Baile na concorrência (14.04.08 - 15h34)
O que a poderosa Folha de São Paulo publicou na edição desta segunda-feira, 14 de abril, como sendo verdadeiro furo de reportagem, os leitores do ucho.info, como sempre privilegiados pela nossa já costumeira antecedência, souberam em 4 de maio de 2007, ou seja, há exatos 346 dias. Naquela data, como pode ser conferido nas notas abaixo republicadas, a coluna denunciou o escandaloso repasse de verbas do Ministério do Turismo, então comandado pelo mineiro Walfrido dos Mares Guia, à Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, a Abrasel. À época, o valor total repassado à Abrasel era de R$ 16.289.925,00. Queiram ou não, o UCHO.INFO é a MARCA DA NOTÍCIA.
Marido traído (04.05.07 - edição nº 1349)
Provavelmente, isso o presidente Lula também não sabia quando convidou o mineiro Walfrido dos Mares Guia para assumir a coordenação política do governo. Agora ministro das Relações Institucionais, Mares Guia, enquanto estava à frente da pasta do Turismo, não deixou de contemplar os amigos das Gerais. Entre novembro de 2004 e março de 2007, Walfrido dos Mares Guia repassou à Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, com sede em Belo Horizonte, a bagatela de R$ 16.289.925,00. A justificativa para a transferência da pequena fortuna foi o fortalecimento da gastronomia brasileira. O que mostra que o governo do presidente Luiz Inácio vive de antíteses. Enquanto o Programa Fome Zero continua sendo o fiasco de sempre, um ministro torra dinheiro com as sandices de conterrâneos.
Amigo é para isso (04.05.07 - edição nº 1349)
Ainda Mares Guia... Considerando que em 2006 o governo federal não pôde liberar recursos durante determinado período (três meses), por conta das eleições, os R$ 7.365.895,00 foram distribuídos em nove meses, o que representa uma média de R$ 818,4 mil por mês. No contraponto dos negócios mundiais do turismo, a China, cuja economia o presidente Lula considerou como sendo de mercado, investiu 150 mil euros em um stand de cento e quinze metros quadrados no Salão de Turismo de Paris, um dos maiores eventos mundiais do setor. Assim, resta concluir que Mares Guia ainda há de ensinar aos chineses o que é, de fato, um negócio da China.
O impasse continua (14.04.08 - 15h18)
A confusão que toma conta da Universidade de Brasília deve continuar pelo menos até quarta-feira, 16. Há pouco, os alunos que ocupam a reitoria da UnB aprovaram, em assembléia, um indicativo de desocupação, que pode ser materializado em até 48 horas, caso o Conselho Universitário atenda a duas reivindicações dos alunos: o voto paritário e o Congresso Estatuinte das Paridades. Ministro da Educação, Fernando Haddad tem sobre a escrivaninha lista tríplice para viabilizar um mandato tampão à frente do comando da UnB. Na lista de Haddad estão os nomes de Sepúlveda Pertence (ex-ministro do STF), Antonio Carlos Pedrosa e Décio Garcia Munhoz. Em tempo: a pressão exercida com sucesso pelos alunos da UnB pode se transformar em rastilho de pólvora, atingindo as 52 universidades federais. É esperar para ver.
Repetindo a dose (14.04.08 - 14h05)
Mais uma vez, descobertas petrolíferas são usadas pelo governo do presidente-metalúrgico Lula da Silva como antídoto para a crise que há anos chacoalha o Palácio do Planalto. No rastro do quase interminável escândalo do Dossiê FHC, o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Haroldo Lima, anunciou que as reservas encontradas na área chamada “Pão de Açúcar”, na Bacia de Santos, podem ser cinco vezes maior que as de Tupi. “Se isso for confirmado, será a maior descoberta já feita no mundo”, disse o diretor da ANP.
Artigos novos (14.04.08 - 11h04)
Cineasta, jornalista, escritor e ex-secretário nacional de Cultura, Ipojuca Pontes, em "TV e lavagem cerebral", não apenas centra suas críticas na direção da TV pública, como lista os pecados cometidos pela esquerda na contínua manipulação da informação. Socióloga e escritora, Maria Lucia Victor Barbosa, em “Quem governa?”, mostra que o presidente Lula da Silva, de olho num terceiro mandato, faz uso de uma farsa político-eleitoreira que o transforma em múltiplo personagem. Clique sobre o nome de cada articulista e confira os artigos.
Entrevista do Sábado (14.04.08 - 10h31)
Maranhense de Nova Iorque, empresário do ramo de farmácias e senador pelo Democratas, Adelmir Santana teme pela nocividade da carga tributária. Integrante da oposição, Adelmir Santana, em entrevista concedida ao jornalista Gilmar Corrêa (editor adjunto do ucho.info), mescla a carreira política com a experiência do balcão das farmácias e aponta o melhor remédio para o combate à inflação, que volta à cena com jeito de epidemia. Clique e confira a Entrevista do Sábado com o senador Adelmir Santana (DEM-DF).
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Gato e rato
Enquanto o imbróglio do Dossiê FHC causa enfastio na população, o assunto continua em voga nos bastidores palacianos. Segundo apurou a coluna junto a fontes do governo Lula da Silva, a ordem é provar a relação do grupo do qual faz parte José Aparecido Nunes Pires, responsável pela Secretaria de Controle Interno, com o ex-ministro José Dirceu de Oliveira e Silva, antecessor de Dilma Rousseff na Casa Civil da Presidência da República. Na verdade, o grupo responsável pela confecção do tal dossiê não participou do vazamento das informações para a imprensa, mas apenas um de seus integrantes, mais precisamente José Aparecido. Pelo menos é com essa informação que Erenice Guerra – secretaria-executiva da Casa Civil – trabalha. A ordem que impera nas coxias palacianas é salvar Dilma Rousseff. A ministra tem mostrado um indisfarçável desânimo.

Ação e reação
Como antecipou a coluna, colocar o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) no olho do furacão foi a forma que o Palácio do Planalto encontrou para dar o troco no parlamentar paranaense, que na CPI das Ongs aprovou a quebra do sigilo bancário de Jorge Lorenzetti, churrasqueiro do presidente Lula, um dos aloprados do Dossiê Cuiabá e pagador oficial das contas de Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha do presidente-operário. Por outro lado, alimentar a fogueira política em que se transformou o Dossiê FHC é a única maneira de Jorge Lorenzetti ficar longe do alvo da imprensa.

Ele voltou
Ejetado da Rede Record por ingerência do Palácio do Planalto, o competente Boris Casoy volta à telinha no início da madrugada de terça-feira. A partir da 00h30 Casoy, que substitui o jornalista Roberto Cabrini, comandará na Rede Bandeirantes o Jornal da Noite. Jornalista que dispensa apresentações e um dos melhores e mais contundentes âncoras da televisão brasileira, Boris Casoy analisará os fatos do dia. Sempre lembrando que os Lula da Silva têm interesses comerciais nos domínios de Johnny Saad e companhia limitada.

Mano enrolado
Governador de Pernambuco, Eduardo Campos tem se dedicado nas últimas horas à solução de um imbróglio que não só ultrapassa os limites geográficos do estado, mas atinge a própria família. Antonio Campos – irmão do governador pernambucano – era, até dias atrás, membro do Conselho de Contribuintes, órgão do Ministério da Fazenda que analisa e julga os recursos interpostos em demandas relacionadas ao Imposto sobre a Renda. Flagrado em gravação telefônica nada comportada, Antonio Campos foi orientado a pedir demissão, antes que o escândalo desembarcasse na sede do Executivo pernambucano. No contraponto, Eduardo Campos vem trabalhando para conseguir a “cabeça” de Josefa Maria Coelho Marques, presidente do Segundo Conselho de Contribuintes.
Reviravolta geral
Pode ser votada na quarta-feira, na Comissão de Constituição de Justiça da Câmara, a proposta de emenda constitucional apresentada pelo deputado Jofram Frejat (PR-DF) no ano passado. A PEC que foi relatada e que teve a concordância do deputado Pastor Manoel Ferreira (PTB-RJ), altera o regime dos servidores comissionados, aqueles que não fizeram concurso público, mas que exercem uma atividade de confiança. O impacto da medida deverá atingir cerca de 200 mil pessoas distribuídas pelos três Poderes em todas as esferas de governos. A proposta cria direitos trabalhistas para esses servidores a exemplo do que acontece na iniciativa privada, como férias, fundo de garantia e décimo terceiro salário. Jofran Frejat justifica que os servidores ocupantes de cargo público em comissão não têm direitos regulamentados na legislação e na Constituição Federal e lembra que a lei 9.962/2000 veda a aplicação da Consolidação das Leis Trabalhistas para esses servidores. A PEC teve o apoio de 208 parlamentares.

Escondendo o ouro
O Ministério das Relações Exteriores cumpre o mínimo do que exige o Tribunal de Contas da União. Apenas cinco das 188 representações brasileiras disponibilizam seus gastos no Sistema Integrado de Administração Financeira. Constam dos dados apenas as embaixadas de Buenos Aires, Pretória (África do Sul), Nova Iorque, Tóquio e Londres. O portal Contas Abertas revela que as despesas, com todas as unidades diplomáticas no exterior, representam 68% do orçamento do ministério. No ano passado esse valor foi de R$ 1,6 bilhão. Para o portal, os gastos das representações continuam sendo uma verdadeira caixa preta.
Banco de reservas
É provável que amanhã o ministro da Educação, Fernando Haddad, indique o reitor temporário da Universidade de Brasília. Depois do escândalo de gastos inexplicáveis para garantir a mordomia do reitor, tanto Timothy Mulholland e o vice-reitor, Edgard Mamiya, pediram afastamento de suas funções por dois meses. Com eles, os decanos também serão afastados dos cargos definitivamente do Conselho Universitário. Ontem à tarde, numa reunião com o ministro da Educação, Fernando Haddad, os alunos fecharam um acordo para que um conselho administrativo seja indicado pelo Consuni, desde que não tenha ligação política com o reitor licenciado.

Turma do contra
A representante do movimento estudantil, Karla Gamba, disse que ainda não tinha previsão de quem será o reitor substituto, porque o acordo é muito recente. O Consuni terá sua próxima reunião na quarta-feira. Os estudantes que tem assento em nove das 79 cadeiras do conselho continuam acampados na reitoria. Ao meio dia uma assembléia decide se eles continuam ocupando ou não no prédio da reitoria, porque alguns pontos da pauta de dezoito itens ainda não foram negociados.
Conversa fora
O Ministério da Saúde, principal responsável pela crise na saúde pública, pretende divulgar provavelmente nesta semana uma estratégia de mobilização da sociedade para combater a dengue. O ministro José Gomes Temporão deseja dividir as responsabilidades diante de uma situação que saiu ao controle, especialmente no Rio de Janeiro. Entre as idéias miraculosas para colocar as coisas nos eixos, Temporão quer criar uma Força Nacional para enfrentar o problema. Numa declaração distribuída pela assessoria do ministro, Temporão acha que é fundamental que se “mantenha a mobilização em torno do combate ao vetor da dengue, em todo o país”. Palavras, nada mais que palavras.


Corda bamba
Uma manobra da base governista poderá deixar ainda mais frágil a oposição na Câmara dos Deputados de 130 parlamentares. O líder do PPS, que faz parte da Minoria, Fernando Coruja (SC), teme que a mudança do regimento interno, como quer a situação, poderá simplesmente esmagar os contrários. A proibição de apresentação de mais de um requerimento para uma mesma matéria é uma das mudanças que atingem em cheio a oposição. O anteprojeto altera o artigo 159 e limita a apresentação de sugestões de adiamento de discussão, de votação ou de retirada de pauta de projetos. “O Congresso não é uma fábrica de salsicha para votar em série. Sou contra qualquer mudança no regimento”.
Momento de reflexão
A letargia e a falta de ação do maior partido político brasileiro chegam a ser cômicos se não fossem dramáticos. Enquanto as demais agremiações têm muitos candidatos definidos para as prefeituras, a direção do PMDB tropeça na indecisão. Para resolver a questão do cenário das pré-candidaturas, inclusive a de São Paulo, o partido pretende realizar várias reuniões nesta semana. Um das decisões deverá afetar o senador Almeida Lima, virtual candidato à prefeitura de Aracaju, mas que encontra resistências dentro do próprio diretório municipal. Além de Almeida Lima, vão disputar as eleições na capital de Sergipe, Edvaldo Nogueira (PCdoB), Zeca da Silva (PSC) e José Carlos Machado ou João Alves (DEM).

Caindo de cabeça
No lado do PP, a situação é bem mais tranqüila com a definição de vários nomes às prefeituras. Em Florianópolis, a candidata do partido deverá ser mesmo a deputada federal Ângela Amin, segundo deixou escapar o seu marido, o ex-governador Esperidião Amin, que também se colocou como pré-candidato. Em São Luís, o PP vai disputar a prefeitura com chapa pura (deputados Waldir Maranhão e Hélio Soares), mesmo contrariando os interesses do grupo Sarney, que manda em quase todos os partidos, inclusive com uma influência muito grande dentro do Partido dos Trabalhadores. O jornalista Tácito Garros conta que o Esperidião Amim - foi para São Luís no final de semana lançar a candidatura de Waldir Maranhão -, disse que um partido que não pensa em disputar poder "está fadado à morte”.

Dinheiro à vontade
O governo catarinense reservou R$ 63 milhões para a publicidade neste ano. Parte desse valor, nada modesto, será administrada por 13 agências a partir de outubro, quando será conhecida a concorrência pública divulgada na semana passada. Atualmente, sete agências atendem os interesses da administração de Luiz Henrique da Silveira (PMDB). No Ministério da Educação, a concorrência aberta em novembro do ano passado, foi cancelada por erro de procedimento na fase de habilitação. O ministério está sem agência por enquanto.
