Puxando a fila (21.03.08 - 19h55)
Dom Luiz Cappio, que fez greve de fome para impedir que o governo federal tocasse as obras da transposição do rio São Francisco, é o Judas da Sexta-feira Santa do Ceará, estado que tem como maior defensor do projeto o deputado Ciro Gomes (PPS). Cappio foi eleito boneco para a malhação numa votação organizada pela Fundação do Folclore Mestre Eloi, com 22,7% dos votos. O blogueiro Magno Martins, de Pernambuco, explica que nesta votação ficaram para trás Hitler, o salário mínimo, cartão corporativo, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, Fernandinho Beira-Mar e um estuprador (não identificado). O religioso que fez sua greve de fome em Cabrobó (PE) e é bispo em Barra, na Bahia, naturalmente, não gostou da brincadeira.
Entre a cruz e a espada (21.03.08 - 19h29)
O jornalista Carlos Chagas, comentarista do SBT e articulista do jornal Tribuna da Imprensa, mostra com clareza como pensa o presidente-metalúrgico Lula da Silva. Em seu artigo “Congresso decadente: Lula dá a estocada final”, o experiente profissional e professor da UnB afirma que para Lula "o tempo em que as coisas precisam acontecer é mais rápido do que o tempo das discussões democráticas no Legislativo". Trata-se não apenas da defesa das medidas provisórias, sem as quais, para ele, seria "humanamente impossível governar o país". No caso, o presidente formulou declaração de fé na ditadura. O jornalista, no entanto, vive uma situação parecida com o que experimenta o ministro da Justiça Tarso Genro, mas ao contrário. Genro tem uma filha na oposição, a deputada Luciana Genro (PSol-RS). Já Chagas tem a filha Helena empregada em cargo de confiança na TV Pública. Helena foi demitida como colunista do jornal O Globo, porque teria feito corpo mole no caso das denúncias do caseiro Francenildo Costa contra o ex-ministro Antônio Palocci.
Virou delegacia (21.03.08 - 19h12)
Com a CPI das ONGs e a CMPI dos Cartões Corporativos ameaçadas de virar uma enorme pizza, o Senado Federal deve instalar na próxima semana mais uma CPI, desta vez para investigar crimes de pedofilia. O requerimento foi assinado em dezembro passado pelo senador-pastor Magno Malta (PR-ES), o mesmo que foi envolvido em denúncias do esquema de sanguessugas. Malta afirmou que o principal objetivo da comissão é tipificar o crime de pedofilia, que ainda não existe no Código Penal Brasileiro. O presidente da CPI deverá ser o próprio autor do requerimento e o relator o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), o mesmo que denunciou por espionagem o colega Renan Calheiros (PMDB-AL), cujas queixas misteriosamente caíram no esquecimento.
Rebeldia na base (21.03.08 - 18h47)
Na próxima terça-feira, 25, o presidente-metalúrgico Lula da Silva deverá reunir o Conselho Político da República para discutir a rebeldia protagonizada pelo PR nas votações desta semana na Câmara dos Deputados. O partido, como este site infirmou em primeira mão, faz pressão para que seja confirmado como relator da reforma tributária o deputado Sandro Mabel (PR-GO). A reunião, no entanto, não deve dar em grande coisa, porque na semana passada Lula da Silva prometeu colocar em pauta a reforma universitária. Perguntado sobre a reforma por um deputado, o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), respondeu simplesmente que não se deve levar a sério muitas coisas que o presidente promete.
Contagem regressiva
Tradicionalmente, a folclórica malhação de Judas acontece amanhã, Sábado de Aleluia, mas na seara dos negócios essa comemoração cristã, que transfere aos oprimidos o direito de açoitar a figura do traidor, terá lugar dentro de algumas semanas. Autoridades federais estudam, e não é de hoje, a melhor maneira de enjaular o mais polêmico banqueiro tupiniquim, o “Tantas”, cujo nome a Justiça em decisão que remonta à era plúmbea nos proíbe de citar. O enquadramento do banqueiro opportunista tem como base uma profunda análise dos documentos apreendidos durante operação policial (Chacal) deflagrada após notícias divulgadas por este site. Caso sejam confirmadas as precisas informações recebidas pela coluna, a queima de fogos de artifício, de norte a sul do país, causará inveja às mais badaladas e pirotécnicas festas de virada de ano. É ver para crer, porque depois de tantas armações tudo é possível.

Parlapatão rouge
Novamente discursando para a camada menos informada da população – é a maioria do povo brasileiro – o presidente Lula da Silva voltou a fustigar os que fazem críticas ao Plano de Aceleração do Crescimento. Durante visita a Foz do Iguaçu, no Paraná, presidente-operário disparou: "De vez em quando alguém fala assim para mim: 'os governos estão utilizando o PAC eleitoralmente'. Isso é de uma cretinice verbal que não tem lógica." Primeiro é preciso lembrar ao presidente que todo cretino é ilógico. Até porque, a cretinice pode ser traduzida como imbecilidade, idiotia ou estupidez. Portanto, a cretinice não pode ter lógica. De mais a mais, se o PAC não é eleitoreiro como afirma o presidente, ele – o PAC – deveria ter sido lançado há muito tempo. Mas não, os alarifes palacianos acham que o Brasil é um enorme picadeiro com mais de 180 milhões de palhaços e lançam o PAC um ano antes das eleições municipais. Sendo assim, todos desta coluna são cretinos verbal.

O vermelho amarelou
Não se trata de novidade o fato de a verborragia de Lula da Silva não ser das mais confiáveis. Menos de 24 horas depois de chamar, por vias tranversas, os ministros de mentirosos, o presidente disse que em nenhum momento sua intenção, ao reclamar dos números imprecisos do PAC que recebe dos ministérios, foi de ofender seus colaboradores. Ora, se Lula afirmou, nesta quarta-feira, que relatórios sobre as obras do PAC só seriam aceitos com a assinatura de cada ministro, é porque a palavra de cada integrante de sua equipe nada vale.

Bem pensado
A aliança entre o PSDB e o PT com vistas à eleição para a prefeitura de Belo Horizonte é o primeiro golpe do governador Aécio Neves contra o próprio partido. Ciente de que numa prévia, rumo ao Palácio do Planalto, José Serra levaria a melhor, o mineiro Aécio, de olho em 2010, preferiu acenar para o PT. Essa aproximação, sem qualquer fundamento ideológico, serve para garantir o apoio do presidente Lula da Silva no momento da sucessão presidencial. Aécio Neves disputará a eleição pelo PMDB, que com o apoio palaciano pode comprometer seriamente a candidatura Serra.

Papel carbono
A Casa Civil espera o momento certo para publicar uma medida provisória que define o salário nacional para os professores do Ensino Básico. Seria mais uma clonagem de projetos de lei elaborados pelos parlamentares com forte apelo popular. O governo do presidente-metalúrgico Lula da Silva teria a intenção de se antecipar à vigência de um projeto elaborado, em 2003, pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Nesta semana a proposta foi aprovada na Comissão de Finanças e Tributação e estabelece piso salarial de R$ 950 a ser adotado gradativamente até janeiro de 2010.

Último a saber
Cristovam Buarque disse que foi informado por fontes do próprio Palácio do Planalto que o texto está pronto. Só não foi publicado agora porque o governo federal quer fazer economia. O substitutivo da Comissão de Educação e Cultura da Câmara aos projetos de lei 7431/06, do Senado, e 619/07, do Poder Executivo, irá para a Comissão de Constituição e Justiça para verificação de sua constitucionalidade e só depois é que chegará ao Plenário. É o tempo que o governo precisa para, segundo o senador pedetista, editar a MP.
Sem cerimônia
A clonagem de projetos do Legislativo tornou-se uma denúncia freqüente, especialmente no Senado Federal. Além de Cristovam Buarque, os senadores Osmar Dias (PDT-PR) e Alvaro Dias (PSDB-PR) se dizem vítimas das artimanhas do Palácio do Planalto. A última queixa é de Alvaro Dias. Ele afirma que a Medida Provisória 385/07, aprovada na terça-feira pela Câmara dos Deputados, é uma cópia de um projeto dele apresentado em 2002 e reapresentado em 2007. A MP prorroga o prazo para que o trabalhador rural requeira aposentadoria por idade no valor de um salário mínimo.


Soltando a voz
Na próxima semana inicia-se uma nova fase de depoimentos do caso do mensalão. Entre as 41 testemunhas que serão ouvidas pelo Supremo Tribunal Federal, está Jeany Mary Córner. Ela seria a cafetina encarregada de arrumar mulheres de programa para os envolvidos no esquema de pagamento em troca de apoio político ao governo na Câmara dos Deputados. A cearense sumiu das páginas dos jornais e também da vista dos jornalistas. Seus telefones não são mais os mesmos e seu endereço foi trocado. Jeany virou estrela no meio do escândalo que abalou os pilares da república tupiniquim entre 2005 e 2006. Há dois anos, a “empresária” foi, inclusive, convidada especial do Bloco Anárquico Armorial Siri na Lata no 30° baile carnavalesco (Fortaleza), que teve como tema “Tem PiTza no Bordel do Siri”.
Horizontalidade política
Jeany Mary Córner agenciava as “moças que dormem à tarde” para programas de até quatro horas, por valores que variavam de R$ 400 a R$ 600. Gorjetas eram comuns e conta-se que um político costumava gratificar os serviços sexuais com notas de 100 dólares. A empresária chegou a ameaçar por duas vezes com a divulgação da lista de telefones dos clientes, o que levou ao desespero muitos políticos e freqüentadores de Brasília. Na agenda constariam além, dos telefones, os nomes reais dos clientes, valores e até códigos para evitar rastreamento caso a lista caísse em mãos erradas. Em tempo: um dos que mais telefonavam para “dona” Jeany era um tal de Luizinho.

Bandeira 2
Na época do escândalo do mensalão, chegou-se a divulgar que orgias sexuais teriam acontecido em hotéis e numa residência do Park Way, um bairro elegante da classe média-alta brasiliense. Uma das festas realizadas em 2005, com o viés da surpresa, serviu para festejar o aniversário de Sílvio “Land Rover” Pereira. A Procuradoria-Geral da República quer provar que as meninas de Jeany Mary Córner foram pagas com dinheiro sujo, operado pelo publicitário Marcos Valério e que teria beneficiado 40 pessoas.
Zebra pela frente
Se a eleição em Belém, capital do Pará com 951 mil eleitores, fosse hoje, o prefeito eleito seria Edmilson Rodrigues (PSol) com 29,5% dos votos. É o que mostra uma pesquisa encomendada pelos tucanos no início de março a que o ucho.info teve acesso. A consulta popular estimulada realizada com 603 habitantes de vários bairros e do centro da cidade aponta o atual prefeito, Duciomar Costa (PTB), em segundo lugar com 17,2%. Na pesquisa espontânea, a posição entre os dois pré-candidatos se inverte, com o prefeito liderando com uma diferença de apenas 1,3%. Aparece em terceiro lugar, tanto na espontânea como na estimulada, Valéria “Vic Pires” Franco (DEM), mulher do deputado federal Vic Pires. Perguntados sobre a principal qualidade de um político para receber o voto, os eleitores de Belém apontaram a capacidade administrativa (34,3%) e a honestidade (32,5%).

A estrela cai
A pesquisa realizada pelo Varitate – Pesquisa de Opinião não foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral, servindo como uma orientação política para os tucanos que por enquanto não têm possibilidades de conquistar a prefeitura da principal capital do Norte do País. O PSDB está mirando no governo de Ana Júlia Carepa (PT), que para os eleitores está sendo um fracasso no quesito “segurança pública”. Nada menos que 47,3% dos consultados apontaram a segurança como a principal necessidade do bairro ou do município. O saneamento é o segundo item mais preocupante para os belenenses. Os eleitores avaliam o governo da petista como excelente/bom (27,7%), regular (38,1%) e ruim/péssimo (22,1%). E se a eleição para governador fosse hoje? 43,3% votariam ainda em Ana Júlia e 41,8% em Almir Gabriel (PSDB).
Cadê a coragem?
Candidato à reeleição, o prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo, induzido por sua assessoria, sabe muito bem tirar proveito da mídia. E para tal protagoniza ações popularescas em todos os rincões da maior cidade do país. Kassab já arrancou outdoors, fechou inferninhos, deu voz de prisão ao empresário e dublê de contrabandista Law Kim Chong, gritou comum munícipe que protestava no posto de saúde, entre tantas outras encenações político-eleitoreiras. Mas Gilberto Kassab não tem coragem suficiente para acabar com a farra de bares e restaurantes, que ocupam de maneira ousada e criminosa as calçadas paulistanas. Nos Jardins, cara e elegante região da cidade, restaurantes, bares e botecos simplesmente transformaram o público em privado. O pedestre que quiser passar que trafegue pela rua. A coluna desafia o prefeito Gilberto Kassab a usar sua histeria de ocasião para pôr fim a essa barbárie. Afinal, “seo” Kassab, o Democratas defende a democracia ou não?
