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ano 6 - número 1330
segunda-feira, 9 de abril de 2007
Brasil: se cobrir vira circo, se cercar vira hospício
"Posso resistir a tudo, menos à tentação."
Oscar Wilde
 
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Promessa não é dívida
Desde o primeiro mandato até hoje, o presidente Lula acabou se transformando no maior “promessinha” dos últimos tempos. Para entender o rótulo que o torneiro-presidente ora ostenta, basta seguir a relação de promessas: 1) Prometeu recursos para a Defesa Sanitária do País. Até hoje nada. 2) Prometeu primeiro emprego para os jovens. Nada. 3) Prometeu três refeições por dia para todo brasileiro. Nada. 4) Prometeu acabar com o analfabetismo. Nada. 5) Prometeu reforma agrária, terra para todos. Nada. 6) Prometeu recursos para os atletas brasileiros, inclusive os para-atletas. Nada. 7) Prometeu saúde para todos os brasileiros. Nada. 8) Prometeu acabar com os buracos nas estradas. Nada. 9) Prometeu resolver o problema da segurança pública (após a morte do menino no Rio). Nada. 10) Prometeu revelar a origem do dinheiro que seria utilizado na compra do Dossiê Cuiabá. Nada. A única promessa cumprida foi perdoar as dívidas de países da África, Caribe e América do Sul. Mais: para conter o estrago causado nas Forças Armadas, o presidente Lula também prometeu.

Muito para nada
Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula, abusou da pirotecnia por ocasião do envio da Força Nacional de segurança para o Rio de Janeiro, mas tudo não passou de um bem planejado script politiqueiro. Desde que as tropas federais desembarcaram no Rio, nada de tão expressivo aconteceu na insegurança que aflige os fluminenses. Para se ter uma idéia do descalabro oficial, de 1º de fevereiro até o último sábado, 7 de abril, 626 pessoas foram assassinadas nos domínios do governador Sérgio Cabral, e 346 feridas. Os dados são do sítio eletrônico www.riobodycount.com.br.

É o fim do caminho?
País que tem uma das maiores cargas tributárias do mundo, o Brasil avança para inviabilizar o futuro. Dos discursos palanqueiros proferidos por muitas autoridades – a começar pelo presidente Lula – à ação propriamente dita, a nação continua naufragada naquela velha e rançosa promessa que marcou os anos da ditadura, de que o Brasil era o país do futuro. O futuro daquela época é a tragédia de hoje. Com a qualidade do ensino caindo diuturna e vertiginosamente, o Brasil já é conhecido como um país que abriga um considerável contingente de analfabetos. Não bastassem as promessas dos políticos, a voracidade tributária devora a esperança de um amanhã mais justo e digno. Clique e confira “A fúria tributária inviabiliza o país do futuro”, que mostra como a carga de impostos vilipendia os mais básicos direitos do cidadão.

Operação devassa
O Ministério da Justiça está de olho nos extravagantes gastos em viagens da Secretaria Especial para a Promoção de Políticas de Igualdade Racial (Sepir). Estão sendo liberadas viagens para todos os gostos. Somente num período de uma semana, cerca de 300 passagens de avião teriam sido autorizadas pela secretária com status de ministra Matilde Ribeiro. Para quem não se lembra, a ministra é a mesma que disse para a Agência Reuters de que “não é racismo quando um negro se insurge contra um branco”.

Cortina de fumaça
A calmaria que reinou nos aeroportos brasileiros, durante o ferido prolongado da Páscoa, não significa que o problema que compromete a segurança dos vôos está solucionado. O que o Palácio do Planalto fez, ao recuar diante da possibilidade de uma intifada militar de maiores proporções, foi transferir aos controladores que se rebelaram a responsabilidade por uma crise sem proporções. Os controladores do vôo, que pediram desculpas aos brasileiros, continuam divididos em relação às decisões tomadas recentemente.

Em família
Foco maior dos problemas que atingiram a aviação nos últimos meses, o sempre movimentado aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital paulista, viveu longos momentos de tranqüilidade durante o feriadão da Páscoa. O que mostra que os controladores de vôo voltaram a trabalhar além do que determina a legislação, colocando em risco a vida de passageiros e tripulantes. Quem aproveitou a calmaria de Congonhas, na tarde deste domingo, foi o senador Delcídio Amaral (PT-MS), que no aeroporto paulistano estava acompanhado da mulher e das filhas. Durante todo o tempo em que esteve em Congonhas o senador sul-mato-grossense se fez acompanhar de um amigo, com quem confabulou os mais diversos assuntos.

 
 

Caiu na rede
Atrasada tecnologicamente e emperrada por uma legislação atrofiada, a Justiça decidiu agir e correr contra o tempo. No Dia de São Jorge, 23 de abril, o Supremo Tribunal Federal vai disponibilizar o Diário da Justiça Eletrônico, uma versão digital da publicação oficial impressa que reúne todos os atos jurídicos do tribunal. O STF pensa em extinguir a versão impressa a médio prazo e só disponibilizar seus atos e decisões na Internet. O bom exemplo poderia ser seguido pelos demais tribunais, inclusive pelos estaduais.

Recompensa na fila
A fidelidade canina do ex-senador João Alberto – é o presidente regional do PMDB do Maranhão – ao senador José Sarney (PMDB-AP) pode lhe garantir a presidência da Funasa, no lugar do defenestrado Paulo Lustosa. Há quem aposte que João Alberto pode ser confirmado no cargo nos próximos dias, mas sabe-se que a luta pela presidência da Fundação, envolvida em escândalos, é fratricida. Caso não emplaque no cargo, João Alberto poderá ainda ser indicado para  o Banco Postal ou a Diretoria de Operações dos Correios. Sabe-se, com boa dose de certeza, que o ex-candidato a vice-governador na chapa de Roseana Sarney, em outubro, não ficará desempregado. O senador José Sarney (PMDB-AP) está pessoalmente empenhado nisso.

De olho no céu
Enfim, a teoria do fim do planeta vem assinada por cientistas do mundo inteiro no Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, que tem a chancela da ONU. As mudanças climáticas já estariam transformando o Planeta e milhares de pessoas, principalmente nos países mais pobres, estariam ameaçados de morte. A divulgação confronta com um livro chamado “Ambientalismo - Novo Colonialismo”, segundo a qual entidades com apoio de países industrializados estariam interessados em frear o desenvolvimento dos mais pobres. A tese é simples, países como o Brasil estariam impedidos de usar seus recursos naturais porque serão obrigados a preservar o ambiente, como florestas e os rios.

Censura verde
O livro “Ambientalismo”, que tem como retranca de título "Máfia Verde 2", teve a venda proibida no País pela World Wild Foundation, a WWF, maior organização do tipo no mundo, e com presença atuante em mais de cem países. Sua tese central é de que o ambientalismo é um novo colonialismo e desfia uma série de teorias da conspiração engendradas inclusive pela família real britânica. O ambientalismo, segundo essa publicação, ocorreu em meio a um processo de entendimento da natureza antidesenvolvimentista e dos propósitos políticos do movimento indigenista e ambientalista internacional, aí incluídas ramificações no Brasil.

Mãos ao alto
Quem ousar percorrer os quase 260 Km que separam as cidades de São Paulo e Araraquara (no interior paulista), e vice-versa, deve ter no bolso a bagatela de R$ 51,40 para saciar o apetite dos pedágios. No trecho administrado pela concessionária Autoban, por exemplo, as praças de pedágio cobram valores distintos (R$ 5,10 e R$ 5). Questionada por um leitor da coluna sobre a diferença (R$ 0,10), ainda que mínima, uma funcionária da Autoban disse que a redução se deve ao aumento do valor do pedágio que será anunciado em breve – passará para R$ 5,30. Considerando que para cobrir a distância entre as duas cidades, ida e volta, percorre-se 520 Km, a boa e velha aritmética mostra que o usuário desembolsa R$ 0,10 a cada quilômetro rodado. O valor pode parecer pouco se analisado isoladamente, mas é bom lembrar que um litro de leite custa, em média, R$ 1,26. Ou seja, viajar para o interior paulista exige carro e combustível de sobra, além de consumir o equivalente a quarenta litros de leite em pedágio. Sempre lembrando que privatizar as estradas paulistas foi obra do tucanato.

Conversa mole
Enquanto a porção brasileira do catolicismo se prepara para receber, em maio, o papa Bento XVI, o sumo pontífice abusa de sua retórica populista. Muito longe do que acontece nos bastidores do Vaticano, Bento XVI aproveitou o domingo de Páscoa para condenar, entre outras coisas, a fome no mundo. Trata-se de um discurso de encomenda, pois nas coxias da praça São Pedro a história é bem diferente, pois cardeais se refestelam nas iguarias servidas pela Santa Sé. Quem se interessar pelo assunto basta folhear o livro “Os segredos da cozinha do Vaticano”. No mínimo um atentado contra aqueles que depositam suas quireras na sacolinha da sacristia. Em tempo: entre as barbáries gastronômicas que saem dos fogões da Santa Sé estão esturjão com pétalas de rosas e a empanada crocante de enguia. (Foto: EFE)

Memória curta
Ainda o papa Bento XVI... Antes de continuar com o tema, é preciso lembrar que não se trata de implicância, ou algo semelhante, mas apenas uma pontual cobrança do editor, um cristão confesso, para a necessária manutenção da coerência. Diante de tantos detalhes nos preparativos para receber o papa no Brasil, os seguidores da Santa Sé não podem deixar alguns assuntos de lado, como o escandaloso envolvimento do Banco Ambrosiano com a máfia turca e a maçonaria, a misteriosa morte de Dom Albino Luciani, o papa João Paulo I, e os casos de pedofilia que marcaram muitas das sacristias do planeta.

Fortuna flutuante
O estaleiro Schaefer Yachts, de Palhoça (SC), não poderia contar com melhor garoto-propaganda do que Romário. O atacante vascaíno, que vem perseguindo o milésimo gol, acaba de comprar, por R$ 2 milhões, uma lancha Phantom 500 HT, de 50 pés, com três quartos, TVs de plasma, teto solar, ar condicionado central, cozinha e até uma churrasqueira, instalada na popa. O estaleiro produz apenas duas unidades por mês, e está com as encomendas comprometidas até agosto. A lancha será uma das vedetes do Rio Boat Show, evento que acontece na Cidade Maravilhosa entre os dias 13 e 22 deste mês.

Caravela vermelha
Pensando bem, do jeito que a enganação avança, um dia alguém vai dizer que foi Lula quem descobriu o Brasil.

Grampo generalizado
(09/04/06) - Não bastasse o monitoramento dos telefones do editor da coluna, que têm proporcionado ecos de fazer inveja aos mais experimentados espeleólogos, nos últimos dias os inimigos adotaram a prática do grampo telemático, como forma de intimidar os que bradam por uma nação verdadeira, transparente e justa socialmente. Lamentamos profundamente o episódio, que nos levou a perder temporariamente algumas mensagens eletrônicas, mas lembramos que medidas foram tomadas para restabelecer a privacidade e a inviolabilidade garantidas pela Constituição Federal. Resumindo, depois das ações “fala que eu te escuto”, os desafetos da coluna lançaram o “escreve que eu leio”.

Ucho Haddad com Gilmar Corrêa

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