Artigos novos (17.04.08 - 16h31)
Jornalista e escritor, o paraibano José Nêumanne Pinto, em “As andorinhas de Haia mantendo o verão”, faz uma retrospectiva da história ao relatar a passagem de brasileiros por Haia, e aposta na viagem de Lula da Silva à Holanda como forma de o presidente-metalúrgico cumprir seu compromisso com a democracia. Sociólogo e professor de Ética, Roberto Romano da Silva, em “A fábrica dos intelectuais militantes”, mostra contemporaneidade da misologia, “termo inventado por Platão para designar quem não suporta o elemento racional, o raciocínio”. Clique sobre o nome de cada articulista e confira os artigos.
Maré de azar (17.04.08 - 15h33)
O senador Magno Malta (PR-ES) poderá ser hospitalizado novamente ainda hoje. Ele ficou internado por cinco dias no Hospital Sírio e Libanês, em São Paulo, e recebeu alta ontem. Hoje, em Brasília, sentiu-se mal e foi atendido no consultório do Senado Federal. Exames que foram solicitados pelo médico Davi Uip podem indicar que o senador contraiu uma virose e não dengue, como se suspeitava. Antes de ser atendido pelos médicos do Senado, Magno Malta sofreu um acidente no Plenário, quando uma cadeira quebrou levando o senador ao chão. Ele participava de uma sessão especial em homenagem ao Dia do Exército. Por conta do inesperado incidente, a direção-geral da Casa decidiu que todas as cadeiras dos senadores passarão por revisão neste final de semana.
Rodando a baiana (17.04.08 - 13h03)
Ainda sonhando com mais quatro anos como imperador da Paulicéia Desvairada, o prefeito democrata Gilberto Kassab continua fazendo de compromissos oficiais um verdadeiro palanque eleitoral. Amanhã, sexta-feira, Kassab inaugura um centro médico na zona norte de São Paulo. Tudo devidamente registrado pela imprensa e pela assessoria do alcaide, até porque ninguém é de ferro e a eleição está se aproximando. Resta saber se Gilberto Kassab vai repetir o escândalo que patrocinou durante a inauguração de outro centro médico na capital paulista, meses atrás, quando ainda não estava em campanha e deixava à mostra o seu conhecido mau humor. Clique e ouça o destempero do democrata Kassab.
Maluco beleza (17.04.08 - 13h01)
Governador do mais importante estado da federação, São Paulo, o tucano José Serra abusa do preciosismo quando tenta colocar ordem em seus domínios político-administrativos. Serra sancionou nos últimos dias lei que proíbe professores da rede estadual de ensino de apresentarem mais de seis atestados médicos por ano. De acordo com a Secretaria de Educação, 30 mil professores deixam de comparecer ao trabalho diariamente. Não se discute a necessidade de moralização do Estado, mas o professor que consegue ficar doente apenas seis vezes por ano com o magistral salário que recebe, merece todos os prêmios de sobrevivência.
Bola da vez (17.04.08 - 12h58)
Ulisses Fagundes Neto, reitor da Universidade Federal de São Paulo, flagrado em despesas com cartões corporativos do governo Lula da Silva, é o mais novo “boi de piranha” que o Palácio do Planalto lança na direção dos tentáculos da oposição, como forma de manter sob estrito sigilo os gastos da Presidência da República. Fagundes Neto será ouvido na CPI Mista dos Cartões Corporativos. Na verdade, o Planalto tenta passar à opinião pública a falsa sensação de moralidade, o que certamente inexiste nos gastos palacianos. Ora, se os gastos de Ruth e Fernando Cardoso podem ser divulgados, por que os dos Lula da Silva precisam ser mantidos sob sigilo? Provavelmente porque bandalheira com o dinheiro público é o mínimo que deve aparecer nas contas presidenciais.
Armação ilimitada
O caso da prisão do jornalista Roberto Cabrini, 47 anos, é mais um capítulo da ditadura silenciosa que impera no Brasil. Profissional ético e competente, o piracicabano Cabrini é um ser humano de princípios. Preso sob a acusação de tráfico de drogas, Roberto Cabrini foi vítima de uma ardilosa armação, quando preparava reportagem sobre entorpecentes. Tanto é verdade, que um veículo descaracterizado com profissionais de televisão o acompanhava. Caso denunciasse a realidade do tráfico de drogas na zona sul da capital paulista, Cabrini certamente estaria ferindo interesses de graduadas autoridades. Não é de hoje que policiais e traficantes se envolvem no milionário negócio das drogas. O editor da coluna conhece o jornalista Roberto Cabrini, com quem conviveu diariamente durante a cobertura jornalística da morte do então governador Mário Covas. No Brasil, afrontar o poder custa excessivamente caro.
A história se repete
Durante quase dois anos, o editor da coluna ministrou curso socializante na penitenciária feminina do Tatuapé, na zona leste da capital paulista. À época, a unidade prisional, atualmente desativada, abrigava 650 internas, a maioria acusada de tráfico de drogas. Durante esse período, muitas foram as confissões das chamadas mulas do tráfico internacional de drogas. Sob a promessa de sigilo, várias presas confidenciaram que a quantidade de droga apreendida no momento do flagrante sempre foi maior do que a registrada no boletim de ocorrência policial. Alguém certamente deve ter uma explicação para esse ilusionismo. O que reforça a tese de que Roberto Cabrini foi vítima de uma enorme armação. E mais: entender o envolvimento de policiais e traficantes não é empreitada das mais difíceis. Basta analisar a declaração do Imposto de Renda dos policiais e compará-la com o patrimônio de cada um.
Olho do furacão
Indicado nesta terça-feira pelo ministro Fernando Haddad (Educação) para assumir interinamente a reitoria da Universidade de Brasília, a UnB, Roberto Aguiar foi secretário de Segurança Pública do Distrito Federal durante a gestão do agora senador Cristovam Buarque (PDT). De tal forma, queira ou não, Aguiar esteve envolvido no “Massacre da Estrutural”. O episódio, resultado criminoso de uma operação policial batizada de Tornado, e deflagrada por Roberto Aguiar, em 8 de agosto de 1988, terminou com dois homens executados, um baleado na cabeça e 50 pessoas feridas. Agora, Aguiar chega à UnB afirmando que irá “acabar com os clãs”. O Brasil espera que uma Operação Tornado, o Retorno, não seja encenada nos bastidores da universidade. E mais: Roberto Aguiar ocupa a vaga deixada por Timothy Mulholland, que mereceu, no plenário do Senado, a defesa inconteste do senador Cristovam Buarque, que trabalhou pela indicação do substituto.


Macarronada e inflação
No início da noite desta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, Copom, anunciou a nova taxa básica de juros. 11,75% ao ano, um aumento de meio ponto percentual, superando inclusive as expectativas do mercado financeiro, que apostava em 0,25 ponto percentual. A decisão do Copom tem como objetivo conter as possibilidades de volta da inflação, o que deve levar o órgão a decidir por novos aumentos da taxa de juros. Na verdade, a inflação já chegou ao bolso do consumidor. Em apenas três semanas, o preço do tomate, em São Paulo, passou de R$ 2,60 para R$ 3,98 o quilo, o que representa 58,8% de aumento. É a inflação que saiu do campo e desembarcou na cidade.

Queda de braço
A convocação da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), para explicar a criação de um dossiê contra o casal FHC-Ruth e alguns ex-ministros tucanos, tem um novo capítulo hoje no Senado Federal. O assunto vai ser polemizado na reunião da Comissão de Infra-Estrutura, depois que o presidente senador Marconi Perillo conseguiu, numa bem sucedida manobra, fazer aprovar a convocação da ex-guerrilheira. O embate entre a oposição e a base do governo vem com cheiro de pólvora, depois que a base aliada derrubou ontem um acordo para aprovação de diversos requerimentos na CPMI dos Cartões Corporativos. Entre os requerimentos rejeitados, estava o que iria garantir à CPMI o acesso às informações sigilosas do gabinete da Presidência da República. Em compensação, a presidenta da comissão mista, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), autorizou que assessores dos parlamentares também terão acesso aos dados sigilosos do Tribunal de Contas da União (TCU). O vazamento dos dados é questão de tempo. O deputado Índio da Costa (Dem-RJ) chegou a chamar jornalistas para passar algumas informações até agora desconhecidas.


Tiro no escuro
Sem consistência discursiva desde que deixaram o poder, os agora oposicionistas perderam a grande chance de mostrar ao cidadão como se faz oposição republicana. No afã de minar as chances políticas de quaisquer dos possíveis candidatos oficiais à sucessão de Lula da Silva, a oposição se valeu de uma artimanha para convocar a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), que terá de explicar o imbróglio do Dossiê FHC na Comissão de Infra-Estrutura do Senado Federal. Erra a oposição ao mirar sua artilharia na direção de Dilma Rousseff, pois a chefe da Casa Civil vive um momento muito parecido com massa de pão sovado. Quanto mais se bate, mais ela cresce. Pelo menos é isso que apontou uma pesquisa interna realizada por partidos da oposição.
Intruso oficial
Na última semana, o Ministério do Desenvolvimento Agrário reuniu, em Brasília, representantes de todas as Polícias Militares do País. Durante o encontro, o MDA entregou aos policiais militares uma cartilha com normas e procedimentos a serem adotadas durante as invasões patrocinadas pelo Movimento dos Sem Terra, o MST, inclusive nos casos em que a Justiça já determinou a reintegração de posse. É bom lembrar que o MDA vai além de suas funções, pois não lhe cabe, nem mesmo em sonho, tratar de assuntos relacionados à segurança pública. A única brigada militar que não compareceu ao encontro foi a do Rio Grande do Sul, onde o MST e suas criminosas reticências zombam diuturnamente da lei. Presidente Lula, nunca antes neste país...

Na nossa conta
Caiu no bolso do contribuinte a conta referente à confecção de um livro de mais de 200 páginas que lembra discursos e alguns fatos marcantes do falecido senador Antônio Carlos Magalhães. O material foi selecionado pelo neto, o deputado ACM Neto, mas quem pagou a conta do mimo foi o Senado Federal, ou seja, o cidadão que paga um dos impostos mais altos do mundo. A edição caprichada pela Gráfica do Senado coincidiu com a homenagem prestada ontem ao velho cacique baiano pelos membros Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. Uma reunião especial marcou a colocação do retrato de ACM na galeria de ex-presidentes do colegiado. Falando em nome da família, o senador Antônio Carlos Júnior, que herdou os quatro anos que restavam do mandato do pai, disse que o homenageado desafiou a própria saúde, mas cumpriu os objetivos que tinha estabelecido para sua gestão.
A um passo do ringue
O senador Sibá Machado (PT-AC) por pouco não entra em luta corporal com o suplente do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), Carlos Ramiro, que é ligado à APEOESP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo). Houve um desentendimento entre os dois dentro do Senado Federal, na terça-feira, após a sessão da Comissão de Educação e Cultura. Carlão, como é conhecido, foi detido pelos policiais do Senado e posteriormente liberado por interferência do próprio senador Sibá, que descobriu na delegacia policial que o dirigente sindical era o primeiro suplente do seu colega petista.

Deixa disso, companheiro!
Carlão e Sibá discutiram aos berros e só não brigaram porque foram separados por membros da entidade no corredor das comissões. Sibá Machado desagradou o grupo ao pedir o adiamento da a votação do projeto que obriga as disciplinas de Filosofia e Sociologia nas escolas de ensino fundamental do país. A APEOESP tinha até programado uma confraternização para festejar a aprovação, já previamente negociada com a líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC). Sibá atrasou a votação atendendo a um apelo dos professores de psicologia, que também querem a obrigatoriedade da disciplina.
Paralisação na pauta
Amanhã, quando a paralisação completa um mês, os auditores fiscais voltam a se reunir em assembléia geral, mas há um forte indicativo de que a greve vai continuar por mais tempo. A principal reivindicação é o alinhamento do salário às da Polícia Federal e da Advocacia Geral da União. Os outros pontos sem acordo são a nova tabela – que retoma o salário inicial proposto em fevereiro - e o tempo mínimo para mudanças de padrões, que o governo estimou em 18 meses. A proposta apresentada pelo secretário da Receita Federal do Brasil, Jorge Rachid, e pelo secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva, ainda mantém o salário final e o cronograma de reajustes igual aos que foram apresentados na última reunião, realizada no dia 3 de abril. A proposta também se baseia na promoção apenas no critério de mérito e não leva em consideração a antiguidade.

Par ou ímpar?
Garibaldi Alves Filho (PMDB) e José Agripino Maia (DEM) resolveram andar separados nas eleições municipais de Natal, a capital dos potiguares. Os dois senadores têm candidatos diferentes para suceder Carlos Eduardo (PSB), mas devem caminhar juntos se qualquer um dos candidatos chegar ao segundo turno. O presidente do Senado apóia o vereador Hermano Moraes (PMDB), enquanto José Agripino irá apoiar o candidato do PV, a deputada estadual Micarla de Souza. Na outra ponta está a governadora Wilma de Faria (PSB), que apóia Rogério Marinho.

Tiro de festim
O maior partido do Brasil, o PMDB, reuniu ontem, em Brasília, os dirigentes dos diretórios estaduais para recomendar que a legenda tenha candidatos às prefeituras municipais. Como se fosse um grande paquiderme, no entanto, o partido parece que não tem nomes sequer para concorrer nas capitais. A questão de São Paulo, por exemplo, continua sendo um mistério. A maior capital brasileira por enquanto tem sete pré-candidatos, mas nenhum do PMDB.