Corrupção no IML (25.03.08 - 12h50)
Com um currículo acadêmico e profissional respeitável, o médico-legista e policial civil Daniel Ponte, ex-vice-diretor do Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro, denunciou a rede de corrupção no órgão, e como recompensa vive sob constante ameaça de morte. A situação de Daniel Ponte é tão trágica, que até a Organização dos Estados Americanos – OEA já cobrou do governo brasileiro solução imediata para o caso. Diante da inércia do Estado, como um todo, Daniel Ponte pensa em deixar o país na condição de perseguido político. Na outra ponta do imbróglio, e com currículo igualmente respeitável, está o delegado Alexandre Neto, que desde o primeiro momento das denúncias tem dado apoio a Daniel Ponte, bem como ratificado as declarações do médico-legista. Alexandre Neto, que durante bom tempo esteve à frente da Delegacia Anti-Seqüestro do Rio de Janeiro, foi alvo de um atentado. Alvejado por nove projéteis de fuzil, em Copacabana, Alexandre Neto sobreviveu e continua atuando como policial, competentíssimo, diga-se de passagem. Ambos, Daniel Ponte e Alexandre Neto estão na Entrevista do Sábado, que vai ao ar com um atraso muito maior do que o esperado. Desde já pedimos desculpas aos nossos diários leitores. Clique e confira a bombástica Entrevista do Sábado com o médico-legista Daniel Ponte e o delegado Alexandre Neto.

Olhar clínico (25.03.08 - 11h57)
A decisão final sobre a compra da Brasil Telecom pela Oi deve ser anunciada amanhã, prazo máximo dado pelos compradores aos vendedores para que eles se entendam. Muito além de ser o maior negócio da telefonia brasileira de todos os tempos, a BrOi pode ser uma espécie de trampolim negocial que empresários portugueses (leia-se Portugal Telecom) utilizarão para permanecer no setor. A parceria entre lusos e espanhóis na Telefônica, em São Paulo, já não exibe o vigor do começo das relações. Deputado federal pelo PPS paulista, Arnaldo Jardim detalha o assunto com precisão no artigo “BrOi: muito além de uma simples fusão”. Clique e confira o artigo do deputado federal Arnaldo Jardim.
Farra de gringo (25.03.08 - 11h52)
Segundo informa a Coordenação Geral de Imigração do Ministério do Trabalho e Emprego, em 2007 foram concedidas 29.488 autorizações de trabalho para estrangeiros, 16% a mais que no ano anterior (25.440 vistos). Deste total, 26.873 foram para permanência temporária no Brasil, ou seja, vistos de trabalho de até 90 dias. Nesta estatística registra-se uma surpresa. Os Estados Unidos lideram a lista de países de origem dos trabalhadores estrangeiros que chegaram ao Brasil em 2007: foram 4.519, quase o dobro do segundo colocado, Reino Unido, com 2.474 pessoas. Em terceiro, figura as Filipinas, com 2.120 autorizações concedidas.
Festa de arromba (25.03.08 - 11h50)
Enquanto a Espanha nega a entrada de turistas brasileiros, os espanhóis faturam alto com os negócios na terra de Macunaíma. O Ministério do Trabalho e Emprego informou ontem que o país do primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero investiu US$ 16.827.763,82 no Brasil. É o segundo país no ranking de investimentos depois da Itália, o que lhe dá uma boa vantagem na concessão de visto ao estrangeiro, pois este instrumento legal está condicionado à comprovação de investimento em moeda estrangeira. Dos 1,2 milhão de estrangeiros que vivem no Brasil, segundo a Polícia Federal, 60 mil são espanhóis. É o quarto país em imigração, depois de Portugal, Japão e Itália.
Naufrágio salarial (25.03.08 - 11h43)
Há momentos em que é melhor cair fora do que ver o barco fazer água. Foi assim que provavelmente pensou o ministro José Antônio Tóffoli, advogado-geral da União, e até bem pouco tempo padrinho de um reajuste salarial para os defensores públicos federais. A categoria descobriu que a tabela apresentada há poucos dias pelo Ministério da Fazenda não passa de um Cavalo de Tróia. Rebaixa os vencimentos dos advogados públicos se comparado com os salários de outras carreiras do Poder Executivo. A nova tabela é completamente diferente daquela proposta e assinada no ano passado. Tóffoli preferiu estar longe da confusão e tirou 15 dias de férias.
Munição extra
Enquanto o Palácio do Planalto nega de todas as formas e o PSDB quer explicações sobre um possível dossiê que reúne os gastos do casal FHC-Ruth, um outro conjunto de documentos contra o tucanato deve aterrissar em breve nas mais importantes escrivaninhas palacianas, em especial na de Lula da Silva. Com informações sobre estripulias protagonizadas por alguns integrantes do PSDB, o novo dossiê, a que a coluna teve acesso, traz detalhes de todos os níveis da política (federal, estadual e municipal), e que certamente serão desengavetados nas eleições municipais de outubro próximo. Um outro lote de informações será muito útil para alguns dos aliados do atual governo, injuriados com os tucanos desde a era FHC.

Alça de mira
Pronto para ser utilizado por alguns órgãos da administração federal, o tal dossiê tem São Paulo como foco. Traz informações sobre os tempos de José Serra no Ministério da Saúde, passa pela prefeitura paulistana e desembarca no Palácio dos Bandeirantes. Ou seja, serve para 2008, mas muito mais para 2010. O preciosismo do conjunto de provas não está na inovação das informações, mas na interligação dos fatos e dos personagens. Há desde superfaturamento em obras de hospitais até espionagem de inimigos políticos, passando pelos ainda financiadores do tucanato. Com direito a rápidas e indigestas paradas nas milionárias transferências de dinheiro a partir do Banestado.

De camarote
É estranha a reação quase plácida dos tucanos no Congresso Nacional diante da notícia de que o Palácio do Planalto preparou um dossiê contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A reação, por assim dizer, resumiu-se a discursos no Senado Federal sem muita indignação. Perguntados sobre essa queixa meia-boca, alguns caciques emplumados disseram que preferem dar a resposta na CPI das ONGs e na CPMI dos Cartões Corporativos, que podem ser transformadas na arena dos debates entre a oposição e a base governista. O senador Alvaro Dias (PR) disse que a manobra do governo na comissão mista é transformá-la num atestado de boa conduta do presidente-metalúrgico Lula da Silva.


Só marola
Os tucanos garantem que o dossiê elaborado pelo Palácio do Planalto, mais tarde confirmado pela ministra da Casa Civil e negado pelo ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, não apresenta novos fatos. O dossiê com dois volumes de cerca de 60 páginas cada, teria sido montado com base num relatório do Tribunal de Contas da União. O documento publicado em parte pela revista Veja no final de semana confirma aquisição de champanhe, uísque e até mesmo uma diária paga a Álvaro Nunes, no Copacabana Palace do Rio de Janeiro. Os valores foram pagos pelas chamadas contas “B”, porque na época (1998-2001) ainda não existiam os cartões corporativos. Em três anos teriam sido gastos R$ 408 milhões, mas no dossiê do governo discrimina 295 despesas que totalizaram R$ 612 mil.
Parada dura
O teste de habilidade dos senadores e deputados da oposição será aprovar nesta quarta-feira o requerimento que convoca a “mãe do PAC” para depor na Comissão Mista. Os tucanos e até mesmo os democratas, acham que a preparação do dossiê com os gastos do casal FHC-Ruth Cardoso, se caracteriza como um crime. Dizem que ao usar a máquina administrativa para elaborar o documento o governo estaria atropelando a legislação, assim como foi feito com a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. O fato que obrigaria a ministra Dilma Rousseff a se apresentar na CPMI dos Cartões estaria caracterizado na apresentação de notas fiscais falsas para comprovar gastos do Palácio do Planalto e na irregularidade em 35% encontradas pelo Tribunal de Contas da União nas prestações de contas.

Barril de pólvora
No momento em que se aproxima o fim da discussão sobre a venda da compra da Brasil Telecom pela Oi (antiga Telemar), um assunto pode colocar areia no maior negócio da telefonia brasileira. Autoridades analisam uma interessante e nada ortodoxa trilogia no mundo dos negócios. A passagem do italiano Gianni Grisendi pela presidência da Parmalat, Brasil Telecom e Bombril. Coincidência ou não, no escândalo do Banestado as três empresas foram flagradas utilizando os favores do mesmo doleiro. Vai dar o que falar.
1001 inutilidades
E por falar em Bombril, é no mínimo bizarra a reportagem de capa da penúltima edição da revista IstoÉ Dinheiro (19/3/08), onde Ronaldo Sampaio Ferreira aparece exalando um “bom mocismo” que inexiste. Longe de querer contestar a competência e o talento do jornalista Joaquim Castanheira, o empresário Sampaio Ferreira abusa do bom senso ao afirmar que é um enviado de Deus no mundo dos negócios da sua empresa. Primeiro porque está prestes a cometer o mesmo luciferiano erro que levou a Bombril à bancarrota, tempos atrás, quando decidiu entrar na guerra dos sabões em pó. Depois, porque é o primeiro oráculo do Senhor aqui na Terra que é processado com largueza na Justiça e não pode passar à porta do Previ, o poderoso fundo de pensão do Banco do Brasil. Resumindo, Ronaldo Ferreira está mais para cópia mambembe do capeta do que para querubim barroco de ocasião.


Mãos ao alto!
Preocupado com o excesso de consumo, em especial no setor de veículos novos, o Banco Central está cada vez mais dificultando as vendas do setor. Apenas em 2007, os bancos disponibilizaram R$ 66 bilhões para financiamento de automóveis. Considerando como preço médio de um carro R$ 40 mil, os bancos realizaram 1,65 milhão de operações de financiamento. O BC tem a obrigação de ser o guardião da economia e monitorar o mercado financeiro nacional, mas um dado está sendo deixado de lado. Em cada uma das operações de crédito foi cobrada Taxa de Abertura de Crédito, a sempre famigerada e ilegal TAC. Como na grande maioria dos casos o valor da TAC é de R$ 700, os bancos faturaram em 2007, somente com a TAC cobrada nos financiamentos de veículos novos, a pequena fortuna de R$ 1,15 bilhão.
Azeitona na empada
O Movimento dos Sem-Terra está preparando uma recepção para o presidente venezuelano Hugo Chávez, que nesta semana visita Pernambuco, Maranhão e Pará. O MST é especialmente grato, porque o coronel tem apoiado até financeiramente o movimento que prepara novas invasões de terra em abril. Chávez vai passar toda a tarde de quarta-feira com o presidente-metalúrgico Lula da Silva em Recife. O primeiro compromisso conjunto é uma visita à construção da Refinaria Abreu Lima, no complexo do porto de Suape, empreendimento que tem financiamento venezuelano, e depois conversam longe dos holofotes da imprensa. À noite, jantam na capital pernambucana com a sociedade e políticos locais.


Chato de galocha
O presidente da Venezuela viaja na quinta-feira pela manhã para o Maranhão. Por quatro horas e meia será ciceroneado pelo governador Jackson Lago (PDT), outro “inimigo” do George Bush. O governador chegou inclusive a ajudar a queimar um boneco do presidente norte-americano no ano passado, numa manifestação promovida próximo ao Palácio do Planalto. Depois, segue para Belém. Novamente por quatro horas e meia desfruta da companhia da governadora petista Ana Júlia Carepa e de movimentos sociais. Será o ambiente propício para a verborragia antiimperialista que faz a alegria da esquerda.
Trem da tristeza
O senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC) ainda está surpreso com o que viu em uma semana de viagem pela Ásia, em companhia dos senadores Heráclito Fortes (DEM-PI), Adelmir Santana (DEM-DF) e Antônio Carlos Valadares (PSB-SE). Da viagem que fizeram, o que se pareceu mais próximo do Terceiro Mundo foi Timor Leste. O resto, na opinião de Mesquita, foi um exemplo de empreendedorismo que não se observa no Brasil. De todos os aeroportos que passaram, apenas um se compara ao de São Paulo. Os demais têm o triplo do tamanho. “É uma coisa de doido”. A diplomacia parlamentar esteve por Hong Kong, Indonésia, Cingapura, Vietnam e Bali. “Não tinha a menor idéia do que estava acontecendo por lá”, diz Mesquita. Ele surpreendeu-se também pela concorrência entre as companhias aéreas e pelo conforto dos aviões, muito diferente do que se vê no Brasil.


Ressurgindo das cinzas
O deputado Paulo Maluf (PP-SP) preparou uma armadilha para o presidente-metalúrgico Lula da Silva e para os próximos presidentes. Como relator da PEC 565/06 que tem origem no Senado Federal, Maluf quer obrigar os presidentes da República a cumprir o Orçamento Geral da União sem mudanças e sem contingenciamento de recursos. O relatório atende às reclamações dos parlamentares que admitem que o Executivo não cumpre o que foi aprovado pelo Congresso Nacional. Resta saber se a base governista vai aprovar a proposta que hoje será votada na Comissão de Constituição e Justiça. O texto prevê que o presidente seja processado por crime de responsabilidade caso não cumpra o Orçamento da forma votada pelos parlamentares.
Longo prazo
Antes mesmo do início da reunião do diretório nacional do PT, o governador do Piauí, Wellington Dias, já apontava para uma liberação de coligações com tucanos e democratas nas eleições de outubro. Ele terá muita vantagem na vitória do grupo mais próximo do Palácio do Planalto, que não quer proibir o casamento de sapo barbudo com tucano. Wellington Dias está de olho nas eleições de 2010, quando será candidato ao Senado Federal. Sem atrapalhar os prefeitos do PSDB neste ano, o governador poderá contar com o apoio desse importante grupo na hora de garantir os votos daqui a quatro anos. O governador sabe que o pragmatismo é muito mais importante que defender bandeiras de um PT que já não existe mais.
Carpideira de plantão
Está em parte explicado porque a CPI dos Cemitérios não sai do papel na Câmara Distrital de Brasília. Por trás da única empresa que explora os seis cemitérios do Distrito Federal, a Campo da Esperança Serviços Ltda., está a deputada distrital licenciada Eliana Pedrosa (DEM), que hoje ocupa a Secretaria de Trabalho e Ação Social. Ela é sócia da Dinâmica Serviços, vencedora da licitação de 2002 juntamente com as empresas Brasília e Cotil, que mais tarde comprou 80% das ações do negócio, cujo sócio majoritário é o engenheiro cearense Moacir Pinto Filho. Segundo informou o Jornal da Comunidade neste final de semana, os negócios com cemitérios em Brasília movimentam R$ 12 milhões. No País, o mercado é de R$ 9 bilhões.
Velhos conhecidos
Pensando bem, a disputa entre palacianos e tucanos é briga caseira. Afinal, são todos filhos da rua Maria Antonia.

Túnel do Tempo - Roendo a corda
(26/03/07) - Para acompanhar a cerimônia de sua posse no Ministério do Turismo, a ex-prefeita e agora ministra Marta Suplicy desembarcou na capital federal com a família à tira-colo. Entre os que estavam no Palácio do Planalto, na última sexta, mereceu destaque o franco-argentino Luis Favre, o roqueiro Supla e a comediante Maria Paula, nora da ministra. Em dado momento, Supla resolveu entender as atribuições do responsável pela pasta do Turismo. “O que o cara do Turismo faz, você sabe?”, perguntou Supla a um desavisado jornalista. Na verdade, dependo da época, o responsável pela pasta do Turismo faz campanha à prefeitura de São Paulo. (Clique e confira na íntegra a edição de 26/03/07)
Ucho
Haddad com Gilmar Corrêa e Thaís Margalho