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Fugindo
da raia
Enquanto o Palácio do Planalto trabalha arduamente para sufocar
qualquer tentativa de investigação da Infraero, a estatal
acredita que a parte menos importante no imbróglio que já
dura mais de seis meses é o passageiro. A coluna circulou pelo
aeroporto de Congonhas durante o feriado prolongado de Páscoa,
e percebeu que a Infraero não disponibiliza para as companhias
aéreas um espaço reservado para abrigar as bagagens extraviadas.
É preciso reconhecer que a responsabilidade pelas bagagens é
das companhias, desde que a Infraero cumpra a sua parte. Quem busca
informação no balcão da Infraero, no aeroporto
de Congonhas, deixa o local sem entender nada. Mais: considerando que
o aeroporto recebeu uma milionária maquiagem, resta concluir
que a Infraero é adepta da tese do embrulho para presente. E
o conteúdo...
Cadê
o culpado? Quando o Apagão Aéreo
interrompeu as festas de fim de ano de milhares de brasileiros, os assessores
palacianos rapidamente encontraram um culpado. E a Tam, companhia criada
pelo saudoso comandante Rolim Adolfo Amaro, foi escolhida para arcar
com o prejuízo moral. Três meses depois da gigantesca confusão,
a Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, concluiu
que os atrasos de dezembro último não foram causados por
overbooking praticado pela empresa, como anunciaram as autoridades.
Mesmo assim, os governistas continuam achando que não há
fato determinado para a CPI do Apagão. Em tempo: afinal, de quem
foi a culpa? (Foto: airliners-Irfan Kaliskan)
Mico
pela frente Antonio Fernando de Souza,
o sempre sisudo
procurador-geral da República, informou que entregará
ao Supremo Tribunal Federal, no máximo até a próxima
terça-feira, parecer sobre a instalação da CPI
do Apagão Aéreo. Na opinião do procurador, o que
discute no STF não é o fato determinado, mas o direito
das minorias. Sobre fato determinado o STF já decidiu anteriormente,
como foi o caso da CPI dos Bingos. A razoabilidade jurídica caminha
na direção da instalação da CPI, mas postergar
o fato só proporciona tempo para o governo Lula negociar nos
bastidores.
Bastidores
da verdade
Para provar que o problema que afetou a
aviação civil nos últimos meses de 2006 é
de responsabilidade do governo federal, um comunicado da presidência
da Gol aos funcionários trata do assunto de maneira clara. No
documento, que trata do Programa de Participação nos Resultados
– o “PPR” – o presidente da Gol, Constantino
Oliveira Junior, reconheceu o esforço dos funcionários
no que chamou de “um dos anos mais difíceis da história
da aviação”. Mais adiante, o empresário completa:
“nossos colaboradores sabem como foi difícil enfrentar
os problemas de outubro, novembro e dezembro”. Ora, então
ocorreu overbooking.
Truma
do bem
Nos últimos dias, a família
Constantino de Oliveira tem
enfrentado momentos contraditórios. Em uma das pontas do cotidiano
o presidente da Gol reconhece os empenho dos funcionários da
empresa, mas na outra o nome do pai, Nenê Constantino,
é acusado de uso de mão-de-obra escrava. Ao que parece,
o presidente Lula, um conhecido defensor do trabalhador, tem se valido
da amizade e do servilismo de escravagistas. Na Câmara dos Deputados
conta com o apoio incondicional de Inocêncio de Oliveira (PR-PE)
e Leonardo Picciani (PMDB-RJ), ligados, direta ou indiretamente, ao
trabalho escravo. E no caso de Constantino, foi a um acusado de escravidão
que Lula pediu um favor. O de comprar a Varig. (Foto:
Dida Sampaio - Agência Estado)
Brasa
ministerial
Os primeiros passos do gaúcho
Tarso genro no Ministério da Justiça têm causado
discussões das mais diversas. Após negar o envio de tropas
militares ao Rio de Janeiro, como derradeira tentativa de conter a violência,
Tarso Genro foi questionado nos bastidores do poder. Ora, se seu antecessor,
Márcio Thomaz Bastos, autorizou, por qual motivo Genro haveria
de negar? Por outro lado, quando Thomaz Bastos autorizou o envio de
tropas militares ao Rio, vice José Alencar estava no exercício
da presidência, pois Lula estava em férias. Resumindo,
a Justiça de fato é cega. E às vezes burra.
Falou
demais
Ainda repercute no Rio de Janeiro
o assassinato do
policial militar que fazia a segurança da família do governador
Sérgio Cabral Filho. Após o crime, o
governador fluminense disse que considerava intolerável tal fato,
e que a partir daquele momento seriam tomadas providências enérgicas
para interromper a ação dos bandidos. Analisando isoladamente,
o discurso de Cabral Filho é algo típico de um governante
que tem o Estado nas mãos. Por outro, não passa de um
tropeço discursivo, pois tudo o que aconteceu até a morte
do segurança, na opinião do governador, foi tolerável.
Será que um garoto arrastado até à morte pode ser
considerado um fato tolerável? Com a palavra o governador Sérgio
Cabral. (Foto: Senado)
Vida
dura
Durou pouco a tentativa do deputado Arlindo
Chinaglia (PT-SP) de colocar ordem na Câmara, realizando sessões
deliberativas às segundas-feiras. Os líderes dos partidos
reuniram-se nesta terça-feira, e decidiram que sessões
de votação ocorrerão às terças-feiras.
Traduzindo para o bom e velho português, a semana de labuta dos
parlamentares volta a ter apenas três dias.
Recordar
é viver
Em 6 de junho de 2006, uma terça-feira,
a Câmara dos Deputados foi invadida por um grupo de vândalos
que, sob a égide do marasmo na reforma agrária, destruiu
instalações e equipamentos da Casa legislativa. Na ocasião,
o comandante da criminosa operação era Bruno Maranhão,
integrante da cúpula petista e amigo do presidente Lula. Para
acalmar a opinião pública, Lula disse que a Polícia
Federal investigaria o caso e os culpados seriam punidos de maneira
exemplar. Trezentos e nove dias depois, Bruno Maranhão não
apenas freqüenta os escaninhos palacianos, com ri da cara do brasileiro.
Com a palavra o presidente Lula.
Mão
leve
A segurança do Ministério
da Previdência Social decidiu ser mais vigilante com o patrimônio
alheio. Colocou alarmes em todas as portas corta-fogos que dão
acesso às escadarias do prédio na Esplanada dos Ministérios.
É que larápios, talvez até alguns espertos servidores,
estavam sumindo com objetos pessoais de funcionários e de visitantes
durante o expediente. Até notebooks sumiram, sem que ninguém
fosse detido. Ao sinal da campainha, os seguranças correm para
as escadas.
Marcha
a ré
A tropa de choque do governo na
Câmara se movimentou rápido depois da leitura do relatório
à medida provisória que regulamenta o Fundo de Manutenção
e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização
dos Profissionais da Educação, o Fundeb. As emendas da
oposição que autorizavam repasses maiores para os municípios
ou que reduziam a contrapartida financeira dos estados e que foram acatadas
pela relatora, deputada Fátima Bezerra (PT-RN) foram retiradas.
Boi
na linha Nem tudo na vida é por acaso. Tão
logo assumiu o
governo paulista, o tucano José Serra, durante
reunião no Palácio do Planalto, expôs ao presidente
Lula o seu desejo de estadualizar o porto de Santos, há muito
sob o controle do governo federal. Se naquele momento Serra falava oficialmente
em nome do governo de São Paulo, nas entranhas carregava os interesses
do banqueiro “Tantas”, cujo nome a Justiça ainda
nos proíbe de citar. Oportunista como sempre, o banqueiro, que
controla a empresa Santos-Brasil – atua no porto de Santos –
quer fazer o presidente da Companhia Docas. Coincidência ou não,
até 2002 a filha do governador Serra era sócia da irmã
do banqueiro. (Foto: The Economist)
Pano
pra manga
Se a o negócio da oposição
é mesmo investigar, que se preparem os políticos, pois
confusão é o que não falta. Além dos escândalos
milionários que gravitam na órbita da Infraero, o Palácio
do Planalto treme todas as vezes que dois assuntos são fisgados
em reuniões fechadas: Petrobrás e porto de Santos. Temas
que certamente renderiam investigações interessantes.
O único problema é encontrar cadeia disponível
para todos.
Cara-de-pau
Não faz muito tempo, o Tribunal
de Justiça do Paraná foi palco de cenas de pugilato. Até
então sem motivo declarado, seguranças do desembargador
teriam agredido um médico do tribunal, por supostas desavenças.
Agora, com o caso esclarecido, a verdade dos fatos veio à tona.
Camargo, que planejava remover alguns indesejáveis “pés
de galinha” na região dos olhos, tentou se valer do plano
de saúde da magistratura. O médico do tribunal negou a
cirurgia, sob a alegação de ser uma intervenção
fora da cobertura do plano. O médico levou alguns sopapos sem
saber a razão, e na seqüência foi demitido. E o desembargador
está com a pele lisinha.
Clube
privé
Pensando bem, para completar o circo só
falta o presidente Lula receber o “Beira-Mar” em palácio.
Bombardeio
de encomenda (10/04/06)
- Se de fato a oposição quer abalar as
estruturas da campanha do presidente Lula, deixar de lado o caso Celso
Daniel é uma das maiores irresponsabilidades a ser cometida.
Ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, morto de maneira tão
brutal quanto inexplicável, poderia, se vivo estivesse, ter evitado
todo o constrangimento que Antonio Palocci Filho patrocinou ao presidente
Lula. Afinal, Celso Daniel estava cotado para ser o coordenador da campanha
de Lula em 2002, cargo posteriormente entregue a Palocci. Não
se pode esquecer que sete importantes testemunhas do caso já
morreram depois de Celso Daniel, sendo que os familiares do ex-prefeito
atualmente vivem em lugar incerto e não sabido por conta das
constantes ameaças de morte.
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