Por um triz (21.02.08 - 21h27)
No processo de cassação de mandato em que é réu no Tribunal Superior Eleitoral, o governador Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), fez do vice Leonel Pavan, do PSDB, sua tábua de salvação. Pavan, que nos últimos dias circulou por Brasília exibindo um considerável nervosismo, alegou que não poderia ser cassado na esteira de Luiz Henrique, pois na ocasião da ilegalidade cometida (compra de votos) ainda não integrava a chapa eleitoral. Os ministros Marcelo Ribeiro, Ayres Britto, Cezar Peluso e Marco Aurélio Mello, que consideram válida a tramitação do processo contra Luiz Henrique, decidiram que Pavan deve ser chamado à lide através de citação formal e apresentar defesa. O julgamento do processo será retomado a partir da citação de Leonel Pavan.

Fechando o cerco (21.02.08 - 17h25)
O ucho.info teve acesso à petição inicial da ação protocolada na manhã desta quinta-feira na Justiça do Paraná, em que são réus o prefeito de Curitiba, Beto Richa, Luiz Abi Antoun, Luiz Carlos Caíto Quintana, Hermas Brandão e Augustinho Zucchi. No documento o signatário classifica os atos praticados como "assalto ao erário público". Confira abaixo alguns trechos da petição incial.
..."No caso verá V.Exa. que nenhum dos princípios constitucionais é obedecido ao se intentar impingir a nomeação de funcionário da Assembléia, que não exercita o cargo, e muito menos, dedicação exclusiva, a todo Estado Paranaense. E mais em gabinete fantasma, porque quem exerce cargo de vice-prefeito não pode ter gabinete na assembléia legislativa, e muito menos solicitar nomeação de primo."
..."O mais sério: o nomeado e Réu nesta ação Luis Abi continua a exercer o cargo até esta data percebendo salários sem comparecer à Assembléia. Ele simplesmente sem trabalhar recebeu da Assembléia Legislativa durante seis anos e sete meses, como membro de um gabinete fantasma."
..."O Réu Luiz Abi é nomeado para exercer cargo em Gabinete de Deputado que não mais deveria existir, pois o seu titular passa a exercer o cargo de vice-prefeito. A ilegalidade é flagrante. E nomeado pelos Co-Réus, que deverão responder solidariamente Deputados Caíto Quintana, Hermas Brandão e Agustinho Zucchi, juntamente com o 'dono do Gabinete Fantasma, atual Prefeito Beto Richa, (Carlos Alberto Richa)'."
..."Quanto à lesividade ela se configura com o assalto ao erário público da Assembléia, e conseqüentemente do Estado, ao perceber proventos durante anos o Réu nomeado para cargo inexistente. Os fatos são surrealistas. E só ocorrem nesse país graças à impunidade de que todos os mandatários e políticos parecem estar ungidos."
Reis do ringue (21.02.08 - 15h45)
Faltou pouco para que o plenário do Senado não se transformasse em um ringue de vale-tudo. Um ácido e acalorado bate-boca entre os senadores Mário Couto (PSDB-PA) e Gilvam Borges (PMDB-AP) tomou conta da sessão do Senado desta quinta-feira, com direito a xingamentos como "vagabundo" e "filho da p...". Os parlamentares só não chegaram às vias de fato porque a turma do "deixa disso" entrou em ação.
Tiro ao alvo (21.02.08 - 11h45)
Carlos Alberto Richa, prefeito de Curitiba, Luiz Abi Antoun, Luiz Carlos Caíto Quintana, Hermas Brandão e Augustinho Zucchi são réus em uma ação judicial protocolada nesta manhã na Justiça do Paraná. O autor, que na ação faz referência a Hely Lopes Meirelles, afirma que "formou-se no Paraná uma espécie de Conselho Paraestatal que mantém sobre a batuta de alguns o comando das atividades de controle da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, e porque não dizer-se junto a diversos órgãos públicos". Ao final, o signatário pede que a Justiça suspenda os vencimento dos acusados. Resumindo, a primeira pedra no caminho da reeleição de Beto Richa já apareceu.

Bagdá é aqui (21.02.08 - 11h34)
A crise da segurança pública em vários estados brasileiros, aqui noticada na edição de ontem, quarta-feira, começa a produzir resultados preocupantes. No último final de semana, em São Paulo, alguns cariocas e paulistanos, todos da classe média ou mais, participaram de um caro e disputado curso de tiro. Para alguns, aprender a atirar e manusear armas de fogo está atrelado à incerteza política futura. Para outros, a insegurança pública é o principal motivo. Ou seja, estamos a um passo de uma guerra civil.
Na frente e na mosca (21.02.08 - 10h45)
O que antecipou a coluna, com a necessária precisão, só hoje os jornalões começam a noticiar. Na suposta transição política cubana, o Brasil pode ser uma saída para o conhecido mal-estar ideológico que existe entre o primeiro-irmão Raúl Castro e o venezuelano Hugo Chávez. E não foi sem motivo que Frei Betto desembarcou na ilha caribenha dias atrás.
Vale tudo
Durante a solenidade de posse do novo ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, o presidente Lula da Silva disse que Matilde Ribeiro, flagrada no escândalo dos cartões corporativos, não cometeu crime, mas falhas administrativas. Ora, se foi só isso que a “Dona Matilde” cometeu, não havia motivo algum para os palacianos transformá-la em bode expiatório. Para o entourage petista, usar e abusar de recursos públicos em benefício próprio não é crime. Os companheiros que tropeçaram no mensalão também não cometeram crimes, mas deslizes. Os aloprados do Dossiê Cuiabá são um bando de inocentes e os algozes do caseiro foram vítimas, e não culpados. Afinal, quem mandou Francenildo Costa ter uma conta na Caixa Econômica Federal?

Inventando moda
Ainda a desfaçatez petista... Nessa guerra pelo controle da CPI dos Cartões Corporativos, os barbudinhos palacianos - e outros sem suíças - garantem que tudo não passa de uma questão de semântica, aliada à intriga da oposição. Foi assim que o ministro da Justiça, Tarso Genro, explicou a estripulia de seu antecessor, Márcio Thomaz Bastos, com os malfadados cartões de crédito oficiais. Considerando que a tese dos petistas tem um mínimo de lógica - que não é crime tungar o dinheiro público - não há razão para investigar o assunto desde a era FHC. Ou estamos errados, presidente Lula?

Balaio de gato
Os desentendimentos na esfera do sumiço dos computadores da Petrobras já começaram. O delegado da Polícia Federal encarregado do caso continua apostando na tese de espionagem industrial, mas o presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, acha que se trata de um crime comum. Até agora, o crime está coberto de mistérios, porque gente muito graúda deve estar enrolada no mais novo escândalo do governo o do presidente Luiz Inácio. No momento em que o planeta vivencia avanços tecnológicos a cada hora, transportar computadores com conteúdo tão valioso é um misto de falta de competência com ausência de inteligência, ou, então, trata-se de um crime encomendado. Com o advento da Internet e o surgimento das chamadas conexões de alta velocidade, qualquer engenheiro em uma plataforma marítima poderia tranquilamente, com o uso de senha especial, acessar a intranet da Petrobras e baixar os arquivos. Mas não, os alarifes da horda luliana preferiram apagar as pegadas de mais um truque.

Hora da verdade
O Natal da década, que os lojistas das grandes cidades comemoraram no final de 2007 por conta do aumento das vendas, começa a mostrar suas mazelas. De acordo com a Serasa, o mês de janeiro apresentou um crescimento de 1,6% no volume de cheques sem fundo, comparado com dezembro do ano passado. Mas o comércio enfrenta apenas o primeiro capítulo de uma história mal contada, pois o excesso de crédito em 2007 patrocinou a milhões de incautos consumidores a falsa sensação de poder de compra. A fantasia de Sassá Mutema que o petista Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula, usa para ludibriar a opinião pública começa a desbotar. E mais: uma pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo revelou que 60% dos consumidores compram produtos falsificados, com alguma regularidade, na região metropolitana da maior cidade do país. Não demora muito, o bordão presidencial "nunca antes neste país..." perde a validade.

Caldeirão alternativo
Ainda a pirataria... As quadrilhas especializadas em pirataria ostentam organização de fazer inveja a grandes corporações. Em conversa com o ucho.info, um contratado da Rede Globo revelou que quando um CD de músicas do programa do apresentador Luciano Huck é lançado no sábado à tarde, na segunda-feira subseqüente cópias piratas já estão à venda em camelôs do Rio de Janeiro. Quando não acontece de os falsificadores conseguirem piratear o produto antes mesmo do lançamento oficial na televisão. Diante de tão desanimador quadro não há o que fazer, pois Lula, que deveria dar o exemplo, se valeu de um DVD pirata para assistir com antecedência o filme “Os dois filhos de Francisco”. E anunciou o feito!

Na frente, muito na frente
O que os leitores da coluna souberam com quase dois anos de antecedência, só agora outros veículos midiáticos começam a noticiar. Que o governador Aécio Neves, de Minas Gerais, pode concorrer à presidência da República em 2010 pelo PMDB. Quando o presidente Lula partiu para a reeleição, esta coluna noticiou o fato, explicando que Aécio no PMDB seria a única forma de o PT palaciano barrar o apetite oposicionista pela sua cadeira. Por outro lado, o desembarque de Aécio no partido de seu avô, Tancredo Neves, lhe daria a chance de não enfrentar José Serra, que na pesquisa CNT/Sensus aparece como favorito para 2010.

Outra do Pantaleão
Circula com rapidez e irresponsabilidade, nos meios empresariais, uma notícia plantada que está servindo para blindar o mais “opportunista” de todos os banqueiros tupiniquins, o “Tantas”, cujo nome a Justiça ainda nos impede de citar. Comenta-se em rodas elegantes e poderosas que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio, seria o novo padrinho e protetor do tal banqueiro. Duvidar de tal informação é algo tão sério quanto nela acreditar. Considerando que o tempo é o senhor da razão, só há uma forma de conferir sua veracidade. Aguardar o desfecho da compra da Brasil Telecom pela Oi (antiga Telemar), que deve gerar a BrOi. Se o negócio vingar, é porque a informação é verdadeira e em suas reticências o presidente Lula da Silva terá sérios problemas. Se o negócio não sair, é porque o opportunista aprontou mais uma das suas.

Nas asas do poder
Um avião de transporte especial da Força Aérea Brasileira levou nesta quarta-feira trinta parlamentares, entre deputados e senadores, para Cuiabá. Na comitiva oficial encabeçada pelo presidente do Congresso Nacional, senado Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), estava a ex-senadora Heloísa Helena (PSol), que sempre reclama do uso da mordomia paga pelo contribuinte. Também estavam no grupo quatro representantes dos Ministérios da Agricultura e Integração Nacional. Os políticos foram prestar a última homenagem ao senador Jonas Pinheiro, 67 anos, sepultado no final da tarde em Santo Antonio de Leverger, município a 30 quilômetros de Cuiabá.

Carpideiras de plantão
Na companhia do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), seguiram para Cuiabá a ex-senadora Heloísa Helena, Kátia Abreu (DEM - TO); Marina Serrano (PSDB - MS); Neuto de Conto (PMDB - SC); José Agripino (DEM - RN); Serys Slhessanrenko (PT); Demóstenes Torres (DEM - GO); Marco Maciel (DEM - PE); Romeu Tuma (PTB - SP); Delcídio Amaral (PT - MS); Lúcia Vânia (PSDB - GO); Augusto Botelho (PT - PR); Cícero Lucena (PSDB - PB); Mão Santa (PMDB - PI); Heráclito Fortes (DEM-PI); Sergio Guerra (PSDB - PE) e Arthur Virgílio (PSDB - AM), deputados Eliene de Lima (PP) e Carlos Abicalil (PT), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Rodrigo Maia (DEM-RJ), Marcos Montes (DEM-MG), Paulo Piau (PMDB-MG), Valdir Collato (PMDB-SC), Betinho Rosado (DEM-RN) e Waldemir Moka (PMDB-MS); secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Silas Brasileiro, e o secretário de Desenvolvimento do Centro-Oeste do Ministério da Integração Nacional, Totó Parente.

Pressão total
Deputados da base do governo, alguns deles ligado à bancada ruralista, já defendem a substituição do atrapalhado ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. A insatisfação atingiu até o sindicalista Paulinho da Força (PDT-SP): “Esse já devia ter saído”, disparou. O ambiente do ministro deve ficar ainda mais complicado se os fiscais federais agropecuários decidirem pela greve a partir de 5 de março. A categoria reclama que o governo não cumpriu a promessa de conceder 23% de reajuste salarial, conforme acordo estabelecido em 2007. O Ministério do Planejamento avisou que irá pagar o que pedem os fiscais, mas, mesmo assim, está mantida a assembléia geral extraordinária para o dia 4 de março.
Números da crise
Na mesma data da assembléia dos fiscais, o ministro Reinhold Stephanes deve divulgar os dados do endividamento agrícola brasileiro, cujos números são até agora um segredo de estado. Eles serão apresentados aos deputados da Comissão de Agricultura da Câmara. Os parlamentares do bloco do agronegócio acreditam que o governo possa classificar como adimplente as dívidas dos produtores que deveriam ter sido pagas até 30 de dezembro do ano passado, revisar os juros dos contratos antigos e reduzi-los para 6,75% - atual encargo do crédito rural. Em e-mail encaminhado a este site, o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), disse que o governo oferecerá três opções aos produtores: liquidação parcial, liquidação total com desconto ou prorrogação com prazo de carência.

Toma lá, dá cá
Mesmo com uma briga entre o PT e o PMDB, está praticamente concluído o rateio entre os partidos políticos para as presidências das comissões
permanentes da Câmara dos Deputados. O PMDB deverá abrir mão da Comissão de Educação e Cultura para manter sua hegemonia na Comissão de Constituição e Justiça, que deverá ser presidida pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O PT vai mandar nas comissões de Direitos Humanos, Desenvolvimento Urbano e Finanças e Tributação. O partido quer reaver as comissões alegando proporcionalidade de bancada. O desejo confere um grau de conflito entre as duas maiores bancadas que ultrapassa questões meramente programáticas. O líder petista Maurício Rands (PT-PE) disse à imprensa que a distribuição das presidências das comissões estava desrespeitando a paridade entre os partidos. Há muita lenha para ser queimada nessa fogueira de vaidade e poder até que haja um consenso.
Gazeta democrata
Em clara e continua evidência política por conta do sonho da reeleição, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, aparece no programa político do Democratas que será exibido na noite desta quinta-feira, como vedete do partido. Kassab, que deve falar durante alguns minutos sobre segurança, deveria se preocupar com outros assuntos, como, por exemplo, a péssima qualidade do asfalto das ruas paulistanas. Quem circula pela região da Avenida Paulista, uma das mais caras e disputadas da cidade, acaba conhecendo um lado turístico camuflado de São Paulo. A péssima conservação do asfalto das transversais da Paulista permite ao motorista uma espécie de viagem alternada. Ora acredita que está em uma montanha russa de um parque temático da Flórida, ora aposta que está em uma rua qualquer de Bagdá. Tamanha é a quantidade de buracos e sacolejos a ser enfrentada.