Clique e conheça as idéias do deputado Silvio Torres, autor do requerimento da CPI do Futebol.
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Ele não sabia
Horas depois da invasão da Câmara dos Deputados por integrantes do MLST, em 7 de junho de 2006, o presidente Lula da Silva afirmou que pedira a saída de Bruno Maranhão, líder do movimento, dos quadros diretivos do Partido dos Trabalhadores. Dezessete meses depois, sem que nenhum dos responsáveis pela quebradeira na Câmara tenha sido julgado, Bruno Maranhão, que palitou de sobremaneira na campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio, continua fazendo parte do Diretório Nacional do PT. Presidente Lula, ninguém exigiu a saída de Bruno Maranhão do partido. Foi o senhor, presidente, quem disse que ele deveria sair. E ele, o seu dileto e galhofeiro Bruno Maranhão, continua lá, mandando e desmandando. Ou essa o senhor também não sabia?
Chantagem palaciana Pegou muito mal a nova ameaça do governo motivada pelo desesperado desejo de aprovar o texto integral da CPMF no Senado daqui a duas semanas. Sem apresentar qualquer proposta consistente para negociar a votação, os ministros Guido Mantega (Fazenda), Paulo Bernardo (Planejamento) e José Temporão (Saúde) ampliaram os discursos contra o “Sistema S” (Senai, Senac, Sesc, Sesi e Sebrae), para que os senadores votem a favor da prorrogação do imposto até 2011. A senadora Kátia Abreu foi direta ao dizer que o governo apenas apresentou ameaças na reunião de ontem na CCJ. “Você escutou alguma coisa?”.
Sem conversa Mesmo contando com um apoio indireto das lideranças tucanas (Sérgio Guerra, Tasso Jereissati e Arthur Virgílio), o governo deixou claro, nesta quinta-feira, que não pretende abrir mão de qualquer centavo arrecadado. A contrapartida para a aprovação da CPMF seria a renúncia nas operações financeiras para quem ganha até R$ 1.640,00, mas o assunto deve ser minuciosamente estudado. Embora a proposta tenha sido apresentada há duas semanas pelo líder do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), os três ministros disseram na CCJ que não tinham noção do impacto da renúncia da alíquota previdenciária, que hoje é de R$ 1,2 mil. Os números devem ser apresentados na terça-feira, cujo relatório será elaborado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Calculadora de camelô Num sem fim de números como justificativa para não abrir mão do imposto provisório (“Seria temerário perder de R$ 35 a R$ 40 bilhões”), os próprios ministros não se entenderam. Guido Mantega até mesmo errou o número de contribuintes do Imposto de Renda, que segundo ele é de 8,5 milhões de pagantes. Em conversa com o ucho.info, o secretário da Receita, Jorge Rachid, disse que os contribuintes chegam a “6 ou 7 milhões”. A sabatina dos senadores transformou-se numa mera formalidade, com poucos questionamentos dignos de registro. Como sempre, coube à imprensa fazer as perguntas que os representantes do povo não fizeram.
Baderna generalizada O lobby dos cartolas do futebol deve enterrar a CPMI do Corinthians, que nem mesmo saiu do papel. Até o dia 7 de novembro, quando está prevista a leitura da mensagem na sessão Congresso Nacional, a retirada de assinaturas para a criação da comissão deve ser ampliada. Até ontem, 75 deputados e quatro senadores oficializaram que não dão apoio a CPMI atendendo a um apelo injustificado que envolve também governadores, que sonham em ter a seleção brasileira jogando nos estádios das capitais em amistosos ou na Copa do Mundo de 2014. Se em nome de interesses menores a lavagem de dinheiro no futebol deixará de ser investigada, o que imaginar da transparência durante os preparativos do campeonato mundial, que só em infra-estrutura deve consumir R$ 14 bilhões do caixa público.
Aí tem! A alegação de Ricardo Teixeira, de que a CPMI da MSI/Corinthians comprometeria a realização da Copa de 2014 no Brasil, foi rechaçada na última terça-feira pelo presidente da Fifa, o suíço Joseph Blatter. Agora, com o Brasil confirmado como sede da Copa, beira a irresponsabilidade trabalhar nos bastidores para barrar a CPI que deve investigar o branqueamento de capitais patrocinado por Kia Joorabchian e Boris Berezovsky a partir do Corinthians. Ou Ricardo Teixeira não ouviu o presidente Blatter, ou alguns bons milhares de motivos lhe causaram uma amnésia de ocasião. E mais: o que esperar de alguém que traz uma mini-cervejaria a bordo do avião da seleção?
Chá de sumiço Na última terça-feira, a Câmara dos Deputados tinha em sua agenda uma audiência pública para discutir o Banco Postal, assunto que ainda incomoda a parte governista do PMDB. Desde que o tema voltou a freqüentar a mira da mídia, esquivar-se de explicações foi o remédio encontrado pelos caciques do Ministério das Comunicações e, principalmente, da diretoria indicada dos Correios. A referida audiência acabou não acontecendo, pois o presidente dos Correios, Carlos Henrique Almeida Custódio, não apareceu. Em tempo: tão logo assumiu a pasta das Comunicações, o ministro Hélio Costa (PMDB-MG) ameaçou cancelar o contrato do Banco Postal com o Bradesco. Mas, como sempre, ficou apenas ameaça. Estranho, não é mesmo ministro?
Colcha de retalhos O Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, está a um passo de ser transformado em autarquia. É o que prevê o Projeto de Lei 3937/04, em tramitação na Câmara dos Deputados. O relator do PL, deputado Ciro Gomes (PSB-CE), apresentou voto favorável à matéria, sob a alegação de “evitar o coronelismo” no órgão. De acordo com o PL, de autoria do deputado Carlos Eduardo Cadoca (PSC-PE), o Cade estará vinculado ao Ministério da Justiça, porém a advocacia das empresas continuará sob a tutela do Ministério da Fazenda.
Gardelón capixaba O senador Gérson Camata (PMDB-ES), católico fervoroso e praticante, prefere assistir às missas em espanhol na Igreja Nossa Senhora de Guadalupe, na Asa Sul, em Brasília. Perguntado sobre o motivo dessa preferência, Camata foi sincero: “A cerimônia é muito bonita”. O peemedebista terá que rezar muito para que o partido encontre uma solução até o fim do prazo de afastamento do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado, no dia 25 de novembro. Na próxima semana, Calheiros retorna ao cotidiano parlamentar, depois de dez dias de licença médica, que teve início no dia 22 de outubro. Ele vai acompanhar a votação do relatório da senadora Kátia Abreu (DEM-TO) sobre a CPMF na Comissão de Constituição e Justiça.
Estréia ameaçada O suplente de deputado federal, Valter Corrêa Brito Neto (PMDB-PB) que ontem assumiu a vaga do deputado Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB), que renunciou ao cargo, pode perder o mandato por conta da infidelidade. Brito Neto trocou o Democrata pelo PMDB há mais ou menos um mês. Com este roteiro que não estava no script, pode ser chamado o segundo suplente, Tarcísio Marcelo, que obteve nas eleições de outubro do ano passado apenas 8.440 votos. Tudo vai depender agora da direção nacional do Democratas, que já avisou que vai pedir o mandato do PMDB.
Diário de um covarde O ex-deputado Ronaldo Cunha Lima, que ontem sentiu-se mal em João Pessoa e foi atendido com urgência por uma equipe médica, já tinha sido perdoado por Tarcísio Burity, que escapou da morte depois de receber dois tiros do pai do atual governador da Paraíba. A reconciliação entre os dois aconteceu praticamente no leito de morte de Burity, falecido em julho de 2003. Cunha Lima, o pai, chegou a acompanhar o traslado do corpo do adversário político de São Paulo para a Paraíba, num vôo fretado por Cássio Cunha Lima. O ex-deputado, que tinha foro privilegiado, seria julgado pelo Supremo Tribunal na próxima semana por tentativa de homicídio. Agora, de volta à Justiça comum paraibana, o caso será retomado do início. Em outras palavras, o drible que Ronaldo Cunha Lima quis dar na Justiça funcionou.
Vai render A briga entre o governador Roberto Requião, do Paraná, e o procurador Botto de Lacerda, que
ganhou as páginas da imprensa local, promete capítulos novos e flamejantes. Se Botto de Lacerda imagina que estocou Requião com a carta divulgada nesta quarta-feira, engana-se. De temperamento forte e na maioria das vezes descontrolado em decisões sob pressão, o governador Requião pode se valer de um intrincado relatório sobre uma espécie de pedágio que os procuradores instalaram na Justiça paranaense. A coluna teve acesso ao conteúdo do disco rígido do computador da Associação dos Procuradores do Paraná, e o assunto é o que se pode chamar de nitroglicerina pura e da melhor qualidade.(Foto: Dárcio de Jesus)
Dois pesos, duas medidas Não faz muito tempo, a cidade de São Paulo foi tomada por um preciosismo da polícia, que proibiu seguranças e vigilantes noturnos de usarem coletes na cor preta e com inscrições em amarelo nas costas. A alegação, pouco convincente, é que os tais coletes poderiam dificultar as ações da polícia pela similaridade com as vestes utilizadas pelos policiais. É verdade que a desculpa tem uma ínfima dose de lógica, mas a isonomia de direitos parece inexistir na polícia paulista. Empresas de segurança, em sua maioria de propriedade de delegados, utilizam veículos cada vez mais parecidos com as viaturas policiais. Ora, esse tipo de coincidência não atrapalha? Certamente não, porque os delegados e dublês de empresários oferecem, a custos exorbitantes, aquilo que o cidadão deveria ter gratuitamente. Pelo menos é o que manda a Constituição.
Missa encomendada
Uma estranha onda de notícias equivocadas sobre o uso do amianto invadiu a imprensa nacional. Desde que o assunto entrou em discussão, a reboque da asbestose, doença resultante da aspiração de partículas de amianto, usar o produto em qualquer situação passou a ser sinônimo de perigo de vida. Por trás dessa enxurrada de notícias está o interesse milionário de empresas multinacionais, que guardam a sete chaves projetos concorrenciais. A asbestose é uma doença que provoca a cicatrização dos alvéolos pulmonares, desde que a fibra do amianto alcance os pulmões. Diferentemente do que vem sendo divulgado, telhas, tubulações e caixas d’água não causam dano à saúde.
Cartela de cores Pensando bem, a CPI do alvinegro pode naufragar por causa de algumas alviverdes.
Tinta fajuta (02/11/06)- O capítulo paulista do PT, em artigo assinado pela secretária estadual do partido, Angélica Fernandes, criticou Ana Maria Braga, da Rede Globo de Televisão, pela cor da roupa que usou no programa “Mais Você” um dia após a realização do segundo turno. A apresentadora global optou pela cor preta na edição da última segunda-feira do programa, decisão que a petista interpretou como sendo um sinal de luto pela vitória de Luiz Inácio da Silva nas urnas. O perigo da sanha petista, em especial de agora em diante, está em atitudes de pessoas desocupadas como Angélica Fernandes, que ao invés de se ocupar com os milhares de mendigos que perambulam pelo País, os quais Lula prometeu tirar da miséria, patrulha aqueles que discordam do Ali Babá tupiniquim.
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