentos políticos. Se houver uma questão a ser defendida, será aquela que já foi definida pelo congresso nacional do partido. O PT só permitirá que os diretórios municipais se aliem aos tucanos nas cidades com número de eleitores inferior a 200 mil. E este não é o caso da terceira maior capital do Brasil. A “questão programática" seria impossível de ser alterada. Para complicar ainda mais, o presidente-metalúrgico tem dado declarações públicas confusas.
Cabo de guerra
Pode ganhar contornos parecidos com o que enfrenta o PT, a briga entre os deputados paulistas Paulo Maluf e Celso Russomanno, se o segundo cumprir o que prometeu ontem à noite a este site. Russomanno diz ter uma carta em que Maluf desiste de sua candidatura à Prefeitura de São Paulo em favor do colega, tendo como moeda de troca a presidência do diretório municipal do Partido Popular. O dublê de apresentador de televisão quer provocar o diretório nacional para arbitrar a pendenga. Consultado logo depois, Maluf afirma que o presidente do PP, senador Francisco Dornelles, já teria dito que não vai interferir nas questões municipais. "Veja o que aconteceu com o PT em Belo Horizonte." E emendou com duas perguntas: "O PMDB não tem cinco ministérios e o Quércia (Orestes) não está apoiando o Kassab (Gilberto, DEM)?".
Neta de peixe
O PSDB conta agora em seu ninho com uma ilustre filiada com sangue azul de tucano. Mariana Montoro aproveitou a Conferência Nacional da Juventude, que se realiza até hoje em Brasília, para se filiar ao partido que o avô ajudou a fundar, o ex-governador de São Paulo, André Franco Montoro. Além da plumagem tucana, a neta leva em seu DNA também a veia política. Mariana é coordenadora do Programa da Juventude do governo José Serra.
Pilha alcalina
Pensando bem, a oposição está precisando de um despertador novo. Foram necessários cinco anos para que todos acordassem.

Túnel do Tempo -Virando o jogo?
(30/04/07) - Entremeada pelo feriado do Dia do Trabalho, a semana promete ser das mais acaloradas em termos de disputas políticas. Com muitos dos cargos do segundo escalão do governo federal a serem ainda definidos, PMDB e PT devem travar uma ferrenha batalha nos bastidores. O PMDB dá como certa a indicação de integrantes do partido para as empresas do setor elétrico. O PT, que ainda não digeriu o pouco espaço concedido por Lula no governo, deve lutar muito. E a decisão está nas mãos da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. (Clique e confira na íntegra a edição 30/04/07)
Ucho
Haddad com Gilmar Corrêa e Thaís Margalho