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ano 7 - número 1584
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
"A corrupção de um é a geração de outro."
Dante Alighieri
 
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O UCHO PERGUNTA

Qual a sua opinão sobre a reforma tributária do governo Lula?

Será aprovada

Confusão na certa

Aumentará os impostos

Balão de ensaio


Clique e confira as denúncias do legista Daniel Ponte contra o corrupto IML do Rio de Janeiro

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Não colou (02.04.08 - 18h56)
Se o Dossiê FHC vazou pelas mãos do próprio governo ou da oposição, pouco importa. É preciso deixar claro que o presidente Lula da Silva não quer que os seus gastos pessoais e os de assessores, pagos regia e mensalmente com dinheiro público, se transformem no maior escândalo dos últimos tempos. O fato é que em relação ao vazamento das informações, o PT experimenta do próprio veneno. Enquanto oposição, alguns dos cardeais petistas eram freqüentemente encontrados nas redações de jornais e revistas, em São Paulo. Sempre com um calhamaço de papéis sob o braço, alegavam quando questionados, tratar-se de correspondência anônima. Diante de fatos passados que poucos se recordam, o discurso desesperado da senadora Ideli Salvatti, que ajuda o Palácio do Planalto a encontrar um bode expiatório para o caso, é absolutamente inócuo.

Senador responde (02.04.08 - 18h27)
Com referência à nota "Essa tal democracia", publicada nesta edição e que critica o pronunciamento do senador Mário Couto (PSDB-PA) no plenário do Senado, na tarde desta terça-feira, a coluna recebeu e-mail da assessoria do parlamentar, cujo conteúdo segue abaixo. O senador paraense não contesta o que divulgamos, mas sugere que sejamos sensíveis ao problema familiar por ele enfrentado. De tal modo, cada leitor conclui como quiser. Em tempo: o e-mail foi enviado à reporter Thaís Margalho, da nossa equipe em Brasília.

Prezada Thaís

Meu nome é Hanny Amoras. Sou jornalista (DRT/PA 1.294) e assessora de imprensa do senador Mário Couto (PSDB-PA).

Eu te envio este e-mail não para que seja publicado em resposta à nota que saiu Ucho.Info, mas para tentar te explicar sobre os agradecimentos públicos feitos pelo senador Mário Couto aos colegas tucanos. Pelo tom da nota, acredito que não tenhas filho ou filha, Thaís, porque se tivesses entenderias a reação do senador. A menina, de 3 anos, que ainda sofre de asma, ficou doente quando eles ainda estavam no município de Breves, no nordeste do Pará. Um médico foi chamado e ele disse para os pais não se preocuparem porque logo iria passar.

Como o estado de saúde da criança não melhorava, o senador Mário e a mulher dele foram para Belém e lá os médicos insistiram que, com a medicação, tudo iria ficar bem. Isso, no domingo. Na segunda-feira, bem cedo, o estado dela se agravou e a respiração da criança diminuiu. Agora imagina tu vendo a tua filha desfalecer em teus braços. Para que saibas, Thaís, o senador passou a segunda-feira inteira chorando. Obviamente não sabes o amor que ele tem pelos filhos, especialmente pela caçula. O senador é louco por ela, e cheguei a comentar no gabinete que temia pela situação, porque se aquela criança morre o senador Mário seria capaz de ir junto. Falo isso pra ti com muita sinceridade.

Bom, continuando. No desespero para salvar a filha, que ele disse estar morrendo, restou entrar em contato com as lideranças políticas porque se fazia extremamente urgente que ela fosse internada. Como em Belém, os médicos reagiram como eu te relatei, o senador acreditava que somente em São Paulo poderia salvar a garota. Mesmo sem conhecer pessoalmente o senador Mário – lá do Pará, Estado discriminado pelo sudeste/sul maravilha como praticamente todos do Brasil de cima -, o governador Serra foi, sim, muito amigo dele, estendeu a mão, tomou todas as providências. Resultado: a menina foi colocada num avião e chegando em SP uma equipe médica já a aguardava, para os cuidados devidos.

Quer as pessoas acreditem, quer não, Thaís, o senador Mário Couto é um pai extremamente amoroso, zeloso. Quem o vê na tribuna daquele jeito, de fato não pode saber disso. E ele está, de fato, muitíssimo agradecido ao Serra, ao Sérgio Guerra, por considerar que os dois ajudaram a salvar a vida da filha dele. E fazer esse agradecimento de forma pública foi o jeito que ele encontrou para mostrar o tamanho desse agradecimento. É o jeito do Mário Couto? É. E não acho que ele vá mudar, mesmo diante de notas pejorativas, que em nenhum momento conseguem dimensionar a razão de determinadas atitudes. Porque são atitudes humanas demais.

Agradeço pela atenção. Informo meus contatos, para que me procures em caso de querer saber qualquer informação sobre o senador Mário Couto, que, aliás, jamais se nega a dar entrevistas à imprensa.

(61) 8185.6434 (24 horas ligado)
(61) 3311.3050/3311.1805 (gabinete), onde permaneço até por volta das 21 ou 22h.
Estou à disposição
Cordialmente
Hanny Amoras

A verdade todos sabem (02.04.08 - 18h03)
Nesse estica e puxa em que se transformou a elucidação do caso do Dossiê FHC, Dilma Rousseff já avisou, nos bastidores, que o responsável pela trapalhada deve assumir imediatamente a culpa, sob pena de ela própria anunciar o nome do culpado. O presidente Lula da Silva sabe exatamente quem divulgou o tal dossiê, mas não pode reconhecer o assunto publicamente, pois seria o mesmo que admitir que seu governo ruiu. Essa tentativa desesperada de encontrar um culpado na oposição visa enfraquecer a possibilidade de Dilma Rousseff ser convocada para depor na CPI dos Cartões Corporativos.

Vai render (02.04.08 - 17h53)
Acusado pelo Palácio do Planalto de ser o responsável pelo vazamento do Dossiê FHC, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), respondendo a questionamento do senador petista Tião Viana, negou qualquer participação no caso. O parlamentar paranaense disse que, sem nenhuma vocação para James Bond, não adentrou ao terceiro andar do Palácio do Planalto e subtraiu dos computadores do governo federal informações sobre a era Fernando Henrique Cardoso. O governo Lula da Silva busca desesperadamente alguém que assuma a responsabilidade pelo imbróglio do tal dossiê, mas a empreitada está cada vez mais impossível. No olho desse furacão está a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil. Muita estranhamente, o ministro Tarso Genro (Justiça) e o deputado federal Ricardo Berzoini, presidente nacional do PT, sequer defenderam pessoalmente a ministra Dilma. Na verdade, Tarso Genro disse que a Polícia Federal não investigará o caso.

Imbróglio gigante (02.04.08 - 12h18)
O clima entre os funcionários da Casa Civil não é nada bom, depois que estourou o escândalo do dossiê que aponta gastos do casal FHC-Ruth Cardoso. A situação é particularmente difícil para a secretária executiva Erenice Guerra, que pediu orientação profissional de um advogado depois de ser acusada de ordenar a confecção do documento que ameaça inclusive a ministra Dilma Roussef. Erenice casou há menos de dois meses e já avisou que não vai pagar o pato sozinha. Na Casa Civil comenta-se que um funcionário foi chantageado para vazar as informações para a imprensa, sob pena de perder o emprego. Por trás do esquema estaria um conhecido banqueiro-lobista e adversários de Dilma Rousseff e que integram o próprio partido da ministra, o PT. Há suspeitas que o complô contou com a participação de um ministro e de um deputado federal, e cujo pano de fundo envolve não só a aquisição da Brasil Telecom pela Oi, mas também negócios com o setor elétrico.

Reforma emperrada (02.04.08 - 12h18)
Ainda não há acordo, mas o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), deve nomear hoje os integrantes da comissão especial que vai analisar a proposta de reforma tributária. Mais que uma simples instalação, o fato se reveste num embate político entre o PT e os principais partidos da base do governo. A principal questão envolve a indicação do relator do projeto, função que está sendo disputada quase que aos tapas pelos deputados Sandro Mabel (PR-GO) e Antonio Palocci Filho (PT-SP). Para complicar, o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) resolveu dar sua opinião num simples relatório que tinha por objetivo apenas em apresentar a constitucionalidade e juridicidade do projeto na Comissão de Constituição e Justiça.

Coruja contrariado (02.04.08 - 12h17)
O deputado Fernando Coruja, líder do PPS na Câmara, não gostou do veto do presidente-metalúrgico Lula da Silva a um artigo da lei que reconhece as centrais sindicais. A caneta do presidente impediu que essas agremiações sindicais possam ser fiscalizadas pelo Tribunal de Contas da União. As centrais sindicais passam a receber 10% do imposto sindical obrigatório, mas não precisam se submeter à fiscalização dos técnicos do TCU. O parlamentar catarinense lembra que toda transferência de recurso público precisa ser apreciada pelos órgãos de controle. “O veto de Lula significa dizer que todo mundo que gasta dinheiro público está sujeito à fiscalização, menos os sindicatos”.

De olho no mercado (02.04.08 - 12h15)
A Procuradoria Federal informou a este site que a iniciativa do órgão ajudou a reduzir em 71% o tempo médio de análise de concentração econômica pela Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça. Nos casos mais simples, a redução foi de 58 para 26 dias e nos casos mais complexos, foi de 295 para 83 dias. Em 2007, a Procuradoria Federal junto ao Cade propôs à Secretaria de Direito Econômico a celebração de um Acordo de Cooperação Técnico-Operacional, que eliminou ociosas redundâncias que havia na atividade dos dois órgãos na instrução de processos administrativos. Os números foram apresentados para demonstrar que a Procuradoria Federal presta um “importante serviço público à população”.

Professores no alvo (02.04.08 - 12h13)
A segunda ADI que deve ser julgada hoje pelo Supremo é assinada pelo próprio procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, contra o presidente da República e Congresso Nacional. Contesta artigo da Lei de Diretrizes e Bases da Educação que trata sobre funções de magistério, que devem ser exercidas por professores e especialistas em educação, “quando exercidas em estabelecimento de educação básica em seus diversos níveis e modalidades, incluídas, além do exercício da docência, as de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico”.  O procurador diz que a lei ordinária não poderia estender aos diretores de unidade escolar, coordenadores pedagógicos e supervisores de ensino a aposentadoria especial concedida aos professores.

Educação na mira (02.04.08 - 12h11)
O Supremo Tribunal Federal julga na sessão de hoje à tarde duas ações diretas de inconstitucionalidade que tratam sobre educação superior. Na primeira ADI, a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenem) questiona a Medida Provisória 213/04, convertida em lei em 2005, que institui o Programa Universidade para Todos (ProUni). A ação já tem um parecer favorável da Procuradoria Geral da República e contesta uma série de artigos, entre eles o segundo, que definiu quem pode obter bolsas de estudos no âmbito do programa.

Dinheiro a rodo (02.04.08 - 12h09)
Depois da Caixa Econômica, outro banco estatal lança processo licitatório para contratar agências de publicidade. Desta vez é o Banco da Amazônia, que tem em caixa para gastar com divulgação mais ou menos R$ 10 milhões. A exemplo da CEF, a abertura do edital está prevista para o dia 13 de maio na sede do banco, em Belém (PA). O Meio e Mensagem, órgão que faz a cobertura jornalística dos publicitários, avisa que o banco deve selecionar duas empresas que vão trabalhar em parceria.

Calou por quê?
Repórter do ucho.info em Brasília, Thaís Margalho continua com a hercúlea missão de cobrar da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República uma solução para o caso do médico-legista Daniel Ponte, ameaçado de morte depois que denunciou casos de corrupção no Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro. O que deveria ser uma decisão célere por parte da Secretaria, lamentavelmente não é. Depois de quase uma semana de consecutivas cobranças por parte deste site, o governo do presidente Lula da Silva ainda não sabe o que responder. Enquanto isso, o presidente-operário fatura politicamente ao lado do governador Sérgio Cabral, que deveria extirpar a corrupção do IML do Rio.

Legista preocupa senador
Senador pelo PSDB paranaense, Alvaro Dias, em pronunciamento feito no plenário do Senado nesta terça-feira, externou sua preocupação com o médico legista Daniel Ponte. Ao relatar de maneira condensada o drama vivido por Ponte, o senador Alvaro Dias cobrou do governo Lula da Silva algum tipo de atitude em favor do legista. O parlamentar, ao finalizar seu discurso, exigiu do ministro Tarso Genro providências imediatas. “Nós queremos transferir, neste momento, ao Ministro da Justiça, Tarso Genro, essa solicitação do Professor Daniel Ponte. Cabe ao Ministério da Justiça prestar atenção ao que está ocorrendo no Rio de Janeiro e oferecer segurança policial ao médico Daniel Ponte. Esperamos que o Ministro Tarso Genro tome as providências necessárias”, declarou Alvaro Dias.

Aí tem!
Quando decidimos entrevistar o médico Daniel Ponte e o delegado Alexandre Neto (você confere a entrevista clicando aqui) sabíamos das conseqüências que não tardariam a acontecer. Diferentemente de muitos que fogem da responsabilidade maior do jornalismo, nós, do ucho.info, não apenas realizamos um trabalho jornalístico, mas optamos por ser solidários aos ameaçados e revelar aos brasileiros as mazelas que tomam conta da Polícia Civil fluminense. O que não é muito diferente do que acontece na maioria dos estados. Na tarde desta terça-feira, o editor da coluna foi alvo de estranhos telefonemas originados na cidade do Rio de Janeiro.

Só louco
O mercado acionário brasileiro anda como siri, de lado, a cotação da moeda americana cai lentamente e o consumo continua aquecido na nossa idolatrada Botocundia. Mesmo assim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua acreditando que a crise dos EUA é um problema restrito ao quintal político de George W. Bush. O que mostra a extensão da irresponsabilidade e do despreparo do presidente brasileiro. Por mais que os barbudinhos do PT torçam contra a Casa Branca, no afã de mostrarem ao mundo que a esquerda é a solução, os EUA representam 25% do PIB mundial e são responsáveis por um terço do consumo mundial. Só mesmo um louco para achar que um estrondo na economia yankee não causará ecos nos mais distantes rincões do planeta.

Perfeição de camelô
Dias antes de estrear a campanha pela reeleição, em 2006, o presidente Lula da Silva ousou dizer que a saúde no Brasil estava a um passo da perfeição. Meses depois, esta coluna noticiou que em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, mulheres davam à luz em hospitais uruguaios porque a cidade gaúcha era o retrato do descaso do Estado com a saúde. Agora, em mais um exemplo do caos em que se transformou o setor, crianças brasileiras nascem na Colômbia por falta de hospitais no Brasil. Presidente, Vossa Excelência tinha mesmo razão. Nunca antes neste país a saúde viveu momento tão promissor.

Picadeiro rouge
Desde que o presidente Luiz Inácio desembarcou no Palácio do Planalto, em janeiro de 2003, a Casa Civil tem sido alvo de sucessivos escândalos. O primeiro deles teve Valdomiro Diniz como protagonista. Ex-assessor do então ministro José Dirceu, com quem nos tempos de agruras financeiras dividiu apartamento em Brasília, Valdomiro Diniz foi despejado do Palácio do Planalto, atendendo a um pedido do presidente-operário. Anos mais tarde, a vítima foi o próprio José Dirceu de Oliveira e Silva, que, ao não suportar a pressão advinda do caso do mensalão, acabou deixando o comando da Casa Civil. Agora é a vez de Dilma Rousseff, a outrora companheira Estela, acusada pelos partidos de oposição de ser a responsável pelo chamado Dossiê FHC. Resta saber que sairá do governo Lula da Silva. Dilma Rousseff ou Erenice Guerra? Alguma cabeça há de rolar.

Tropa de choque
Derrotada mais uma vez na CPMI dos Cartões Corporativos, a oposição está com o ânimo cada vez mais em baixa. Mas o deputado Vic Pires (DEM-PA) avisou que apesar de toda a tristeza vai continuar participando das sessões até o final dos trabalhos.  A presidente da CPMI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), também nega que esteja desistindo das investigações. “Vou lutar para manter a comissão mista funcionando”, garantiu a este site. Sem a quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados, e sem a presença da ministra Dilma Rousseff, a comissão mista perdeu o brilho. Até mesmo a checagem de documentos em poder do Tribunal de Contas da União pode virar pó, porque depende de aprovação dos membros, cuja maioria é da base do governo. Sem a CPMI, a oposição joga as cartas para o Ministério Público Federal que poderá investigar os gastos dos cartões corporativos.

Muito para nada
As primeiras caixas com documentos do governo devem ser encaminhadas ainda nesta quarta-feira pelo Ministério do Planejamento para a Comissão Mista dos Cartões Corporativos. Segundo se sabe, serão 70 caixas somente dos gastos daquele ministério. O material que chega à tarde para criar imagens, pouco deve ajudar nas investigações. A oposição está de olho nos documentos já recolhidos pelo TCU. A aposta é que a reunião de hoje entre a senadora Marisa Serrano e o presidente do TCU, ministro Walton Alencar, resulte em algum entendimento. O objetivo é avaliar se é legal o fornecimento à CPMI dos resultados da auditoria realizada por técnicos do tribunal nos gastos da Presidência da República.

Na berlinda
Com evidente maioria governista, a CPI das Ongs aprovou nesta terça-feira, 1º de abril, dois requerimentos do senador Alvaro Dias (PSDB-PR). O senador paranaense quer que o Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) repasse à CPI informações sobre as movimentações financeiras da Fundação Conscienciarte e do ex-dirigente da Ong Unitrabalho, o churrasqueiro aloprado Jorge Lorenzetti. Envolvido no escândalo do Dossiê Cuiabá, Jorge Lorenzetti era presença garantida nos finais de semana do casal Lula da Silva. Com a quebra do sigilo bancário de Lorenzetti, quem entra na alça de mira da CPI das Ongs é Lurian Lula da Silva, filha do presidente-metalúrgico com a enfermeira Miriam Cordeiro. muitas das contas pessoais de Lurian foram pagas pelo churrasqueiro presidencial. Em tempo: Jorge Lorenzetti chefiou o serviço de inteligência da campanha à reeleição do presidente Lula da Silva.

Disfarçando a pedido
"Lula sabe que não tem projeto para a reeleição e não vamos alterar a Constituição para a reeleição". A frase é do líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), perguntado sobre o que disse José Alencar. Numa entrevista à Rádio Bandeirantes ontem pela manhã, o vice-presidente afirmou estar convencido de que o povo brasileiro deseja que o presidente Lula “fique por mais tempo no poder. Lula tem feito muito, muito, mas falta muito para fazer”, como, por exemplo, as obras de infra-estrutura, “que não podem ter descontinuidade”.

A culpa é do dossiê
A idéia do terceiro mandato pode ganhar nova força depois que a “mamma do PAC” entrou num inferno astral por conta do fatídico dossiê produzido na Casa Civil contra o governo de Fernando Henrique Cardoso. Numa entrevista publicada ontem à noite pela Agência Estado, o cientista político Leôncio Martins Rodrigues, avalia que o presidente-metalúrgico Lula da Silva tentará um terceiro mandato, apesar das reiteradas negativas do Planalto e do próprio Lula. A oposição, como o líder dos Democratas na Câmara, ACM Neto (BA) foi taxativo: “Quem defende terceiro mandato, defende o golpe”.

Essa tal democracia
Tão logo ocupou a tribuna do Senado, na tarde desta terça-feira, o senador Mário Couto (PSDB-PA) começou seu discurso agradecendo o empenho do governador de São Paulo, José Serra, e do presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra, no caso da transferência de sua filha de Belém para a capital paulista. A filha de Mário Couto foi acometida por pneumonia e complicações estomacais. Para um partido que tanto fala em democracia, gazetear tal feito é no mínimo estranho. Ou será que nós da coluna já desconhecemos o real significado da palavra democracia? De agora em diante, quando algum brasileiro tiver problemas de saúde, basta telefonar para qualquer um dos três tucanos: José Serra, Sérgio Guerra e Mário Couto.

Tucanos preocupados
O auto de infração expedido pela Receita Federal do Brasil no caso do PSDB causou euforia nos escaninhos do Partido dos Trabalhadores. Também flagrado pela Receita em estripulias financeiras, o PT contratou, como noticiamos ontem, o escritório comandado pelo advogado Ary Oswaldo Mattos Filho, um tucano de carteirinha. Na verdade, dissecar o caso das transgressões petistas coube ao advogado Marcos Joaquim Gonçalves Alves, um paulistano convicto nascido na gigante e querida zona leste da maior cidade do país.

Manobra de bastidor
A venda da Brasil Telecom para a Oi (antiga Telemar) continua com excesso de penduricalhos, o que impede uma batida final de martelo. O maior e mais perigoso dos problemas é a decisão de obrigar o Citibank a retirar todas as ações judiciais contra o mais polêmico e opportunista banqueiro tupiniquim, o Mr. Tantas, cujo nome a Justiça ainda nos impede de citar. Desistir de litígios judiciais dessa natureza é uma operação de altíssimo risco, especialmente pelo perfil perigoso e inconstante do réu. A coluna apurou que o Citibank vem sendo pressionado de maneira inimaginável para que tal desistência aconteça o quanto antes. Esses americanos ainda saberão o que é arrependimento.

Dito atropelado
Pensando bem, o mais recente dossiê palaciano alterou a sabedoria popular. Quando um não quer, muitos brigam.

Túnel do Tempo - Mudando o discurso
(02/04/07) - “O brasileiro deve se acostuma a conviver com o Real valorizado frente ao dólar”. Com tais palavras o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tentou explicar a mais baixa cotação da moeda americana dos últimos tempos, que na sexta-feira chegou a R$ 2,045. Essa teoria de Mantega mostra de maneira clara que os juros cobrados pelos bancos vão continuar nas alturas, pois a enxurrada de dólares no País só conta com essa explicação. Trata-se de capital volátil e especulativo, que, a qualquer momento, pode desaparecer. No contraponto, a balança comercial corre um sério risco, pois o Brasil vai importar mais e exportar menos. Enfim, eles são doutores em Economia. (Clique e confira na íntegra a edição de02/04/07)

Ucho Haddad com Gilmar Corrêa e Thaís Margalho

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