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ano 7 - número 1466
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
"O homem é mortal por seus temores e imortal por seus desejos."
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Escandalosamente na frente
Com a costumeira exclusividade de sempre, coube ao ucho.info antecipar aos leitores que o afastamento de Renan Calheiros estava em marcha. Publicada aqui às 15h21, a notícia foi divulgada horas depois por outros órgãos da imprensa. De igual maneira, a coluna revelou que o afastamento temporário de Renan Calheiros da presidência do Senado era fruto de um acordo costurado pelo Palácio do Planalto. Sem medo de errar, informamos os nomes dos partícipes do pacto que deve garantir a aprovação da CPMF. Clique e confira a cronologia das notícias divulgadas pelo ucho.info nesta quinta-feira, 11 de outubro.

Impressão digital
A conclusão da operação para convencer o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) a se licenciar por 45 dias da presidência do Senado, durou aproximadamente uma hora e meia na residência oficial, na Península dos Ministérios, em Brasília. A reunião terminou por volta das 23 horas desta quarta-feira, entre o líder do governo no Senado, Romero Jucá, o maranhense José Sarney e o governador Teotônio Vilela Filho, de Alagoas, avalista político de Calheiros.  Por telefone, o presidente Lula da Silva não só participou ativamente do pacto, mas palpitou em diversos momentos, Igual participação teve o senador tucano Tasso Jereissati (CE), que disse à imprensa que o ideal seria a renúncia ao mandato. Clique e confira a íntegra do pronunciamento do senador Renan Calheiros.

Duro na queda
Apesar da teimosia, Renan Calheiros não foi o senador que, no cargo, mais resistiu ao bombardeio de acusações. Foram 139 dias desde que a revista Veja estampou as denúncias da jornalista Mônica Veloso. O recordista foi o ex-senador (agora deputado federal pelo Pará) Jader Barbalho, que entregou carta-renúncia ao então presidente do Senado, Ramez Tebet, em 5 de outubro de 2001 - um ano após surgirem as primeiras denúncias contra ele. No caso de a pressão continuar, Calheiros poderá ser o quarto senador a renunciar ao cargo na história do Senado, o que não alivia sua situação, pois processos por quebra de decoro parlamentar já tramitam no Conselho de Ética do Senado. Em 2000, renunciaram o falecido Antônio Carlos Magalhães (BA) e o atual governador do Distrito Federal José Roberto Arruda. Clique e confira a via crucis de Renan Calheiros.

Dono do trono
Na conversa que manteve por telefone com o ucho.info, no final da tarde de ontem, enquanto dirigia pelas ruas de Rio Branco (AC), o senador Tião Viana garantiu, “absolutamente”, que não falou com ninguém, durante toda a quinta-feira, sobre a licença de Renan Calheiros. Teria falado com o senador de Alagoas somente na sessão de quarta-feira. À noite, concordou com Pedro Simon e outros senadores da oposição, como Alvaro Dias (PSDB-PR), que a licença foi o melhor caminho para acalmar os ânimos no Senado. Na segunda-feira, o primeiro vice-presidente do Senado se reúne com a Mesa Diretora para definir uma agenda mínima de votações. Viana é reconhecido pela prudência, e esta será sua principal qualidade na condução de uma Casa Legislativa onde até parte do PMDB não concorda com a vigência da CPMF até 2011.

Pavio curto
“Oh Cabrini, você tá batendo muito pesado!” Assim a jornalista Mônica Veloso, ex-namorada do presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros, abandonou a entrevista que concedia ao repórter Roberto Cabrini, da Rede Bandeirantes, quando perguntada sobre a origem do dinheiro da pensão de sua filha. Desde que surgiu no noticiário político nacional, Mônica Veloso tem se esquivado de perguntas relacionadas ao seu affair com o senador alagoano, sempre alegando que cabe a Renan responder sobre determinados assuntos. Como ao País interessa saber detalhes de seu envolvimento com um dos mais importantes políticos brasileiros, não será com sua beleza incontestável que Mônica sufocará qualquer pergunta sobre o tema. É sabido que seu objetivo é retomar a normalidade da vida, mas qualquer vencedor do Big Brother responde a perguntas bem piores. Enfim, às vezes a fama tem um preço muito mais caro do que se imagina. (Foto: J.R. Duran - Playboy)

Devaneio oficial
De novo o presidente Luiz Inácio se empolgou com um discurso sem nenhuma consistência, não sem antes estocar os antecessores. Durante o lançamento do PAC da Criança e do Adolescente, Lula da Silva disse que o governo federal não quer ser pai ou mãe de ninguém, mas apenas um indutor de políticas públicas. Trata-se de uma balela desmedida, especialmente por que um em cada quatro brasileiros já tem Lula como pai do ócio remunerado. Afinal, o Bolsa Família não apenas gerou uma legião de indolentes, mas criou um fiel curral eleitoral.

Disco riscado
Fazer referências a governos anteriores, como se o atual fosse a maior das descobertas do milênio, está se tornando algo enfadonho. Lula da Silva precisa recordar o que prometeu durante a campanha de 2002, pois à época se apresentou como um misto de Aladim tupiniquim e Sassá Mutema genérico. De lá para cá, o presidente-metalúrgico não criou os dez milhões de postos de trabalho com prometido. Para minimizar a incompetência de um governo que não se entende nas coxias, Lula da Silva disse que não será possível solucionar todos os problemas brasileiros.

Momento de reflexão
Na próxima semana, depois que retornar da viagem que faz a Genebra, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) vai conversar com o senador Pedro Simon (PMDB-RS), sobre seu retorno como titular na Comissão de Constituição e Justiça. Em nota oficial distribuída ontem, Vasconcelos disse que volta para a CCJ porque “é meu desejo”. Simon vai aguardar a conversa com o colega para decidir o que fazer. O retorno dos dois foi mais um esforço para amenizar o clima pesado do Senado e teve o dedo do Palácio do Palácio, através do ministro das Relações Institucionais Walfrido dos Mares Guia. O ministro também conversou com o senador Marco Maciel, presidente da CCJ, mas não conseguiu convencê-lo a facilitar a tramitação da CMPF a partir da próxima semana. (Foto: Agência Senado - Célio Azevedo)

Briga de foice
Porto Alegre tem pelo menos onze pré-candidatos à prefeitura. Três deles vem do chamado “bloquinho”, que reúne o PCdoB, PSB e PDT. Nesse grupo, o entendimento está longe de acontecer entre os deputados Beto Albuquerque (PSB), Manuela D’Ávila (PCdoB) e os dois pedetistas Vieira da Cunha e José Fortunati, que já foi secretário estadual de segurança do Rio Grande do Sul. Até março, uma pesquisa eleitoral poderá definir os rumos dos três partidos, mas não deverá ser o único fator determinante para um acordo.

Olho da rua
A direção nacional do Partido Democrático Trabalhista deverá pedir a expulsão dos deputados Barbosa Neto (PR) e Ênio Bastos (RS). Os dois foram os únicos da bancada de 24 parlamentares a votar contra a prorrogação da CPMF na Câmara, aprovada em segundo turno com folga pela base do governo. Neto e Bastos já tinham votado contra o imposto no primeiro turno contra a orientação do partido. O senador Osmar Dias (PR) já disse ao ucho.info que vai brigar para que não aconteça a expulsão do único deputado pedetista do Paraná. A idéia do vice-presidente nacional do PDT, deputado Vieira da Cunha, é muito diferente da do senador.

Seguindo a cartilha
Pelo menos 250 deputados seriam fiéis ao governo na Câmara dos Deputados, segundo avaliação dos líderes após as duas votações da CPMF, que entra na pauta da votação do Senado na próxima semana. A conclusão é de uma análise da votação e dos inúmeros pedidos e chantagens promovidas pelos parlamentares para que o imposto fosse aprovado. As bancadas com maior número de infiéis, segundo esta avaliação, são as do PMDB e PR, especialmente, e a do PP.

Radiografia política
Os líderes também identificaram muitas queixas dos deputados contra o governo, que sistematicamente têm negligenciado pedidos simples como pedidos de audiência, informações sobre processos administrativos e fotografias com ministros. Em alguns ministérios, o segundo e o terceiro escalões definem como o governo deve se comportar em relação ao Parlamento. É o rabo mandando no cachorro, compara o líder do PSB, Beto Albuquerque. A ordem agora é que todos os ministros abram suas agendas em um ou dois dias para receber os deputados. Em compensação, cada vez mais ministros têm ido à Câmara pedir emendas ao Orçamento da União de 2008.

Pedra no caminho
O ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Cezar Peluso, deve divulgar na próxima semana a resolução que orienta sobre a possibilidade de cassação dos mandatos dos parlamentares, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal na semana passada. A instrução será uma orientação como os partidos políticos podem agir para pedir as vagas e indicar os suplentes. O TSE também deixou para a próxima semana as instruções acerca da vacância dos mandatos dos cargos majoritários.  Os cargos de governador, prefeito e senador podem seguir a mesma orientação de infidelidade definida para as eleições proporcionais.

Pé no freio
A Unimed de Guaratinguetá (SP) terá que deixar por 90 dias no seu site, a partir de hoje, a punição do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) por prática lesiva à concorrência. A Unimed praticou “unimilitância” dos seus médicos cooperados no mercado de planos de saúde na cidade paulista. A Unimed terá ainda que pagar uma multa de R$ 63.846,00 pela mesma lesão à livre concorrência. O Cadê começou desde quarta-feira a otimizar o tempo das sessões para dar celeridade aos processos de julgamento com rito sumário. A mesma providência que adotou o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Salada de frutas
Pensando bem, depois de anunciar que só deixaria a presidência do Senado como um coco, Renan Calheiros caiu como jaca madura.

Pela culatra
(13/10/06) - O núcleo da campanha do presidente-candidato Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma estratégia que tem tudo para se transformar em tiro no pé: usar o PCC contra o tucano Geraldo Alckmin, para mostrar ao eleitorado que o ex-governador paulista é o único responsável pelos ataques que aterrorizaram a Grande São Paulo, meses atrás. O risco de usar o PCC como arma eleitoral está no fato de que muito mais gente da esquerda está envolvida com a facção criminosa do que o PT palaciano imagina.

Ucho Haddad com Gilmar Corrêa e Thaís Margalho

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