Alça de mira (01/02/08 - 17h59)
Enquanto o brasileiro cai na folia nos próximos quatro dias, a cuíca deve roncar na Esplanada dos Ministérios, em especial na cabeça daqueles que farrearam com os cartões de crédito corporativos. A capital dos brasileiros, que não tem tradição carnavalesca, será palco de uma verdadeira caça às bruxas, uma vez que o Palácio do Planalto quer mandar para a forca todos os assessores que abusaram com os cartões de crédito oficiais. Fora dessa caçada está a primeira-dama Marisa Letícia, que durante boa parte do primeiro mandato do marido-presidente usou com folga o cartão de crédito que lhe foi entregue. Jóias e outras despesas foram pagas por meio de uma ajudante-de-ordem, titular do tal instrumento finenceiro. Saques na boca do caixa eram corriqueiros. E o presidente Lula, um fanfarrão irresponsável, nunca soube.
Tudo armado (01/02/08 - 17h02)
O Palácio do Planalto já havia sinalizado ontem o que foi confirmado hoje à tarde. O pedido de demissão secretária especial de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. O governo tinha interesse no afastamento da secretária com status de ministro para esvaziar as críticas em torno do uso indevido e exagerado dos cartões corporativos. No ano passado, Matilde gastou R$ 171 mil no cartão, com diárias, aluguel de carros, hospedagem, compra em loja livre de taxas de importação, em aeroportos. O maior gasto da ministra durante as viagens foi com aluguel de carros: 94 dessas operações somaram R$ 118.683,17, para deslocamentos dentro de cidades, regiões metropolitanas e comunidades quilombolas. Clique e confira a carta enviada por Matilde Ribeiro para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Foto: Marcelo Casal - Agência Brasil)

Olho da rua (01/02/08 - 16h08)
Conceitualmente uma enorme farsa, a estratégia do Palácio do Planalto funcionou horas depois do anúncio da limitação dos escandalosos gastos com cartões de crédito da Presidência da República. Acusada de pagar despesas pessoais com cartão de crédito corporativo e responsável pela Secretaria da Igualdade Racial, a ministra Matilde Ribeiro cedeu à pressão do governo Lula da Silva e decidiu deixar o cargo. A ministra, que passa a folia de Momo na condição de demissionária - quiçá não tenha sido demitida - anunciou sua saída do Ministério reconhecendo o erro. “Assumo o erro administrativo no uso do cartão. Os fatos partiram da dificuldade com deslocamento e hospedagem fora de Brasília. Foi um erro administrativo que pode e deve ser corrigido”, declarou Matilde Ribeiro. Durante entrevista coletiva, Matilde Ribeiro optou por um diplomático tiroteio na do Planalto. “Este erro não foi cometido exclusivamente por mim. Não estou arrependida. Fui orientada a usar o cartão”, completou a ex-assessora de Lula da Silva, que usou dinheiro público para pagar compras no free shop.

Safra nova (01/02/08 - 11h54)
Em uma radiografia precisa da política latino-americana, o jornalista e escritor Ipojuca Pontes - é também cineasta dos bons - mostra em “A política-chanchada” como a política alcançou no Brasil o status de “comédia barata, mas extremamente rendosa, onde predominam os ingredientes típicos do gênero debochado”. Professor de Ética pela Unicamp e um dos mais respeitados sociólogos e filósofos brasileiros, Roberto Romano da Silva, em “Fanatismo, Criacionismo, Evolução”, revela que “os caminhos do verdadeiro não são retos, mas cheios de atalhos, clareiras, abismos”. Clique sobre o nome dos articulistas e confira os artigos.
Geléia de mocotó
A decisão de Luiz Inácio Lula da Silva de limitar os gastos com cartões de crédito da Presidência da República por meio de decreto é mais uma cortina de fumaça produzida pela assessoria palaciana, que ressuscita a tese de que a tranca é colocada na porta sempre depois do assalto. Fraco administrativamente e irresponsável politicamente, Lula da Silva deveria demitir esses alarifes ministeriais que roubam de maneira descarada o dinheiro público. Mas não, o presidente-metalúrgico deflagrou, a partir de seu gabinete, um silencioso processo de fritura da ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial). Tudo porque Lula não tem pulso suficiente para demitir.

Sem vergonha
Se Matilde Ribeiro mostrou seu lado pusilânime ao usar o cartão de crédito corporativo para pagar despesas pessoais - a do free shop foi uma delas, o ministro dos Esportes, Orlando Silva Júnior, seria considerado um “ladrão de galinha” caso fosse personagem de alguma obra literária tupiniquim. Pagar com cartão de crédito corporativo uma tapioca consumida em Brasília, ao custo de R$ 8,30, jamais foi um equívoco, como anunciou a assessoria ministerial, mas uma atitude covarde de um poltrão que se empapuça com as benesses do poder. De mais a mais, alguém que dá um drible desse naipe não pode integrar um governo que se notabilizou pela corrupção, a começar pelo milionário esquema do mensalão. Ou seja, até a ladroagem exige do ser humano uma boa dose de coerência. E mais: R$ 8 é menos do que cobram os “flanelinhas” das grandes cidades - durante shows e eventos, ou no máximo permite uma fezinha no jogo do bicho.

Metido a gênio
Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo da Silva disse nesta quinta-feira que não será preciso uma CPI da Tapioca para investigar os criminosos gastos do governo Lula da Silva com cartões de crédito. Mas a oposição pensa de maneira bem antagônica e diferente, a começar pelo senador Alvaro Dias (PSDB-PR), que há muito vem insistindo no tema. Dos R$ 76,6 milhões gastos pelo governo do presidente Luiz Inácio por meio dos cartões de crédito corporativos, R$ 34,4 milhões foram torrados pelo Ministério do Planejamento. Desse total (R$ 34,4 milhões), R$ 34,3 milhões referem-se a despesas efetuadas pelo IBGE. Confira abaixo os servidores do IBGE que mais farra fizeram com o suado dinheiro do contribuinte.

IBGE - São Paulo - 15 servidores que mais gastaram:
CPF: 779.832.548-49 LUIZ C E FOGLIA - R$ 98.226,78
CPF: 780.474.558-34 JOAO BATISTA 73.002,58
CPF: 006.300.588-30 MARCILEI C VENTRIS 68.886,61
CPF: 669.357.768-72 CLAUDIO CUNHA 65.090,09
CPF: 009.251.698-03 NARCIZO LIMA 62.678,75
CPF: 843.668.778-72 VLADEMIR 57.668,00
CPF: 605.034.328-49 AGUINALDO SILVA 53.315,56
CPF: 050.176.878-58 ROMESSI F D SANTOS 51.896,32
CPF: 793.769.328-20 EUGENIO 50.986,64
CPF: 024.461.308-79 JOAO R R MORAES 50.637,50
CPF: 889.483.588-04 SUELI SCARSO 45.712,41
CPF: 751.754.018-15 GUILHERME D BATISTA 44.215,11
CPF: 006.630.178-58 ROSEMARY UTIDA 41.331,32
CPF: 001.590.628-02 DAGNALDO A RIOS 40.779,61
CPF: 928.404.428-68 EDSON DA SILVA 39.089,00
IBGE - Bahia - 15 servidores que mais gastaram:
CPF: 148.607.835-49 ISRAEL V DE CASTRO 67.950,00
CPF: 048.128.405-20 CARLOS RUI MIRANDA 67.087,00
CPF: 195.902.295-49 PAULO MARCELO RANA 66.260,00
CPF: 044.946.105-00 ENEAS GOIS FONSECA 56.146,00
CPF: 073.709.625-04 AILDETE N SANTANA 55.770,00
CPF: 062.615.315-87 ABELARDO S NORMANHA 54.980,00
CPF: 640.159.475-68 GILDA V DE LIMA 54.368,00
CPF: 069.827.195-53 ANTONIO J C BORGES 52.603,60
CPF: 347.983.315-20 NILO A M MENDONCA 51.134,00
CPF: 115.396.665-49 SONIA F M BARBOSA 50.940,00
CPF: 194.206.415-20 MARIA F MORAIS 50.547,00
CPF: 148.652.895-34 ANA M LOBO DE MELO 50.119,77
CPF: 510.681.847-87 NELSON L DA COSTA 49.650,00
CPF: 187.235.355-04 GILTONEI EVERTON 47.850,00
CPF: 079.880.015-15 RITA C NUNES CRUZ 47.495,00
IBGE - Amazonas - 15 servidores que mais gastaram:
CPF: 111.521.502-78 MARILUCIA DE MORAES 110.440,00
CPF: 026.327.132-34 LUIZ VITAL 109.070,00
CPF: 046.150.476-65 FERNANDA GOMES 107.210,00
CPF: 091.402.121-49 SIMPLICIO ALMEIDA 100.445,00
CPF: 040.991.762-15 SANDRA BRITO 99.150,00
CPF: 219.475.032-00 EDINEIA NASCIMENTO 99.000,00
CPF: 147.979.172-53 JOAO JUNIOR 98.772,00
CPF: 013.621.512-20 JORGE DE ANDRADE 96.782,00
CPF: 755.045.702-63 CARLOS DE MORAES 94.550,00
CPF: 063.648.372-04 PAULO FILHO 93.944,00
CPF: 073.213.092-15 FERNANDO S LIMA 92.171,22
CPF: 603.116.066-87 MIRIAM PINTO 90.930,00
CPF: 030.418.912-04 JONATAS PICANSO 87.235,90
CPF: 078.112.092-68 CARLOS A L OLIVEIRA 79.800,00
CPF: 680.193.512-72 WASHINGTON MACIEL 79.190,00

Pente fino
O Ministério Público Federal também vai investigações os exagerados gastos com os cartões corporativos. Os primeiros a serem investigados são os ministros Orlando Silva Júnior (Esportes), Altemir Gregolim (Aqüicultura e Pesca) e Matilde Ribeiro (Igualdade Racial). Esta é a segunda investigação na área do Ministério Público. A primeira começou em 2004, em parceria com a CGU e Tribunal de Contas da União que gerou algumas mudanças no uso do cartão. O governo também decidiu agir e disse que vai reavaliar os gastos, mas a decisão anunciada ontem não atendeu a oposição. O movimento para criar uma CPI dos Cartões Corporativos ganhou formalmente o apoio do PPS.
Agora vai?
O presidente nacional do partido socialista, Roberto Freire, disse que só uma comissão parlamentar de inquérito poderá levantar os dados “indispensáveis”. O movimento conta inclusive com o apoio do deputado-metalúrgico Cláudio Magrão, um ex-aliado de Lula da Silva. Só para lembrar: de janeiro a dezembro de 2007, as despesas provenientes dos cartões corporativos chegaram a R$ 75,6 milhões, valor quatro vezes maior do que aquele registrado em 2004. Entre 2004 e 2007, os gastos aumentaram 129%. Só no ano passado, mais da metade do total foi sacado na boca do caixa.

Panelaço planaltino
Foi por insistência e com muitas batidas em panelas que as esposas de militares das Forças Armadas foram recebidas ontem à tarde no Palácio do Planalto. O governo queria que elas tirassem as faixas de protesto na Praça dos Três Poderes. Elas se negaram, mas foram recebidas pelo secretário adjunto da Secretaria Nacional de Articulação Social, João Bosco Calais Filho. Mas a presidente da Unemfo, Ivone Luzardo, saiu revoltada do encontrou e prometeu acampar na praça a partir de março. E avisou: “A gente não quer mais falar com o Jobim (Nelson Jobim, ministro da Defesa), queremos falar com o Lula”. As mulheres querem 100% de reajuste salarial para os maridos e que seja votada a Medida Provisória 2215/2001, que reestrutura a remuneração das Forças Armadas.

Eu voltei
O Diário Oficial da União publicou na quarta-feira a mensagem do presidente-metalúrgico, Lula da Silva, que recomenda a recondução de Fernando Fialho para a Agência Nacional de Transporte Aquaviário. O ato não resulta de uma simples ação burocrática, mas de uma articulação política que tem a digital do senador José Sarney (PMDB-AP). Afilhado político do velho cacique, Fialho poderá ficar no cargo de diretor-geral da Antaq por mais quatro anos. Ele será sabatinado pela Comissão de Infra-Estrutura do Senado Federal em março e, talvez no mesmo mês, o Plenário aprove a indicação em Plenário. Fialho conta ainda com o apoio do ministro das Minas e Energia, senador Édison Lobão Filho, e da própria ministra da Casa Civil, Dilma Roussef. Não é, portanto, por falta de padrinhos que a Antaq ficará sem o maranhense.

Quem parte e reparte...
O presidente do Senado Federal, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), prevê uma dificuldade a mais para a tramitação e aprovação da reforma tributária. É que até agora, apesar de várias tentativas ao longo dos anos, não houve um acordo com e entre os governadores, os principais interessados na rediscussão do pacto federativo. Garibaldi, que será o personagem da Entrevista de Sábado do ucho.info, acredita que o primeiro passo é o governo se decidir pela reforma, mas lembrou que há projetos em tramitação no Senado que tratam sobre o tema, definindo a partilha dos recursos obtidos com os impostos para cada governo – federal, estadual e municipal.
No estaleiro
Recuperando-se de uma operação de hérnia, realizada no início de janeiro, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) voltou ao tiroteio político por conta das eleições municipais de Recife. Na entrevista que concedeu ontem pela manhã na Rádio Folha FM, o ex-ministro Humberto Costa (PT) atirou rasteiro contra o cacique pernambucano. Costa afirmou que não tem nenhum interesse em se relacionar com o senador, chamando-o de mentiroso e que só cresceu na política pela destruição dos outros. Procurado mais tarde pelos jornalistas da própria emissora, Jarbas Vasconcelos disse que não iria responder às agressões, mas ao Blog da Folha (PE) garantiu que não iria se trocar por vampiro, “até porque tenho horror e nojo a vampiro”. Era uma provocação ao ex-ministro, que caiu em desgraça após a Operação Vampiro da Polícia Federal, que levou para o xadrez, em maio de 2004, empresários, lobistas e servidores públicos.

Gente enlatada
Governador da Bahia, o tresloucado Jaques Wagner (PT) pode dançar um frevo no meio do famoso e cobiçado carnaval soteropolitano. Diante da superlotação das delegacias baianas e do sistema penitenciário local, o governo da Bahia decidiu transformar vinte containeres em celas improvisadas durante a folia de Momo. Nessas latas de sardinha agigantadas serão acomodados todos os que forem presos durante o carnaval. Trata-se de mais uma bizarrice do Estado, que atropela a Constituição Federal e principalmente a Lei das Execuções Penais, que estabelece de forma clara e cristalina as condições mínimas para se manter um cidadão no cárcere. Amigo íntimo do presidente Lula da Silva, o baiano Jaques Wagner nunca ouviu do “companheiro” que o Brasil é um país de todos. Será que é mesmo?

Cria do Gepetto
Fracote e falastrão, que cresceu à sombra do talento incontestável do pai, Sérgio Cabral Filho tem mostrado seu total despreparo para governar um estado com tantos problemas e disparidades sociais como o Rio de Janeiro. Depois de ser chamado de Pinocchio por policiais militares que protestaram por melhores salários, Cabral Filho simplesmente mudou toda a cúpula do PM fluminense, que há tempos vem cobrando a saída do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Nesta quinta-feira, nove oficiais da PM foram destituídos de suas funções, apenas porque engrossaram, mesmo que nos bastidores, o protesto que marcou a semana que ora termina. É bom lembrar que ao assumir como inquilino do Palácio Guanabara, sede do Executivo fluminense, Sérgio Cabral, o baby, prometeu liquidar com a bandidagem do Rio. E isso só é possível com uma polícia bem remunerada. (Foto: Agência Brasil)
.jpg)

Errou de novo
Alimentando o sonho de continuar como imperador da Paulicéia Desvairada, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) deu mais um tiro político no próprio pé. Depois de proibir a circulação de motocicletas nas marginais Pinheiros e Tietê, restrição que entraria em vigor no próximo dia 11 de fevereiro, a prefeitura paulistana desistiu da idéia. Pouco convincente, a justificativa é de que a suspensão do projeto se deu depois que o governo federal sinalizou com a possibilidade de derrubar o veto ao artigo 56 do Código Brasileiro de Trânsito, que proíbe a circulação de motos entre faixas. Se por um lado o prefeito Kassab não quer ser atropelado pelo direito constitucional de ir e vir, por outro o candidato à reeleição Kassab quer os votos dos motoqueiros. Que não são poucos.

Bomba-relógio
Uma filigrana jurídica pode chacoalhar a Assembléia Legislativa do Paraná. Conhecido e contundente advogado de Curitiba ingressará em breve na Justiça paranaense questionando a irresponsabilidade dos legisladores locais, que, descumprindo o que manda a Constituição, deixaram de publicar atos legislativos no Diário Oficial do Estado. Muito espertamente, muitos dos atos, quiçá não seja a totalidade, foram publicados em um boletim interno da Casa. Manda a Constituição que aos atos legislativos seja dada publicidade. E boletim interno não serve para tal.