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ano 6 - número 1332
quarta-feira, 11 de abril de 2007
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
"É costume de um tolo, quando erra, queixar-se do outro."
Sócrates
 
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O UCHO PERGUNTA

Qual fato justifica a criação da CPI do Apagão Aéreo?

Acidente da Gol

Tráfego Aéreo

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Fugindo da raia
Enquanto o Palácio do Planalto trabalha arduamente para sufocar qualquer tentativa de investigação da Infraero, a estatal acredita que a parte menos importante no imbróglio que já dura mais de seis meses é o passageiro. A coluna circulou pelo aeroporto de Congonhas durante o feriado prolongado de Páscoa, e percebeu que a Infraero não disponibiliza para as companhias aéreas um espaço reservado para abrigar as bagagens extraviadas. É preciso reconhecer que a responsabilidade pelas bagagens é das companhias, desde que a Infraero cumpra a sua parte. Quem busca informação no balcão da Infraero, no aeroporto de Congonhas, deixa o local sem entender nada. Mais: considerando que o aeroporto recebeu uma milionária maquiagem, resta concluir que a Infraero é adepta da tese do embrulho para presente. E o conteúdo...

Cadê o culpado?
Quando o Apagão Aéreo interrompeu as festas de fim de ano de milhares de brasileiros, os assessores palacianos rapidamente encontraram um culpado. E a Tam, companhia criada pelo saudoso comandante Rolim Adolfo Amaro, foi escolhida para arcar com o prejuízo moral. Três meses depois da gigantesca confusão, a Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, concluiu que os atrasos de dezembro último não foram causados por overbooking praticado pela empresa, como anunciaram as autoridades. Mesmo assim, os governistas continuam achando que não há fato determinado para a CPI do Apagão. Em tempo: afinal, de quem foi a culpa? (Foto: airliners-Irfan Kaliskan)

Mico pela frente
Antonio Fernando de Souza, o sempre sisudo procurador-geral da República, informou que entregará ao Supremo Tribunal Federal, no máximo até a próxima terça-feira, parecer sobre a instalação da CPI do Apagão Aéreo. Na opinião do procurador, o que discute no STF não é o fato determinado, mas o direito das minorias. Sobre fato determinado o STF já decidiu anteriormente, como foi o caso da CPI dos Bingos. A razoabilidade jurídica caminha na direção da instalação da CPI, mas postergar o fato só proporciona tempo para o governo Lula negociar nos bastidores.

Bastidores da verdade
Para provar que o problema que afetou a aviação civil nos últimos meses de 2006 é de responsabilidade do governo federal, um comunicado da presidência da Gol aos funcionários trata do assunto de maneira clara. No documento, que trata do Programa de Participação nos Resultados – o “PPR” – o presidente da Gol, Constantino Oliveira Junior, reconheceu o esforço dos funcionários no que chamou de “um dos anos mais difíceis da história da aviação”. Mais adiante, o empresário completa: “nossos colaboradores sabem como foi difícil enfrentar os problemas de outubro, novembro e dezembro”. Ora, então ocorreu overbooking.

Truma do bem
Nos últimos dias, a família Constantino de Oliveira tem enfrentado momentos contraditórios. Em uma das pontas do cotidiano o presidente da Gol reconhece os empenho dos funcionários da empresa, mas na outra o nome do pai, Nenê Constantino, é acusado de uso de mão-de-obra escrava. Ao que parece, o presidente Lula, um conhecido defensor do trabalhador, tem se valido da amizade e do servilismo de escravagistas. Na Câmara dos Deputados conta com o apoio incondicional de Inocêncio de Oliveira (PR-PE) e Leonardo Picciani (PMDB-RJ), ligados, direta ou indiretamente, ao trabalho escravo. E no caso de Constantino, foi a um acusado de escravidão que Lula pediu um favor. O de comprar a Varig. (Foto: Dida Sampaio - Agência Estado)

Brasa ministerial
Os primeiros passos do gaúcho Tarso genro no Ministério da Justiça têm causado discussões das mais diversas. Após negar o envio de tropas militares ao Rio de Janeiro, como derradeira tentativa de conter a violência, Tarso Genro foi questionado nos bastidores do poder. Ora, se seu antecessor, Márcio Thomaz Bastos, autorizou, por qual motivo Genro haveria de negar? Por outro lado, quando Thomaz Bastos autorizou o envio de tropas militares ao Rio, vice José Alencar estava no exercício da presidência, pois Lula estava em férias. Resumindo, a Justiça de fato é cega. E às vezes burra.

Falou demais
Ainda repercute no Rio de Janeiro o assassinato do policial militar que fazia a segurança da família do governador Sérgio Cabral Filho. Após o crime, o governador fluminense disse que considerava intolerável tal fato, e que a partir daquele momento seriam tomadas providências enérgicas para interromper a ação dos bandidos. Analisando isoladamente, o discurso de Cabral Filho é algo típico de um governante que tem o Estado nas mãos. Por outro, não passa de um tropeço discursivo, pois tudo o que aconteceu até a morte do segurança, na opinião do governador, foi tolerável. Será que um garoto arrastado até à morte pode ser considerado um fato tolerável? Com a palavra o governador Sérgio Cabral. (Foto: Senado)

Vida dura
Durou pouco a tentativa do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) de colocar ordem na Câmara, realizando sessões deliberativas às segundas-feiras. Os líderes dos partidos reuniram-se nesta terça-feira, e decidiram que sessões de votação ocorrerão às terças-feiras. Traduzindo para o bom e velho português, a semana de labuta dos parlamentares volta a ter apenas três dias.

Recordar é viver
Em 6 de junho de 2006, uma terça-feira, a Câmara dos Deputados foi invadida por um grupo de vândalos que, sob a égide do marasmo na reforma agrária, destruiu instalações e equipamentos da Casa legislativa. Na ocasião, o comandante da criminosa operação era Bruno Maranhão, integrante da cúpula petista e amigo do presidente Lula. Para acalmar a opinião pública, Lula disse que a Polícia Federal investigaria o caso e os culpados seriam punidos de maneira exemplar. Trezentos e nove dias depois, Bruno Maranhão não apenas freqüenta os escaninhos palacianos, com ri da cara do brasileiro. Com a palavra o presidente Lula.

Mão leve
A segurança do Ministério da Previdência Social decidiu ser mais vigilante com o patrimônio alheio. Colocou alarmes em todas as portas corta-fogos que dão acesso às escadarias do prédio na Esplanada dos Ministérios. É que larápios, talvez até alguns espertos servidores, estavam sumindo com objetos pessoais de funcionários e de visitantes durante o expediente. Até notebooks sumiram, sem que ninguém fosse detido. Ao sinal da campainha, os seguranças correm para as escadas.

Marcha a ré
A tropa de choque do governo na Câmara se movimentou rápido depois da leitura do relatório à medida provisória que regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, o Fundeb. As emendas da oposição que autorizavam repasses maiores para os municípios ou que reduziam a contrapartida financeira dos estados e que foram acatadas pela relatora, deputada Fátima Bezerra (PT-RN) foram retiradas.

Boi na linha
Nem tudo na vida é por acaso. Tão logo assumiu o governo paulista, o tucano José Serra, durante reunião no Palácio do Planalto, expôs ao presidente Lula o seu desejo de estadualizar o porto de Santos, há muito sob o controle do governo federal. Se naquele momento Serra falava oficialmente em nome do governo de São Paulo, nas entranhas carregava os interesses do banqueiro “Tantas”, cujo nome a Justiça ainda nos proíbe de citar. Oportunista como sempre, o banqueiro, que controla a empresa Santos-Brasil – atua no porto de Santos – quer fazer o presidente da Companhia Docas. Coincidência ou não, até 2002 a filha do governador Serra era sócia da irmã do banqueiro. (Foto: The Economist)

Pano pra manga
Se a o negócio da oposição é mesmo investigar, que se preparem os políticos, pois confusão é o que não falta. Além dos escândalos milionários que gravitam na órbita da Infraero, o Palácio do Planalto treme todas as vezes que dois assuntos são fisgados em reuniões fechadas: Petrobrás e porto de Santos. Temas que certamente renderiam investigações interessantes. O único problema é encontrar cadeia disponível para todos.

Cara-de-pau
Não faz muito tempo, o Tribunal de Justiça do Paraná foi palco de cenas de pugilato. Até então sem motivo declarado, seguranças do desembargador teriam agredido um médico do tribunal, por supostas desavenças. Agora, com o caso esclarecido, a verdade dos fatos veio à tona. Camargo, que planejava remover alguns indesejáveis “pés de galinha” na região dos olhos, tentou se valer do plano de saúde da magistratura. O médico do tribunal negou a cirurgia, sob a alegação de ser uma intervenção fora da cobertura do plano. O médico levou alguns sopapos sem saber a razão, e na seqüência foi demitido. E o desembargador está com a pele lisinha.

Clube privé
Pensando bem, para completar o circo só falta o presidente Lula receber o “Beira-Mar” em palácio.

Bombardeio de encomenda
(10/04/06) - Se de fato a oposição quer abalar as estruturas da campanha do presidente Lula, deixar de lado o caso Celso Daniel é uma das maiores irresponsabilidades a ser cometida. Ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, morto de maneira tão brutal quanto inexplicável, poderia, se vivo estivesse, ter evitado todo o constrangimento que Antonio Palocci Filho patrocinou ao presidente Lula. Afinal, Celso Daniel estava cotado para ser o coordenador da campanha de Lula em 2002, cargo posteriormente entregue a Palocci. Não se pode esquecer que sete importantes testemunhas do caso já morreram depois de Celso Daniel, sendo que os familiares do ex-prefeito atualmente vivem em lugar incerto e não sabido por conta das constantes ameaças de morte.

Ucho Haddad com Gilmar Corrêa

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