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Lexotan de sobra (03.10.07 - 18h55)
A sessão do STF que discute e julga a questão da fidelidade partidária será interrompida às 19 horas, sendo retomada nesta quinta-feira, 4 de outubro, quando será discutido o mérito da representação. Essa interrupção fará com que muitos parlamentares passem mais uma noite em claro, em Brasília, alguns deles à base de calmantes.
Ministros discutem fidelidade (03.10.07 - 18h27)
O plenário do STF exibe uma multiplicidade de prognósticos a respeito da decisão que a mais alta corte da Justiça nacional dará à questão da fidelidade partidária. Advogados especialistas em Direito Legislativo, consultados pela coluna, apostam na aprovação da fidelidade, com validade a partir do julgamento. Em outras palavras, o troca-troca partidário, que nas últimas horas elevou a pressão arterial de muitos políticos dissidentes, pode ser perdoado. No momento os ministros do STF discutem a matéria.
Fidelidade em julgamento (03.10.07 - 15h15)
Signatários da representação que coloca os parlamentares desertores na corda bamba, DEM e PSDB acertaram em cheio na contratação do sempre genial Paulo Brossard, ex-ministro do STF, para defender o pleito das agremiações políticas que entendem que o mandato é do partido. Além de roubar a cena, Paulo Brossard impôs ao STF um silêncio quase sepulcral. A fala de Brossard foi interrompida pela presidente do STF, ministra Ellen Gracie Northfleet, que para lembrar o orador da exigüidade do tempo disparou: a Corte lhe o ouve com o deleite de sempre, mas o seu limite de tempo já foi ultrapassado. Mas Paulo Brossard, que afirmou incisivamente que ninguém pode ser candidato no Brasil se não estiver filiado a um partido, continuou fazendo uso da palavra.
Marcando em cima
“Quatro horas de uma psicanálise chinfrim”. Assim o deputado Chico Alencar (PSol-RJ) classificou a sessão do Conselho de Ética do Senado, que por pressão dos partidos de oposição terminou com o desmenbramento dos processos contra Renan Calheiros. Perguntado sobre a capacidade de o Senado suportar esse sangramento político até janeiro de 2008, quando deverão ser votados em plenário os processos contra Renan Calheiros, Chico Alencar, em conversa com o ucho.info, foi taxativo: “Aquilo lá (Senado) está sem comando, está um caos”. (Foto: ucho.info)

Moeda de troca
Ainda Chico Alencar... Na opinião do deputado do PSol, o desmembramento dos processos contra Renan Calheiros pouco altera a combinação articulada pela tropa de choque do presidente do Senado, porque “alguém desse grupo será indicado para relatar o processo” que trata do uso de laranjas na aquisição de veículos de comunicação em Alagoas. Para Chico Alencar, Renan Calheiros irá se valer do fato de os senadores Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Ideli Salvatti (PT-SC) estarem no olho do furacão para costurar um acordo nos bastidores. Em outras palavras, uma nova pizza está a caminho.
Ação entre amigos
Senador pelo PMDB do Amapá, Gilvam Borges deixou a sessão do Conselho de Ética visivelmente contrariado, pois na sua opinião os votos sobre os casos Renan Calheiros já são conhecidos. Perguntado se esse conhecimento prévio permite algum tipo de diagnóstico, Borges lembrou que, a exemplo do julgamento do imbróglio Renan – Mônica, o presidente do Senado deve ser derrotado no Conselho. Por outro lado, o parlamentar amapaense lembrou que, neste momento, levar a julgamento em plenário os processos contra Renan Calheiros não é recomendável, pois comprometeria a pauta da Casa. Na fila de votação estão a prorrogação da CPMF e o orçamento da União para 2008. Ou seja, o futuro de Renan só será decidido em janeiro do próximo ano.

Perderam a vergonha
O governo do presidente-metalúrgico Lula da Silva não vai ter mais desculpas para deixar de consertar as péssimas estradas brasileiras. Depois de sete meses sob suspeitas diversas, a base do governo com o apoio dos Democratas, aprovou o nome de Luís Antônio Pagot para a diretoria geral do DNIT. O ex-assessor do senador Jonas Pinheiro (“Um funcionário dedicado”) e do governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, é acusado de embolsar, sem trabalhar, R$ 500 mil do Senado. A nomeação de Pagot, um homem competente na opinião do senador Sibá Machado (PT-AC), vai desencalhar milhares de reais que estariam retidos a espera dos apaniguados do governo. É esperar agora as operações tapa-buraco, cujo asfalto suporta apenas uma chuvarada. E mais: Luís Antonio Pagot conseguiu a proeza da onipresença, pois morando no Leblon, no Rio, trabalhava em Brasília e Itaquatiara, no Amazonas, ao mesmo tempo.
Pegando carona
Na mesma sessão, o Senado aprovou ontem o nome do delegado da Polícia Federal, Paulo Lacerda, para a diretoria geral da Agência Brasileira de Inteligência, a Abin (cinqüenta e dois votos a favor, sete contra e duas abstenções). Uma diferença muito grande se comparada com a aprovação de Pagot para o DNIT (quarenta e dois votos a favor, vinte e quatro contra e duas abstenções). Paulo Lacerda tem como padrinho o senador-delegado Romeu Tuma (DEM-SP), que nesta quinta-feira desembarca no PTB. A mudança de partido dependerá unicamente da decisão do Supremo Tribunal Federal, que julga ainda hoje a infidelidade de parlamentares. Paulo Lacerda foi contumaz apreciador dos grampos telefônicos e de escutas de ambiente para dar suporte às operações cinematográficas, quando exercia o cargo de diretor geral da PF. Lacerda quer que o Senado aprove o "grampo" telefônico também como suporte das investigações da Abin. (Foto: ucho.info)


Capítulo do golpe
Está quase tudo acertado para que a Casa Civil mande para o Congresso Nacional uma Medida Provisória que cria a estrutura da TV Brasil, que funde a Radiobrás com o sistema TVE. O assunto foi tratado durante uma conversa de três horas entre o presidente-metalúrgico, Lula da Silva, o jornalista-ministro Franklin Martins (Comunicação Social) e o líder da bancada do PMDB no Senado, Valdir Raup. A TV Brasil será dirigida pela jornalista Teresa Cruvinel, fidelíssima amiga de Martins. A idéia de uma MP foi rechaçada pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS), que acha que a TV Brasil poderia ser muito bem criada por um projeto de lei, "para que a população pudesse discutir melhor o assunto". Como o governo não quer polemizar, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), dissuadiu o senador Tião Viana (PT-AC) de bater-boca com o senador gaúcho. "Deixa ele falar", aconselhou o rápido Jucá. (Foto: ucho.info)

Balcão de negócios
Por conta do jantar no apartamento do líder da bancada do PMDB, Valdir Raupp, a sessão do Senado encerrou no início da noite. No entanto, o quorum no rega-bofe reuniu 13 peemedebistas, muito abaixo do esperado, mas suficiente para que o grupo firmasse uma posição favorável a todas as propostas do governo. A notícia foi levada pelos caciques José Sarney e Renan Calheiros ao presidente Lula da Silva, que reuniu pouco mais de duas dezenas de deputados em outro jantar no Palácio da Alvorada. No mesmo momento, a oposição tentava dificultar a votação, na Câmara dos Deputados, da Medida Provisória que retira recursos dos estados por conta do aumento do repasse do Fundeb. Lula quer estreitar as relações com os parlamentares nesse período, visando facilitar a aprovação da CPMF. Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, disse aos jornalistas de plantão no Alvorada que não via necessidade do encontro, e nem mesmo sabia porque estava sendo chamado. Santa ingenuidade!

Sem solução
Depois do fatídico “relaxa e goza”, a ex-prefeita paulistana e atual ministra do Turismo, Marta Suplicy, surgiu na telinha na noite desta segunda-feira para enaltecer os empregos gerados no setor, como se ela fosse a versão feminina de Messias. Em seu rápido pronunciamento, Marta Suplicy, lendo um texto ruim e encomendado, disse que o importante é “fortalecer a musculatura do turismo no Brasil”. Dona Marta, se o turismo brasileiro tem musculatura, o governo do presidente Lula certamente sofre de distrofia muscular. E mais: quem, na manhã desta terça-feira, encontrou a ministra Marta Suplicy durante o café da manhã, pode perceber que seus músculos do bom humor acordam bem mais tarde. No elegante hotel em que mora, em Brasília, a ministra simplesmente caiu da cama e despencou no restaurante. Coisa feia, Dona Marta, muito feia!
Fim da baderna
Nenhum dos ministros do Supremo Tribunal Federal deve pedir “vistas” aos três mandados de segurança que tratam da fidelidade partidária, que serão julgados a partir da uma da tarde desta quarta-feira. A decisão deve refletir no destino político de cerca de dois mil parlamentares, de vereadores a deputados federais. Só na Câmara dos Deputados, o julgamento vai atingir 46 parlamentares que trocaram de partido desde as eleições do ano passado. Como três dos onze ministros do STF integram o Tribunal Superior Eleitoral, é provável que a decisão do Supremo seja favorável aos partidos políticos, que pedem a vacância dos cargos dos infiéis. Todavia, os ministros podem optar pelo parecer do procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza, que sugeriu que o arquivamento das ações, ou, então, que a decisão só passe a valer a partir da próxima legislatura. Os mandados foram impetrados pelo Partido Popular Socialista (PPS), Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e Democratas (DEM).

Dinheiro extra
Ontem, os deputados federais fizeram um considerável agrado aos ministros do Supremo Tribunal Federal. Foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça o subsídio de R$ 25.725,00, com efeitos retroativos a primeiro de janeiro de 2007. Como a remuneração da magistratura federal é vinculada à dos ministros do Supremo, haverá um efeito cascata da ordem de 3,14%. O salário do procurador-geral, cujo teto máximo hoje é de R$ 24,5 mil, também será reajustado e terá impacto nos vencimentos do Ministério Público Federal. O projeto de lei que tramita desde o ano passado agora vai à Plenário para ser votado.
Alecrim, benjoim e alfazema
Tendo como destino final Congresso Nacional, uma manifestação dos Agentes Comunitários da Saúde, na Esplanada dos Ministérios, acabou encontrando pelo caminho o inesperado. Um despacho – também conhecido como trabalho de macumba – que amanheceu entre os ministérios da Saúde, comandado por José Gomes Temporão, e o da Ciência e Tecnologia, que tem à frente Sérgio Machado Rezende. De acordo com especialistas, o despacho em questão, que evoca Exu (orixá africano da comunicação, guardião das aldeias, cidades, casas e do comportamento humano), serve para abrir portas sob qualquer circunstância. Saravá! (Foto: Luiz Alves)


Braço de ferro
O relatório da CPI do Apagão Aéreo, na Câmara dos Deputados, começa a ser discutido e votado nesta quarta-feira (3/10), mas o relator, deputado Marco Maia (PT-RS), adiantou que não será possível apontar um culpado para o acidente com o Airbus A320 da TAM, ocorrido em 17 de julho passado no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Encontrar um culpado para o caso seria um suicídio político, pois o governo Lula estaria no ápice da fogueira da culpa. Em tempo: continua sem explicação a ameaça de bastidor que o Palácio do Planalto fez à direção da companhia aérea criada pelo saudoso comandante Rolim Adolfo Amaro.
Pai dos burros
É preciso reconhecer que o “gerundismo” é um achincalhe criminoso da língua portuguesa, mas o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (Dem), tem mais o que fazer do que se preocupar com filigranas gramaticais. Considerando que o governador José Roberto Arruda é dado ao preciosismo gramatical, o governo do DF deve retirar uma série de placas que anunciam obras oficiais, que trazem a seguinte inscrição: “Desculpe o transtorno”. Ora, normalmente desculpa-se alguém por uma determinada coisa, mas jamais desculpa-se o fato causador do transtorno. Por isso, governador Arruda, o correto é “desculpe-nos pelo transtorno”. E a coluna, em nome dos brasilienses, clama para que esse assassinato gramatical também seja corrigido.

Deputados apóiam a coluna
Diversos deputados federais do Paraná, em especial os do PSDB, declararam apoio à coluna no caso de notícia aqui publicada sobre o secretário de Comunicação de Curitiba, Deonilson Roldo. Na opinião dos parlamentares, a coluna em nenhum momento acusou Roldo de qualquer transgressão, mas apenas noticiou que o secretário curitibano está na mira do Ministério Público paranaense. E mais: alguns deputados ficaram surpresos com a contundência, mesmo que elegante, da resposta de Deonilson Roldo.
Mestre-cuca
Pensando bem, o jantar oferecido por Lula nesta terça-feira, no Palácio da Alvorada, foi “a la carte”. Cada convidado pediu o que bem quis.

Maluco beleza
(03/10/06) - “La fuerza del pueblo”. Assim o presidente Lula abriu a entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira, como se falasse para os comandados de Hugo Chávez ou Fidel Castro. Em seguida, o candidato petista fez questão de “dar os parabéns ao processo de apuração”, quando, na verdade, deveria dar os parabéns pelo processo. Tirante o tropeço gramatical, Lula causa preocupação ao defender um sistema eleitoral que carrega fraudes já comprovadas. Mais adiante, o presidente-candidato disse que as fotos do dinheiro apreendido pela Polícia Federal, que seria usado para a compra do Dossiê Cuiabá, poderiam ser divulgadas logo no primeiro dia. É mais uma falácia discursiva do presidente Lula, que tenta passar à opinião pública a imagem de marido traído. A divulgação das fotos não só foi proibida pelo Palácio do Planalto, como o PT tentou impedi-la recorrendo ao TSE. Ou seja, Lula falta com a verdade quando trata do escândalo do dossiê.
Ucho
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