Polêmica afiada II (19.03.08 - 19h31)
O jornalista Paulo Henrique Amorim, que agora prega o blog independente, diz que esse novo sistema é o único que sobrou do jornalismo independente. Ele tem razão. Os blogs e sites independentes, como o ucho.info, refletem um jornalismo que não se vê na grande imprensa. O ucho.info, na estrada há quase oito anos, enfrenta as dificuldades do cotidiano, mas nunca se vendeu a banqueiros, grandes companhias e a interesses de governos. Interessante é o fato de Amorim apresentar como responsável pela sua demissão do “portalzão” o mesmo nome que há anos fustiga este site. Pelo menos neste aspecto há alguma coisa em comum com o Conversa Afiada.
Polêmica afiada (19.03.08 - 19h28)
O ti-ti-ti da “blogosfera” desta tarde foi a rescisão contratual do iG com o jornalista Paulo Henrique Amorim, também apresentador do Programa de Domingo, da Rede Record. A notícia se espalhou entre os “medalhões” do jornalismo, com direito a uma defesa de Mino Carta. Coincidência ou não, os dois jornalistas fizeram ou fazem parte de um esquema muito bem pensado para defender as teses do governo do presidente-metalúrgico Lula da Silva. Gente com influência na chamada opinião pública foi escalada para falar bem do governo e atacar a oposição em jornais, revistas, rádios, televisão e internet. Coube ao blog de Paulo Henrique Amorim servir de âncora no iG, um “portalzão” mantido por pesados interesses econômicos de fundos de pensão e da Brasil Telecom. Amorim saiu porque teria dito que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocuparia uma sala na futura mega-empresa de telefonia, a BrOi.
Raio-X do solo (19.03.08 - 12h41)
Agamenon Dantas, diretor-presidente da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, informou que apenas 14% do país está mapeado no âmbito geológico e hidrológico. Com a falta de conhecimento adequado, não é possível fazer um Zoneamento Ecológico Econômico adequado e as riquezas deixam de ser aproveitadas. Segundo ele, estamos deixando escondidos minerais industriais importantes que seriam base para materiais de construção e fertilizantes, que são produtos que o país não tem produção suficiente. Além de minerais energéticos e pedras e metais preciosos.
Índio quer apito (19.03.08 - 12h38)
A Funai concorda com a regulamentação da exploração mineral em terras indígenas. O diretor de assistência da Fundação, Aluízio Guapindaia, defendeu na reunião da Comissão Especial da Câmara, que deve analisa o projeto de lei 1610/96 (determina a exploração de recursos em terras indígenas), a regulamentação e acompanhamento do cumprimento da lei. “É muito mais fácil". Ele disse também que o contato com o minerador irregular é negativo, porque estes são foco de outras irregularidades como tráfico de drogas e prostituição. Guapindaia deu como exemplo os índios Cinta Larga, da reserva de Roosevelt, em Roraima. Estes índios estão sofrendo um severo impacto de desagregação social por causa de uma mina de diamantes. Segundo o diretor, esta experiência ruim poderia ter se transformado em algo positivo, em crescimento econômico para os indígenas.
Tudo parou (19.03.08 - 12h36)
Por falta de acordo entre as lideranças partidárias, a Câmara dos Deputados suspendeu no final da manhã a sessão extraordinária para votar os destaques da Medida Provisória 385/07, que prorroga o prazo para o trabalhador rural requerer aposentadoria por idade no valor de um salário mínimo. Hoje à tarde haverá apenas uma sessão ordinária. As votações só devem acontecer na próxima terça-feira, caso haja quorum e entendimento entre os aliados do governo e a oposição.
Jogo duro (19.03.08 - 12h34)
O motivo principal da obstrução do Partido da República à votação da Medida Provisória que estende o prazo para as aposentadorias rurais está relacionado à relatoria do projeto da reforma tributária. O partido fechou acordo para a indicação do deputado Sandro Mabel (GO) para a função, mas o PT decidiu apoiar o ex-ministro Antônio Palocci. A mudança do entendimento encrespou os aliados, que decidiram mandar um recado ao governo. Os deputados do PR também estariam descontentes com as indicações para o segundo e terceiros escalões da administração federal. A instalação da comissão poderá acontecer na próxima semana se as divergências forem solucionadas. O presidente deverá ser o deputado Edinho Bez, do PMDB de Santa Catarina.
Atropelo palaciano
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, não gostou de saber pela imprensa que o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff teriam prometido a exclusividade do gás natural produzido na Reserva Petrolífera de Urucu (AM) para o governador do estado, Eduardo Braga. O projeto até então existente previa o fornecimento de parte daquela produção para consumo em Porto Velho (RO) para a geração de energia elétrica para Rondônia e Acre. O ministro revelou aos mais próximos e íntimos assessores ter se sentido atropelado. Acontece que a ministra Dilma Rousseff, que até então mandava e desmandava no setor elétrico brasileiro, só sossegará quando conseguir ejetar Edison Lobão do Ministério de Minas e Energia.

Fim de linha
Pouco antes de desembarcar na campanha pela reeleição, em 2006, o presidente Lula da Silva anunciou que a Saúde no Brasil estava a um passo da perfeição. Menos de dois anos depois da falácia discursiva, o país tenta eliminar o vírus da dengue. No Rio de Janeiro, maior foco do problema, o combate ao Aedes Aegypti contará com a participação das Forças Armadas, estratégia obsoleta que foi adotada por Oswaldo Cruz, que à época requisitou inclusive presidiários para as tarefas. Hilário será ver o ministro da Defesa, Nelson Jobim, cuja vocação para Rambo tupiniquim todos conhecem, sair pelas favelas do Rio com uma bomba de flit na mão. Em tempo: o caso da recém-nascida contaminada pelo mosquito da dengue continua sendo analisado em obsequioso silêncio. Tudo porque a contaminação pode ter ocorrido no momento do parto.

Péssima idéia
Não faz muito tempo, o governo federal empenhou-se para proibir a venda de bebidas alcoólicas nas rodovias. A iniciativa foi do ministro da Justiça, Tarso Genro, que continua sonhando com a cadeira palaciana do companheiro Luiz Inácio. Na seqüência surgiram os lobistas das indústrias de cerveja, e o governo mudou o discurso. Agora busca uma forma de contentar gregos e troianos. Até porque, as rodovias federais estão infestadas de bares e restaurantes com um sem fim de geladeiras de cervejas, cuja retirada representaria uma milionária despesa para os fabricantes de bebidas. No final de semana, a coluna circulou por estradas federais e pôde constatar a realidade. Encostados nos balcões e com cara de Monalisa na TPM, caminhoneiros dizem que proibido é vender bebidas alcoólicas, beber não.

Fila do abate
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, deverá estar preparado para a audiência pública que acontece na manhã desta quarta-feira na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados. Na mira dos ruralistas por conta da questão da exportação de carne bovina para a Europa, Stephanes terá de responder sobre a quem interessa limitar o número de fazendas habilitadas para a venda de carne aos europeus. O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) já tem preparada uma lista de perguntas. Desde fevereiro está proibida a compra de carne bovina in natura brasileira. A União Européia alega falhas no sistema de rastreamento de animais no Brasil. Ao concordar com essas restrições, o governo brasileiro estaria beneficiando apenas poucos frigoríficos e as empresas que trabalham com os brincos nos animais, a chamada “rastreabilidade”. Em tempo: não custa lembrar que diversas fazendas de gado no sul do Pará foram adquiridas por ninguém menos que o banqueiro opportunista “Tantas”, cujo nome a Justiça continua nos impedindo de citar. Como antecipou o ucho.info, Fábio Luís Lula da Silva, o primeiro-filho, pode ser o sócio oculto do banqueiro no negócio. O que explica a escusa manobra.
Truque na esteira
Apesar de o governo estadual afirmar que a segurança pública no Mato Grosso do Sul está sob controle, uma faixa afixada no presídio de segurança máxima de Campo Grande prova o contrário. Pendurada desde dezembro do ano passado, a faixa apresenta uma singela mensagem aos detentos: "Nós da Família PCC desejamos a todos um feliz Natal e Ano Novo". Aos integrantes da CPI do Sistema Penitenciário, a direção do presídio afirmou que a mensagem permanecia até este mês porque o crime organizado não deveria ser provocado. O presidente da comissão, deputado Neuciomar Fraga (PR-ES) encontrou outra pérola do sistema prisional em Mato Grosso. Na colônia penal agrícola os presos são obrigados a montar barracas, ao estilo dos sem-terra, para se proteger da chuva e do sol. Cerca de 20 apenados dormem junto a chiqueiros de porcos. (Fotos: Luiz Alves – SEFOT – SECOM – Câmara dos Deputados)




Fundo de quintal
O Senado Federal poderia ter sido preservado de mais uma discussão entre os senadores Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN). O bate-boca, que lembrava uma lavagem de roupa suja, deveria ter acontecido longe do Plenário. "Castração", "ameaças" e outras palavras, que fizeram as galerias cair na gargalhada, dominaram o debate entre os dois por vários minutos. Até os colegas tucanos ficaram constrangidos. Como o líder queria toda a atenção do presidente ("O senhor presta atenção em mim"), um senador chegou a comentar que Arthur Virgílio estava carente. Outro não soube explicar qual era o interesse do tucano em comprar briga com Garibaldi, que foi questionado sobre as ameaças que teria recebido para votar o Orçamento Geral da União. "Todo o Congresso recebeu ameaças de que haveria uma enxurrada de Medidas Provisórias" disse Garibaldi. "Do presidente (Lula da Silva), do ministro Paulo Bernardo (Planejamento), de outro ministro..." E sobre o rodízio para as relatorias das MPs, quis saber Arthur Virgílio. “Já disse que estou comprometido com isso”, avisou. O fato é que Arthur Virgílio exagerou e Garibaldi Alves amarelou.

Fazendo escola
Até então desconhecido, sabe-se agora o motivo da desfiliação do deputado-costureiro Clodovil Hernandez do PTC paulista. Depois de eleito, o dublê de apresentador de programas de futilidades foi informado que o partido tinha direito ao fundo partidário. Como a direção nacional negou o pleito do parlamentar, Clodovil abandonou a agremiação para ser recebido pelo PR do mensaleiro Costa Neto. E engana-se quem pensa que Clodovil é um neófito na política. Ontem, Clodovil tricotava no cafezinho do Senado Federal com o presidente da Casa, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN). Mais tarde, já no cafezinho do Plenário da Câmara, recebia um estridente beijo no rosto de Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP).

À beira do caminho
O discurso de Marta Suplicy sobre sua permanência ou não no Ministério do Turismo é pura balela. A ministra disse que o presidente Lula da Silva lhe deu carta branca para decidir sobre sua candidatura à prefeitura de São Paulo, mas o que ambos aguardam é uma definição da briga entre tucanos e democratas. Enquanto o ex-governador Geraldo Alckmin não decidir sobre sua candidatura ao trono paulistano, Marta Suplicy manterá a indecisão. Acontece que se Alckmin e Gilberto Kassab entrarem separados na disputa eleitoral, Marta Suplicy será candidata. Do contrário, a ex-prefeita continuará ministra. O PT não pode contabilizar uma derrota eleitoral em uma vitrine político como a cidade de São Paulo.
Primo do Aladim
Ainda a Paulicéia Desvairada... Candidato à reeleição, Gilberto Kassab tem ocupado o horário político gratuito para gazetear soluções mirabolantes. E a mágica de Kassab começa na Educação. Nesta terça-feira, o alcaide paulistano surgiu nos veículos de comunicação anunciando uma hora a mais de aula, todos os dias, nas escolas municipais e um professor extra nas salas de aula. Esse malabarismo numérico de Kassab pouco resolve a crise da Educação, que não é de hoje. Os professores carecem de melhores salários. Colocar dois miseráveis diante alunos quase analfabetos de nada adianta.

Mirando o futuro
É verdade que eleição só se perde depois da apuração, mas a candidata do PT à prefeitura de Curitiba, Gleisi Hoffmann, sabe da dificuldade de derrotar Beto Richa, atual prefeito da capital dos paranaenses. Mesmo assim, Gleisi – casada com o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento – espera em seu palanque dois apoios de peso. O do presidente-companheiro Luiz Inácio e o do governador Roberto Requião. O objetivo maior de Gleisi Hoffmann é disputar o governo do Paraná em 2010. Outra parada dura, pois o senador Alvaro Dias (PSDB) certamente entrará no páreo.
Furando a fila
No último final de semana, o PT gaúcho realizou prévias para escolher o candidato do partido à prefeitura de Porto Alegre. Vice-governador do Rio Grande do Sul na gestão Olívio Dutra e ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto era o favorito na opinião do Palácio do Planalto. Tanto é assim, que os gaúchos Tarso Genro, Dilma Rousseff e Guilherme Cassel (ministro do Desenvolvimento Agrário) viajaram de Brasília a Porto Alegre, a bordo de jato da FAB, para dar apoio ao pré-candidato Rossetto. Na capital gaúcha, Dilma Rousseff, a “mamma” do PAC, disse que a vez era de Rossetto, pois no PT há uma fila a ser respeitada. Quem venceu a disputa foi a deputada federal Maria do Rosário. Um verdadeiro presente para os candidatos de outros partidos, porque Maria do Rosário se destaca pelo radicalismo gauche. E mais: se fila existe dentro do PT, Dilma furou a da corrida presidencial.


Cabo de guerra
Continuam as escaramuças em torno do cargo de relator da Comissão Especial para tratar da reforma tributária. O deputado Sandro Mabel (PR-GO) confirmou ontem que tem o apoio das bancadas do próprio partido, do PMDB, do PP e do Democratas. "Há uma negociação dia e noite", exagera. A bancada tucana que se encontrou ontem para discutir temas da reforma tributária, não comentou sobre o cargo que também é disputado pelo ex-ministro da Fazenda, deputado Antônio Palocci (PT-SP). Os tucanos não decidiram nada, apenas fizeram conjecturas sobre o tema que é polêmico, porque nenhum estado, município ou a União quer perder arrecadação. O único consenso é o fim da guerra fiscal entre os estados por conta do ICMS. Líder do PSDB no Senado, o amazonense Arthur Virgílio Neto anunciou que o partido não irá participar da tal Comissão.
Fogo amigo
O Partido da República decidiu acompanhar a oposição e obstruir a votação da Medida Provisória que prorroga o prazo para o trabalhador rural requerer aposentadoria por idade no valor de um salário mínimo. O objetivo dos deputados que integram a base do governo, era mandar um recado ao Palácio do Planalto. PR reclama que perdeu poder numa das empresas estatais depois que o presidente-metalúrgico Lula da Silva resolveu atender o PMDB. A obstrução do PR pode continuar hoje quando a Câmara dos Deputados retoma a votação dos destaques da MP 385/07, cujo texto principal acabou sendo aprovado depois de sete horas de sessão. A proposta beneficia cerca de quatro milhões de trabalhadores avulsos da agricultura.