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Batata
quente
O que a coluna antecipou, dias atrás, agora se confirma na grande
imprensa. O recuo em relação ao
acordo firmado com os sargentos do controle aéreo serviu como
cortina de fumaça para o Palácio do Planalto. Os militares
têm conhecimento dos quesitos indisciplina e quebra de hierarquia,
mas o presidente Lula está comandando uma operação
abafa. Deixando de lado a notória obsolescência dos equipamentos
de controle aéreo, não se pode esquecer que os controladores,
por ocasião do acidente com o Boeing da Gol, muitas vezes controlavam
os céus do Brasil por celular. No contraponto, muitos dos controladores,
nas horas de folga, são obrigados a serviços extras para
garantir a subsistência. Uma coisa é indisciplina, a outra
é querer atirar uma bomba no colo de quem não tem culpa.
Ou será que o Brasil vai ressuscitar ao revés o caso do
Rio Centro? (Foto: laopinion.com)
Mal
contado
O pedido de desculpas à sociedade, apresentado, nesta quinta-feira,
pelos controladores que se amotinaram na última semana, não
arrebatou a simpatia de boa parte da categoria. Muitos dos controladores
ainda não entendem a decisão da maioria de buscar apoio
na Conlutas, entidade ligada ao radical PSTU, legenda política
que não nutre simpatia pelo militarismo. Enfim, resta dizer que
toda essa operação do governo Lula foi estranha, muito
estranha. Quiçá não tenha sido de encomenda.
Pagando
a conta
Quando os militares graduados bateram o pé no
Palácio do Planalto para manter a hierarquia nas três Armas,
muitos esqueceram de atitudes recentes e comprometedoras. Em 2006, o
então comandante do Exército, general Francisco Albuquerque,
interrompeu a decolagem de um vôo da Tam, apenas porque queria
embarcar com a mulher para Brasília. Porém, é preciso
lembrar que recentemente militares aplaudiram de pé, e efusivamente,
ninguém menos que João Pedro Stédile,
o líder do MST, durante palestra na Escola Superior de Guerra.
Ou seja, a fatura chegou tarde, mas chegou.
Caos
sobre rodas
O governo e a mídia deveriam se preocupar também com a
qualidade dos ônibus e do transporte de passageiros pelas rodovias
brasileiras. Viajar para
determinadas regiões do Brasil é um risco de vida, tanto
pelo número de buracos nas rodovias, quanto pelos constantes
assaltos a que os passageiros estão sujeitos. A crise aérea
teve tal dimensão porque políticos, classe média
e autoridades foram prejudicados. Se um problema idêntico ocorresse
nas rodoviárias das principais capitais brasileiras, o espaço
dedicado pela mídia seria infinitamente menor.
Mudando
de endereço
A conseqüência direta da crise no setor aéreo foi
um crescimento de 10% no movimento dos ônibus de passageiros.
O feriadão prolongado forçou também a ampliação
do número de veículos para dar conta da demanda. Em Curitiba,
por exemplo, 40 mil pessoas devem passar pela rodoviária. Em
Fortaleza, serão 53 mil pessoas, um público significativo
que deveria receber muito mais atenção das autoridades.
Perdendo
dinheiro
No contraponto da crise, muita gente desistiu de viajar de avião
e está se aventurando pelas estradas, que se tornaram uma roleta
russa. Mesmo numa viagem de 500 quilômetros, que é a média
do percurso do turista de carro, segundo cálculos das agências
de viagens, o desafio é imenso porque falta sinalização,
o asfalto é irregular e o policiamento precário. Por conta
desse e de outros motivos como a crise aérea, o turismo doméstico
teve uma queda de 40% na venda de pacotes nos últimos seis meses,
de acordo com levantamento da Associação Brasileira dos
Agentes de Viagem. Os destinos mais prejudicados foram o Nordeste, o
Pantanal e o sempre belo Rio de Janeiro, informa a Abav.
Difícil
de entender
Grandes veículos da imprensa, que dias atrás rasgaram
seda na direção de Constantino de Oliveira Junior, presidente
da Gol, erram ao noticiar que a fusão da empresa aérea
com a Nova Varig dará ao empresário, em pouco tempo, a
liderança do setor. Na verdade, essa tal liderança é
uma utopia comercial por dois motivos. Primeiro porque a legislação
que rege a recuperação judicial de empresas impede tal
fusão. Em segundo lugar, Constantino Júnior declarou,
logo após o anúncio do negócio, que Varig e Gol
serão concorrentes. Ora, se existir alguma liderança em
termos de “market share” será da família Oliveira
e não da Gol. Ou será que tudo aquilo que disse o presidente
da Gol já não vale?
Movido
a álcool
O líder do governo na Câmara, deputado José
Múcio
Monteiro (PTB-PE) pode ter outra qualidade além daquela
descrita pelo ex-companheiro Roberto Jefferson, segundo a qual o pernambucano
é o "pior caráter" que já conheceu. Acompanhado
de um copo do legítimo escocês, Múcio soltou a voz
na festa de aniversário do ex-deputado Carlos Mota (PSB-MG) na
noite de quarta-feira, no Lago Sul, em Brasília. A cantoria,
que foi até altas horas da madrugada, provavelmente é
um treino para não desafinar na hora de defender as contraditórias
propostas do governo Lula no Plenário do Legislativo. (Foto:
Celso Junior - Agência Estado)
Parada
dura
Depois do feriadão de Páscoa, entre segunda e quarta-feira,
os líderes no Senado podem chegar a um acordo para a data da
sessão do Congresso Nacional destinada a votar o veto do presidente
Lula à fatídica Emenda 3, que dá poderes aos fiscais
da Super Receita de multar pessoas jurídicas que disfarçam
uma relação de emprego. É bem provável que
o veto caia, porque há um imenso lobby a favor, aí incluído
a poderosa plim-plim e os grandes veículos de comunicação
impressa. É que a maioria dos jornalistas agora é contratada
pela figura de "Pessoa Jurídica", um desvio legal para
fugir dos tributos sociais e trabalhistas.
Pagando
para ver
Na outra ponta do embate estão sete centrais sindicais de trabalhadores
favoráveis ao veto presidencial. As centrais decidiram orientar
os sindicatos a realizar uma imensa mobilização no próximo
dia 10, incluindo o fechamento de pontes e outros tipos de vias e acessos
públicos como forma de pressão. No governo Lula, discute-se
o envio de um projeto de lei alternativo para substituir a Emenda 3.
O Ministério da Fazenda foi encarregado de estudar o caso que
não agradou parlamentares, trabalhadores e empresários.
Mas até agora não deu sinal algum.
Reforçando
o time
Em sua rápida passagem por Curitiba, dias atrás, o
deputado cassado José Dirceu foi muito além
dos contatos políticos. O ex-ministro conversou com o procurador-geral
do Paraná, Sérgio Botto de Lacerda, que, segundo informações
obtidas pela coluna, pode engrossar a fila de defensores de José
Dirceu em sua caminhada pela reconquista dos direitos políticos.
Desde que não seja contra o Estado – neste caso o Paraná
– exercer a advocacia é uma prerrogativa legal dos procuradores.
Porém, não deixa de ser mais um imbróglio para
aterrissar na escrivaninha de Roberto Requião. (Foto:
AFP)
Pizza
vencida
Ontem, com as portas do Congresso fechadas por conta da quinta-feira
santa, a maioria angelical do parlamento não pode comemorar o
primeiro aniversário da CPI Mista dos Correios. Doze meses depois
da apresentação do relatório da CPI que investigou
o esquema de corrupção que emanou do Palácio do
Planalto e contaminou boa parte dos políticos, nada de concreto
aconteceu, tirante a cassação dos mandatos de Roberto
Jefferson, José Dirceu e Pedro Corrêa. Os outros freqüentadores
da sacristia palaciana, como Silvinho Pereira, Delúbio Soares,
Professor Luizinho, João Paulo Cunha, José Genoíno,
Marcos Valério e até o mais polêmico banqueiro tupiniquim,
o “Tantas” (a Justiça ainda nos impede de citar seu
nome), continuam rindo à toa. E imaginar que o PT sempre defendeu
a ética e a transparência no trato da coisa pública.
(Foto: Estadão)
Pocilga
oficial
Os suinocultores de Santa Catarina (especialmente) e do Paraná
estão comendo o pão que o diabo amassou. Amargam prejuízos
incalculáveis, enquanto o governo faz que não vê
o problema dos pequenos produtores. Estão encalhadas nada menos
que 100 mil toneladas de carne, apenas porque o mercado externo ficou
assustado com a febre aftosa no Mato Grosso do Sul. A Conab poderia
comprar para estoque 50 mil toneladas do produto, mas até agora
o Ministério da Agricultura não respondeu à sugestão.
Se não houver intervenção, a maioria dos produtores
irá à falência. E os governos federal e estaduais
continuam fazendo muito pouco diante do avanço da doença.
O Brasil poderia ser o maior exportador de carne do mundo, mas a falta
de cuidado com a área econômica tupiniquim virou rotina.
Gente
boa
Está nas mãos da Justiça o futuro do jornal O Estadão
do Norte, o maior diário de Rondônia. Envolvido nas negociatas
do proprietário Mário Calixto Filho, o jornal poderá
ser fechado porque já foi solicitada, há dois dias, a
falência da empresa. O dono do jornal, que foi senador por algum
tempo na vaga Amir Francisco Lando, tem propriedades em Balneário
Camboriu (SC) que estão sendo rastreadas para cobrir as dívidas
contraídas pela empresa jornalística junto a fornecedores.
Calixto, que se dedica à construção civil, fundou
também um jornal em Brasília, o Tribuna do Brasil, que
também está ameaçado de fechar.
É
melhor espichar
Pensando bem, o governo Lula é o típico cobertor curto.
Se puxar de um lado, o pé fica de fora. Se puxar do outro, o
“derriére” fica à mostra.
Face
lenhosa (06/04/06)
- No rastro das intempéries políticas que assombram o
reino de Dom Lula I, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso participou,
ontem, de entrevista no Programa do Jô, na Vênus Platinada.
Abusando da desfaçatez, FHC falou de tudo um pouco, de acertos
político-administrativos a gafes diplomáticas, mas sentiu-se
à vontade para comentar sobre ilegalidade e imoralidade. Quem
bem conheceu os oito anos da era cardosiana sabe que as coisas não
foram tão douradas assim. A começar pela imoralidade,
não se pode deixar de ressaltar o caso da jornalista Miriam Dutra,
hoje vivendo em Barcelona, na Espanha, mãe de um filho de extraconjugal
de FHC, e que deixou a ex-primeira-dama Ruth Cardoso furiosa. Tendo
a plena certeza da paternidade, FHC, antes de deixar o poder, dividiu
boa parte de seu patrimônio entre os filhos que teve com dona
Ruth, deixando o jovem Tomás de fora da partilha de bens.
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