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ano 7 - número 1467
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
"Somente o silêncio é grande, o resto é fraqueza."
Alfred de Vigny
 
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O UCHO PERGUNTA

Renan Calheiros voltará a presidir o Senado?

Sim

Não

Clique e confira as idéias e os ideais da senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), relatora do processo contra Renan Calheiros.

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Hit do verão
Desde a divulgação do caso Mônica Veloso até a derrocada política de Renan Calheiros, fato ocorrido na última quinta-feira (11/10), foram cinco meses de balões de ensaio, acordos espúrios, conjecturas jornalísticas e futurologia política. Durante a resistência do senador alagoano, arrancou-se do baú a marchinha carnavalesca “Daqui eu não saio”, que tão bem traduz o apego de Renan Calheiros ao cargo de presidente do Senado. Agora, com Renan fora da presidência e a sua defenestração sendo arquitetada por governistas e oposicionistas, a coluna presta uma homenagem ao peemedebista de Alagoas com um clássico da música popular brasileira, tão bem eternizado nas vozes dos geniais e saudosos Nelson Gonçalves e Tim Maia. Clique e ouça a música “RENÚNCIA”.

Radiografia da verdade
Na próxima terça-feira, 23 de outubro, a esquerda brasileira usará o Senado Federal para render homenagens a Ernesto “Che” Guevara, um dos líderes da revolução que sacou do poder, em Cuba, o ditador direitista Fulgencio Batista. Diferentemente do que a história propagou até então, “Che” nem de longe foi esse mito que todos cultuam. O melhor exemplo da tirania do pensamento de “Che” pode ser conferido na bizarrice política que Fidel Castro instalou na ilha caribenha. Para ilustrar a barbárie que será cometida no Senado, o jornalista, cineasta e escritor Ipojuca Pontes, preciso como sempre, mostra em “Che – O mito macabro” a verdadeira e decepcionante trajetória de Ernesto “Che” Guevara. Clique e confira “Che – O mito macabro”.

Só faltou combinar
Na última semana, uma enorme e escandalosa dicotomia tomou conta dos escaninhos do governo Lula da Silva, o que já não é novidade. Abusando da retórica populista que todos conhecem, o presidente Luiz Inácio lançou, em Brasília, o PAC da Infância e da Juventude, como se o brasileiro acreditasse nessa catarata de planos de aceleração disso e daquilo. Falando a centenas de jovens que estavam sob uma lona de circo, Lula prometeu garantir o futuro daqueles que deveriam gozar da adolescência, mas trocam os bancos escolares pelos semáforos das principais cidades do País. No contraponto, na capital dos paranaenses crianças inocentes protagonizaram uma passeata chamada de “Movimento dos Sem-Terrinha”. Sempre lembrando que o MST, capitaneado pelo “porra-louca” João Pedro Stédile, recebe polpudas verbas do governo federal. Em tempo: o Juizado de Menores de Curitiba não funcionou nesse dia?

Engov oficial
O presidente-metalúrgico Lula da Silva começa hoje a sua sétima viagem ao continente africano. Mas antes de viajar neste domingo, estocou a oposição ao sugerir a infidelidade no ninho tucano. Disse que se o governador mineiro Aécio Neves mudar para o PMDB terá seu apoio à presidência em 2010. No final de semana também avisou que pode ser candidato novamente à presidência em 2014. Naturalmente é um balão de ensaio. O que o presidente quer mesmo é o terceiro mandato. Tanta bazófia só se compara à afirmação de que tomou o último grande porre em 1974, quando o Brasil perdeu para a Holanda por 2 a 0 na Copa do Mundo. "Duvido que tenha um jornalista no Brasil que tenha me visto bêbado". Deve ter esquecido quando nas greves dos metalúrgicos acompanhava uma caminhonete com cachaça no balde.

Vidinha difícil
Os destinos escolhidos pela maioria dos senadores no feriadão de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil, não foram as bases eleitorais. Muitos preferiram o outono europeu, ou até mesmo o friozinho colombiano, como é caso do senador Romero Jucá (PMDB-RR), que depois do acordo que definiu a saída temporária de Renan calheiros da presidência do Senado voou para Bogotá, onde visitou a filha e o genro. Outros preferiram o calor da Cidade Maravilhosa, com direito a um requebrar de esqueleto nas quadras das escolas de samba. Tudo com vistas ao carnaval recifense de 2008, que homenageará o frevo pernambucano, financiado com o dinheiro da prefeitura capitaneada pelo petista João Paulo.

Cadeira vazia
A semana começa com a expectativa de um entendimento no Senado, com ausência do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência. Está marcada uma reunião da Mesa Diretora e de alguns líderes partidários para definir uma agenda mínima de votações. O governo deve fazer a sua parte ao revogar algumas das 14 Medidas Provisórias que ameaçam trancar a pauta. A ordem é facilitar ao máximo um entendimento para que a prorrogação da CPMF seja aprovada logo. O principal obstáculo está na Comissão de Constituição e Justiça, porque a relatora senadora Kátia Abreu (DEM-TO) já avisou que vai apresentar um parecer contrário a continuidade do imposto provisório. Em contrapartida, o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), pode apresentar um relatório favorável à prorrogação até 2011, mantendo a alíquota de 0,38%.

Canetada palaciana
A MP que institui a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) vinculada à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República não deve estar na lista das que serão revogadas. A rede pública de televisão prevê recursos de R$ 350 milhões em 2008, podendo ser ampliados com a receita de publicidade institucional. O conselho de administração será integrado somente por membros indicados pelo presidente Lula da Silva. Para dar uma atmosfera democrática, o governo avisa que a programação será feita com base em "consulta popular". A pesquisa poderá ser realizada nos próximos seis meses.

Gato escaldado
Na Câmara dos Deputados, o governo não teve ter problemas para aprovar as Medidas Provisórias que trancam a pauta, após a votação da CPMF. Mas os Projetos e Emendas Constitucionais (PECs) vão criar polêmica até mesmo na base de apoio do governo, como a do voto aberto que traz de volta a questão da reforma política.  Faltam ser votados temas como o financiamento público de campanhas para cargos majoritários e o sistema eleitoral distrital. O presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) já avisou que pretende colocar o assunto no Plenário nesta semana. Não quer ser mais atropelado pelas decisões do Judiciário, que nesta semana decide sobre a fidelidade partidária para prefeitos, governadores e senadores.

Ele voltou!
Há dias, o jornalista Cláudio Humberto trouxe em sua coluna a notícia de que o embaixador Luiz Fernando Benedini, ejetado do Itamaraty e reincorporado por decisão judicial, voltou a circular pela capital dos brasileiros, com assento garantido no Ministério das Relações Exteriores. Vale lembrar que Benedini foi demitido a bem do serviço público, sob a acusação de, enquanto cônsul em Miami, ter utilizado verba de representação diplomática (auxílio-residência) para a compra de uma mansão na mais brasileira das cidades estadunidenses. Por outro lado, o embaixador foi um dedicado colaborador de FHC por ocasião do fatídico Dossiê Cayman, uma obra de ficção sobre um fato verdadeiro. E mais: mesmo de volta ao serviço público, Luiz Fernando Benedini não deixou de lado a sua porção empresarial. Em 19 de setembro de 2003, o embaixador-pianista encerrou as atividades da empresa Escala Inc., com sede no endereço 9343 S.W. Fourth Lane, em Miami. Mais tarde, em 8 de fevereiro de 2005, Benedini passou a ser sócio da empresa Kutenai Inc., com sede no endereço 2121 SW 3rd Avenue Suite100, também em Miami. O mais curioso é que o endereço de correspondência da Kutenai é na cidade de Nova York: 155 W 20th Street apt. 5B. É realmente dura essa vida de diplomata!

Falta do que fazer
Sem ter com o que se preocupar, o governador de São Paulo, José Serra, está prestes a sancionar lei que proíbe o uso de celulares em salas de aula. A nova lei destina-se à rede pública de ensino, mas por conta do texto pode ser estendida às escolas particulares. Na opinião do autor da proposta, deputado estadual Orlando Morando (PSDB), os celulares poderão ser retidos pelos professores e devolvidos ao final da aula. “Na regulamentação, pode-se também incluir um artigo permitindo que os aparelhos retidos sejam devolvidos apenas para os pais dos alunos”, completou o deputado tucano. Reter um bem qualquer, sem motivo justificável, é uma violência ao direito de propriedade, podendo o caso parar nas já inoperantes delegacias de polícia. Tudo muito bonito, até que surja o primeiro boletim de ocorrência por apropriação indébita. E mais: José Serra deveria se preocupar com a aprovação continuada que, adotada desde o início da era tucana, tem formado analfabetos diplomados.

Viúvas do Getúlio
Nos últimos dias, o Partido Trabalhista Brasileiro, o PTB, ocupou o horário político para gazetear os ideais de algo que atualmente inexiste: o trabalhismo. Porém, beirou a galhofa o slogan adotado pelo partido para emoldurar o programa. “A história que todo partido gostaria de ter”. Os petebistas se agarram à figura histórica de Getúlio Vargas, líder maior da legenda, para mostrar à sociedade algo que não passa de ufanismo político, pois a história recente do PTB é pouco recomendável. Presidente nacional da sigla, Roberto Jefferson se envolveu de maneira escandalosa no esquema do mensalão. Então presidente do Conselho de Ética da Câmara, o petebista Ricardo Izar (SP) fez o possível e o impossível para evitar o depoimento do ex-deputado federal José Janene, um dos enlameados sustentáculos do mensalão. Para fechar essa história pífia, o PTB recebeu em suas fileiras ninguém menos que Oscar Maroni, dono do mais famoso e disputado bordel da Paulicéia Desvairada.

Se a moda pega...
A ditadura gauche que o coronel pára-quedista Hugo Chávez implantou na vizinha Venezuela causa preocupações. Há dias, o cantor espanhol Alejandro Sans foi proibido de se apresentar em Caracas, apenas porque em 2004 criticou o governo Chávez e a chamada revolução bolivariana. No Brasil a situação ainda não é tão grave, mas caminha nessa direção por atalhos absolutamente camuflados. Veículos de comunicação que dependem da verba publicitária federal têm se dedicado a uma pauta jornalística que não incomode o Palácio do Planalto. A produção cultural tem sido monitorada de perto, e a classe jornalística já foi alvo de uma tentativa fracassada de amordaçamento. Sem contar que a história do Brasil está sendo modificada sob encomenda e de maneira criminosa. Enfim...

Batendo carteira
Levantamento da Secretaria Nacional da Justiça identificou 4.210 entidades qualificadas como OSCIP e 12.020 entidades declaradas de utilidade pública federal atuando no Brasil. Os dados vão compor as informações preliminares da CPI das ONGs do Senado, que já sabe que o governo não possui um sistema informatizado que permite racionalizar, dar transparência e agilizar os procedimentos de qualificação e prestação de contas anual das entidades sociais para monitoramento dos convênios federais. A explicação é da própria Secretaria Nacional de Justiça a um questionamento formulado pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.

Haja tijolo
Serviços públicos, regularização fundiária e a questão ambiental são os principais temas que estarão num documento com as conclusões da Conferência das Cidades, que deve ser publicado ainda nesta semana. Nos debates da última semana, pesquisadores e parlamentares apontaram a ausência de uma legislação sobre o parcelamento do solo urbano e o não-cumprimento do Estatuto das Cidades, como os principais entraves para uma nova política pública que solucione o grave problema da falta de moradia. Só em Pernambuco, 315 mil famílias não têm onde morar. O presidente do Fórum Nacional de Secretários de Habitação, Carlos Eduardo Xavier Marun, afirma que há necessidade de se construir 700 mil novas moradias por ano, durante 30 anos, para zerar o déficit habitacional no País.

Golinho extra
Pensando bem, o último passarinho que bebeu da água presidencial morreu de cirrose hepática.

Discurso barato
(16/10/06) - Tão politiqueiro quanto oportunista, o discurso do presidente-candidato Lula, sobre investimentos na área da Educação, serve apenas para enganar o eleitor. Além disso, Lula acena para o PDT do sempre fiel ao pensamento Cristovam Buarque, senador pelo Distrito Federal que no primeiro turno da corrida presidencial defendeu a Educação como plataforma de desenvolvimento. Lula, durante discurso para não mais que cinqüenta professores, disse: “que Deus permita que a gente viva para ver a educação ser definitivamente prioridade, prioridade e prioridade do nosso País”. Para que o brasileiro consiga ver a Educação ser prioridade no País, são necessários, no mínimo, cinco décadas. E como Lula só tem vocação para Sassá Mutema, e não para Matusalém, o melhor a se fazer é voltar à realidade. Dura, por sinal.

Ucho Haddad com Gilmar Corrêa e Thaís Margalho

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