Todos de luto (20.02.08 - 14h50)
Há poucos instantes, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal decidiram suspender os trabalhos em função da morte do senador Jonas Pinheiro (DEM-MT). A sessão do Congresso Nacional, que aconteceria nesta quarta-feira, foi transferida para amanhã. A votação dos destaques à MP que cria a TV Brasil foi transferida para as 9 horas desta quinta-feira. Muitos parlamentares foram pegos de surpresa com a suspensão dos trabalhos. O No Senado a sessão durou trinta minutos, tempo suficiente para alguns rápidos discursos e a apresentação de requerimentos.
Sinal vermelho (20.02.08 - 11h54)
O Brasil vive uma crise na segurança pública, mas as autoridades federais e estaduais insistem em esconder o fato em baixo do tapete. O termômetro pode ser visto nas consecutivas crises na área. Em Alagoas, a Polícia Civil está em greve há meses. Em Mato Grosso, o secretário de Justiça e Segurança, Carlos Brito, entregou ontem o cargo. Na Bahia, o surto de violência na região metropolitana de Salvador derrubou ontem o secretário de Segurança Pública, Paulo Bezerra. O número de assassinatos teria crescido 38% na capital baiana. No Maranhão, a secretária Eurídice Vidigal se equilibra no cargo diante de uma crescente criminalidade e só não perdeu a função porque é mulher do ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça, Édison Vidigal, aliado político do governador Jackson Lago. No Rio de Janeiro, o comandante da Polícia Militar foi substituído criando uma crise sem precedentes na corporação. Policiais militares de vários batalhões, entre oficiais e praças, fizeram no final da semana uma passeata na orla de Ipanema, na zona sul, por melhorias salariais. No Distrito Federal, a Força de Segurança Nacional foi chamada para fazer a segurança nos municípios do Entorno, mas não conseguiu reduzir o número de homicídios. No Rio Grande do Sul, 35 policiais militares foram mortos nos nove últimos meses. Há queixas de baixos salários e por isso os militares fazem “bico” para completar a renda mensal.
Operação salva-vidas (20.02.08 - 10h03)
O PT palaciano continua trabalhando, e muito, nos bastidores da corrupção. E todo o esforço tem como objetivo salvar a pele de figuras ilustres do partido, muitas das quais na alça de mira da Justiça. O primeiro a ser beneficiado pelo silencioso esquema intimidatório foi o ex-ministro Luiz Gushiken. Ex-diretor de marketing do Banco do Brasil e um dos príncipes do mensalão, Henrique Pizzolato, durante depoimento à Justiça Federal, retirou as acusações feitas contra Gushiken. Na CPI dos Correios, o próprio Pizzolato declarou que recebera ordens de Luiz Gushiken para liberar R$ 22 milhões para uma das empresas de Marcos Valério Fernandes de Souza. Agora, o mais novo beneficiado com o esquema palaciano é o ex-ministro Antonio Palocci Filho. Amigo de todas as horas, da política ao lupanar, Rogério Tadeu Buratti registrou em cartório documento em que retira as acusações feitas em 2005 contra Palocci. Ou seja, a massa da pizza petista, para ficar mais saborosa, precisa de um longo tempo de descanso antes de ser levada ao forno.
Circo armado (20.02.08 - 9h53)
A renúncia de Fidel Castro, o ditador cubano que ficou 49 anos no poder, não causou surpresa aos ocupantes do Palácio do Planalto. Quando esteve em Cuba, há um mês, Lula ouviu do mandatário local uma reclamação. Fidel lembrou que, considerando o passado político de Lula da Silva, o modelo de governo brasileiro era um fiasco ideológico. E tais palavras, se levadas adiante, comprometeriam a liderança do brasileiro na América Latina. Foi então que o presidente-operário despachou para Havana ninguém menos que Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, ex-assessor especial da Presidência da República. Em Cuba, Frei Betto, que sempre babou nas suíças castristas, conversou reservadamente com autoridades locais, em especial com Raúl Castro. Sem nutrir muita simpatia pelo venezuelano Hugo Chávez, o primeiro-irmão Raúl Castro, que deve ser confirmado como presidente no próximo domingo, abriu as portas políticas da ilha para o companheiro Lula. E não foi por acaso que o presidente Luiz Inácio, tão logo foi anunciada a renúncia de Fidel, se prontificou a ser o interlocutor da transição política da ilha caribenha.

Minuto de silêncio (20.02.08 - 8h47)
Faleceu na noite desta terça-feira, de falência múltipla de órgãos, o senador Jonas Pinheiro (DEM-MT), 67. Em seu segundo mandato como senador, Jonas Pinheiro estava internado no hospital Amecor, em Cuiabá, onde deu entrada, no último dia 10, com quadro de parada cardio-respiratória. O parlamentar mato-grossense era diabético e teria se descuidado durante o período de Carnaval. O velório acontece na terra natal de Jonas Pinheiro, Santo Antonio de Leverger, a 30 km de Cuiabá. O sepultamento, que acontece na cidade onde nasceu Jonas Pinheiro, está marcado para as 17 horas desta quarta-feira. Em tempo: o primeiro suplente é o empresário agrícola Gilberto Goellner.

Rolo compressor
Foi um verdadeiro passeio governista a votação da Medida Provisória que cria a TV Brasil. Dos 442 deputados federais que registraram presença no plenário da Câmara, 336 aprovaram o texto principal da MP da TV pública, que consumirá ainda em 2008 algumas boas centenas de milhões de Reais. Contra a matéria votaram 103 deputados, e apenas três parlamentares optaram pela abstenção. Presidente da emissora, a jornalista Teresa Cruvinel, que desde a chegada de Lula da Silva ao poder sempre foi muito afinada com o Palácio do Planalto, comemorou efusivamente a aprovação da matéria, chegando a abarcar alguns deputados governistas. A sede da emissora, prevista inicialmente para ser na cidade do Rio de Janeiro, será em Brasília. Mudança de última hora que garantiu a aprovação da Medida. Os destaques apresentados à MP serão votados nesta quarta-feira.
Batendo duro
A TV Brasil foi classificada de “TV Boquinha” ou “TV Traço” pelo deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), durante discurso que fez na Câmara contra a Empresa Brasileira de Comunicação. Ele fez essa ironia por conta de um artigo na Medida Provisória que prevê a contratação de funcionários, inclusive jornalistas, sem concurso público nos próximos 36 meses. Coincidência ou não, o prazo coincide com o final do mandato do presidente-metalúrgico Lula da Silva em 2010. O deputado paranaense lamentou que mais de R$ 600 milhões estão previstos para custear o empreendimento, enquanto ele próprio espera por R$ 25 milhões para concluir um hospital em Londrina.
Bem comportado
Walter Pinheiro, deputado do PT baiano que foi o relator da MP que criou a Empresa Brasileira de Comunicação, deverá ser o novo presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia. A indicação só depende da reunião dos líderes dos partidos com o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), prevista para hoje ao meio-dia. O debate vai definir a partilha das comissões para cada partido com representação no Plenário.

Dúvida cruel
O quase modesto comentário oficial do governo norte-americano sobre a renúncia do ditador Fidel Castro teve motivos. O primeiro deles, no âmbito eleitoral, é que o presidente George W. Bush quer fazer do senador republicano John McCain o seu sucessor na Casa Branca, e para isso prefere, por enquanto, não interferir, nem mesmo com discursos, nos assuntos políticos da ilha. O segundo motivo, meramente estratégico, ainda está sendo analisado pelas autoridades ianques. Desde o golpe de 1959 até ontem, Fidel Castro manteve-se politicamente a reboque da histórica e lendária pendenga com os americanos, tema que deve continuar no cardápio do governo cubano. A imediata suspensão do embargo comercial a Cuba exporia a ineficiência de um discurso totalitarista criminoso. Manter o embargo seria continuar alimentando a farsa que segurou Fidel no poder esse tempo todo.

Embromação palaciana
Passados 218 dias do acidente com o Airbus da TAM, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) ainda não entregou às autoridades envolvidas na investigação as gravações das caixas-pretas do A320 da companhia fundada pelo saudoso comandante Rolim Adolfo Amaro. Logo após o acidente, parlamentares foram aos EUA acompanhar a degravação do material, mas discursos desencontrados dos políticos deram início à confusão. A primeira informação oficial deu conta que um gravador de cabine fora confundido com uma das caixas-pretas. No dia do acidente, diversos pilotos de jatos comerciais, em contato com a torre de controle, foram unânimes em relatar os evidentes perigos da pista do aeroporto de Congonhas. Semanas mais tarde, quando o assunto estava sendo tratado em duas CPIs no Congresso, o Palácio do Planalto agiu nos bastidores, de maneira truculenta e ameaçadora, para abafar a verdade. Chamada para elucidar o mistério do mais trágico acidente da aviação comercial brasileira, a Polícia Federal concluiu que naquele dia a pista do aeródromo paulistano deveria estar fechada. Chamado para substituir Valdir Pires no Ministério da Defesa, o gaúcho Nelson Jobim chegou prometendo, mas até agora nada.


Fugindo da raia
Líder do PT no Senado, a senadora Ideli Salvatti (SC) escapou ardilosamente de uma pergunta feita pela coluna. Editor-adjunto do ucho.info, o jornalista Gilmar Corrêa quis saber da senadora a razão de sua viagem à Rússia na última semana. Assustada com a pergunta, Ideli rapidamente virou as costas e foi embora. Beira a estranheza o fato de uma senadora escalada para defender o próprio partido e o governo do companheiro Lula da Silva não saber responder pergunta tão fácil. Fosse a viagem de caráter pessoal, bastava informar. Mas, Ideli Salvatti, como sempre, prefere confundir a responder claramente.

Aí tem!
Ainda a Rússia... Coincidência ou não, foi lá na terra dos czares que nasceu Boris Berezovsky, ex-parceiro do Corinthians e inimigo figadal do presidente russo Vladimir Putin. Acontece nas gravações telefônicas da Polícia Federal sobre o caso Corinthians-MSI, o nome de Berezovsky aparece em um dos diálogos. O russo que se refugiou na Inglaterra é citado na conversa como sendo dono da Varig. Até agora, ninguém deu a menor importância ao fato.


Saúde na UTI
O senador José Nery (PSol-PA) sentiu na pele como os brasileiros comuns são tratados no Sistema Único de Saúde. Aos 89 anos, o pai do senador paraense foi levado ao hospital de Abaetuba depois de sofrer um acidente doméstico. A equipe de emergência sequer autorizou radiografia no paciente, procedência normal em casos como esses. Depois de alguns dias reclamando de fortes dores, o pai de Nery foi levado para um hospital de Belém, onde foi constatada fratura na bacia. E o presidente Luiz Inácio insiste em afirmar que a saúde no Brasil está a um passo da perfeição.
Fala que eu te escuto
Pelo relato do técnico aposentado da Rede de Acesso da Telemar, no Rio de Janeiro, José Luís da França Neto, prestado na CPI do Grampo da Câmara, a prática de escutas telefônicas nas próprias unidades da empresa é natural e corriqueira. José Luís, que se aposentou há dois anos, revelou a existência de uma tabela de bonificação para o funcionário que conseguisse esconder com eficiência os gravadores nos prédios das centrais telefônicas. Os valores variavam de R$ 50 a R$ 200. Apesar de saber da irregularidade, a Telemar decidiu afastar apenas uma vez um grupo de funcionários terceirizados suspeitos do crime. Ficou claro no depoimento do técnico que o grampo em telefones fixos é corriqueiro, assim como a escuta de telefones celulares. A deputada Marina Maggessi (PPS-RJ) chegou a afirmar que tem seis aparelhos celulares clonados de bandidos.

Caminhão de mudança
O vice-governador de Santa Catarina, Leonel Pavan (PSDB), pediu socorro ao diretório nacional. Como está arrolado no mesmo processo que ameaça o mandato do governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB), o senador, que renunciou ao mandato para assumir como vice-governador, pode perder os direitos políticos pelos próximos oito anos. Visivelmente nervoso, percorreu o Plenário do Senado em busca de apoio político. Garantiu que entre hoje e amanhã entrará com sua defesa no Tribunal Superior Eleitoral, alegando que ainda não havia sido formalizada a chapa eleitoral quando Luiz Henrique foi acusado de fazer propaganda irregular com recursos públicos no início do segundo semestre de 2006. A situação do governador catarinense é avaliada como de péssima a ruim, sendo dada como quase certa a cassação do mandato pelo TSE ainda neste ano.

Salva pelo gongo
O primeiro dos 17 processos que envolvem deputados federais infiéis, foi julgado ontem à noite pelo Tribunal Superior Eleitoral. A decisão beneficiou a parlamentar Jusmari Oliveira (BA), que trocou o Democratas pelo Partido da República. O voto do ministro Ari Pargendler foi acompanhado pelos demais ministros e com isso o mandato da deputada não será cassado, como queria o Democratas. A decisão foi recebida com alívio pela maioria na Câmara dos Deputados, que viu antes do julgamento um discurso apaixonado do ex-deputado Aldo Rabelo (PcdoB-SP). Ele defendeu a troca de partido e disse que a infidelidade é assunto que só interessa aos eleitores.

É o fim
Quem se envolver em um acidente de trânsito em São Paulo e precisar de uma cópia do boletim de ocorrência, que se prepare. O problema inicial está no tempo que o interessado terá de esperar até conseguir o documento. No caso de o acidente ocorrer próximo de um feriado prolongado (Carnaval, por exemplo) a paciência deve ser maior, pois o prazo estabelecido dificilmente é cumprido. Por ocasião da retirada do registro policial, uma nova surpresa. Quem quiser uma cópia do boletim de ocorrência deve tirar uma cópia. Ora, considerando que ninguém requer um documento dessa natureza sem necessidade e que o IPVA cobrado em São Paulo é um dos mais caros do país, beira a sandice ter que pagar por uma cópia daquilo que deveria ser gratuito. E mais: a cópia não pode ser tirada nos batalhões da Polícia Militar.
Recordar é preciso
Quando o mistério sobre o conteúdo da Coca-Cola, o refrigerante mais vendido no planeta, desembarcou na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, em 2005, um assunto chamou a atenção. Sonegação fiscal por parte da Coca-Cola brasileira. Batizada com o nome de Pangaia, a operação detectou o uso de empresas fantasmas como forma de driblar a cobrança de impostos. Segundo apurou a coluna à época das discussões no Parlamento, o montante sonegado estava na casa dos bilhões de Reais. Muito estranhamente o assunto sumiu. E o governo do presidente Lula da Silva, que em casos de crimes contra a ordem tributária não abre mão de uma cinematográfica ação policial, calou-se. Sem contar que o segundo mandato do presidente-operário teve direito a uma edição comemorativa do refrigerante de conteúdo misterioso.