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ano 7 - número 1520
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
"O homem arruína mais as coisas com as palavras do que com o silêncio."
Mahatma Gandhi
 
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O UCHO PERGUNTA

O que deve fazer o governo Lula com o fim da CPMF?

Aumentar impostos

Reduzir custos

Demitir companheiros

Retaliar a oposição

Nada


Clique e confira o trabalho do relator da MP que cria a TV pública, deputado Walter Pinheiro.

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Planeta dos macacos (28.12.2007 - 21h42)
No pronunciamento oficial da última quinta-feira, o presidente Lula da Silva disse que o PAC da Saúde vai empacar por conta do fim da CPMF, o que contraria os discursos anteriores. O governo do PT conviveu durante cinco anos com a milionária CPMF, mas deixou a Saúde à deriva. Prova disso é o surto de febre amarela em Goiás, que já deixa a população local em estado de alerta. Em Goiânia, capital do estado, onde vivem mais de dois milhões de pessoas, apenas 87 mil foram vacinadas contra a doença, enquanto outros cidadãos esperam que o governo federal envie um milhão de vacinas. Em tempo: em Goiás, 31 macacos já morreram por causa da doença que no século XVII desembarcou no Brasil. 

País de todos? (28.12.2007 - 21h42)
Outra falha gritante na Saúde pode ser constatada no Rio de Janeiro, que já enfrente epidemia de dengue, doença típica de países subdesenvolvidos. Só na Cidade Maravilhosa, as autoridades registraram mais de 22 mil casos da doença ao longo de 2007. No estado a situação é mais crítica, pois a Secretaria de Saúde fluminense trabalha com 60 mil casos registrados. É bom lembrar que independentemente do repasse de recursos, cabe ao governo federal monitorar a aplicação do mesmo. Em tempo: o mosquito transmissor da dengue é o mesmo da febre amarela. Resumindo, o melhor é decidir quem apagará a luz.

Estado falho (28.12.2007 - 21h42)
O chamado indulto de Natal coloca nas ruas brasileiras os presos que, de acordo com a Lei das Execuções Penais, têm o direito a benefícios no cumprimento da pena. Acontece que muitos dos presos que saem do sistema prisional com a promessa de retorno, muitas vezes abreviam a liberdade temporária com o cometimento de novos crimes. Tal situação tem levado a sociedade a condenar o indulto, mas é preciso analisar o assunto de maneira mais isenta e profunda. O que se constata em determinados períodos do ano, quando os presos são beneficiados com saídas temporárias, é o resultado de um sistema penitenciário que não recupera. Quem deve ser cobrado é o Estado, que ao chamar para si o direito de condenar tem a inconteste responsabilidade de recuperar o apenado. O que há muito deixa de fazer.

É melhor pensar (28.12.2007 - 21h42)
Se a reconquista da liberdade é o sonho maior de todo preso, reencontra-la não é tarefa das mais fáceis. Ao retornar as ruas, seja definitiva ou temporariamente, o detento se depara com situação sui generis, resultado do rompimento com o mundo existente além das muralhas prisionais. Ao não mais reconhecer o universo em que viveu, o preso é levado inconscientemente ao cometimento de novo crime como forma de retornar àquele mundo – o prisional – que passou a ser seu. Isso não só mostra a incompetência do Estado na recuperação do apenado, como clama por mudanças no sistema penitenciário brasileiro. Enquanto não existir um programa de readaptação que transfira ao preso condições de ganhar as ruas e retornar ao convívio social, a reincidência continuará existindo e apavorando.

Convidado trapalhão
A decisão do governo brasileiro de enviar Marco Aurélio Garcia, assessor especial da presidência, para participar do grupo que acompanhará a libertação de três dos reféns que se encontram há anos em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) mostra o quão fraca é a equipe de Lula da Silva. É fato que o presidente-metalúrgico recomendou cautela ao assessor, mas é difícil confiar em alguém que, horas depois da maior tragédia da aviação brasileira, fez gesto obsceno para comemorar o primeiro parecer técnico – e mentiroso – sobre as causas do acidente. Por tudo o que fez até então, Marco Aurélio Garcia está à altura de Hugo Chávez. Um incompetente que acha que é gênio.

Pra boi dormir
Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula, ocupou a rede nacional de televisão para fazer um rápido balanço do ano de 2007. Naquele conhecido tom messiânico, o discurso presidencial trouxe poucas novidades, mas Lula da Silva disse que “o Brasil não aceita mais ser um país de poucos”. É mais uma frase de efeito encomendada à assessoria marqueteira que permanece de plantão no Palácio do Planalto, pois o Brasil é, sim, um país de poucos. Em todos os escândalos em que as pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio estiveram envolvidas, poupá-las foi a ordem do dia. Ou será que os mensaleiros, os sanguessugas, o irmão Vavá e os aloprados do Dossiê Cuiabá não formam uma casta de privilegiados? O Brasil de Lula com toda certeza não proporciona benesse alguma ao caseiro Francenildo Costa, o Nildo.

Bico fechado
Com declarada vocação para ser a versão tupiniquim de Rambo, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que ao assumir a pasta prometeu à vontade, optou pelo silêncio no caso da inexplicável interrupção de contato entre a torre de controle do Aeroporto Internacional de Recife e o vôo 9610 da TAM, o que obrigou o piloto a arremeter momentos antes do pouso. Até mesmo os controladores regionais, acionados pelo piloto da TAM, não conseguiram contatar a torre de controle de controle do aeroporto da capital pernambucana. Com a palavra o ministro Nelson Jobim.

Chegando atrasado
O que os leitores da coluna souberam em 31 de agosto passado – o que confirma a nossa vocação para sair na frente – só ontem, quinta-feira, o telejornal “Bom Dia Brasil”, da Vênus Platinada, resolveu noticiar. O desperdício de água no Piauí, estado que abriga a região mais seca do País. Na região do Gurguéia, o poço Violeto vinha desperdiçando água diuturnamente desde 1972, com jatos de vinte e cinco metros de altura, sem que nenhuma gota desse precioso líquido tenha chegado aos bravos e sofridos piauienses. O poço foi fechado recentemente, mesmo com a promessa feita em 2004 pelo governador do Piauí, Wellington Dias, que na ocasião anunciou investimentos de R$ 108 mil para evitar o desperdício de água.

É bom lembrar
Ainda a água... É bom lembrar que na estréia oficial do Fome Zero, o messiânico e populista Lula da Silva fez da pobre cidade piauiense de Guaribas, com direito a caravana de ministros, a plataforma de lançamento do natimorto programa de distribuição de alimentos. Desde então, a população de Guaribas espera o cumprimento de pelo menos uma das promessas feitas na ocasião, mas os moradores da cidade continuam sedentos e chafurdando na lama em busca de um pouco de água minimamente potável. Mesmo assim, o presidente-metalúrgico insiste na tese de que 2008 será o ano em que o Brasil surgirá como canteiro de obras.

Muita atenção!
Um novo escândalo pode chacoalhar as estruturas da Caixa Econômica Federal. Uma auditoria requisitada pelo Ministério Público Federal apontou irregularidades nos negócios da instituição bancária com a Caixa Seguradora, empresa controlada pela francesa CNP Assurances, empresa da qual a Caixa é acionista. Acontece que o prejuízo da Caixa Econômica Federal nesse negócio, desde 2001, já está na casa dos R$ 500 milhões (valores atualizados). A auditoria detectou que a instituição financeira tem disponibilizado seus funcionários para a venda de produtos da seguradora, recebendo em troca remuneração irrisória. Para se ter uma idéia, a folha de pagamento da Caixa, segundo a auditoria, é de R$ 520 milhões por mês, enquanto o valor médio repassado pela seguradora, entre julho de 2001 e junho de 2006, foi de R$ 1,5 milhão. No acordo com a CNP, a Caixa tem direito a 40% das tarifas cobradas dos clientes que adquirem seguros e planos de previdência privada. Na opinião dos auditores, a CEF tem direito à totalidade das tarifas cobradas.

Esforço derradeiro
Os deputados federais, que durante o ano encaram a atividade parlamentar com o devido desdém, estiveram atentos nesta quinta-feira, em Brasília. Tudo porque termina nesta sexta o prazo para a apresentação de emendas ao Orçamento da União de 2008. E como muitos dos parlamentares são candidatos nas eleições municipais do próximo ano, deixar passar uma oportunidade dessas, financiada com o dinheiro do contribuinte, seria sinal de incompetência.

Deixando de lado
No último dia 25, a polícia fluminense prendeu o menor R.G.L.C., um dos filhos do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Com o menor foram encontrados dois telefones celulares, os quais armazenavam uma extensa lista com nomes e telefones de políticos e artistas. E o assunto ficou por isso mesmo. Se dentro de algum tempo o conteúdo dos celulares não for objeto de investigação, é porque alguém agiu mais rápido do que muitos imaginam.

Lá na Bota
O jornal italiano “La Stampa”, que meses atrás fustigou a Justiça local sobre o caso Kroll, fez referência a este site em reportagem publicada recentemente. Sob o título “Perguntas e respostas sobre o caso Kroll”, a referida matéria jornalística afirma que o material (Dossiê Tókio) que pode não estar nas mãos da Justiça de Milão, está disponível no ucho.info. Empresa fundada por ex-agentes da CIA, a Kroll acabou envolvida no maior escândalo de espionagem brasileiro. As denúncias aqui feitas renderam ao editor as mais diversas e graves intimidações, com direito, inclusive, a um curto seqüestro de um de seus familiares. Enquanto isso, a Justiça brasileira continua nos proibindo de citar os nomes dos responsáveis diretos pela contratação da Kroll, cuja espionagem acabou resvalando no ex-ministro Luiz Gushiken. Confira abaixo trecho da matéria do “La Stampa”.

2. Il materiale intercettato alla Kroll è reperibile anche su Internet?

Solo in minima parte. Anche se non sono pochi quelli ad averlo a disposizione e che potrebbero decidere di invadere la rete. Su Internet da diverso tempi si trova soltanto e parzialmente, il dossier “Tokio”, nel quale si rintracciano le due righe che accennano all’esistenza di fondi passati attraverso una società brasiliana a favore di Massimo D’Alema. La circostanza si riferisce a quando D’Alema era Primo Ministro, quindi intorno all’anno 2000. Chiunque a questo punto può leggerla andando sul sito “www.ucho.info/espionagem_04.htm”, gestito dal “jornalista investigativo,colunista politico, poeta e escritor” Ucho Haddad. Per trovarlo però bisognava conoscere almeno una parte del contenuto del dossier. Non va dimenticato poi che in Brasile, la vicenda della battaglia per Telecom Brasile ha coinvolto per lungo tempo media e giornali.

Tudo acertado
Aqui, na nossa querida e confusa Botocundia, quase tudo é inexplicável. Após o roubo de duas valiosas telas, o Museu de Arte de São Paulo, cujo dirigente alegou falta de verbas para a segurança, decidiu reforçar a vigilância e instalou alarmes e câmeras por toda parte. Em outras palavras, colocou a tranca depois do assalto. Já no caso do incêndio que atingiu o prédio do ambulatório do Hospital das Clínicas, o governo paulista determinou ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas, o IPT, que realize uma perícia no local para detectar as causas do acidente. Reunindo profissionais competentes e pesquisadores gabaritados, o IPT é um braço da Universidade de São Paulo, que por sua vez está subordinada ao governador José Serra. Assim o contribuinte paulista pode esperar duas enormes e indigestas pizzas.

Problemas no ano novo
De olho nas eleições municipais de 2008, o ano novo promete não dar trégua ao tucano Beto Richa, prefeito de Curitiba. Não bastasse o escândalo envolvendo o ex-assessor Ezequias Moreira, que fez da própria sogra uma funcionária fantasma da Assembléia Legislativa paranaense, outros estafetas de Richa estão no olho do furacão. Ações na Justiça prometem elucidar as transgressões, mas não se pode esquecer que no vácuo do imbróglio serão arrastados os que nomearam e os que indicaram os alarifes travestidos de assessores. (Foto: revistacapital.com.br)

Vale tudo
Desrespeitar contratos e a palavra dada já é coisa comum no Brasil. Depois de ser arremessado na segunda divisão do futebol brasileiro, o Corinthians está a um passo de romper o contrato de patrocínio que mantém com a Nike. Segundo consta, a fabricante de artigos esportivos injeta anualmente no alvinegro paulistano a pequena fortuna de R$ 10 milhões. O presidente do clube, Andrés Sanchez, quer vender o patrocínio da camisa do Timão para o plano de assistência médica Medial Saúde, pela bagatela de R$ 16,6 milhões. Traduzindo, uma empresa que atua no segmento de planos de saúde vai investir pesado em um clube ainda doente.

Jogo duplo
Ainda o patrocínio... Caso se confirme a cifra a ser investida no Corinthians, ficará claro que aos planos de saúde não falta dinheiro, ou melhor, sobra. No contraponto desse insano investimento, há uma dicotomia discursiva. Quando um usuário do plano carece de um tratamento diferenciado, as empresas dificultam ao máximo a autorização. Tudo porque a ordem é economizar muito para lucrar mais.

Fio trocado
Beira a sandice as campanhas publicitárias de alguns bancos brasileiros. Depois o oportunismo mambembe e barato de algumas instituições financeiras, que fizeram da ecologia sua cartilha de ocasião, agora quem abusa do bom senso é o banco Real. Em sua campanha publicitária, veiculada à exaustão na televisão, o Real se vende como sendo o banco da vida do cliente. No mínimo estranha essa afirmação, pois como se sabe os juros cobrados pelos bancos estão sempre pela hora da morte. Enfim, dizem que o tal banco é Real.

Chave de fenda
Pensando bem, nada se pode esperar de um responsável pela aviação que não consegue aumentar a distância entre as poltronas de um avião.

Rir para não chorar
(22/12/06) - Nessa última edição de 2006 fazemos uma pausa para pedir às forças do universo uma conspiração em favor do bom humor, da alegria e do talento. Que o caminho da vida não seja interrompido, mas que a justeza de algumas pessoas seja recompensada com uma prorrogação existencial. Rir é preciso e faz bem. E quando o assunto é riso, ninguém, em sã consciência, pode apagar da memória o talento incontestável de Nair Bello, que ainda luta pela vida. Nair, você, que com a lógica simples do talento conseguiu fazer do riso o cardápio do cotidiano, não pode, neste momento, abandonar o Brasil, um país que nos obriga a rir para não chorar. Fica Nair, fica!

Ucho Haddad com Gilmar Corrêa e Thaís Margalho

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