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ano 7 - número 1597
terça-feira,22 de abril de 2008
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
"A sociedade consumista favorece a corrupção."
Gherardo Colombo
 
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Compasso de espera (22.04.08 - 13h54)
No Senado Federal há 71 itens a serem votados a partir desta terça-feira, mas três Medidas Provisórias trancam a votação. A primeira a ser votada deve ser a 407/07, que autoriza a prorrogação de contratos temporários de profissionais que desenvolvem atividades técnicas especializadas em projetos de cooperação assinados com organismos internacionais até 31 de julho do ano que vem. A matéria também amplia dos atuais 216 para 800 os cargos de analista de infra-estrutura e prorroga, até 31 de dezembro de 2008, o prazo de concessão da gratificação temporária (GT) e da gratificação de representação de gabinete (GRG) para servidores ou empregados requisitados pela Advocacia-Geral da União (AGU).

Pela tangente (22.04.08 - 13h00)
Dilma Rousseff escapou mais uma vez das garras da oposição. Uma tropa de choque do governo rejeitou, na Comissão de Meio Ambiente do Senado, requerimento do senador Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), que queria ouvir da ministra-chefe da Casa Civil as explicações sobre o fatídico dossiê FHC. Se na Comissão de Meio Ambiente não é o lugar adequado para esclarecer o escândalo do dossiê, à Polícia Federal a ministra deve falar em breve. É mais uma bem articulada estratégia palaciana para blindar Dilma Rousseff, salvando-a do visgo oposicionista.

Ócio improdutivo (22.04.08 - 11h52)
Depois de quase uma semana de folga, dificilmente Câmara dos Deputados ou Senado Federal devem registrar quorum suficientes nesta terça-feira. Como sempre, o ritmo começa lento e a semana deve ser menor ainda. Na Câmara, oito medidas provisórias trancam a pauta de votação. Se houver presença suficiente e um acordo entre os líderes partidários, poderá ser votada a MP 413/08, que cria incentivos tributários para a modernização do setor de turismo. A medida provisória mais polêmica é a 415/08, que restringe a propaganda de bebidas alcoólicas. A Associação Brasileira de Propaganda durante todo o feriadão de Tiradentes fez campanha nas televisões contra a restrição. Teme a perda de parte de uma bolada anual em publicidade de R$ 900 milhões. O consumo de bebidas alcoólicas movimenta por ano no Brasil aproximadamente R$ 20 bilhões.

Missão cumprida (22.04.08 - 11h12)
Ricardo Kotscho fez bem seu papel. Veja a pergunta à sua ex-companheira do tempo da guerrilha urbana, que ela diz não se arrepender: “Certa vez, durante uma viagem ao exterior em 2004, o presidente Lula me fez uma pergunta que vou te repetir agora: Você gostaria de ser presidente da República? Dilma - Sim, todos gostariam. Todos os brasileiros e brasileiras gostariam. Agora isso é, como vou dizer?... Outro dia vi um menino pequenininho no colo da mãe e ela pediu ao presidente para tirar uma foto. “Tira uma foto com meu menino porque ele também quer ser presidente da República”. O presidente pegou e abraçou a mãe e o menino”. Todos os brasileiros gostariam... Menos ministra, menos.

Laços de família (22.04.08 - 11h11)
A vinculação política do portal iG com o Palácio do Planalto não é novidade para ninguém. A contratação do jornalista Ricardo Kotscho, que já fez o papel de assessor de imprensa do presidente-metalúrgico Lula da Silva, foi mais uma prova dessa relação. A outra foi a entrevista exclusiva da “mãe do PAC” Dilma Rousseff ao próprio jornalista petista postada ontem. Arredia a uma conversa franca com os jornalistas, a ministra da Casa Civil derreteu-se com as perguntas de Kotscho, que animou o texto aliviando sobre alegria da ministra e seu terninho. A entrevista teve o objetivo de mostrar uma ministra simpática e sensível. Perguntou-se até sobre o casamento da filha: “Viver a dois tem que ter muita misericórdia um pelo outro. E tomara que ela continue gostando dele tão forte como gosta hoje. Me deu um sentimento de nostalgia, assim meio de melancolia... Mas a gente tem outras vantagens, não pode jogar pedra no passado”.

Alça de mira
A falta de novidades jornalísticas no mundo político tem obrigado a imprensa a mergulhar nos chamados mexericos da Candinha. O casamento da filha da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em Porto Alegre, recheou os principais veículos de comunicação do País nos últimos dias. O assunto que passou ao largo da mídia foi a maneira como governadores, ministros e autoridades se deslocaram até a capital dos gaúchos. Considerando que o casamento da filha de Dilma não foi um evento oficial, espera-se que cada político tenha tirado do próprio bolso o dinheiro para as despesas de viagem. Ou será que os cartões corporativos entraram em ação mais uma vez?

Pedra no sapato
A vitória de Fernando Lugo nas eleições paraguaias abre uma cizânia no continente sul-americano. O presidente Lula da Silva já anunciou que não conversará com Lugo sobre a usina binacional de Itaipu, e isso será um enorme trampolim político para que o venezuelano Hugo Chávez ressurja no cenário local. Depois de seis décadas, o Partido Colorado entregou o poder à esquerda paraguaia, o que só foi possível com a ajuda financeira de Chávez.

Deixando de lado
Sobre o anúncio precipitado do presidente da Agência Nacional de Petróleo, Haroldo Lima, que afirmou ser o campo petrolífero de Carioca um dos maiores do mundo, o Palácio do Planalto do Planalto preferiu adotar um estranho e obsequioso silêncio. A coluna conversou longamente com geofísicos especialistas em petróleo, que prestam serviços para a Petrobras. Na opinião dos profissionais, qualquer conclusão definitiva demanda pelo menos mais seis meses, período em que novas perfurações serão realizadas e os dados obtidos analisados. Em tempo: Haroldo Lima baseou-se em reportagem técnica sobre o tema para anunciar o que ainda carece de tempo e muito estudo.

Tiro no escuro
Ainda a Petrobras... Os campos de Tupi, Júpiter e Carioca contêm enormes reservas de petróleo, mas é preciso considerar o preço do produto no mercado internacional. Localizados em águas profundas, os campos citados só são viáveis economicamente se o preço do petróleo continuar em alta. Do contrário, lembrou um dos geofísicos, a extração de petróleo em qualquer um desses campos não justifica sob a ótica financeira.

Mico no Judiciário
Mesmo que o número de empregos prometidos pelo presidente Lula da Silva para o primeiro mandato tenha ficado longe da meta, é preciso reconhecer que houve um aumento na geração de novos postos de trabalho. Longe disso, um fato preocupa o universo trabalhista. Em todo o País, a Justiça do Trabalho é palco de mais de 2,5 milhões de processos trabalhistas. O que mostra que não apenas a lentidão da Justiça, mas a ganância dos advogados que representam os reclamantes. Sem contar o custo para administrar tamanha quantidade de pendengas judiciais.

Minutos de fama
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, é seguramente um dos onze membros da Suprema Corte brasileira mais popular. Na última sessão do STF, que começou a julgar a procedência de uma ADI do PSDB contra as Medidas Provisórias de crédito extraordinário, Marco Aurélio distribuiu sorrisos e autógrafos para mais de uma dezena de pessoas no intervalo do julgamento. Teve até sessão de fotos. Uma das fãs era a advogada Maria Célia, que veio especialmente de Patos de Minas (MG) para abraçar o ministro. “Ele é muito inteligente; as decisões dele são muito bem fundamentadas”, derrete-se.

Vida dura
Mesmo com a cabeça no espaço, os técnicos do Centro de Lançamento de Alcântara (MA) não dispensam uma boa sobremesa. O comando do centro espacial mandou comprar na semana passada oito caixas de bombons sonho de valsa, 165 potes de sorvetes, duas garrafas de conhaque, 120 barras de cereais e duas caixas de chicletes com 100 unidades cada. A pequena mordomia foi incluída numa lista de compras que consumiu R$ 56,6 mil. E quem nunca, jamais, abandona a mordomia é o Senado Federal. O Contas Abertas informa que somente um serviço de decoração custou R$ 3,6 mil, outros R$ 5,5 mil foram gastos na contratação de um café da manha e mais R$ 10,8 mil foram pagos a uma empresa de bufê. Com a palavra, o contribuinte.

Mãos ao alto
Na gangorra em que se transformou a administração da VarigLog, porção logística da velha e finada Varig, um detalhe chamou a atenção dos interventores judiciais que passaram pela empresa nos últimos meses. Novamente nas mãos do fundo de investimento chinês que controla a empresa, a VarigLog foi alvo de saques milionários (R$ 5 milhões) em dezembro passado. Todos próximos do Natal. Tem algo muito estranho nessa história que certamente nem mesmo Papai Noel acreditaria.

Há algo estranho
O fato de o Banco do Brasil ter contribuído com R$ 50 mil para um curso organizado pelo MST, em Brasília, causou indignação na camada pensante da sociedade brasileira. A justificativa apresentada pelo BB é que a instituição financia R$ 12 bilhões em recursos para a chamada agricultura familiar. Uma coisa não justifica a outra, mas o que causa espécie é que se o MST não é uma pessoa jurídica, como alega para fugir das intimações judiciais, não poderia receber dinheiro do Banco do Brasil. Ou será que o BB dá dinheiro ao primeiro que à sua porta surgir?

Estica e puxa
Enquanto o reitor pro-tempore da Universidade de Brasília, professor Roberto Aguiar, tenta arrumar a casa, os diversos grupos políticos da universidade já deflagraram o processo sucessório. Pelo menos dez professores já se apresentaram como pré-candidatos, mas dos três principais grupos políticos da universidade podem sair quatro candidatos principais. O grupo ligado ao PT deverá lançar a professora Lourdes Bandeira, do departamento de Sociologia, segunda colocada na escolha da reitoria pro-tempore. Do mesmo grupo também participa o professor Marco Amato, que é atualmente um dos decanos do professor Roberto Aguiar. O Grupo do PT sempre fez oposição ideológica ao ex-reitor, Timothy Mulholland, sem apresentar força política. A professora Lourdes é também um nome importante na Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.

Fogueira de vaidades
Outro grupo de expressão é co-liderado pelo professor Marcelo Hermes, UnB Livre, que teve participação bastante ativa nas denúncias contra o ex-reitor por malversação do dinheiro público. O grupo por enquanto ainda não lançou um candidato. Da antiga base de Mulholland pode sair mais de um pretendente. Dentre os nomes está o do diretor da Faculdade de Tecnologia, professor Humberto Abdalla, que deve trazer um discurso de reconstrução da universidade. Para fortalecer a chapa, é possível que haja uma coligação com professores de outros departamentos, como o professor Norair Rocco, do Departamento de Matemática. Ainda do antigo grupo de Timothy pode vir o nome do professor Volney Garrafa, que agora também critica o ex-reitor.

Truque do aço
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pode decidir nesta quarta-feira feira sobre a operação de reestruturação societária da Usiminas, depois do Ingresso da Companhia Vale do Rio Doce e da Nippon Steel Corporation (NSC) no negócio. Há uma suspeita de que a Vale pode manipular os negócios da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S.A. em proveito próprio. Os conselheiros devem botar um ponto final dessas suspeitas se aprovarem o relatório do colega Fernando de Magalhães Furlan.

No contrapé
No seu parecer, Magalhães Furlan afirma que não há evidências concretas de parceria estratégica entre diversas empresas para administração da Usiminas. “Tal parceria, que seria em tese improvável, não foi objeto de comprovação empírica pela ProCade (Procuradoria do Cade), que apenas especulou acerca de sua existência”. A operação de reestruturação societária da Usiminas foi concretizada por meio de seis contratos de compra e venda de ações, datados de 06 de novembro de 2006, celebrados entre a Johannes Bernardus Sleumer, Votorantim e Camargo Corrêa; CVRD, Votorantim e Camargo Correa; CEU, Votorantim e Camargo Corrêa; Johannes Bernardus Sleumer, MC Development, Metal One e NSC; CEU, Nippon Usiminas, MC Development, Metal One e NSC; CVRD e NSC.

Olhos atentos
Em outro processo de compra e venda, que pode ser analisado amanhã, o Cade também deve acompanhar a decisão tomada pela Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda. Deve ser aprovada a compra pela Monsanto do Brasil Ltda. da Agroeste Sementes S.A., que é uma sociedade brasileira de propriedade do conglomerado Agroeste. O detalhe é que este grupo que realiza pesquisas em Xaxerê (SC) e Campo Verde (MT) é a única que produz sementes híbridas de milho e de milho pipoca, assim como investe na área de pesquisa e desenvolvimento genético de híbridos de milho. A Procuradoria do Conselho Administrativo de Defesa Econômica do Ministério da Justiça disse em seu parecer que o resultado do negócio não provoca prejuízo da concorrência. A Monsanto é uma das maiores empresas do mundo em pesquisas de sementes híbridas, e só no Brasil faturou, em 2006, cerca de 400 milhões de dólares.

Time de peso
Pensando bem, a esquerda jamais esteve tão mal representada. Um índio, um pára-quedista, um padre e um torneiro mecânico fazem as honras da casa na América do Sul.

Túnel do Tempo - Tudo de novo
23/04/07) - Quando estreou em seu segundo mandato, Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula, disse que de nada adiantaria jogar a culpa nos seus antecessores, pois agora ele seria antecessor de si próprio. Mas a promessa durou pouco, o que não poderia ser diferente em se tratando de quem prometeu. Durante evento em Goiás, na última sexta-feira, Lula disse que a onda de criminalidade que assola o País é culpa dos presidentes que o antecederam. Já estava na hora de o presidente jogar a culpa no colo de alguém. Enfim... (Clique e confira na íntegra a edição 23/04/07)

Ucho Haddad com Gilmar Corrêa e Thaís Margalho

Clique e confira as denúncias do médico legista Daniel Ponte e do delegado Alexandre Neto sobre a corrupção que emoldura a Polícia Civil do Rio de Janeiro
 
Clique e confira o relatório do senador Francisco Dornelles (PP-RJ) sobre a reforma tributária
 
Clique e confira a farra que os ministros do presidente Lula fazem com os aviões oficiais
 
Clique e confira a produção de cada Senador da República em 2007
 
Clique e confira o mapa da violência no Brasil
 
Clique e confira os gastos da Presidência com cartões de crédito corporativos
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