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ano 7 - número 1599
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
"Se nada de estranho te surpreendeu durante o dia, é porque não houve dia."
John Archibald
 
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Fim da farra (24.04.08 - 17h03)
Se depender do projeto de lei apresentado pelo secretário-geral do PT, deputado José Eduardo Cardozo (SP), a maneira como é feita a concorrência na contratação de agências de propaganda irá mudar. A proposta sugere maior transparência nos contratos. As comissões responsáveis pela seleção das agências passariam a ser compostas por pessoas escolhidas em sorteio, incluindo especialistas sem vínculo funcional ou contratual com o Poder Público. Cardozo afirma que o Brasil já sofreu com desvios de milhões de reais dos cofres públicos por conta dos contratos de publicidade. Na elaboração da proposta, o deputado afirma ter ouvido sugestões de publicitários e especialistas do setor, preocupados com maior transparência no mercado.

Gato no telhado
A fala do presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, que durante a campanha fez da binacional Itaipu seu palanque eleitoral, tomou conta dos discursos no plenário do Senado. Especialista na área de energia, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) fez um pronunciamento técnico, explicando aos demais todos os detalhes que envolvem o bilionário negócio que é Itaipu. Senador pelo PSDB paranaense, Alvaro Dias lembrou que, no último final de semana, o jornal ABC Color deu mais destaque à polêmica criada por Lugo em relação à usina de Itaipu do que à própria eleição presidencial paraguaia, que no tablóide ficou em segundo plano. Foram seis páginas do ABC Color dedicadas ao tema, com direito a manchetes de capa, charges e outros que tais. Isso mostra que o grande operador e financiador da campanha vitoriosa de Fernando Lugo foi ninguém menos que Hugo Chávez, que na América Latina disputa palmo a palmo o prestígio político regional com o colega brasileiro, Lula da Silva.

Chávez no bastidor
Quando Lula da Silva afirma que sobre Itaipu não conversará com Fernando Lugo, é preciso reconhecer que o presidente brasileiro está correto, pois qualquer revisão contratual só deve acontecer em 2023. Até lá, as coisas ficam como estão, querendo ou não o presidente eleito do Paraguai. Por trás dessa manobra discursiva de Lugo está o venezuelano Hugo Chávez, que, à custa de muito dinheiro derramado na campanha do ex-padre, tenta arrancar do presidente Luiz Inácio a liderança política regional. A bordo dos petrodólares que a PDVSA lhe proporciona, Chávez utilizou, sem muito sucesso, estratégia semelhante, forçando o presidente boliviano Evo Morales a se apoderar das instalações da Petrobras no vizinho país. Em tempo: como pechinche de lupanar, que assiste a tudo calado, o governador Roberto Requião foi quem fez a interface entre Fernando Lugo e Hugo Chávez.

Pára-raios de aluguel
O governador Roberto Requião disse nesta terça-feira (22) que dará "todo o apoio possível" ao presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo. "Ele deve esperar do Paraná o que se espera de um companheiro. Ele terá todo o apoio possível de nossas instituições públicas, e tenho certeza de que o mesmo fará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva", falou Requião, na abertura da reunião semanal da Escola de Governo, realizada no auditório do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. “(A eleição de Lugo) foi uma vitória expressiva pondo fim a um monopólio político oligárquico de mais de 60 anos”, afirmou o governador.

Pente fino
Ontem, quarta-feira, a Polícia Federal anunciou que o pedido de prisão de um representante do banco Credit Suisse permitirá rastrear as contas bancárias que muitos brasileiros que mantêm no exterior. De acordo com o delegado federal Ricardo Saad, responsável pela Delegacia de Crimes Financeiros da PF, com o gerente do Credit Suisse foi apreendida farta documentação, inclusive cartões de assinaturas. O assunto também está sendo investigado pelo banco Central, segundo Saad. Acontece que a entrada do BC na investigação é uma completa heresia, pois representantes de bancos estrangeiros desembarcam no Brasil diariamente à cata de gordas contas bancárias. As autoridades sabem disso e nada fazem. Em tempo: se a Delegacia de Crimes Financeiros da PF soube prender o representante do Credit Suisse, como não conseguiu decifrar o mistério do dinheiro do Dossiê Cuiabá?

Fez por merecer
Durante longo tempo ele foi muito mais que assessor direto. Na verdade, foi um misto de escudo permanente e irmão de aluguel. Com a trágica e inesperada morte do deputado Júlio Redecker, um gaúcho que levava a querência na alma, Mário Selbach perdeu o chão por alguns dias. Tudo absolutamente justificável, pois só os que de fato conheciam Redecker conseguem avaliar a falta que ele faz até hoje. Passado o impacto, Mário Selbach foi para a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Dono de competência incontestável e fidelidade quase canina, Selbach deixou a capital dos gaúchos rumo a Novo Hamburgo, onde assumiu a Secretaria Especial de Assessoramento da prefeitura. Bom para a política gaúcha, bom para Novo Hamburgo.

Revolução no ninho
Quem pensa que o PSDB paulista vive um momento de tranqüilidade, engana-se. Depois do encontro entre tucanos e demos, em São Paulo, que deveria sacramentar candidatura única à prefeitura da capital dos paulistas, o PSDB saiu mais rachado do que estava. De um lado está Geraldo Alckmin, que, apoiado por FHC, sonha com a prefeitura da Paulicéia Desvairada. Do outro, o democrata Gilberto Kassab, que, apoiado por José Serra, insiste na reeleição. A briga interna do PSDB contrapõe FHC e José Serra, e tem a sucessão do presidente Lula, em 2010, como cardápio principal. Tanto é assim, que Gilberto Kassab tem atuado como papagaio de pirata do governador paulista em todas as solenidades oficiais na maior cidade do país. Tudo para inviabilizar politicamente dois tucanos de uma só vez: Geraldo Alckmin e Aécio Neves.

Chumbo trocado
Ao tentar levar o delegado Alexandre Neto à CPI das Escutas Telefônicas, a deputada Marina Magessi (PPS-RJ) garantiu: "não vamos torturá-lo. Ele vai lá e responde se quiser, até isso é prerrogativa legal dele. Mas ele gosta é disso: de fazer bagunça". A policial e dublê de deputada mostrou-se bastante ofendida com as acusações que Alexandre Neto levou à Comissão de Direitos Humanos, pois, na sua opinião, "o que parece é que lá [na CPI], já que só tem polícia, é só sacana. Aqui, que é direitos humanos, são só os anjinhos". Após as declarações oficiais, Marina Maggessi confirmou à imprensa que a briga era pessoal e mostrou-se descrente em relação aos documentos trazidos à comissão. Referindo-se ao atestado médico apresentado por Alexandre para comprovar sua licença médica, disparou: "você viu esse atestado? Eu não. Esse atestado não existe". E também desdenhou do próprio delegado: "ele não levou tiro de fuzil, foi de pistola. Ele está usando essa comissão". Alexandre Neto lembrou que, como suspeita, ela não pode fazer-lhe perguntas diretas, apenas defender-se das acusações. Marina Magessi não pediu oficialmente para checar os laudos trazidos pelo delegado Alexandre Neto. (Foto: Fabio Pozzebom - ABr)

Espírito de corpo
O grande defensor de Marina Maggessi foi o deputado e também delegado de polícia Laerte Bessa (PMDB-DF). Ele lembrou que a comissão poderia "somente falar de direitos humanos". Também não deixou que a deputada fosse atingida por acusações e pediu que um vídeo que o delegado Alexandre Neto levou à Comissão só fosse transmitido se Marina Maggessi não fosse citada. Envolvido amplamente nas negociações para levar Alexandre Neto à CPI das Escutas Telefônicas, ele explicou que "esta é uma casa de respeito", acrescentando que se o delegado fosse depor na CPI , receberia "um tratamento digno" e que o único assunto tratado seriam os possíveis grampos ilegais. Já o presidente da CPI, Marcelo Itagiba (PMDB-DF), não foi tão compreensivo e, fora do plenário, repreendeu a colega por seu comportamento.

Complicou de vez
Marina Maggessi encerrou sua participação dizendo que Alexandre Neto "deveria agradecer aos deputados que se envolveram na negociação, nesse circo que ele criou na Casa". Ela referiu-se aos deputados Pompeo de Mattos, Chico Alencar, Iriny Lopes e Sebastião Bala Rocha. Apesar dos alternados tumultos, os resultados da audiência foram favoráveis a Alexandre Neto e Daniel Ponte, que receberam a promessa de que a partir de agora o caso será acompanhado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM). O deputado Sebastião Bala Rocha (PDT-AP) lembrou que, após esta quarta-feira, a Comissão passa também a ter responsabilidade. Os temas tratados pela Comissão servirão de base para inquirir o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, e o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, cujas audiências já estão programadas pela Comissão.

Confusão à vista
A proposta de reforma tributária do governo federal que agora, finalmente, começa a ser analisada pela comissão especial instalada ontem com a eleição do presidente (Antônio Palocci, PT-SP), do vice-presidente (Edinho Bez, PMDB-SC) e do relator (Sandro Mabel, PR-GO), apresenta uma série de questões consideradas problemáticas. Entre elas está a ameaça ao financiamento da seguridade social. A análise é do PSol, que considera injusto o peso tributário sobre o consumo, prejudicando os trabalhadores e consumidores de baixa renda e aliviando o grande capital. A comissão especial da PEC 233/08 terá 40 sessões para apreciar a proposta, podendo ser votada ainda neste semestre.

Barril de pólvora
Vice-líder do PPS na Câmara, o deputado Moreira Mendes (RO) promete apresentar hoje pela manhã, na Comissão de Agricultura, provas sobre atividades guerrilheiras da Liga dos Camponeses Pobres em Rondônia. O parlamentar avisou que a reunião servirá para que o Brasil conheça detalhes sobre o modo como esse grupo opera. “Vamos esclarecer toda a verdade sobre essa guerrilha”. O detalhe é que a audiência deverá ter a presença do representante da Liga dos Camponeses Pobres, Nilo Halack. Isso se ele aceitar o convite feito por alguns deputados de Rondônia após uma reportagem sobre o assunto na revista IstoÉ.

Vai na marra
Não é de hoje que o Ministério Público do Paraná cobra, sem sucesso algum, a Assembléia Legislativa local sobre os 6,8 mil fantasmas existentes no Legislativo da terra das araucárias. Como se fosse um apedeuta, o presidente da Assembléia Legislativa do Paraná, Nelson Justus, sonega informações sobre o polêmico tema. Diante do impasse, uma ação popular deve ser protocolada na Justiça nos próximos dias. Só assim a farsa que domina a política paranaense terá fim.

Boca de siri
Cuidado com o que você come. No balanço geral do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), nove produtos apresentaram índices irregulares de resíduos de agrotóxicos. O caso que mais chamou a atenção foi o do tomate. Das 123 amostras analisadas, 55 apresentaram resultados insatisfatórios, o equivalente a 44,72%. Os técnicos encontraram a substância monocrotofós, ingrediente ativo que teve o uso proibido em novembro de 2006, em razão de sua alta toxicidade. A batata, que em 2002, primeiro ano de monitoramento do Para, apresentava índice de 22,2% de uso indevido de agrotóxicos, teve o nível reduzido para 1,36%. A maçã, que chegou a apresentar índice de 5,33% neste período, fechou 2007 com incidência de 2,9%.

Batendo o martelo
A compra da Double Click pela Google é perfeitamente legal para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, e não vai atrapalhar a concorrência e o mercado de publicidade on line no Brasil. O entendimento do conselheiro relator Fernando Furlan foi aprovado ontem pelo plenário do Cade. Furlan disse que baseou seu relatório nos aspectos do setor no País, investigou as decisões já proferidas por outras autoridades antitruste, como a norte-americana, a européia e a australiana, onde a mesma operação já foi julgada. O negócio de 3,1 bilhões de dólares foi fechado dia 15 de março, permitindo a integração das plataformas e a absorção de 1.400 empregados. O acordo combina o domínio do Google, com a publicidade vinculada aos resultados de busca ao domínio da DoubleClick no segmento de publicidade de Web.

Gato por lebre
Pensando bem, Fernando Lugo ainda vai descobrir que o paraíso que lhe venderam não passa do mapa do inferno.

Túnel do Tempo - Mágicos de plantão
(24/04/07) - Para minimizar a crise que advirá da redução no fornecimento do gás boliviano, o governo brasileiro anunciou que anunciou que importará gás liquefeito de outros países. Para alimentar o parque industrial brasileiro e atender os milhões de consumidores, em especial os das regiões sul e sudeste, o governo brasileiro terá de gaseificar o gás liquefeito. Como noticiou a coluna por ocasião da decisão de Evo Morales de se apropriar de maneira criminosa das refinarias da Petrobras, uma planta industrial capaz para gaseificação demora, no mínimo, trinta meses para ser construída e funcionar sem problemas. Traduzindo, vem crise pela frente. (Clique e confira na íntegra a edição 24/04/07)

Ucho Haddad com Gilmar Corrêa e Thaís Margalho

Clique e confira as denúncias do médico legista Daniel Ponte e do delegado Alexandre Neto sobre a corrupção que emoldura a Polícia Civil do Rio de Janeiro
 
Clique e confira o relatório do senador Francisco Dornelles (PP-RJ) sobre a reforma tributária
 
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Clique e confira a produção de cada Senador da República em 2007
 
Clique e confira o mapa da violência no Brasil
 
Clique e confira os gastos da Presidência com cartões de crédito corporativos
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