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ano 7 - número 1565
quinta-feira, 6 de março de 2008
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
"A felicidade não é um luxo: está em nós como nós próprios."
Paul Claudel
 
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Asas da modernidade (06.03.08 - 18h51)
Com o cancelamento da sessão do Congresso Nacional marcada para as 10 horas desta quinta-feira, o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-PB), com base no regimento interno da Casa, chamou para si a responsabilidade de ler e instalar a CPMI dos Cartões Corporativos. A decisão madura e independente de Garibaldi Alves pôs fim a um processo que, por orientação do Palácio do Planalto, estava sendo postergado. Presidente da Comissão, a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), estava voando para seu estado quando o senador Garibaldi Alves fez a leitura do documento. A tucana sul-mato-grossense será avisada do ocorrido através de um “torpedo” enviado para o seu celular. Coisas da modernidade.

É o fim (06.03.08 - 18h44)
A Unip (Universidade Paulista), em Goiânia, será investigada pelo Ministério da Educação, segundo informou hoje à tarde o ministro Fernando Haddad. A instituição particular de ensino superior aprovou um garoto de apenas oito anos, João Victor Portelinha de Oliveira, no curso de Direito. É a prova de que o ensino no Brasil virou um negócio que pode ser medido também pela baixa qualidade. Nos últimos seis meses, o MEC teria reprovado cursos que abrigavam seis mil alunos. Fernando Haddad disse que viu a notícia publicada hoje em alguns jornais “com muita preocupação”. Conhecido como atacadista do ensino, João Carlos Di Genio – é dono também da rede de colégios Objetivo – tem feito da Educação um próspero e rentável. Quem duvidar da aquinhoada vida que Di Genio leva, basta conversar com os garçons do restaurante Piantella, um dos mais disputados de Brasília. Nesse imbróglio, resta saber quem é o mais louco de todos: quem inscreveu o garoto no exame vestibular, quem aceitou a inscrição, quem o aprovou ou, em tão, os pais que agora querem entrar na Justiça para garantir o direito de o menor cursar a faculdade.

Carpideiras de plantão (06.03.08 - 13h12)
Um empresário espanhol, de olho nos negócios do futebol, acaba de lançar uma idéia revolucionária. Cemitérios temáticos voltados para torcedores de clubes. Cada necrópole receberá apenas torcedores de uma determinada agremiação. O que fará com que o torcedor, mesmo do outro lado da vida, continue ajudando financeiramente o time do coração. No caso da idéia revolucionária, porém tétrica, emplacar por aqui, não é difícil imaginar o tamanho do cemitério a ser construído para abrigar os torcedores da seleção. Principalmente porque não há quem não morra de vergonha do onze canarinho. A notícia foi divulgada no programa "Esporte em Discussão" (rádio Jovem Pan), sob o comando do sempre competente Wanderley Nogueira.

Picadeiro central (06.03.08 - 12h18)
Deputado federal pelo PP do Paraná e vice-líder do governo Lula na Câmara, Ricardo Barros é o capitão do imbróglio que impede a votação do Orçamento de 2008 no Congresso. Tendo como companheiros de obstrução os deputados Zé Gerardo (PMDB-CE) e Wellington Fagundes (PR-MT), o paranaense Ricardo Barros tem feito jus à fama: de excelente operador nos bastidores do poder. O problema começou quando o Anexo do Orçamento – uma espécie de contrabando parlamentar - acabou expurgado por pressão dos partidos de oposição. Marcada para as dez horas desta quinta-feira, a sessão do Congresso nacional foi suspensa, porque Ricardo Barros e sua trupe simplesmente impediram a votação do Orçamento. As verbas estabelecidas no tal anexo foram previamente combinadas com vários ministros de Estado. Tudo a mando do Palácio do Planalto. E quem pensa que Ricardo Barros age de tal maneira por amor à pátria, que tire o alazão da chuva.

Fala que eu te escuto (06.03.08 - 11h15)
Há instantes, um representante da operadora de telefonia celular Claro declarou à CPI do Grampo que, em 2007, a empresa recebeu 33.211 ofícios judiciais determinando a quebra de sigilo telefônico. Em outra situação foram fornecidos os dados cadastrais de 68.511 usuários de celulares. Nos dois primeiros meses de 2008, foram realizadas, somente na Claro, 7.836 interceptações telefônicas, ou seja, 3.918 por mês. Isso mostra que no reino de Dom Lula I todos são criminosos, até prova em contrário. Em tempo: foi a partir de um grampo ilegal nos telefones do editor da coluna que desafetos o ameaçaram de morte, especialmente por conta da divulgação das conversas telefônicas do caso Celso Daniel.

Quem parte e reparte... (06.03.08 - 10h03)
Bahia será o estado mais beneficiado pela redistribuição dos R$ 534 milhões previstos no Anexo - Metas Prioritárias. Se o acordo de ontem à noite for cumprido na votação desta manhã do Orçamento Geral da União de 2008, na sessão conjunta da Câmara dos Deputados e Senado Federal, os baianos devem ficar com R$ 38.705.447,00. O segundo estado mais beneficiado será Minas Gerais, e quem menos vai receber, de acordo com os critérios do FPM, FPE e das emendas coletivas das bancadas dos últimos 36 meses, será o Distrito Federal. Em compensação, a bancada do DF apresentou destaque ao Orçamento no valor de R$ 1,8 bilhão, que é o maior volume de recursos para emenda estadual. Depois do acordo para eliminar os recursos do Anexo, criado por uma conjugação da Lei de Diretrizes Orçamentárias e do Plano Plurianual, os destaques devem ser a pedra no sapato do governo para que o Orçamento seja votado ainda hoje. A oposição poderá obstruir a votação se forem confirmadas as ameaças do líder tucano no Senado, Arthur Virgílio (AM).

Recordar é viver
Em 2006, por ocasião da campanha pela reeleição, o presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva encomendou aos assessores uma fórmula para interromper a trajetória ameaçadora de Geraldo Alckmin. Foi então que os marqueteiros de plantão lançaram mão da falsa teoria que de volta ao poder os tucanos privatizariam a Petrobrás. E para dar veracidade ao tema, os petistas reforçaram a idéia ressuscitando a privatização das estatais de telefonia. À época surgiu, inclusive, um neologismo de ocasião: tele-gangue.

Quem te viu...
O presidente Lula da Silva conquistou o direito de permanecer mais quatro anos no poder, e agora se curva diante do lobby em favor da compra da Brasil Telecom pela Oi (antiga Telemar). Segundo apurou a coluna junto a fontes muito próximas ao Citibank e ao “Banco das Opportunidades”, cujo nome a Justiça ainda nos impede de citar, o acordo da compra da BrT pela Oi já está definido, mas será anunciado apenas na próxima semana. Entre as partes envolvidas na milionária transação e os Fundos de pensão brasileiros, peças-chave na criação da maior empresa de telefonia do país, também já está tudo absolutamente acertado. O mais estranho é que os Fundos não saem como os que saem, e nem ficam como os que ficam. Ou seja, os Fundos sairão do negócio pela porta do prejuízo.

Mudança radical
Esse grande e bisonho acordo passou obrigatoriamente pelo julgamento do “mensalão” na Justiça Federal. Há duas semanas, Henrique Pizzolato, ex-presidente do Conselho de Administração da PREVI e ex-diretor do Banco do Brasil, e que teria utilizado dinheiro do “mensalão” na compra de um apartamento no Rio de Janeiro, disse à Justiça que mentiu durante depoimento na CPI dos Correios. À época, Pizzolato afirmou que a ordem para repassar dinheiro a uma das empresas de Marcos Valério partiu do então ministro Luiz Gushiken. Aos magistrados federais, Pizzolato garantiu ter sido pressionado a dizer o que disse durante a CPI.

Japonês em negócio da China
No próximo dia 17, uma segunda-feira, será a vez de Luiz Gushiken depor na Justiça com o status de réu no caso do “mensalão”. O recuo de Henrique Pizzolato, que pode ter sido encomendado, pode funcionar como um salvo-conduto para Gushiken, que nas últimas semanas tem utilizado sua influência junto aos Fundos de pensão para facilitar o negócio entre a Brasil Telecom e a Oi. De acordo com fontes extremamente próximas aos que atuam nos bastidores “opportunistas”, o acordo será anunciado muito próximo da data do depoimento de Gushiken, que deve se livrar no escândalo de compra de parlamentares, além de colocar nos bolsos uma polpuda quantia em dinheiro advinda do maior negócio da telefonia tupiniquim. Mas esse milionário negócio, recheado de “opportunismos”, tem em seus bastidores duas figuras ilustres da política gauche nacional: José Dirceu de Oliveira e Silva, ou simplesmente Pedro Caroço, e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que por conta de uma oferta da Telemar se transformou em rico empresário do ramo de jogos eletrônicos.

Pega na mentira
O enfermeiro-sindicalista Jorge Lorenzetti pode ter prevaricado ontem na CPI das ONGs, ao informar aos senadores que seu sigilo bancário, fiscal e telefônico já teria sido quebrado pela Polícia Federal e que os dados estariam nos arquivos da CPI dos Sanguessugas. Lorenzetti deu essa informação ao ser desafiado pelo senador Arthur Virgílio a assinar um documento abrindo mão de todos os seus sigilos para a comissão de investigação. O presidente CPI, senador Raimundo Colombo (DEM-SC) confirmou que as informações não estavam disponíveis no Senado, contrariando a declaração do ex-dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Colombo disse que vai confirmar a informação com o delegado que investigou a denúncia no caso do dossiê dos “aloprados”.

Anjo barroco
O petista afirmou que as denúncias contra a Unitrabalho são um factóide da oposição – “De 2001 a 2005, não fiz nenhuma gestão nos trabalhos da instituição, nem uma reunião nem um e-mail”. Ele negou também sua participação na montagem de um falso dossiê contra os tucanos Geraldo Alckmin e José Serra. O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) disse que não acreditou no amigo do presidente-metalúrgico Lula da Silva. A Unitrabalho, segundo o senador, teria recebido recursos federais no período do escândalo dos “aloprados”.

Armação ilimitada
A ONG Unitrabalho recebeu R$ 18,5 milhões da União desde o início do governo petista (2003) até setembro de 2006. Coincidência ou não, desse montante, R$ 4,1 milhões foram pagos pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) no dia 15 de setembro, um dia antes de Gedimar Pereira Passos e Valdebran Padilha serem presos portando R$ 1,7 milhão. O total repassado até 2006 é cinco vezes maior do que toda a quantia desembolsada no período entre 1996 e o final do governo Fernando Henrique Cardoso, que não chega sequer a R$ 1 milhão.

Sempre alerta
Quinze seminaristas do Seminário Maior Arquidiocesano de Brasília acompanharam toda a sessão de ontem do Supremo Tribunal Federal, que começou a julgar Ação de Inconstitucionalidade contra a Lei de Biossegurança. Todos os seminaristas vestiam traje esporte completo, mas embaixo do paletó exibiam a camiseta verde com uma frase contra o uso de células tronco para fins científicos. Muitos do grupo matriculados nos cursos de Filosofia e Teologia estão prestes a receber a batina de padre. Ao falar com a imprensa, mantiveram o discurso do advogado da CNBB, Ives Gandra Martins, de que a lei é inconstitucional. Negaram que a matéria envolve questões religiosas.

Decisões oficiosas
Se não houver nenhum contratempo, o presidente do Congresso Nacional senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) pretende ler ainda hoje o texto para a instalação da CPMI dos Cartões Corporativos. O ato deverá acontecer antes da votação do Orçamento Geral da União de 2008, que depende de um acordo entre as lideranças dos partidos. A primeira reunião da Comissão Mista para confirmar a presidente (senadora Marisa Serrano, PSDB-MS) e o relator (deputado Luiz Sérgio, PT-RJ) deverá ser realizada na próxima terça-feira. A sessão será presidida pelo parlamentar mais velho até o final da apuração dos votos. Há um consenso entre Luiz Sérgio e Marisa Serrano na escolha dos primeiros a serem ouvidos pela Comissão: o presidente do Tribunal de Contas da União, ministro Walton Alencar Rodrigues, e o controlador-geral da União, Jorge Hage. Os dois órgãos reúnem até agora as maiores informações sobre o uso dos cartões. Amanhã, o TCU deverá apresentar o cronograma da investigação que pretende fazer sobre o mesmo assunto.

Matando a cobra
"Faço relatório para ser aprovado". A frase é do relator do Orçamento Geral da União, deputado José Pimentel (PT-CE), dita no final da reunião entre os líderes da base do governo sobre o polêmico Anexo – Metas Prioritárias, que seria um apêndice para beneficiar um grupo de parlamentares. Os democratas e os tucanos não participaram do acordo prévio que deverá ser ratificado na manhã de hoje, às 9 horas, pouco antes do início da sessão do Congresso Nacional, que tem por finalidade votar o Orçamento deste ano. Chegar a uma proposta que atenda a maioria dos descontentes foi um calvário, que se prolongou durante o dia e a noite de quarta-feira. As divergências foram tantas que na reunião das 18 horas o presidente do Congresso, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), foi obrigado a usar um microfone para botar ordem numa sala de cerca de 60 metros quadrados. No final da noite decidiu-se que os R$ 534 milhões do Anexo serão redistribuídos para as bancadas dos estados, segundo critérios que levam em consideração os Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios e o valor médio das bancadas nos últimos três anos.

Estouro da boiada
Os peemedebistas flanam em céu de brigadeiro depois que o presidente-metalúrgico Lula da Silva confirmou quase dez indicações para cargos federais. “Agora somos governo”, brincou um deputado. Depois de um cabo de guerra travado com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que foi convencida a ceder, as nomeações e as posses vão seguir a toque de caixa. Na segunda-feira, assume a presidência da Eletrobras o maranhense Antonio Muniz, da cota pessoal do senador José Sarney (PMDB-AP). A posse na sede da empresa no Rio de Janeiro, será comandada pelo ministro das Minas e Energia, Édison Lobão. A Eletronorte será presidida por Lívio de Assis. Na Chesf, a presidência será ocupada por Dilton da Conti. O PMDB só não deve emplacar o ex-governador Paulo Afonso Vieira na diretoria administrativa da Eletrosul, que será comandada pelo petista Jorge Boeira.

Bom menino?
Há dias, órgãos da imprensa revelaram que o senador Delcídio Amaral (PT-MS) é um dos homens de confiança da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) no Congresso nacional. Quem pensa que sim, erra de maneira grotesca. Para quem um dia já atendeu pelo codinome de “companheira Estela”, escolher pessoas de confiança não é algo que acontece de maneira tão meteórica. De mais a mais, Delcídio Amaral só tem aparecido nessa condição porque à ministra Dilma interessa continuar minando as forças do PMDB dentro das estatais elétricas. Delcídio, que foi diretor da Eletrosul, entende o suficiente sobre energia para, da tribuna do Senado, esbravejar sob encomenda. Por outro lado, se Dilma Rousseff acha mesmo que Delcídio é seu representante no Congresso, é porque ainda não sabe os detalhes do escândalo da mineradora Urucum. Clique e entenda o caso Urucum.

Dúvida cruel
No rastro do que noticiou a coluna com dois anos de antecedência, o desembarque do governador Aécio Neves no PMDB está sendo negociado. Como bom mineiro, Aécio deixou um jantar realizado na última segunda-feira em São Paulo, na casa de José Yunes, pedindo mais tempo para pensar. Presente ao rega-bofe político, o presidente nacional do partido, deputado Michel Temer (SP), tentou sacramentar o assunto na segunda-feira. A dúvida de Aécio reside nas condições que o PMDB lhe dará em 2010 para disputar a eleição presidencial. Apenas dois peemedebistas podem estragar o sonho de Aécio Neves: o governador Roberto Requião e o ministro Nelson Jobim. Mesmo fora do páreo, ambos sonham em ser candidatos à sucessão de Lula.

Tudo combinado
A Comissão de Educação e Cultura da Câmara será o “lugar de gente feliz”, com a eleição para a presidência do deputado João Mattos. A frase em destaque é o slogan do Sinergia Sistema de Ensino, educandário que tem como proponente o parlamentar do PMDB catarinense. Embora tenha feito carreira política com a plataforma da educação pública, João Mattos atua no ensino privado de concursos públicos, faculdade e colégio. João Mattos também foi secretário da Educação no governo de Paulo Afonso Vieira. Em 1998, o parlamentar foi acusado de pagar preços superfaturados de microcomputadores, laboratórios de física e química e de quatro mil toneladas de frango. Uma CPI instalada em 2000 na Assembléia Legislativa apurou que a Secretaria da Educação pagou R$ 1,73 o quilo do frango em São Paulo, quando poderia ter comprado a R$ 0,90 em Santa Catarina. João Mattos negou todas as acusações.

Status quo
Pensando bem, o poder mudou suas moscas, mas a tele-gangue continua a mesma.

Túnel do Tempo - Face lenhosa
(06/03/07) - Quando ainda estreava como Presidente da República, nos idos de 2003, Luiz Inácio Lula da Silva ainda se misturava ao povo, como se dele fosse de fato seu fiel representante. Agora, com a soberba sobrando para todo lado, Lula não se comove com situações tristes do cotidiano. Amanhã, quarta-feira (07/03), acontece no Rio de Janeiro a missa pelo trigésimo dia da morte do pequeno João Hélio. No mesmo dia e horário, o presidente Lula tem um compromisso na Cidade Maravilhosa: uma visita à Cidade do Samba. Se não foi falta de sensibilidade da assessoria palaciana, é porque foi tudo proposital. Que vergonha presidente! (Clique e confira na íntegra a edição de 06/03/07)

Ucho Haddad com Gilmar Corrêa e Thaís Margalho

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