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ano 7 - número 1491
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
"Na política, os ódios comuns são a base das alianças."
Alexis de Tocqueville
 
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Recado dado
Durante a sessão do Conselho de Ética do Senado que culminou com o pedido de cassação do alagoano Renan Calheiros, o tucano Arthur Virgílio, durante discurso, não perdeu a oportunidade para alfinetar o governador do Paraná, Roberto Requião, que um dia passou pela Casa legislativa. Ao afirmar que não tem “vocação para herói de CPI”, Arthur Virgílio disse, com a devida maldade embutida, “sou o anti-Roberto Requião”.

Cuidando da embalagem
Um dos responsáveis pela derrota de Renan Calheiros no Conselho de Ética, na quarta-feira, o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) passou o feriado da República em Brasília. Certamente porque quer aproveitar a sexta-feira gorda para articulações com vistas à votação em plenário da CPMF. Ontem, às cinco da tarde, sob um céu repleto de nuvens carregadas, Arthur Virgílio mantinha a forma física na via presidencial. Com direito a todos os paramentos disponíveis no mercado.

Dois pesos
Quando a prorrogação da CPMF estava sendo discutida na Comissão de Constituição e Justiça, na terça-feira, uma proposição do senador Aloízio Mercadante (PT-SP) causou espécie. No caso da derrocada do projeto que prorroga o famigerado imposto do cheque, criar-se-ia uma alíquota mínima “fiscalizatória”, para que as autoridades pudessem continuar monitorando a movimentação financeira dos brasileiros. E a relatora Kátia Abreu (DEM-TO) aceitou de pronto. Por um lado a proposta do senador petista faz sentido, mas por outro é uma espécie de antídoto às armações palacianas. Se o objetivo é fiscalizar, que alguém explique de onde surgiu o dinheiro do Dossiê Cuiabá. Quem se arrisca?

Esticada oficial
Com o feriado prolongado da República, a semana política foi mais curta que o normal. Na manhã de quarta-feira, muitos políticos já movimentavam as respectivas assessorias para garantir um assento nos vôos que diariamente deixam a capital federal, como se sexta-feira fosse o dia oficial do ócio. No contraponto da preguiça, alguns raros parlamentares montaram plantão em seus gabinetes, mesmo com a decretação de ponto facultativo para algumas repartições federais. Um deles é o senador Alvaro Dias, do PSDB paranaense, que escalou uma equipe para atender normalmente nesta sexta-feira.

Projeto em marcha
Quem continua acreditando que um terceiro mandato é uma utopia palaciana, engana-se. O projeto, que não é tão novo como muitos imaginam, é seguido lenta e continuamente. O primeiro passo foi desacreditar os poderes Legislativo e Judiciário, o que transfere ao Executivo uma aura de probidade. O segundo passo, que já foi adotado em alguns momentos e agora voltou à cena, é a instalação do caos. E esse quesito está a cargo do MST, que sabe muito bem como promover badernas. Depois da invasão e destruição da Câmara pelo MLST, a mais recente barbárie que consta do projeto foi interromper a ferrovia da Companhia Vale do Rio Doce. Até porque, os sem-terra nada têm a ver com extração de minério. Ou será que têm?

Virou baderna
E por falar em caos, o sistema de saúde pública no estado de São Paulo continua à deriva. Hospitais e postos de saúde estão sem insulina para fornecer aos diabéticos, sem previsão da chegada do medicamento. Para complicar a situação, postos de saúde, localizados na zona leste da capital paulista, romperam a quarta-feira sem fitas para a realização do teste de diabetes. Tudo isso porque o governador paulista, José Serra, foi ministro da Saúde. É o fim!

Fim de linha
Ainda a precariedade da Saúde... A rede municipal de saúde da cidade de São Paulo também tem suas mazelas. Um contribuinte levou o filho ao AMA – Assistência Médico-Ambulatorial – para diagnosticar as contínuas dores provocadas pelo crescimento. Foi mandado de volta para casa, sem ao menos levar uma requisição para radiografias. Enquanto isso, o prefeito Gilberto Kassab brinca de xerife, dando voz de prisão a contrabandistas.

A carne é forte
O monopólio da carne no Brasil é formado por apenas cinco grandes frigoríficos - Friboi, Bertim, Independência, Quatro Marcos e Mineiro. O cartel tem mantido o preço da arroba sob controle, mas nos últimos dias o valor chegou a R$ 70,00 em alguns estados, mas o interesse mundial tem exercido pressão sobre o mercado brasileiro. Nos Estados Unidos, principal produtor mundial, a produção subiu 2%, saltando de 11,8 milhões para pouco acima de 12 milhões de toneladas. No Brasil, segundo maior produtor, a produção elevou-se de 6,1 milhões para 6,3 milhões de toneladas, o que representa pouco mais de 3%. O crescimento desse mercado, especialmente no Brasil, tem despertado inclusive o interesse da WWF, que está de olho na produção da carne orgânica, que tem relação  com a preservação ambiental e com as oportunidades de comercialização.

Trabalho de sobra
Duzentos processos julgados e setenta testemunhas ouvidas. Eis os números do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Federal, nos últimos anos. O histórico também indica que os membros do Conselho votaram a favor dos relatores, como aconteceu nesta semana com a absolvição do deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL). A maioria dos relatores votou pela absolvição dos acusados, caso dos deputados Raul Jungmann, Paulo Rocha, Valdemar Costa Neto, João Magalhães, Olavo Calheiros e Paulo Magalhães.

Repetindo a dose
Todos os relatores dos processos votaram pelo arquivamento das representações e foram acompanhados pelo Conselho. Exceto a representação contra o deputado Mário de Oliveira, que foi suspensa a pedido da relatora, deputada Solange Amaral (DEM-RJ). O processo aguarda a evolução da investigação policial e do inquérito no STF. O último parecer que não foi aprovado aconteceu em maio de 2006. A representação era contra o deputado Vadão Gomes (PP-SP), e o relator era o deputado Moroni Torgam (PDT-CE), que pediu a cassação do mandato. O processo acabou sendo arquivado.

Pingos nos is
Os bastidores do caso do deputado Vadão Gomes não podem ser esquecidos. Por ocasião do escândalo do mensalão, Vadão Gomes era o presidente estadual do PP paulista, e seu nome apareceu na lista dos beneficiários do publicitário Marcos Valério. Desde que a política desembarcou no Brasil, Paulo Maluf e os petistas jamais se entenderam. Coincidência ou não, à época do suposto pagamento a Vadão Gomes, o eterno candidato Paulo Maluf tropeçou no primeiro turno da corrida municipal paulista. E não foi surpresa ver Maluf apoiando de maneira escandalosa a então prefeita Marta Suplicy, que tentava a reeleição. Nesse imbróglio todo, uma coisa é certa: o dinheiro não foi dado a Vadão Gomes. E o processo foi arquivado porque as provas apresentadas contra o parlamentar foram documentalmente contestadas.

Fila do abate
Este ano, nada menos que sete deputados passaram pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, mas nenhum foi considerado culpado. Raul Jungmann (PPS-PE), foi acusado de quebra de decoro. Paulo Rocha foi acusado de quebra de decoro parlamentar por receber, na qualidade de ex-líder do PT, por intermédio de sua assessora, Anita Leocádia, R$ 920 mil do “valerioduto”. O processo contra Mário de Oliveira, acusado de ter sido o mandante da tentativa de homicídio contra o deputado Carlos William. A investigação foi feita pela polícia de Osasco (SP) e veiculada pelo jornal "O Globo". Foi aprovado Parecer do Relator pelo arquivamento da Representação. O processo está suspenso.

Fora do padrão
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto, está coberto de razão. O modelo da camionete X-5, da BMW, é incompatível com a função e com o salário de magistrado. Pois foi com este modelo que recepcionaram o ministro para a palestra que fez para os 300 participantes do congresso da Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC), em Balneário Camboriú. Os preços do X-5 são de R$ 370 mil para o modelo Sport e R$ 350 mil para o X-5 Top (a diferença está no acabamento interno). "Isso não é carro para juiz", disse o constrangido Ayres Britto ao observar o luxo do veículo.

Dura realidade
A maioria dos aposentados brasileiros se diverte com a televisão. Pelo menos é esse o resultado de uma pesquisa feita pelo Market Analysis. A outra grande parte dos aposentados (63%) prefere visitar parentes como forma de entretenimento. A pesquisa foi respondida em Brasília, Porto Alegre, São Paulo, Recife, Salvador, Rio de Janeiro, Curitiba e Salvador. Atividades que exigem mais disposição, como ir às compras e fazer exercícios, são freqüentes para 30%. Em outra pesquisa, esta realizada pelo IBGE, que faz parte do “Indicadores Sociais Municipais”, cerca de 35% dos idosos nos municípios com até 20 mil habitantes contribuem com 30 a 50% do rendimento familiar mensal. Já nos municípios com mais de 500 mil habitantes, esse percentual de idosos é de 17%. Em todo o País, 27% dos idosos são responsáveis por mais de 90% do rendimento familiar.

Metamorfose ambulante
Pensando bem, Requião passou de herói de CPI a professor Raimundo paranaense.

Uma piada
(16/11/06) - Na tentativa de minimizar o caos nos aeroportos brasileiros, a Aeronáutica resolveu, de maneira truculenta e ditatorial, aquartelar os controladores de vôo, como se obrigar o cidadão ao trabalho ininterrupto fosse algo absolutamente normal em tempos de democracia. Depois que alguns familiares dos controladores denunciaram os desmandos, o Palácio do Planalto decidiu terminar com o cárcere privado oficial a que foram submetidos os controladores. Tal situação mostra de maneira clara a incompetência de um governo que, dia a pós dia, tropeça na lufada de falácias construída para enganar o povo. Enquanto o Controle aéreo brasileiro sofre por falta de dinheiro, o BNDES vai financiar outras tantas obras na terra do déspota Hugo Chávez. Se o caos que ora toma conta dos aeroportos brasileiros tivesse ocorrido dias antes da eleição presidencial, Lula já estaria arrumando as malas rumo a São Bernardo do Campo. Mas, como sempre, ele não sabia de nada. Pobre Brasil!

Ucho Haddad com Gilmar Corrêa e Thaís Margalho

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