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ano 7 - número 1545
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
"Para mim a solenidade é uma doença."
Voltaire
 
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O UCHO PERGUNTA

O que deve fazer o governo Lula com o fim da CPMF?

Aumentar impostos

Reduzir custos

Demitir companheiros

Retaliar a oposição

Nada


Clique e confira a entrevista com o senador Garibaldi Alves Filho, presidente do Senado Federal.

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Números das estradas (07/02/08 - 15h13)
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, foram 128 os mortos nas rodovias federais durante o feriado de Carnaval, o que representa um decréscimo de 11,7% em relação a 2007, quando foram registradas 145 mortes. O balanço, que teve início na sexta-feira (01/02) e foi encerrada à meia-noite desta quarta-feira de Cinzas, registrou 2.396 acidentes (aumento de 2% em relação a 2007) e 1.472 feridos (7,42% maior que no ano anterior). Nos seis dias da Operação Carnaval foram aplicadas 156.919 multas, sendo que deste total 105.131 referem-se a excesso de velocidade. Durante a folia momesca, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 870 kg de maconha, 44 kg de cocaína, 6.550 pedras de crack e 5.500 esferas de haxixe. Se comparado com o mesmo período de 2007, o número de prisões cresceu 34,5%.

Discurso velho (07/02/08 - 13h02)
Às 15h desta quinta-feira, o ministro da Justiça, Tarso Genro, anuncia o balanço das estradas federais relativo ao feriado prolongado do Carnaval. Não será novidade alguma se Genro, que foi picado pelo barato populismo luliano, use o evento para reforçar a tese de que o endurecimento das leis de trânsito permitirá uma redução no número de acidentes nas rodovias. Bom seria se o ministro Tarso Genro telefonasse ao Departamento de Infra-Estrutura de Transportes, o sempre cobiçado Dnit, solicitando uma imediata operação tapa-buracos. Mas uma operação de verdade, e não algo parecido com aquela realizada em 2006, que serviu para entupir o caixa 2 da “companheirada”.

Na mosca (07/02/08 - 12h02)
No dia em que os assessores do presidente-metalúrgico Lula da Silva se esforçaram para tentar explicar, sem o menor sucesso, os gastos com os cartões de crédito corporativos, o seriado "Chaves", que há mais de vinte anos faz sucesso no Brasil, deu um tapa com luva de pelica na política tupiniquim. Em uma cena do capítulo desta quarta-feira de Cinzas, o bobalhão Chaves, ao se confessar com um padre, disparou: "Eu não nasci ladrão, fui eleito por maioria de votos". Resumindo, declaração de tamanho único e que serve de mortalha para muitos dos freqüentadores da Esplanada dos Ministérios. Em tempo: Chaves para presidente!

Fortuna voadora (07/02/08 - 9h50)
Se os gastos com os cartões de crédito corporativos continuam no universo do inexplicável, algumas despesas da Presidência da República beiram o absurdo. Para cruzar os céus do Brasil e do planeta, o presidente-operário Luiz Inácio conta com uma equipe de oficiais militares que, pilotando o Aerolula, ganham salários estratosféricos. De acordo com informações do Portal da Transparência, três desses oficiais recebem salários que muitos brasileiros sequer conseguem imaginar. Confira abaixo as informações oficiais do Portal da Transparência referentes ao ano de 2007.

DANIEL SIMÕES DA VEIGA
Rendimento como "pessoa jurídica" - R$ 592.412,86
Rendimento em diárias: R$ 31.281,29
Rendimento total: R$ 623.694,15
Média Mensal: R$ 51.974,45

ROBSON ROGER GARCIA TAVARES DE MELO
Rendimento como "pessoa jurídica" - R$ 418.853,18
Rendimento em diárias: R$ 25.787,08
Rendimento total: R$ 444.640,26
Média Mensal: R$ 37.053,35

IVAN MOYSÉS AYUPE
Rendimento como "pessoa jurídica" - R$ 340.333,23
Rendimento em diárias: R$ 23.268,02
Rendimento total: R$ 363.601,25
Média Mensal: R$ 30.310,10

Bola dentro
Garilbaldi Alves Filho (PMDB-RN), o presidente do Senado, fez o discurso mais significativo na abertura dos trabalhos do Congresso Nacional, na tarde desta quarta-feira. Com uma mensagem de coragem e de conteúdo progressista e pontual, o senador potiguar atacou aspectos fundamentais da política brasileira, admitiu falhas do Parlamento e questionou temas que envolvem  o Executivo e o Judiciário. Foi crítico em relação à centralização de poder pela União e a transferência da elaboração legislativa para o Poder Executivo. “Cada Medida Provisória, sem relevância e urgência, a Constituição é rasgada com desprezo”. E disse que também o Poder Judiciário vem agindo como legislador. “Em algumas das vezes ou na maioria das vezes, por omissão do Poder Legislativo”. O presidente do Senado apresentou inclusive propostas de vanguarda como atribuições especificas para cada Casa Legislativa, sem que todas as matérias aprovadas pela Câmara sejam revisadas pelo Senado. “Penso que algumas matérias podem ficar a cargo só com a Câmara”. Clique sobre as imagens abaixo e confira a íntegra dos discursos da ministra Ellen Gracie Northfleet, do senador Garibaldi Alves Filho, do deputado federal Arlindo Chinaglia e da mensagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 
     
 

Fiasco parlamentar
A participação dos parlamentares na abertura dos trabalhos do Congresso Nacional foi vexatória, como informou ontem o ucho.info. A ausência da maioria dos senadores e deputados federais foi até mesmo criticada por colegas que estiveram no Plenário da Câmara, como o deputado Odacir Zonta (PP-SC): “Acho que devemos ter um senso de responsabilidade maior”. Os assessores tomaram o cuidado de não registrar a presença dos parlamentares, mas era visível a participação maior de senadores. Seria conveniente que os deputados seguissem o conselho do presidente do Congresso, de que há necessidade de o Parlamento resgatar e conquistar o respeito e a confiança de todos os brasileiros.

Sem saída
A sessão de abertura do Congresso Nacional foi dividida por dois fatos alheios aos discursos dos representantes dos Poderes Legislativo e Judiciário. O líder do governo no Senado, Romero Jucá, deu uma rasteira na oposição ao obter 31 assinaturas, inclusive de tucanos e democratas, para a criação da CPI que deve investigar os cartões corporativos desde o governo de Fernando Henrique Cardoso. Nos bastidores do cafezinho da Câmara dos Deputados, as atenções se voltaram para a apuração das escolas de samba do primeiro grupo do Rio e Janeiro. Mais tarde, o interesse foi pelo jogo da seleção brasileira de futebol com a Irlanda. Eram os dois Brasis: aquele que interessa aos políticos e o que define a natureza do povo. (Foto: Agência Estado)

Samba no pé
Na cerimônia de abertura dos trabalhos legislativos, nesta quarta-feira de Cinzas (6 de fevereiro), o plenário da Câmara dos Deputados foi suficiente para abrigar as duas dezenas de parlamentares que compareceram ao evento. Considerando que entre senadores e deputados federais são 594 parlamentares regia e nababescamente remunerados com o dinheiro do contribuinte, apenas 4% desse contingente deu o ar da graça no Congresso Nacional. Deputado pelo PP do Rio de Janeiro, Simão Sessim se esbaldava na quadra da escola Beija-Flor, campeão do carnaval do Rio de Janeiro. Resta saber qual desculpa o deputado fluminense dará à Casa Legislativa. Fosse Simão Sessim um homem de coragem, devolveria aos cofres da Câmara um trinta avos do salário. Em tempo: em 1829, D. Pedro I, na abertura dos trabalhos legislativos de então, dirigiu-se aos parlamentares com uma frase que em hipótese alguma poderia ser utilizada nos dias atuais - “Augustos e digníssimos representantes da nação brasileira”...

Engana, o povo gosta!
Sob a alegação de que os gastos do governo federal com cartões de crédito corporativos são secretos, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) tentou, sem sucesso, explicar à imprensa os gastos realizados pelos assessores do governo Lula da Silva. Sem a dureza e a contundência que marcam suas declarações, Dilma Rousseff esbanjou diplomacia ao responder às perguntas dos jornalistas credenciados no Palácio do Planalto. Mas a galhofa da coletiva de imprensa ficou a cargo do ministro Franklin Martins, responsável pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. O jornalista disse que os gastos com os cartões de crédito não podem ser revelados por uma questão de segurança nacional, e usou como exemplo a carne comprada para o churrasco oferecido por Lula da Silva ao presidente George W. Bush.

Inverdade planaltina
Esfarrapada, a desculpa apresentada por Franklin Martins não convence. A segurança do presidente norte-americano é tamanha, que assessores da Casa Branca chegaram a Brasília um mês antes da visita de George W. Bush. Para avaliar a dimensão da bizarrice discursiva de Franklin Martins, um avião da Força Aérea dos EUA trouxe ao Brasil alguns itens básicos para garantir a segurança de Bush, o baby: água mineral, papel higiênico e papel de fax. Ora, se o presidente ianque não usa um papel higiênico qualquer, não é difícil concluir quem comprou a carne do tal churrasco.

Panos quentes
Para minimizar a responsabilidade do governo Lula da Silva nos graves acidentes automobilísticos que emolduram as estradas federais, o ministro da Justiça, Tarso Genro, anunciou dias atrás um endurecimento das leis de trânsito, bem como das respectivas multas. Tudo certo, não fosse o Estado o que mais desrespeita a legislação de trânsito. Na rodovia Fernão Dias, que liga duas das mais importantes cidades brasileiras - São Paulo e Belo Horizonte - trafegar pelo acostamento é permitido, dependendo da extensão do caos provocado pelos engarrafamentos. Caminhões carregados trafegam pelo acostamento, enquanto a Polícia Rodoviária Federal finge desconhecer a lei. Ministro Tarso Genro, o acostamento não serve para casos de extrema emergência?

Rota do prejuízo
Com início na cidade de Touros (RN) e o final na gaúcha São José do Norte, a BR 101 é o maior exemplo da ausência do Estado no segmento da infra-estrutura. No trecho batizado como Rio-Santos, a irresponsabilidade oficial é facilmente percebida. Palco dos contatos entre facções criminosas dos dois estados, a Rio-Santos tem servido nos últimos anos para a troca de armas e drogas entre traficantes. No trecho paulista - que integra a malha rodoviária de São Paulo sob o nome de SP55 - a Rio-Santos se transformou no fantasma dos empreendimentos imobiliários. Os insuportáveis congestionamentos que marcam o litoral norte paulista interferem no valor dos imóveis da região. Enquanto isso, o governador José Serra e o presidente Luiz Inácio só encontram tempo para a política.

Oportunismo milionário
A fusão das empresas Oi (antiga Telemar) e Brasil Telecom continua agitando os bastidores empresariais, mas o que em qualquer país do mundo seria considerado como criação de oligopólio, aqui no Brasil é tratado como algo absolutamente normal pelo Palácio do Planalto. Muito tem se falado sobre a bilionária transação, mas pouca atenção é dispensada a alguns dos que atuam nas coxias das negociações. Há muito freqüentando a seara do mais “opportunista” dos banqueiros tupiniquins, o “Tantas” (a Justiça ainda nos proíbe de citar seu verdadeiro nome), o ex-ministro José Dirceu tem dado algumas das cartas no que pode ser o maior negócio da telefonia brasileira. Quando uma ação do ex-comissário palaciano é bem sucedida, o banqueiro não pensa duas vezes para tirar da adega algumas garrafas do caro e cobiçado vinho Chatêau Mouton Rothschild.

Encrenca nova
O Ministério do Turismo, dirigido pela pré-candidata à prefeitura paulistana Marta Suplicy (PT), terá de explicar um convênio irregular que beneficiou a Associação Mato-grossense de Municípios. O dinheiro público foi usado para interesses particulares, segundo informou ontem o Tribunal de Contas da União. Havia também erros nas prestações de contas, inconsistências nos documentos apresentados e realização de pagamentos sem emissão de notas fiscais. O ministério terá cento e oitenta dias para encaminhar os relatórios, assim como a Controladoria-Geral da União terá que revisar as prestações de contas dos convênios do ministério com entidades privadas do Mato Grosso.

Fé repentina
O intrépido senador Fernando Collor de Mello (PRB-AL) circulou ontem pelo Congresso Nacional, depois de uma licença de cento e vinte dias que lhe permitiu ficar longe da confusão que envolveu o amigo e senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Collor trocou amabilidades com o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que lembrou um detalhe quando o ex-presidente descia a rampa do Palácio do Planalto, defenestrado da vida pública por conta do impeachment. Collor carregava em baixo do braço um livro de Cristovam sobre Educação. Ontem, o senador alagoano exibia na lapela do paletó um botom com a imagem de sua devoção, Nossa Senhora de Fátima, talvez na crença de que possa protegê-lo do seu próprio passado.

Fazendo figa
O deputado Paulo Rubem Santiago (PDT-PE) está convencido da participação dos líderes do Campo Majoritário do PT, especialmente do deputado cassado José Dirceu (SP), na decisão do partido de requerer, em novembro passado, o seu mandato junto ao Tribunal Superior Eleitoral. Rubem Santiago foi eleito em outubro de 2006 pelo PT pernambucano, mas, alegando questões regionais, migrou para o Partido Democrático Trabalhista em setembro do ano passado. Ele teve participação decisiva em episódios que desagradaram à cúpula petista, e por isso seria vítima de revanchismo. O diretório nacional petista acusa Rubem Santiago de mudar de partido apenas para concorrer à prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, na Grande Recife, em outubro deste ano. O deputado acredita que até o segundo semestre o TSE terá julgado a ação.

Papai sabe tudo
Caberá aos três filhos a palavra final sobre o destino político do casal Ângela e Esperidião Amin. Os dois são pré-candidatos do Partido Progressista à prefeitura de Florianópolis, mas é bem provável que o ex-governador assuma a missão de reassumir o controle da administração da prefeitura da capital dos catarinenses. Assim, Esperidião abrirá a oportunidade para que a deputada Ângela seja candidata ao governo do estado em 2010. Ela não esconde de ninguém que prefere concorrer daqui a dois anos e meio. O que os filhos já adultos podem pensar, não passa, portanto, de estratégia do próprio casal para confundir os adversários.

Fazendo eco
Na edição do último sábado do jornal Zero Hora, a competente e festejada escritora Lya Luft opinou sobre o sistema de cotas nas universidades federais, repetindo o que o ucho.info afirma desde o início de mais uma invencionice palaciana. "Qualquer sistema de cotas, seja por raça ou tipo de escola freqüentada, é atrasado e injusto. Isso tem de acabar. Provoca mais discriminação, fomenta o ódio racial, e não ajuda a ninguém. É populismo burro. Tentativa de enganar os bobos", afirmou a escritora. Qualquer explicação adicional seria uma desnecessária redundância.

Planeta animal
Pensando bem, a venda da Brasil Telecom para a Oi é a típica discussão entre lobos. E um não engole o outro porque engasga com o pelo.

Túnel do Tempo - Saúde zero
(07/02/07) - Quando ainda disputava a reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, sem medir suas próprias palavras, que a Saúde no Brasil estava próxima da perfeição. É verdade que o conceito de perfeição varia de uma pessoa para outra, mas não é difícil imaginar o que um presidente de um país como o Brasil entende por perfeito. Depois de tão atabalhoada declaração, a coluna mostrou por diversas vezes que as palavras presidenciais eram infundadas. Agora, com o Carnaval batendo à porta dos brasileiros, vem à tona a descoberta de quarenta e sete casos de sarampo na cidade de Salvador. E mais: não demora muito e o Ministério da Saúde começará a veicular sua campanha publicitária contra a Aids, como se o vírus da doença, depois de uma longa hibernação, despertasse para a folia momesca. (Clique e confira na íntegra a edição de 07/02/07)

Ucho Haddad com Gilmar Corrêa e Thaís Margalho

Clique e confira a produção de cada Senador da República em 2007
 
Clique e confira o mapa da violência no Brasil
 
Clique e confira os gastos da Presidência com cartões de crédito corporativos
EDITORA SENAC SÃO PAULO
ROTEIROS DO SABOR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO - Da Editora Senac, o livro reúne informações sobre a gastronomia do Rio, cultura, pratos famosos e aspectos curiosos e inusitados das regiões percorridas.
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