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ano 7 - número 1484
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
"Todas as maravilhas que você precisa estão dentro de você."
Sir Thomas Browne
 
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O UCHO PERGUNTA

Renan Calheiros voltará a presidir o Senado?

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Clique e descubra a força política da senadora Kátia Abreu, relatora da PEC da CPMF.

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Jóia da coroa
A exemplo do que noticiou o ucho.info, com a costumeira antecedência de sempre, o trabalho desenvolvido por um banco de investimentos para definir o valor de mercado dos Correios não foi em vão. Contrariando as recomendações do ministro das Comunicações, Hélio Costa, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, decidiu colocar no mercado financeiro, através de uma operação conhecida como IPO, 49% do capital dos Correios, o que deve render perto de R$ 5 bilhões para os cofres federais. Em outras palavras, o governo do presidente Luiz Inácio, sob a desculpa de acabar com a corrupção, vai liquidar a mais eficiente empresa federal. Se a estatal postal deixasse de ser um cabide de empregos para os apaniguados dos políticos que lambem o piso do Palácio do Planalto, certamente a corrupção inexistiria. O fim já chegou e ninguém percebeu.

Face lenhosa
Nada como o poder para quem com ele se embriaga. Ministro da Defesa, Nelson Jobim se valeu de um jato da FAB para, no feriado de Finados, ir até a baiana Trancoso. Lá, nesse pedaço do mundo que Deus dispensou mais carinho e atenção à natureza, Jobim foi hóspede do casal Francisco e Isabel Gros. Ciente de que utilizar avião oficial renderia críticas das mais variadas, Nelson Jobim agendou inspeções (sic) nos aeroportos baianos de Porto Seguro e Ilhéus para a última quinta-feira, véspera do feriado. Esse é o personagem que o presidente Lula da Silva convocou para dar fim no caos aéreo. Com a palavra, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Foto: Terra)

Parafuso solto
Enquanto a ministra Dilma Roussef e a Petrobrás afirmam por aí que o gás natural está em falta no Brasil, provocando inclusive a redução do fornecimento do produto aos estados de São Paulo e Rio, como forma de economizar cerca de 7 milhões de metros cúbicos, na Província Petrolífera de Urucu, no Amazonas, 9 milhões de metros cúbicos de gás estão sendo praticamente desperdiçados. O gás, que nos livraria do cativeiro mercantil imposto pelo presidente-cocalero Evo Morales, está sendo re-injetado no solo ou, em determinados momentos, simplesmente queimado sem aproveitamento algum. E o presidente Lula da Silva continua posando de salvador da humanidade.

Maluca-beleza
Em recente declaração à imprensa, a todo-poderosa Dilma Roussef chegou a afirmar que “não há gás em Urucu”. Sua afirmação foi desmentida por levantamento realizado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), que confirmou a existência de gás na Província Petrolífera para pelo menos mais 20 anos, o que garante estoque suficiente, inclusive, para a construção de outro gasoduto, o Urucu-Porto Velho, esperado há mais de sete anos pela população de Rondônia. O documento foi encaminhado ao Ministério de Minas e Energia que por questões óbvias não irá divulgá-lo de forma alguma.

Saindo na frente
Como antecipou a coluna, em 24 de outubro passado, a BRA, companhia aérea que nasceu com as bênçãos da Fundação Rubem Berta (mantenedora na velha Varig), acionou o trem de pouso e solicitou à Anac a suspensão temporária de todos os vôos, domésticos e internacionais, até que seus dirigentes consigam um novo aporte de capital. Sem aviões suficientes para atender todos os vôos, a BRA é o mais novo mico do fundo do Gávea, fundo de investimentos capitaneado por Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e outrora estafeta do mega-especulador George Soros.

Batendo o pé
Escorraçado do Ministério de Minas e Energia, Silas Rondeau Cavalcante tem dito nos bastidores que tão cedo não volta para o cargo, contrariando a vontade de alguns peemedebistas. Na verdade, o desejo de Rondeau é reassumir a pasta somente depois que todos os problemas judiciais resultantes da Operação Navalha estiverem resolvidos. O que pode acontecer depois do término do governo do presidente-metalúrgico. Um dos patrocinadores do retorno de Silas Rondeau ao Ministério de Minas e Energia é o senador José Sarney (PMDB-AP), padrinho político do ex-ministro.

Fetiche oficial
Pelos acontecimentos dos últimos meses, não é devaneio algum concluir que o setor energético brasileiro vive uma espécie de crise institucional. Guindado à presidência do Conselho da Eletrobrás pelas mãos da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), Walter Cardeal Kasper pode estar perdendo algumas preciosas noites de sono. Nos últimos tempos, Cardeal, que deveria estar na sede da empresa, na Cidade Maravilhosa, tem circulado com certa insistência pela capital dos brasileiros, a sempre trepidante Brasília. Preocupado com algum assunto espinhoso, Cardeal deixa o aeroporto da capital federal e ruma para a Polícia Federal. No mínimo estranha essa preferência “policialesca” do presidente da Eletrobrás.

Poder paralelo
Geddel Vieira Lima (PMDB) tem ocupação extra além de comandar o Ministério da Integração Nacional. Seus adversários dizem que o baiano é também o prefeito de fato da cidade de Salvador. Para conseguir o apoio do influente deputado, o prefeito João Henrique Carneiro, que trocou o PDT pelo PMDB há alguns meses, decidiu que o grupo de Geddel deve influir em quase toda a administração municipal. O primeiro secretário que rodou com essa aproximação foi o da Fazenda. A última alteração atingiu a Secretaria de Comunicação Social. O clima na prefeitura não é dos melhores.

Bajulador palaciano
O ministro das Cidades, o carioca Márcio Fortes, o mesmo que disse que está acostumado com balas de fuzil zunindo em seus ouvidos, vai testar a sua popularidade na festa de aniversário do vice-líder da bancada do PP na Câmara, deputado Ricardo Barros (PR), que completa hoje 48 anos. Fortes vem sendo considerado “persona non grata” no partido, porque tem se negado sistematicamente a atender os pedidos dos parlamentares que garantiram sua indicação para o cargo. Experiente no jogo de interesses, o ministro entendeu que a aproximação com a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef (PT), seria muito mais vantajoso do que paparicar deputado.

Bico calado
A senadora Lúcia Vânia (GO) e os senadores Eduardo Azeredo (MG), Tasso Jereissati (CE) e Sérgio Guerra (PE) acabaram vencidos pelos argumentos dos nove senadores tucanos e acompanharam a decisão da bancada de votar contra a CPMF. Os quatro queriam mais uma semana para negociar com o governo, que apresentou propostas incompatíveis como a renúncia fiscal de R$ 2 bilhões em troca do imposto provisório de R$ 40 bilhões anuais. Hoje, a bancada do PT deve se reunir para fechar uma estratégia que garanta todos os votos da base do governo, que deve sofrer uma derrota no Plenário do Senado. O relatório da senadora Kátia Abreu (DEM-TO) será lido na próxima segunda-feira, dia 12, às 14 horas. Clique e confira a Entrevista do Sábado com a senadora Kátia Abreu.

Escudo na mão
A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) disse que até o final da noite não tinha conversado com o Palácio do Planalto sobre os impactos da decisão dos tucanos, que pode refletir em outras bancadas como a do PR e a do PDT. A bancada de cinco senadores pedetistas está dividida. Os senadores Cristóvam Buarque (DF) e Osmar Dias (PR) discursaram contra a CPMF, no momento em que o líder Jefferson Peres (AM) garantia, durante almoço com os líderes do governo e com o ministro Guido Mantega (Fazenda), os votos da bancada para a prorrogação da CPMF até 2011. Jefferson surpreendeu colegas como Osmar Dias, que ontem propôs uma Emenda Constitucional que reduz progressivamente a CPMF até 0,15% sobre as atividades financeiras.

Livre, leve e solto
Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente licenciado do Senado até o próximo dia 25 de novembro, circulou sorridente pelo Plenário e distribuiu afagos, nesta terça-feira. O senador alagoano está tranqüilo, pois até agora o relator do processo de uma suposta venda irregular de emissoras de rádios, senador Jefferson Peres, ainda não encontrou provas contra ele. A situação também é cômoda para o seu irmão, deputado Olavo Calheiros (PMDB), que deve ser inocentado no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Ele é acusado de tráfico de influência na renegociação de débitos previdenciários da Schincariol, que comprou uma fábrica de refrigerante da família Calheiros. O relator do processo, deputado José Carlos Araújo (PR-BA) disse ontem à noite a esse site que ainda está procurando provas. Nem mesmo a reunião que manteve com a ministra Eliana Calmon, do STJ, por trinta minutos ajudou nessa busca. Ele espera para esta semana certidões de órgãos públicos que poderiam incriminar o deputado alagoano. José Carlos prevê que o relatório deverá estar pronto na segunda-feira e ser lido e votado no Conselho de Ética no dia 13, às 14h30.

Rua da amargura
Bellini, Gilmar, Djalma Santos, Nilton Santos, Orlando, entre outros, são alguns dos craques da década de 1950 que estão passando por necessidades financeiras. Outros 40 ex-jogadores e campeões mundiais de futebol estariam também na mesma situação, com uma aposentadoria que não ultrapassa a R$ 1,2 mil. É a dura realidade que afeta dezenas de jogadores no país das chuteiras, mas a CBF nada faz para criar mecanismos de proteção a esses trabalhadores. A situação vai ser denunciada em Brasília pelo deputado Ricardo Izar (PTB-SP), que convidou os ex-atletas para contar essa triste história. Enquanto isso, o cartola Ricardo Teixeira se esforça em abafar a criação da CPMI da MSI/Corinthians.

Chumbo trocado
O governador de Rondônia, Ivo Cassol (PPS), promete acionar a Polícia Militar contra as repartições públicas federais que funcionam em prédios do governo do estado. É uma represália pela ação do Exército que ocupou à força um terreno, no centro de Porto Velho, que estava sendo usado pelo governo de Rondônia. Nesta semana serão enviados comunicados dando prazo de desocupação de trinta dias. Estão ameaçados diversos órgãos como a Delegacia Regional do Trabalho, Infraero, Ibama, DNPM, Incra e Correios. Uma das poucas repartições que estão fora do despejo é a Polícia Federal. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, foi acionado para botar panos quentes nas reações tumultuadas entre o Exército e o governador, mas até agora não tomou nenhuma providência, segundo se informa no Palácio Getúlio Vargas, sede do governo estadual.

Pole position
Interrompemos a seqüência de pensamentos que sempre finalizam a coluna para tomar emprestado um slogan criado e adotado pelo SBT. “Na nossa frente só você”. Com tantos furos de reportagem, e já com a devida licença do dono do Baú, agradecemos aos leitores afirmando que na frente do ucho.info só você! UCHO.INFO, A MARCA DA NOTÍCIA.

Cronômetro acionado
(07/11/06) - A Polícia Federal concluiu que muitos dos telefonemas dados para concluir o imbróglio do Dossiê Cuiabá partiram do comitê de campanha do presidente Lula, em Brasília. No cruzamento de dados feito pela PF surgiram os nomes de Hamilton Lacerda, Gedimar Passos e Freud Godoy. A tese lançada pela coluna, de que o registro da candidatura do presidente Lula é passível de cassação começa a ganhar força. Caso o presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello, decida cumprir o que manda a lei, Lula não deveria ser empossado em 1º de janeiro. A lógica aponta para que o TSE indique como vencedor da eleição o segundo colocado, o que teria cheiro de golpe. O bom senso mostra que o melhor seria realizar nova eleição. Mais: isso explica o clima de terror e tensão que tomou conta do Palácio do Planalto.

Ucho Haddad com Gilmar Corrêa e Thaís Margalho

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