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Dando o troco
A tentativa do Palácio do Planalto de jogar no colo do senador Alvaro Dias a responsabilidade pelo vazamento das informações sobre os gastos palacianos da era FHC tem explicações. Na terça-feira, a CPI das Ongs aprovou dois requerimentos do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), os quais irritaram de sobremaneira o presidente Lula da Silva. Um dos requerimentos solicita a quebra do sigilo bancário de Jorge Lorenzetti, churrasqueiro oficial do companheiro Lula e um dos aloprados do Dossiê Cuiabá. Acontece que Lorenzetti até bem pouco tempo era o responsável pelo pagamento de muitas das contas de Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha do presidente-metalúrgico. Como o tal dossiê FHC já circulava no Senado, o Planalto aproveitou para dar o troco no senador paranaense.

Confusão inexistente
Muitos foram os especialistas que afirmaram nesta quinta-feira que o tucano Alvaro Dias enfrentaria problemas dentro do PSDB por ter exposto o ex-presidente FHC, caso fique provado que partiu dele a iniciativa de divulgar o tal dossiê com gastos palacianos. Fernando Henrique Cardoso sabe, e não é de hoje, que o governo Lula da Silva vinha bisbilhotando os gastos da sua administração. Tanto é verdade, que o assunto foi tema de uma conversa entre FHC e o deputado Gustavo Fruet, durante encontro realizado em São Paulo, semanas atrás.

Baderna no terreiro
Na falta de coisa melhor, os senadores voltaram a cacarejar sobre o episódio do discurso de Mão Santa (PMDB-PI). Ele chamou Dilma Rousseff de “galinha cacarejadeira”, porque repete sempre a mesma coisa. O assunto voltou a dominar os debates de ontem à tarde, retomando as discussões da sessão de quarta-feira, quando o senador Papaléo Paes (PSDB-AP), que presidia os trabalhos do Plenário, foi obrigado a encerrar a sessão. A discussão ficou acalorada quando a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) pediu as notas taquigráficas, por entender que Mão Santa tripudiava sobre a moral da ministra da Casa Civil. Mão Santa se defendeu e disse que só usava o termo “cacarejar”, porque estava dentro do contexto do seu discurso e que tinha como exemplo citações de Adolf Hitler, no seu livro Minha Luta. Ideli ameaçou ontem processar Mão Santa, que hoje voltou a desafiar. “Podem me processar, foi um discurso de profundidade”. A discussão de hoje surgiu quando a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) pediu que o senador do Piauí retirasse os termos de seu discurso das notas taquigráficas.


Pizza a caminho
Aconteceu o que já se sabia desde o começo: a CPMI dos Cartões Corporativos vai acabar como começou, com gosto de pizza de tapioca. Com uma estratégia que naufragou, a oposição se arrasta para tentar criar a CPI do Senado para investigar a mesma coisa. A leitura do requerimento que adormece na Mesa do Senado Federal há 50 dias poderá acontecer na terça-feira, segundo garantiu ontem o presidente da Casa, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN). O requerimento ficou “esquecido” depois de um acordo entre a base governista e a oposição para a instalação da comissão mista. Como o governo aborta toda a tentativa de investigação, os senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM) e José Agripino Maia (DEM-RN) tentam reativar a comissão exclusiva do Senado, mas já sabem que governo também terá a maioria dos membros. Alguém duvida que alguém do governo seja investigado?

Pilha fraca
A situação anda tão desanimadora que a presidente da CPMI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), depois de ameaçar renunciar ao cargo agora quer antecipar o encerramento da comissão de investigação, “talvez na próxima semana”. Sem investigar nem mesmo o pagamento da tapioca pelo ministro Orlando Silva com o cartão corporativo, talvez seja esta a melhor saída para a professora escapar do mico em que foi atirada. O último suspiro da CPMI talvez aconteça com os depoimentos dos ministros dos Esportes, Orlando Silva, e da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, Altemir Gregolin; a ex-ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial Matilde Ribeiro; o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general-de-Exército Jorge Armando Félix, e o ex-ministro da mesma pasta general-de-Exército Alberto Cardoso; além do diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda.

Cabo de guerra
O nome do relator da Comissão do Orçamento da União de 2009 só deve ser conhecido na próxima terça-feira, quando líderes partidários do Senado se reúnem com o presidente do Congresso Nacional, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN). O cargo é disputado aos tapas dentro da bancada petista pelos senadores Delcídio Amaral (MS) e Aloízio Mercadante (SP), mas a indicação ficou mais complicada, porque os democratas apresentaram um parecer dizendo que a relatoria cabe a eles, já que são a segunda maior bancada. Dentro do PT, houve uma pacificação temporária depois de uma reunião quarta-feira à noite, mas os ânimos têm data marcada para terminar se a tese da oposição for derrotada. A presidência da Comissão de Orçamento será ocupada pelo deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS). A primeira e a segunda vice-presidência serão dos senadores democratas e tucanos e a terceira vice-presidência será do senador Gim Argello (PTB-DF). O relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que começa a ser discutida no próximo mês, será o senador Neuto de Conto (PMDB-SC).

Maior abandonado
O professor Roberto Mangabeira Unger, o mesmo que ridicularizou o presidente-metalúrgico Lula da Silva, ocupa uma sala imensa no Ministério do Exército, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Tem em seu gabinete um oficial do Exército, que faz a triagem dos pedidos de audiência. Também conta com um carro preto e faz questão de usar um bótom de ministro para massagear o seu ego de sotaque yankee. Não fossem os exageros de quem também queria ser presidente da República, o trabalho do ministro extraordinário de assuntos estratégicos poderia ser um bom investimento do governo. Agora sabe-se que os cinco dedos das propostas de Mangabeira não inclui o ensino superior no país. Para Mangabeira, a prioridade é o ensino básico. Para quem pensa no futuro, seu projeto não passa de uma proposta manca de curto prazo.

Crise pra dar e vender
Se no Senado Federal o verbo mais conjugado é o “cacarejar”, mas sem produzir qualquer fato positivo, na Câmara dos Deputados o ambiente para um entendimento também não é dos mais propícios. O motivo para as desavenças continua sendo a indicação do relator da proposta da reforma tributária, que rachou a base do governo. Até mesmo o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) não acredita que haja um acordo tão cedo, embora insista que vai tirar o final de semana para conversar com os líderes sobre o assunto. “Vai ser difícil”, admite.
Manda quem pode
A participação do deputado Jader Barbalho (PMDB-PA) é discreta no Plenário e nas comissões da Câmara dos Deputados, mas ele tem sido atuante nos bastidores do poder. A eminência parda do PMDB envolvida em vários escândalos é uma das figuras mais influentes no governo Lula da Silva, cujo cacife político pode ser medido pelo número de indicações para cargos públicos. A última foi a do engenheiro civil Manoel Ribeiro para a presidência da Eletronorte. Jader Barbalho se recupera de uma cirurgia na garganta, mas assim como no ano passado, a presença em Plenário é muito pequena. Neste ano as faltas sem justificativa já chegam a 35%. No ano passado, as ausências em sessões deliberativas foram de 17,4%.

Salvos pelo gongo
O voto do ministro Caputo Bastos, do Tribunal Superior Eleitoral, deixou muitos vice-prefeitos alegres, pois eles poderão se candidatar à reeleição nas eleições de outubro. O TSE se pronunciou ontem à noite provocado por uma consulta do deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE). Relator da consulta, Caputo respondeu que é possível ao vice-prefeito que ocupou interinamente o cargo de prefeito nos seis meses anteriores às eleições se candidatar ao cargo de prefeito nas eleições subseqüentes.
Batendo duro
O discurso mais contundente da tarde foi o do deputado Osório Adriano (DEM-DF). Ele criticou a proposta do Governador Sérgio Cabral de trazer médicos cubanos ao Brasil. Segundo o deputado, "Cuba tem a nos ensinar ou a nos ajudar absolutamente nada! Cuba só tem, ou teria, a nos mostrar como se faz uma ditadura". O mais importante do discurso dele é que ele afirma que Sérgio Cabral pretende ser candidato à presidência pelo PMDB em 2010. Segundo Osório Adriano, o possível ato falho de Sérgio Cabral, ao chamar a ministra Dilma Rousseff de "presidenta", foi um "gesto de puxa-saquismo inacreditável", e uma manobra para agradar o Presidente Lula. O resultado do tal puxa-saquismo foi positivo, dado que os jornais estamparam o presidente sorridente deitado no ombro de Sérgio Cabral. Assim, o governador no Rio de Janeiro estaria tentando entrar na fila dos favoritos a sucessão de Lula.

Qualidade de camelô
Há dias, a Vênus Platinada passou a veicular campanha em que destaca a qualidade da emissora carioca. Em determinado trecho da auto-propaganda, a credibilidade do jornalismo global é citada sem o menor pudor. Quem tem um mínimo de memória sabe que as coisas funcionam de maneira um pouco diferente pelos lados do Jardim Botânico. Para que os mais jovens e os esquecidos avaliem a tal credibilidade propalada no filme publicitário da Globo, não custa recordar três atos de covardia cometido pelo finado Roberto Marinho. Então ministro da Justiça, Ibrahim Abi-Ackel foi acusado pela emissora de envolvimento em um caso de contrabando de pedras preciosas. Uma obra de ficção criada especificamente para fustigar o ministro, que à época barrou a importação de equipamentos da emissora. Quando respondia pelo Ministério da Saúde na era Collor, o paranaense Alceni Guerra foi alvo da covardia global. O escândalo das bicicletas da Casa do Pedro foi mais uma armação da empresa dos Marinho. Homem de reputação ilibada, Alceni foi vítima da fúria de um diretor da empresa. O último a ser alvejado pela covardia global foi José de Paiva Netto, da Legião da Boa Vontade, que por não ceder à pressão de Roberto Marinho teve a honra achincalhada. Sem contar o que aconteceu com o jornalista Tim Lopes. Se isso tudo é credibilidade, que alguém nos explique o que é falta de credibilidade.
Cega e burra
Leitora da coluna há muito enfrenta um sério problema, enquanto a Justiça paulista insiste em lhe dar as costas. No oitavo mês de gravidez, a leitora luta há seis meses para conseguir uma autorização judicial para interromper a gravidez, uma vez que o feto apresenta anencefalia, já comprovada por inúmeros exames realizados em distintos hospitais. Na última segunda-feira, os médicos que a acompanham optaram por uma imediata internação diante do risco de morte crescente. O juiz que cuida do caso alegou que decisões nessa seara só mesmo o Criador pode tomar.

A vida como ela é
“Aproximadamente 75% dos fetos afetados morrem dentro do útero, enquanto que, dos 25% que chegam a nascer, a imensa maioria morre dentro de 24 horas e o resto dentro da primeira semana”, destacam os médicos Carlos Gherardi e Isabel Kurlat em recente trabalho literário sobre o tema. A Medicina classifica como interrupção terapêutica da gestação (ITG) o aborto realizado com vistas a preservar a saúde da mãe. É o caso da nossa leitora. Mesmo assim, a Justiça entende que é melhor que mãe e filho morram, em nome de uma religiosidade tão tacanha quanto ortodoxa, a salvar apenas a vida da mãe. Mas lembrem-se, caros leitores, a Justiça é cega.
Chama o Ibama
Pensando bem, no imbróglio do dossiê só falta alguém pedir ajuda à ministra Marina Silva. Afinal, querem entregar um tucano aos leões.

Túnel do Tempo - Tiro ao alvo
(04/04/07) - Conhecido no mundo empresarial como um homem de bons negócios – foi o que grandes publicações noticiaram recentemente – Constantino de Oliveira Júnior, dono da Gol, parece ter feito um negócio não tão brilhante ao adquirir a Nova Varig. Em 2006, quando a Varig deu lugar à Nova Varig, Constantino Júnior deixou de comprar a companhia aérea por US$ 25 milhões, sob a alegação que a empresa traria no bagageiro todas as contingências da antecessora. Um ano depois, o mesmo Constantino Júnior resolveu pagar US$ 320 pela mesma empresa. Considerando que Constantino de Oliveira, o pai, disse que a compra da Nova Varig serviu para atender a um pedido do presidente Lula, esse é o tipo do negócio mal explicado. Ou o pedido de Lula está em alta, ou a calculadora dos Constantinos está quebrada. (Clique e confira na íntegra a edição de 04/04/07)
Ucho
Haddad com Gilmar Corrêa e Thaís Margalho
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EDITORA SENAC SÃO PAULO |
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PARCEIROS. |
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BRASIL ACIMA DE TUDO |
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A beleza do Rio de Janeiro através das lentes do competente fotógrafo Ricardo Zerrenner |
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