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Cartas marcadas
Quem pensa que ao final da peleja política a CPMF não será prorrogada, engana-se. Enquanto o presidente Lula da Silva articula de maneira escandalosa nos bastidores, no palco das discussões os partidos de oposição começam a recuar. Por um lado o governo do presidente-metalúrgico acena com cargos e liberação de verbas de emendas parlamentares, além de um esquema criminoso para absolver os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Por outro, PSDB e Democratas não podem rasgar o discurso do passado, pois foram os mentores intelectuais do famigerado imposto do cheque. Como muitos senadores miram as eleições de 2008 e de 2010, preferem fingir resistência enquanto negociam algum tipo de redução na CPMF, pois precisam surgir como heróis. Ou seja, jogo de cena. E mais: exceto alguns governadores – José Serra é um deles –, a maioria deles já recomendou às respectivas bancadas a aprovação da prorrogação da CPMF.
Jogo sujo Em meio às especulações de que o presidente interino do Senado, senador Tião Viana (PT-AC), faz lobby para que os integrantes da Mesa decidam arquivar ainda hoje a sexta representação contra o presidente licenciado do Senado, no Palácio do Palácio também acontece outra reunião decisiva. O presidente-metalúrgico Lula da Silva reúne-se na manhã desta segunda-feira com seis ministros. Participam também do encontro o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, e o senador Aloízio Mercadante (PT-SP). O assunto principal é a aprovação da prorrogação da CPMF até 2011, no Senado, e também o provável processo de eleição na Câmara Alta, daqui a um mês e meio. Ontem, a rádio CBN informou que o PT não vai abrir mão da presidência do Senado, mas pode ceder a presidência da Câmara. A manobra é um pouco estranha, mas nunca se sabe...
Tragam o Aurélio! Quantos anos fazem... Assim o ministro da Defesa e
versão tupiniquim de Rambo, Nelson Jobim, falou durante entrevista concedida no Rio de Janeiro, quando em conversa com jornalista opinava sobre o modelo de enfrentamento adotado pela polícia fluminense. Tamanha transgressão gramatical beira a loucura se considerarmos que Jobim foi presidente do STF, instância da Justiça onde todos falam em letras góticas. Ministro, o correto é: “quantos anos faz”!
Oportunismo barato Faltando pouco menos de um ano para as eleições municipais, muitos candidatos à reeleição já estão e descarada campanha. É o caso do prefeito de São Paulo. Gilberto Kassab, que neste domingo foi ao autódromo de Interlagos de trem. Um dia antes da abertura oficial do GP Brasil, que aconteceu na sexta-feira (19/10), Kassab e o governador José Será inauguraram a estação Autódromo da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, a CPTM. E só mesmo um declarado candidato à reeleição para enfrentar um calor que beirou os 35º C. Traduzindo para o bom e velho português, populismo barato, porque até a estação de trem Kassab se deslocou a bordo de carro blindado e com ar condicionado.
Peixe fora d'água Presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli é mesmo o arquétipo de um governo que desconhece o protocolo oficial. Na condição de representante da patrocinadora do GP Brasil de Fórmula 1, Gabrielli esteve no podium da vitória, onde entregou o troféu ao diretor-técnico da Ferrari, Jean Todt. Vestido como se estivesse no boteco da esquina, José Sérgio Gabrielli não foi informado ainda sobre o fato de presidir uma das maiores companhias petrolíferas do planeta. E mais: a assessoria da Petrobras errou ao não entrar em ação e impedir que Gabrielli entregasse o troféu ao representante da equipe que, com gasolina Shell, fez o campeão mundial da categoria.(Foto: www.as.com)
De olho no dinheiro Dezessete agências de propaganda disputam a milionária conta publicitária da Petrobras, de R$ 250 milhões anuais, que pode ser decidida pela estatal nesta semana. O primeiro edital para seleção da agência foi suspenso, porque o Tribunal de Contas da União não concordou com os termos. O segundo edital manteve a exigência de patrimônio líquido de R$ 1,8 milhão para a agência que se habilitasse a concorrer. Entre as selecionadas, está a do dileto amigo do presidente-metalúrgico e arrolado no processo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, Duda Mendonça. A Duda Propaganda é uma das três agências que atendem atualmente a Petrobras, pois tiveram os contratos prorrogados até 30 de novembro deste ano.
Piada de salão Com as eleições municipais de 2008 no cardápio, muitos partidos políticos têm invadido os meios de comunicação a reboque do horário político. A última galhofa política coube ao PMDB, que no rádio e na TV surgiu pregando o que não comunga. Presidente nacional da legenda, o deputado federal Michel Temer (PMDB-SP) – sufocado politicamente pelos tentáculos de Orestes Quércia – surgiu como garoto-propaganda peemedebista para afirmar inverdades. Primeiro porque o Temer, ao comentar sobre o fato de o PMDB ser o maior partido político do País, disparou: “nós conquistamos esse espaço porque cumprimos nossos compromissos com a sociedade”. Mentira, porque a sociedade brasileira não endossaria essa palhaçada patrocinada pelo PMDB na órbita do escândalo Renan Calheiros. Depois, o programa político fecha com a seguinte frase: “PMDB, um partido que trabalha para todo o Brasil”. Mas isso é uma verdade, pois basta conferir o desempenho dos senadores Wellington Salgado, Almeida Lima, Leomar Quinatnilha...
Armistício maranhense Pode estar perto do fim a campanha difamatória que os veículos de comunicação do grupo Sarney movem contra o governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT). A linha editorial do jornal, das rádios e da televisão, que retransmite o sinal da Rede Globo, deve diminuir por conta do contrato de publicidade recentemente assinado e pagamento de atrasados de alguns milhões de Reais, ainda da época do ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB). O grupo de comunicação também não faz mais críticas ao prefeito de São Luís, Tadeu Palácio (PDT), depois da assinatura do acordo publicitário que estaria na faixa de R$ 600 mil mensais, segundo informações não confirmadas.
Confusão de sobra O governador de Rondônia, Ivo Cassol (PPS) arrumou um confusão com o Exército no sábado. Ele mandou cercar uma área do centro da capital, Porto Velho, provocando uma reação da 17ª. Brigada de Infantaria da Selva, ligada ao Comando Militar da Amazônia, que acionou soldados e a Polícia Federal. Ontem à tarde, o general que comanda a Brigada, Luiz Alberto Bringel, promoveu até uma coletiva à imprensa. Mais tarde, o Exército divulgou nota oficial e garantiu que a decisão do governador é caracterizada como invasão de terras da União, crime previsto no Código Penal Militar. Ivo Cassol também é acusado, junto com o senador Expedito Júnior (PR) de comprar votos nas eleições de outubro do ano passado. O processo tramita no Tribunal Superior Eleitoral.
Esforço inútil De nada adiantou a defesa perdigueira do líder do PV, deputado Marcelo Ortiz (SP), que relatou o projeto que pretendia criar o seguro ambiental para novos empreendimentos. Os membros da Comissão de Constituição e Justiça optaram pelo voto em separado do deputado Moreira Mendes (PPS-RO), que se rebelou contra a proposta por considerar uma decisão que só oneraria os empreendedores. Agora, o projeto segue para o Senado Federal, porque tem caráter terminativo.
Só com banquinho Exemplo de falta de cuidado com a coisa pública pode ser visto no Distrito Federal. Uma plataforma de combate a incêndio aguarda conserto há cinco meses. A estrutura que pode chegar a 80 metros está com vazamento de óleo, mas para consertá-la é preciso a presença de um técnico da Finlândia, onde o equipamento foi comprado por aproximadamente R$ 1,2 milhão no fim do governo de Fernando Henrique Cardoso, para atender ao Corpo de Bombeiros da capital dos brasileiros. Ao todo, o Distrito Federal tem 11 plataformas, o que é o maior número de equipamentos do gênero no Brasil.
Cemitério de carros O desprezo com o dinheiro público ainda não termina, mas está no mesmo Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. Quatro caminhões comprados do Japão e que desfilaram no dia 7 de Setembro para o presidente-metalúrgico, Lula da Silva (PT), e para o governador José Roberto Arruda (DEM) estão parados por falta de peças. Desde 1989 o Governo do Distrito Federal firmou vários convênios de cooperação técnica com os japoneses na área de perícia de incêndio e análise de amostras orgânicas e inorgânicas.
Olho da rua
O mandato do prefeito de Salvador, João Henrique (PMDB), está ameaçado porque o presidente do diretório estadual do PDT, Severiano Alves, pretende ingressar na Justiça. João Henrique está entre os 156 prefeitos que trocaram de partido depois do dia 27 de março, quando o TSE decidiu sobre a primeira consulta da propriedade do mandato parlamentar. O prefeito soteropolitano trocou o PDT pelo PMDB para garantir um apoio maior na campanha de sua reeleição em 2008. Para a imprensa, tem dito que a troca aconteceu porque não teria mais “ambiente” no partido criado pelo ex-governador Leonel Brizola.
Vende, mas não entrega
Com parte do controle acionário nas mãos do mega-
empresário mexicano Carlos Slim, a Net, maior empresa de TV a cabo brasileira divulgou nesta quinta-feira os números relativos ao desempenho financeiro da empresa no último trimestre. De acordo com a Net, que entre julho e setembro teve lucro de R$ 51 milhões, o sucesso de deve à ampliação da base de clientes. O que a Net não divulgou foi o número crescente de clientes descontentes. Quem optou pelo pacote de serviços denominado “Net Combo” tem enfrentado momentos de intenso arrependimento. O serviço de telefonia fixa, oferecido no pacote através da operadora Embratel, é o maior engodo dos últimos tempos. Vez por outra os telefones ficam mudos ou com um chiado ensurdecedor. A coluna te recebido inúmeros e-mails de leitores que contrataram o “Net Combo”, mas que não sabem como cancelar o serviço. Enfim, contrariando o slogan da empresa, louco foi quem acreditou que “o mundo é dos nets”.
Pega na mentira Pensando bem, Lula é um mitômano compulsivo. Há dias, o presidente disse que os imbróglios do Senado deveriam ser solucionados lá mesmo.
Fio trocado (23/10/06)- Há dias, quando perguntado sobre o que faria caso perdesse a corrida presidencial, o presidente-candidato Luiz Inácio da Silva disse que sua intenção era voltar para seu apartamento em São Bernardo do Campo, a seiscentos metros do sindicato, de onde olharia para o pessoal que o formou para a política. Na verdade, não foram os companheiros de sindicato que formaram Lula para a vida pública, mas apenas o próprio sindicato serviu de plataforma política para o atual presidente. Quem quiser de fato saber que foi o responsável pelo ingresso de Lula no mundo da política deve ir a um centro espírita e pedir para falar com o general Golbery do Couto e Silva.
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