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ano 6 - número 1334
sexta-feira, 13 de abril de 2007
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
"É uma coisa solitária estar certa."
Mary Tyler Moore
 
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O UCHO PERGUNTA

Quanto deve receber o presidente Lula?

Um salário mínimo

R$ 11,2 mil

Nada


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Seita gauche
As pesquisas de opinião, cujos resultados foram divulgados nos últimos dois dias, apontam para uma inexplicável aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como se os entrevistados desconhecessem os seguidos escândalos de corrupção que abalaram a república, a estagnação do País e a tentativa palaciana de evitar a CPI do Apagão Aéreo. Diante de tais resultados - a avaliação ótima ou boa do governo caiu para 49% neste mês, ante 57% em dezembro – resta concluir que o lulismo transformou-se em seita política. A exemplo do que ocorreu, quiçá ainda não ocorra, com os seguidores do reverendo Moon, os simpatizantes do torneiro-presidente são tomados por uma desconhecida cegueira. (Foto: embuste.com.br)

Tico e Teco
Dizendo, em tom de galhofa, que “o Brasil não vai se esforçar muito para ganhar o próximo jogo contra a Inglaterra no estádio de Wembley, e vocês apóiam a nossa candidatura”, o presidente Lula pediu ao príncipe William – filho da rainha Elizabeth – apoio para candidatura brasileira para sediar a Copa do Mundo de 2014. Que o presidente Luiz Inácio na maioria das vezes fala sem pensar, todos sabem, mas pedido de tal ordem beira a irresponsabilidade se considerarmos que o Brasil vive uma crise aérea sem precedentes, as obras do Pan estão vergonhosamente atrasadas – sem falar na corrupção – e a criminalidade tem sido o cardápio do dia nas maiores cidades do País. Enfim...(Foto: elcolombiano.com)

Drible oficial
Em meio à maior crise aérea do País, as autoridades responsáveis pelo setor parecem que vivem um verdadeiro apagão de memória ou raciocínio. Comandante da Aeronáutica, o brigadeiro Juniti Saito disse, nesta quinta-feira, durante audiência pública no Senado, que 534 novos controladores de vôo estão sendo treinados. Até aí não há problema algum, mas resta saber se o treinamento está sendo realizado nos obsoletos equipamentos que todos conhecem. Mais: quais equipamentos os novos controladores terão à disposição?

Neurônio em pane
Por outro lado, o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, mudou radicalmente de idéia em menos de vinte e quatro horas. Na quarta-feira, Zuanazzi afirmou, de maneira textual, que a crise aérea está longe de ser uma crise. Ontem, no Senado, o mesmo Zuanazzi admitiu que o “setor vive um momento de grandes dificuldades”. Para justificar as contradições, Milton Zuanazzi alegou que os jornalistas “pegaram na questão semântica”. Na rubrica da lingüística, a semântica se ocupa do significado das palavras, por oposição à sua forma. Com essa porção filosófica irresponsável, Milton Zuanazzi deveria perguntar aos parentes das 154 vítimas do acidente da Gol se o que aconteceu na Serra do Cachimbo foi semântica ou irresponsabilidade.

Tudo dominado
Anda a passos de tartaruga a instalação de uma CPI do Apagão Aéreo no Congresso Nacional. Interesses diversos estariam tirando a atenção da situação e da oposição, e um deles seria a investigação de aplicações estranhas pela Nossa Caixa, instituição bancária do governo de São Paulo. O líder da minoria, deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), garante que o governador José Serra (PSDB) deu carta branca à sua bancada, pois uma coisa não tem nada a ver com a outra. No Supremo Tribunal Federal (STF) os ministros decidiram também deixar o assunto da CPI em banho-maria. Esperam um acordo político no Congresso, para depois decidir sobre a pendenga no Pleno do STF. A ordem é evitar a criação de mais um factóide político.

Marcha a ré
O assunto da CPI do Apagão realmente está pegando fogo nos bastidores do poder. Na tarde desta quinta-feira, líderes do Senado, incluindo aí o tucanato, estiveram com o senador Renan Calheiros. Presidente do Senado, Calheiros (PMDB-AL) teria dito que vai cumprir o regimento interno da Casa, para horas mais tarde ter recuado e pedido aos seus pares um pouco mais de moderação. Mas no vácuo de conversa semelhante está a não instalada CPI das ONGs, mostrengo político que ninguém quer ver de perto.

Mãos abanando
Repetindo o que ocorreu em 2005, os prefeitos deixaram Brasília com muitas promessas e poucas garantias. Paparicados por parlamentares que têm dívidas eleitorais, por estatais que financiaram a Marcha dos Prefeitos e pelo presidente Lula, os gestores municipais estão apostando na tese de São Tomé: pagam para ver o cumprimento das palavras do presidente Lula da Silva. O aumento no repasse em 1% do FPM está condicionado a aprovação de uma série de Medidas Provisórias na Câmara e no Senado. Os prefeitos, que de bobos nada têm, vão fazer pressão caso a MP do Fundo de Participação dos Municípios for encaminhada na frente.

Confusão pela frente
O ministro da Previdência, Luiz Marinho, pode ter acendido o pavio de um barril de pólvora ao anunciar um reajuste de apenas 3,30% para os aposentados que recebem benefícios superiores a um salário mínimo. O reajuste não agradou, e até o presidente da Cobap, que em outros tempos fazia sindicalismo com o presidente-metalúrgico Lula da Silva, acha que o governo virou as costas para os aposentados e pensionistas. Na próxima semana, uma caravana de velhinhos chega a Brasília para protestar contra a proposta de reforma da Previdência Social e o baixo índice de reajuste dos benefícios.

Dinheiro extra
Ainda os reajustes... O presidente Luiz Inácio disse que prefere um reajuste de salário de 26%, o que seria a inflação acumulada nos últimos quatro anos. Arlindo Chinaglia (PT-SP) sugeriu que o índice pudesse ultrapassar a 80%. Fazendo uma ou outra conta, Lula teria um índice de reajuste bem superior no salário se comparado com a maioria das categorias profissionais. Tendo como base o menor percentual, o salário do presidente passa valer R$ 11,2 mil.

Tem rei na plebe
Arlindo Chinaglia (PT-SP) desceu do pedestal e jantou com os quarenta e dois deputados do PR na noite de quarta-feira, em restaurante da capital dos brasileiros. Entre outras coisas, a confraternização serviu para que os parlamentares do partido da base do governo se conhecessem melhor. Muitos assinaram ficha no PR após as eleições de outubro, embarcando na infidelidade por conta das promessas de recursos e cargos no governo.

Beco sem saída
Como antecipou a coluna no início do corrente ano, a situação do secretário de Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari, de fato complicou. Promotor de Justiça, Delazari teve até o dia 31 de dezembro último para deixar o cargo, sob pena de ser ejetado do Ministério Público. Dado a rompantes, Delazari achou por bem desafiar a Justiça. Na quarta-feira, o Conselho Nacional do Ministério Público determinou o afastamento de Luiz Fernando Delazari do MP. É preciso lembrar que esse imbróglio traz sérias complicações para o governador Roberto Requião. Considerando que Delazari esteve à frente da pasta da segurança ilegalmente, todos os seus atos, de 31 de dezembro para cá, podem ser considerados nulos, pois existe nos arquivos do STF decisão do ministro Gilmar Mendes sobre a matéria. Ou seja, basta surgir um corajoso para argüir a nulidade.

Cópia autenticada
Situação idêntica viveu o promotor Saulo de Castro Abreu Filho, que ocupou a Secretaria da Segurança Pública no governo de Geraldo Alckmin, em São Paulo. A diferença entre Delazari e Saulo é que o secretário paranaense acabou criando uma rede de intrigas na terra dos pinheirais. Há quem garanta que muitas mazelas da gestão de Luiz Fernando Delazari na Segurança ainda estão por vir. Ou seja, o bicho vai pegar literalmente. Só não se sabe se será do primeiro ao quinto.

Tropeço gaúcho
Governadora do Rio Grande do Sul, a tucana Yeda Crusius comemorou cem dias de governo em meio a uma crise considerável. No final da tarde desta quarta-feira, a governadora demitiu o secretário de Segurança Pública, deputado federal Enio Bacci (PDT-RS), por conta de denúncias de corrupção, em seu gabinete, apresentadas por um delegado de polícia. A Secretaria de Segurança era, até então, a única pasta que gerava mídia positiva, especialmente pela atuação da Policia Militar no combate ao crime. Acontece que a PM gaúcha acabou interferindo nos interesses de donos de desmanches de automóveis, comércio de peças automotivas, bingos e outros negócios pouco ortodoxos. Como sempre acontece, no Brasil o crime é muito organizado. (Foto: Uol)

E o contribuinte...
Ao que parece, o Brasil é movido a autoridades estrangeiras. Por ocasião do funeral de Ayrton Senna, a cidade de São Paulo passou por uma maquiagem de emergência para receber milhares de pessoas vindas de todas as partes do mundo. Quando George Bush despencou em São Paulo, a capital paulista passou pelo mesmo ludibriante processo. Agora, o centro da Paulicéia Desvairada, mais especificamente o Largo São Bento, está passando por reformas de emergência. Palco de mendigos, camelôs e moradores de rua, o Largo São Bento abriga o mosteiro homônimo, local que hospedará o papa Bento XVI durante sua estada no Brasil. Ou seja, só mesmo com visita de gringo importante é que as coisas funcionam na maior cidade do País.

Messias genérico
Pensando bem, Lula ainda vai acreditar que é o Jim Jones da política tupiniquim. E podem passar a sacolinha!

Que vergonha!
(13/04/06) - A credibilidade do presidente Lula junto à classe política é tão pequena, que atitudes e declarações contra o Palácio do Planalto e seus nada diletos ocupantes são disparadas a todo o momento. Um dia após o anuncio do Ministério Público Federal, que classificou como sendo quarenta os responsáveis pelo mensalão, Lula passou a ser comparado nas rodas da política com o folclórico Ali Baba, comandante dos literários quarenta ladrões, nesse caso específico uma lembrança criativa do jornalista José Simão. É preciso admitir que o descrédito do presidente Lula é tão gigante quanto rasteiro, pois jamais se viu achincalhe de tal ordem a uma instituição séria chamada Presidência da República. Enfim, cada povo tem o presidente que merece.

Ucho Haddad com Gilmar Corrêa

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