Arrobando o cofre (01.04.08 - 18h56)
A Receita Federal, após analisar a documentação entregue pelo PSDB sobre a movimentação financeira do partido, decidiu expedir auto de infração, cujo valor é bem maior que a multa imposta ao Partido dos Trabalhadores, na casa de R$ 1,6 milhão. Ouvido pelo ucho.info, o deputado federal Gustavo Fruet (PSDB-PR) disse que o partido irá recorrer da decisão. O escritório de advocacia contratado pelo PT é comandado pelo advogado Ary Osvaldo Mattos Filho, que, por coincidência, é um dos fundadores do PSDB. Ou seja, santo tucano só faz milagre na casa alheia.
Limpando a área (01.04.08 - 17h10)
A Câmara dos Deputados deve votar três medidas provisórias até amanhã, se for cumprido um acordo feito entre a oposição e o presidente Arlindo Chinaglia (PT-SP). O líder dos Democratas, ACM Neto (BA), disse que Chinaglia se comprometeu a não convocar sessão extraordinária para garantir a aprovação das MPs 406, 407 e 408. A primeira e a última autorizam recursos extraordinários da ordem de R$ 4,7 bilhões para vários órgãos do governo federal. A MP 407, que também pode ser aprovada hoje pelos deputados, autoriza a prorrogação de contratos temporários de servidores comissionados do DNIT e dos ministérios da Cultura e Infra-Estrutura e da Advocacia Geral da União. Depois dessas votações, a oposição volta a obstruir a pauta. Nas comissões técnicas da casa, todas as sessões foram canceladas. Como este site informou em primeira mão, houve vazamento de gás no laboratório de análises clínicas do Departamento Médico da Câmara e por isso todos os plenários e os gabinetes do Anexo II tiveram que ser evacuados.
Tecnologia para quê? (01.04.08 - 14h57)
A lufada de irresponsabilidade que açoita a Esplanada dos Ministérios pode ter desembarcado no Banco do Brasil. Não faz muito tempo, depósitos efetuados nos caixas eletrônicos do BB até as 16 horas eram creditados no mesmo dia na conta do cliente, no máximo até as 18 horas. Sem nenhum aviso aos correntistas, o Banco do Brasil mudou as regras. Os depósitos, agora sob a responsabilidade de empresas terceirizadas, são creditados na conta do cliente até as 21 horas, segundo explicou uma atendente do BB na central telefônica 4004-0001. Acontece que muitos correntistas estão amargando prejuízos, pois no momento da disponibilização dos créditos o site da instituição não mais permite o pagamento de contas. Sem nenhuma resposta à altura, o Banco do Brasil, aquele mesmo que criou uma campanha milionária para divulgar o Banco do Fulano e o Banco do Beltrano, agora vira as costas para os milhões de correntistas espalhados por todo o território nacional. Como o presidente do Banco do Brasil, Antonio Francisco de Lima Neto, tem no seu entorno assuntos magnânimos a serem tratados, fico imaginando o que pode acontecer com um cliente da instituição que recebeu um depósito através do caixa eletrônico e não consegue sacar o próprio dinheiro para comprar um remédio. Quem sabe o BB, em nome dos seus funcionários, manda uma coroa de flores para o enterro do correntista.
Todos para fora (01.04.08 - 14h10)
Com direito à presença do Corpo de Bombeiros e da segurança da Câmara dos Deputados, a enfermaria do Anexo II da Casa Legislativa precisou ser evacuada após o vazamento do gás mercapto etanol. O acidente ocorreu durante a instalação de novos equipamentos no posto médico do Anexo III da Câmara dos Deputados.
Tanque cheio (01.04.08 - 10h56)
Ejetado da política por causa do escândalo do mensalão, o ex-deputado federal José Janene (PP-PR) continua operando intensamente nos bastidores do Partido Progressista. Recluso ao interior do Paraná, mais precisamente em Londrina, onde mantém família, negócios e base eleitoral, Janene tem mandado e desmandado, o que chega a ser estranho para quem alegou gravíssimos problemas cardíacos como forma de escapar da cassação. Na seara de José Janene o beija-mão tem sido freqüente. Influentes políticos do PP, e outros nem tanto, aterrissam em Londrina quase que semanalmente.
Óleo de peroba (01.04.08 - 8h15)
Embalado por previsões de marqueteiros e analistas políticos, que entendem que a crise da dengue carioca não irá afeta-lo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi ao Rio de Janeiro como se por lá nada de grave estivesse acontecendo. Ao lado do governador Sérgio Cabral Filho, outro irresponsável com mandato, o presidente-metalúrgico inaugurou em Itaboraí, região metropolitana da capital fluminense, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro. Enquanto Lula e Cabral faturavam politicamente, treze novas mortes por dengue eram confirmadas no Rio (já são 67 mortos). Fosse o Brasil um país minimamente sério, esse trio – Lula da Silva, Cabral Filho e César Maia – estava na cadeia.
Blindagem palaciana (01.04.08 - 7h41)
A sessão desta terça-feira, 1º de abril, da CPI dos Cartões Corporativos promete ser mais tensa do que a da última semana. Por ordem do Palácio do Planalto, a tropa de choque do governo Lula da Silva tentará, a qualquer custo, impedir que Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil, seja convocada para depor sobre a confecção e vazamento do fatídico Dossiê FHC. Será mais um capítulo de uma ópera bufa que traz a rubrica do presidente-operário Luiz Inácio Lula da Silva. Presidente, nunca antes neste país...
Pouso forçado
“Asa quebrada”. Foi assim que o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), em conversa com o editor da coluna, definiu a situação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, envolvida no escândalo do Dossiê FHC. Na opinião de Alvaro Dias, não é surpresa o fato de o Palácio do Planalto estar à procura de um “aloprado” para assumir a responsabilidade pela divulgação dos gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Para o senador paranaense, tal situação mostra que o crime de fato existiu, e que no momento é preciso encontrar o criminoso. Na verdade, toda essa confusão fez com que Dilma Rousseff deixasse temporariamente de lado a sua porção candidata à sucessão do patrão.

Fôlego novo
Com Dilma Rousseff na fogueira política, dois ministros, que sonham diuturnamente com a cadeira do presidente-operário Lula da Silva, recobram as virtuais forças eleitorais. Tarso Genro (Justiça) e Nelson Jobim (Defesa). Ambos já se ofereceram para disputar a corrida presidencial de 2010, mas, de agora em diante, permanecerão à espreita e calados. Até porque, qualquer sinal de volúpia política no atual momento será muito mal interpretado pelo Palácio do Planalto. No contraponto da torcida contrária, Dilma corre para esclarecer o fato e retomar a sua condição de menina dos olhos do patrão.

Aí tem!
Pode parecer uma enorme coincidência, mas o tal dossiê tem uma cronologia que se confunde com as dificuldades que surgiram à margem da negociação entre a Brasil Telecom e a Oi. Os dois lados vinham se esforçando na busca de um consenso negocial, mas na última semana desmentidos surgiram de todos os lados. E Dilma Rousseff foi escalada pelo governo do presidente Luiz Inácio para criar dificuldades ao maior negócio da telefonia brasileira. Dilma sucedeu José Dirceu, que lá deixou assessores e que desde então opera como preposto do banqueiro opportunista Tantas, cujo nome a Justiça ainda nos impede de citar e que tem enormes e sabidos interesses nesse milionário negócio entre a BrT e a Oi.


Bando de incompetentes
Cardápio político da semana, que certamente aquecerá, e muito, o clima da CPI dos Cartões Corporativos, o dossiê com informações sobre os gastos de FHC pode ser um tiro no pé do PT. Primeiro porque se alguma transgressão foi cometida por Fernando Henrique Cardoso e seus asseclas nas despesas palacianas, e só agora foi descoberta, o PT não tem a menor chance de administrar um país com dimensões continentais – e problemas idem – como o Brasil. Por outro lado, é de se estranhar alguém experiente como FHC passar o governo para um adversário, sem levara para casa uma cópia dos próprios gastos. Na verdade, PSDB e PT não querem a quebra do sigilo das contas. Buscam apenas um acordo que barre qualquer tentativa de achincalhamento de um ou de outro.
Tiro ao alvo
Sumido por alguns meses, o ex-senador Jorge Bornhausen voltou a atacar o presidente-metalúrgico Lula da Silva. O “alemão” afirmou que o presidente usa ilegalmente atos oficiais para palanque eleitoral e para atacar adversários. No encontro nacional dos Democratas, em Florianópolis, o ex-presidente nacional do PFL classificou de demagógicos os discursos de Lula, que assina pessoalmente convênios de quinta categoria, de responsabilidade de funcionários de segundo escalão. O jornalista Moacir Pereira conta que Bornhausen pediu para que os democratas permanecessem na trincheira “contra o golpe do terceiro mandato”. Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na entrevista que concedeu à TV Gazeta no domingo à noite, lamentou que Lula nunca o tenha convidado para um cafezinho no Palácio do Planalto, “mesmo no primeiro ano, quando tudo estava bem”. E agora, o senhor vai?, perguntou um jornalista da bancada. FHC garantiu que não aceitaria o convite. Hummm...

Bomba de flit
O governo federal faz um esforço muito grande para se blindar contra a crise da saúde pública. A Secretaria de Vigilância da Saúde, órgão vinculado ao Ministério da Saúde, informou ontem que houve uma redução de 27% no número de casos de dengue no país. É pura maquiagem contábil para garantir que a doença, que já causou a morte de 48 pessoas em 2008, está sob controle. Durante uma coletiva em que o ministro José Gomes Temporão tentava tranqüilizar a população no surto de febre amarela, este site já denunciava que as prefeituras tinham reduzido os gastos com agentes de saúde. Naquela época, em janeiro deste ano, o ministro prometeu investigar o assunto, mas tudo acabou sendo esquecido. Em números absolutos, de acordo com o governo federal, o Rio de Janeiro ficou com 36% do total de casos de dengue no país, somando 32.552 pessoas que tiveram suspeita da doença. A capital fluminense registrou 22.167 desse total.

A caminho do fim
Sem nenhuma possibilidade de acordo entre os sócios, a VarigLog caminha para a recuperação judicial, o que em outros tempos era conhecido como auto-falência. Pelo menos é o que pensam alguns diretores do fundo de investimento chinês Geo Capital, que andam descontentes com o novo interventor da empresa. Mas há quem esfrega as mãos de felicidade diante da agonizante situação da VarigLog. O empresário Gilberto Miranda, que sonha em comprar a companhia na bacia das almas.

Inventando moda
Enquanto a verdade sobre o acidente com Airbus A320 da TAM não surge, integrantes do governo Lula da Silva continuam acreditando que abrir o capital da Infraero é a melhor saída para evitar novos problemas na aviação comercial brasileira. Esdrúxula, tal tese só tem simpatizantes no Palácio do Planalto e na própria Infraero. Irresponsável será aquele que injetar dinheiro na Infraero, sendo que já está provado que o governo federal faz das estatais um eterno cabide de empregos. E na Infraero não é e nem será diferente. O melhor caminho é privatizar a Infraero. Nos países desenvolvidos funciona desse jeito.
País do futuro?
O Brasil é o primeiro país em número absoluto de mortes (45.311 vítimas em 2000) violentas, o quarto em taxa de mortos por agressão por 100 mil habitantes (26,4), e o quarto na proporção entre as mortes por agressão sobre o total de mortes (4,8%). O diagnóstico é de um extenso trabalho divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômico Aplicada, a cargo dos pesquisadores Helder Ferreira e Natália de Oliveira Fontoura. Entre os vários quadros de estatística, o Ipea chegou à conclusão que existem hoje no Brasil cerca de 400 guardas municipais, que se reúnem por meio de uma associação denominada Conselho Nacional das Guardas Municipais. Diversos municípios, especialmente os de maior porte e aqueles localizados em regiões metropolitanas possuem também secretarias municipais de segurança pública.

Faroeste tupiniquim
O trabalho do Ipea informa que em São Paulo registram-se fortes indícios de um constante abuso da força letal. Neste estado, no período 1996-2006, morreram 5.447 pessoas em conflito com a polícia – estando os policiais em serviço ou em folga –, isto é, uma média de 495 pessoas mortas por ano. “Além disso, morreram 503 policiais em serviço”. Os pesquisadores Hélder Ferreira e Natália Fantoura chegaram à conclusão de que apesar da carência de dados divulgados pelos órgãos do sistema e do limitado rol de pesquisas sobre a matéria, “o retrato que temos é um sistema que constantemente viola os direitos individuais com uma capacidade de punir crimes muito aquém do número de crimes cometidos”.
Fio da navalha
Os advogados que instruíram os processos contra Cássio Cunha Lima (PSDB) acreditam que dentro de quinze dias os três processos que tramitam no Tribunal Superior Eleitoral contra o governador da Paraíba podem ser julgados. É que relator dos três processos, ministro Ayres Brito, assume na segunda quinzena de abril a presidência do TSE. Os advogados acham que o ministro poderá dar seu parecer antes de transferir a relatoria para outro ministro. Nos três casos, o governador paraibano poderá perder o mandato por uma série de razões, entre elas, abuso de poder econômico nas eleições de outubro de 2006.

Corda bamba
Em outro caso que envolve um governador de estado, a 1ª Vara da Fazenda Pública de Joinville condenou ontem o governador de Santa Catarina. Luiz Henrique da Silveira (PMDB) teria feito publicidade irregular no período em que era prefeito da maior cidade do estado, em 2001. Luiz Henrique terá que devolver R$ 37,2 mil, com juros e correção monetária, gastos com uma publicidade na revista Veja. Luiz Henrique da Silveira também poderá perder o mandato de governador em ação que corre contra ele no TSE por propaganda irregular no período eleitoral de 2006.

Embolação oficial
Os agricultores já sabem o que querem, mas o governo ainda não decidiu se aceita as condições para a renegociação da dívida da classe que chega perto de R$ 90 bilhões. Técnicos dos Ministérios da Fazenda e da Agricultura ainda não concluíram os estudos e provocaram um adiamento da reunião prevista para ontem dos ministros Guido Mantega e Reinhold Stephanes com representantes dos agricultores e da frente parlamentar da agroindústria. Os ruralistas acham que seria ideal juros de 4% ao ano, carência de um ano para começar a pagar, receita de 5% da produção bruta para pagamento da dívida, com prazo de 25 anos.